256px|thumb|Microalgas do género Nannochloropsis vista por um microscópio óptico. Em biologia aquática (biologia marinha e limnologia), chamam-se microalgas as algas unicelulares que crescem em água doce ou salgada. O termo microalga não está ligado à taxonomia dos seus integrantes, mas esse termo designa um grupo polifilético de características metabólicas semelhantes, ou seja, elas surgiram e evoluíram em tempos diferentes, mas o mecanismos dentro das células é semelhante. Neste grupo podemos incluir as Chlorophytas ou algas verdes, que são eucariontes, e as cianobactérias, que são procariontes. Elas podem estar associadas em colónias, por vezes de grandes dimensões. Seu tamanho pode variar de alguns a poucas centenas de micrômetros (1µm = 10-6m).

As microalgas não só fazem parte do plâncton, mas também têm sido consideradas responsáveis pela maior parte do oxigênio da atmosfera terrestre e são a base principal da cadeia trófica aquática. As microalgas também são a maior parte do perificton, que é uma fina camada (biofilme) normalmente observada com manchas verdes ou pardas aderidas a objetos submersos na água. Foi estimada a existência de 200 000 a 800 000 espécies, das quais apenas cerca de 35 000 estão descritas.

Usa-se este termo em oposição a macroalga, que refere normalmente as algas com órgãos diferenciados, como as algas vermelhas e as algas castanhas.

O grupo de microalgas mais importante é o das diatomáceas, mas em certos sistemas, principalmente em água doce, as clorofíceas ou cianofíceas podem ser dominantes.

Aplicações

Algumas microalgas podem ser cultivadas para uso em aditivos alimentares, ou ainda no uso de seu próprio conteúdo, como óleos, pigmentos e alguns carboidratos especiais e pela produção do ácido graxo como Omega-3, que é passado na cadeia alimentar.

+Alguns produtos obtidos de microalgasMicroalgas, produtos e aplicações Produto AplicaçõesAlimentos naturais “health food” Alimentos funcionaisBiomassaBiomassaAditivos alimentares Aqüicultura Condicionador do soloBiocombustíveisXantofilas (astaxantina e cantaxantina)Corantes eLuteínaCosméticosantioxidantesAditivos alimentaresBeta-caroteno Vitamina C e EÁcido araquidônico - ARA Ácido eicosapentaenóico - EPAÁcidos graxosÁcido docosahexaenóico - DHAAditivos alimentaresÁcido gama-linolênico - GCA Ácido linoléico - LA Superóxido dismutase –SOD Alimentos naturaisEnzimasFosfoglicerato quinase – PGK PesquisaLuciferase e Luciferína MedicinaEnzimas de restrição Polissacarídeos Aditivos alimentaresPolímerosAmido CosméticosÁcido poli-beta-hidroxibutirico - PHB MedicinaPeptídeos Toxinas Produtos especiaisIsótopos PesquisaAminoácidos (prolina, arginina, ácido aspártico) MedicinaEsteróis Abaixo está alguns exemplos de empresas que utilizam microalgas para produzirem aos produtos para medicina.

+Empresas, localização, microalgas cultivadas, seus produtos e atividade biológica atribuída EmpresaPaís Microalga (gênero)ProdutoAtividade biológicaMartek/Omegatech USA Crypthecodinium DHA Desenvolvimento cerebralCyanotechUSA Haematococcus AstaxantinaTratamento da Síndrome do Túnel do CarpoMERAUSA Haematococcus AstaxantinaAntiinflamatório, tratamento de lesões muscularesOceanNutritionCanadá ChlorellaExtrato de carboidratosMelhora da resposta imunológica, antigripal (“anti-flu”)InnovalGFrançaOdontellaÁcido eicosapentaenóico - EPAAntiinflamatórioPanmol/MadausÁustria SpirulinaVitamina B12Melhora da resposta imunológicaNutrinova/CelaneseAlemanha UlkeniaÁcido docosahexaenóico - DHATratamento de doenças cerebrais e cardíacas

O papel das microalgas na análise da qualidade da água As microalgas exercem um papel importante para definir o quão boa é uma fonte de água para uso humano. As microalgas podem viver em dois principais tipos de ambientes aquáticos: o fitoplâncton (organismos que flutuam na água) e o perifíton (um tipo de camada fina de algas e outros organismos que cresce sobre superfícies submersas, como rochas, troncos e plantas aquáticas). O perifíton é importante porque contribui para a saúde dos ecossistemas aquáticos, ajudando na produção de oxigênio e no controle do fluxo de nutrientes. Além disso, ele pode ser utilizado para medir a poluição da água, pois é sensível às mudanças no ambiente e serve como um indicador do nível de nutrientes na água.

O perifíton desempenha um papel crucial nos lagos, tanto na alimentação de outros organismos quanto no ciclo de nutrientes. Ele também pode ser usado para detectar sinais de problemas ambientais, como o excesso de nutrientes na água (um processo chamado eutrofização), ajudando a guiar ações de recuperação ambiental.

O ficoperifíton, um tipo específico de perifíton, é comumente usado em estudos ambientais para avaliar a qualidade da água. Isso porque ele tem várias vantagens: é fixo em um lugar (séssil), os organismos que o compõem têm ciclos de vida curtos, respondem rapidamente às mudanças no ambiente e há muitas espécies diferentes envolvidas. Isso facilita a identificação de alterações na saúde do ecossistema aquático.

Produção de bioetanol a partir de biomassa de microalgas Devido à preocupação com o esgotamento das fontes de energia não-renováveis, novas alternativas para o desenvolvimento de biocombustíveis como o bioetanol vem sendo buscadas. A fermentação de bioetanol através de amido ou cana-de-açúcar (conhecido como etanol de primeira geração) é muito utilizada, contudo, o bioetanol de primeira geração baseado em culturas alimentícias causa questões morais do uso de alimentos na produção de combustível.

A utilização de biomassa de microalgas para a fermentação de bioetanol (etanol de terceira geração) vem cada vez ganhando mais espaço pois estas apresentam algumas vantagens em relação à métodos convencionais. Tais como a eficiência elevada de conversão fotossintética, o alto teor lipídico armazenado em sua biomassa, rápido crescimento e a não utilização de terras agrícolas destinadas à culturas alimentícias. miniaturadaimagem|307x307px|Fotobiorreator utilizado para o cultivo de microalgas. A produção do bioetanol, se dá basicamente por três etapas: Pré-tratamento, sacarificação e fermentação.

·        Pré-tratamento: Primeiramente pelo cultivo das microalgas em fotobiorreatores por uma forma de cultivo chamada de Aquicultura. Após a secagem, a biomassa obtida é triturada afim de se obter um rompimento da parede celular de suas células;

·        Sacarificação: A etapa de sacarificação baseia-se na hidrólise dos carboidratos presentes nas células da biomassa, geralmente através de algum produto químico como os ácidos, por exemplo;

·        Fermentação: O hidrolisado obtido na etapa de sacarificação, rico em monossacarídeos, é utilizado por fim, na fermentação do bioetanol . mediante a ação de um microrganismo, como a levedura Saccharomyces cerevisiae, por exemplo, que é comumente utilizada na fermentação alcoólica.

Através desta última etapa, o etanol é produzido através da fermentação e separado do restante da solução.MAGRO, F. G.; DECESARO, A.; BERTICELLI, R.; COLLA, L. M.. Produção de Bioetanol Utilizando Microalgas: Uma Revisão. Semina: Ciências Exatas e Tecnológicas, Londrina, v. 37, n. 1, p. 159-174. 2016. Universidade de Passo Fundo – RS. 2016.

          Microalgas no desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável é uma grande questão a ser explorada no século XXI.  Segundo a ONU a população mundial chegará em 9,7 bilhões em 2050. A problemática da superpopulação é um problema que tem como obstáculo a necessidade de conservar os recursos naturais para as próximas gerações. Uma das soluções para isso estão nas microalgas, que, pelas suas propriedades e por serem encontradas tanto em ambientes salinos como de água doce, têm ganhado destaque nas pesquisas.

As microalgas podem ser usadas ​​na alimentação animal (particularmente na aquacultura), e em vários alimentos, incluindo massas, salsichas veganas, barras proteicas energéticas, produtos de panificação e cremes vegetais. A grande maioria das aplicações comercias das microalgas se concentra na produção de Chlorella e espirulina em pó, como biomassa seca que oferece vários benefícios à saúde. Algumas cepas contêm até 70% de proteína e são fontes sustentáveis de ômega–3. Atualmente, a maioria dos suplementos de ômega-3 são derivados de óleos de peixe. Isso, no entanto, levanta preocupações de sustentabilidade, como danos aos ecossistemas marinhos como resultado da sobrepesca. Outros compostos bioativos, como vitaminas B12, K ou D também são encontradas nas microalgas, evidenciando suas propriedades para a saúde, reduzindo o risco de câncer e doenças cardiovasculares, por exemplo.

Uma grande vantagem do cultivo de microalgas é a possibilidade de cultivo em diferentes locais, com condições ambientais muito diferentes. Podem ser cultivadas desde a Islândia, cujo clima é majoritariamente subpolar, até em ambientes com um clima desértico.  Por exemplo, no Chade, um país sem litoral e de baixa renda, o consumo de espirulina colhida no Lago Chade melhorou significativamente o estado nutricional das pessoas porque a espirulina é uma excelente fonte de proteínas e micronutrientes.

Desde a década de 1950 tecnologias intensivas para o cultivo de microalgas têm sido estudadas e desenvolvidas. Atualmente, esses organismos são cultivados em fotobiorreatores de sistema aberto ou fechado. No entanto, os custos de produção e processamento da biomassa de microalgas ainda são altos. São necessárias tecnologias avançadas para aumentar a produtividade e reduzir os custos. Embora os benefícios do cultivo de microalgas orgânicas para alimentos e rações sejam substanciais, o crescimento do mercado exigirá a superação desses obstáculos (falta de produção automatizada no setor). Por esse motivo, a produção de microalgas ainda está em seus estágios iniciais em comparação a outras safras.

Além de seu valor nutricional, as microalgas também oferecem benefícios climáticos, uma vez que sequestram dióxido de carbono da atmosfera, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Além disso, também existem vantagens econômicas ao utilizar áreas de cultivo de forma mais eficiente, por meio do uso de terras não aráveis, o que amplia a possibilidade de produção de biomassa.

           Outro grande problema global que ganhou destaque é a vulnerabilidade do suprimento de alimentos pelo globo (que ficou mais evidente com a guerra da Rússia na Ucrânia). Interrupções nas exportações podem inflacionar os alimentos em todo o mundo em níveis muito altos, principalmente em países em desenvolvimento. Em maio de 2022, os custos dos alimentos aumentaram 42% em comparação com 2014-2016, informou a ONU . No ano passado, cerca de 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome – um aumento de aproximadamente 46 milhões em comparação com 2020 e um aumento de 150 milhões desde o início da pandemia de COVID-19. A demanda por alimentos de alta qualidade nutricional é alta, e tende a aumentar nos próximos anos à medida que a população mundial cresce.

Devido a esses desafios, o portfólio de produtos contendo microalgas permanece limitado hoje. Mas, se esses obstáculos puderem ser superados, as perspectivas gerais para a indústria de microalgas são promissoras. Além de ser uma fonte de alimento e ração, as microalgas podem ser utilizadas para biocombustíveis, cosméticos, fertilizantes e suplementos de saúde.

Produção de astaxantina a partir de microalgas