O Ypiranga Futebol Clube (acrônimo YFC), também conhecido como Ypiranga de Erechim ou só Ypiranga, é um clube de futebol brasileiro com sede na cidade de Erechim, no estado do Rio Grande do Sul. Tem sua fundação datada de 18 de agosto de 1924, ocorrida após uma discussão que sucedeu ao confronto entre Ítalo-Brasileiro e Esporte clube Rio Branco, time da sede Dourado. O primeiro jogo oficial foi disputado um mês após o início das atividades no clube, tendo sido um triunfo pelo placar de 1–0 contra o próprio Ítalo-Brasileiro, fato que acompanhou a criação da primeira torcida organizada do clube, conhecida por "As Legionárias".
A equipe do Ypiranga conquistou seu primeiro troféu no ano de 1928 ao vencer o extinto Campeonato Citadino de Erechim. A primeira conquista a nível estadual ocorreu em 1950, com o título do Campeonato Gaúcho de Futebol Amador, estabelecendo assim uma expansão da marca do clube para todo o estado. A partir daquele ano, a equipe começou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho, no qual protagonizou o clássico conhecido como "Atlanga", juntamente com o Clube Esportivo e Recreativo Atlântico, rival da cidade erechinense. No ano de 1964, iniciou-se a construção do seu estádio próprio, denominado como Estádio Colosso da Lagoa, tendo sido concluído em setembro de 1970 e inaugurado num confronto entre Grêmio e Santos.
No ano de 1967, o Ypiranga conquistou o título da Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho, permitindo ao mesmo disputar pela primeira vez a Divisão Principal do certame. A equipe manteve-se em tal patamar ao longo da década de 1970, enfrentando graves crises nos anos posteriores, que culminariam em novos rebaixamentos e acessos. As atividades do clube foram encerradas no ano de 2003 por problemas financeiros, tendo sido reativadas em 2005 após uma parceria com uma instituição de ensino, acarretando no título da divisão de acesso de 2008 e no vice-campeonato da Copa FGF de 2009.
Em 2015, o Ypiranga chegou às semifinais do Série D do Campeonato Brasileiro, garantindo-lhe vaga para disputar a Série C de 2016. Além de participar deste torneio, o clube chegou à terceira fase da Copa do Brasil. Em 2019, conquistou pela quinta vez a Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho, e alcançou a segunda fase da Série C, sendo eliminado pelo no jogo decisivo.
Atualmente, o Ypiranga disputa a primeira divisão do Campeonato Gaúcho e a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Após ascender à Série C do Brasileirão em 2016, o clube jamais foi rebaixado, fazendo, assim, parte da seleta lista de times brasileiros que nunca foram rebaixados por nenhuma das divisões nacionais do Brasileirão.
História Fundação e anos iniciais (1924–1965) No dia 17 de agosto de 1924, a cidade de Erechim - conhecida na época como Boa Vista do Erechim - recebeu um confronto entre os times do Sport Club Ítalo-Brasileiro, única equipe da cidade no momento, e o Douradense, que pertencia à comunidade vizinha chamada Dourado. Após o jogo ter sido realizado na área que atualmente compreende a Praça Júlio de Castilhos, no centro do município, ocorreu uma briga generalizada entre jogadores, torcedores e dirigentes, motivada pelo fato de alguns torcedores recém-chegados à Erechim manifestarem apoio à equipe do Douradense. No dia seguinte, um grupo de entusiastas do futebol reuniu-se no Hotel Lourenço Antunes de Oliveira e decidiram pela criação de um novo clube para fazer frente ao Ítalo-Brasileiro, denominado Ypiranga Futebol Clube, como uma forma de homenagem à Independência do Brasil, ocorrida às margens do Rio Ipiranga. As cores escolhidas para identificarem a equipe - sendo estas o verde e o amarelo - e a ave canário como mascote também serviram em referência à pátria. Segundo o site oficial da equipe, os fundadores do clube são Arthur Incerti, Favorino Pinto, Ercilia Di Francesco Amorim, Fioravante Tagliari, Florêncio Antunes de Oliveira, Francisco de Oliveira Dias, Heraclides Franco, Jacinto Godoy, João Antonio Sírtoli, João Magnabosco, João Reis Solon, João Vitorino dos Reis, José Maria de Amorim, Lizandro Araújo, Nilo Amorim, Otto Feldmann, Paulo Damasceno Ferreira, Sigismundo Pllak, Sebastião César, Silvestre Péricles Monteiro, Simão Vasconcelos de Souza, Themistocles Ochoa, Theodoro Tedesco e Vitório Alovise.
Um mês e dois dias após a sua fundação, em 20 de setembro de 1924, o Ypiranga disputou o seu primeiro jogo oficial, justamente contra o Ítalo-Brasileiro, resultando em um triunfo por 1–0; grande parte dos atletas ypiranguistas fizeram parte do grupo fundador da equipe. No mesmo ano, deu-se início à primeira torcida organizada do clube, conhecida como "As Legionárias", formada unicamente por mulheres que se destinavam a vender botões de rosa na frente do estádio com a finalidade de ajudar financeiramente, contribuindo para o pagamento do salário dos atletas. O espaço escolhido enquanto mandante das partidas foi um campo localizado no bairro Ipiranga, conhecido como Estádio da Montanha. A sede do Ypiranga foi inaugurada em 1933 e se localizava na Rua Alemanha, uma das mais tradicionais da cidade, porém acabou sendo destruída por um incêndio na década de 1950 e perdeu-se grande parte dos arquivos históricos e registros do clube daquela época.
No ano de 1928, foi composto o hino do Ypiranga, com letra de Péricles de Góis Monteiro e música de Ricardo Kreische, enfatizando o desejo pela vitória e destacando o apoio da torcida "As Legionárias", no trecho Eia, vamos gentis torcedoras / Para a glória da nossa esperança. Como ainda era uma equipe amadora, o único campeonato em que a equipe do Ypiranga estava apta a disputar no momento era o Campeonato Citadino de Erechim, na qual foi vencedora da edição de 1928, ao derrotar o próprio Ítalo-Brasileiro na final. A equipe ainda foi campeã da competição nas edições de 1945, 1949, 1950, 1951, 1952 e 1953.
200px|esquerda|thumb|Cartaz anunciando um confronto entre as equipes do Ypiranga e do Atlântico em 1939 Após dar início ao departamento de futebol em 1937, o Clube Esportivo e Recreativo Atlântico tornou-se o principal rival do Ypiranga por quarenta anos, até o encerramento das atividades deste em 1977. O clássico entre as equipes, conhecido municipalmente como "Atlanga", foi julgado como o maior da Região do Alto Uruguai. Os confrontos entre as agremiações eram considerados os maiores marcos esportivos da época, sendo alvos de divulgação através de cartazes nas vias, sendo inicialmente realizados no estádio do Ypiranga com o objetivo de maior lucro financeiro. A diferença entre a qualidade técnica dos dois times comparada a dos outros participantes do campeonato citadino foram alvos de debates dos jornais da época.
Em 1950, o Ypiranga obteve o título do Campeonato Gaúcho de Futebol Amador, sendo que o triangular final da competição foi disputado em Erechim. O título veio com uma vitória sobre o Aimoré, de São Leopoldo, por 2–0. A conquista deu à equipe o direito de disputar a Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho, mesmo como um time amador, tendo estreado na edição de 1952, na qual chegou até a segunda fase. Após o encerramento do campeonato municipal, o Ypiranga se restringiu a disputar a competição estadual durante os anos iniciais da década de 1950 e os meados da década de 1960, sendo que não conseguiu o acesso enquanto não era uma equipe de caráter profissional.
Profissionalização e campeonatos estaduais (1965–2003) Após ter conquistado por sete oportunidades o Campeonato Citadino de Erechim e por uma o Campeonato Gaúcho de Futebol Amador, o Ypiranga tornou-se um clube profissional em 1965, momento em que disputava a segunda divisão do campeonato gaúcho, na qual encerrou aquela edição na quarta posição da fase classificatória e não seguiu adiante para a próxima fase. Em 1967, o Ypiranga sagrou-se campeão da segunda divisão estadual, vencendo o hexagonal final com cinco vitórias e três empates em nove jogos. Como resultado da conquista do seu primeiro título de caráter profissional, o time foi promovido à Primeira Divisão de 1968, juntamente com o São Paulo de Rio Grande. Neste mesmo ano, a equipe disputou a Copa Aneron Corrêa da Silveira, que contava com a participação de times do interior do Rio Grande do Sul. Após a equipe ter encerrado tanto a primeira quanto a segunda fase na liderança das chaves, o torneio foi cancelado por motivos judiciais, impedindo a equipe de disputar a final contra o Santa Cruz.
A participação inédita da equipe erechinense na primeira divisão do futebol gaúcho em 1968 foi regular, encerrando a fase classificatória na sexta posição, sem correr riscos de rebaixamento. A partir de 1970, já com o Estádio Colosso da Lagoa em pleno funcionamento, o Ypiranga participou da Copa Governador do Estado do Rio Grande do Sul, que tinha como propósito manter o departamento de futebol dos clubes do interior gaúcho ativos após o término do Gauchão. O melhor desempenho ocorreu na edição de 1973, na qual conseguiu encerrar a fase final na oitava colocação. O Ypiranga manteve um desempenho regular no Campeonato Gaúcho durante a década de 1970, envolvendo-se em disputas na zona inferior para evitar o rebaixamento, o qual foi efetivado na edição de 1977, com a penúltima posição na Chave B. O clube retornou às disputas estaduais apenas cinco anos subsequentes ao rebaixamento, disputando a segunda divisão de 1982.
No ano em que completava sua oitava participação consecutiva na Segunda Divisão estadual, o Ypiranga tornou-se campeão da edição de 1989 e como consequência obteve seu retorno à Primeira Divisão após treze anos. Na participação do seu retorno, em 1990, o time encerrou a primeira fase como o quarto melhor colocado juntamente ao Juventude. Para estabelecer um desempate e uma vaga no quadrangular final, realizou-se um jogo extra, o qual foi vencido pela equipe caxiense por 1–0. Em 1991, a agremiação erechinense encerrou na quarta posição do seu grupo, no entanto, acabou por não obter classificação para a fase final por não estar entre as oito melhores campanhas. No semestre final daquele ano, a Federação Gaúcha de Futebol optou por reativar a Copa Governador do Estado, na qual o Ypiranga chegou ao quadrangular final com Internacional, Caxias e Guarani-VA, encerrando na terceira posição. No início de 1992, o Ypiranga participou da Copa Cléber Furtado, na qual conquistou o vice-campeonato ao ser derrotado na final pelo Brasil de Pelotas; a boa campanha, no entanto, não foi repetida no Gaúcho, na qual não obteve índice classificatório necessário para avançar à fase seguinte.
250px|thumb|Atacante Aílton (foto) foi artilheiro do Campeonato Gaúcho de 1995 pelo Ypiranga Após ter ficado de fora do octogonal final do Campeonato Gaúcho de Futebol de 1993 por motivos desconhecidos, o Ypiranga realizou a melhor campanha de sua história na competição em 1994, obtendo a terceira colocação geral e fazendo do atacante Paulo Gaúcho o artilheiro da competição com 24 gols. A mesma fórmula do goleador repetiu-se na edição seguinte, com Aílton marcando 16 gols, ajudando a equipe a encerrar na quinta colocação. Após o Campeonato Gaúcho, o Ypiranga participou de sua primeira competição nacional, na qual disputou o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1995 - Série C. Ao conseguir avançar da primeira fase, composta pelas equipes da Chapecoense e do Cascavel, a equipe erechinense foi para a fase de mata-mata, na qual acabou eliminada após perder para o Juventus por 2–0 e 2–1.