Caetité é um município brasileiro do interior do estado da Bahia. Está localizado no Alto Sertão. Distante 645 quilômetros da capital do estado, Salvador, possui uma população de habitantes, conforme a estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com mais de dois séculos de emancipação, a cidade foi polo cultural da região sertaneja da Bahia: foi a terra natal de figuras como Cezar Zama, Aristides Spínola, Anísio Teixeira, Nestor Duarte Guimarães, Waldick Soriano, Haroldo Lima, Prisco Viana, Paulo Jackson, Paulo Souto, Edvan Rodrigues da Silva (Buiú), dentre outros. Foi, ainda, pioneira na educação regional, com a primeira escola normal do sertão baiano.
Topônimo
"Caetité" deriva da língua tupi, e significa "mata da pedra grande", através da junção dos termos ka'a (mata), itá (pedra) e eté (verdadeiro).NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p. É uma referência à formação rochosa a leste da cidade conhecida por "Pedra Redonda". Antes de ter a grafia atual, foi também chamada de Cahitaté e Caeteté.Neves, Erivaldo Fagundes. Estrutura fundiária e dinâmica mercantil. Alto Sertão da Bahia, séculos XVIII e XIX. Salvador/Feira de Santana: EDUFBA/UEFS, 2005, 200p.
História Primórdios Núcleos de povoamento encontram registros em sítios arqueológicos de mais de 6 mil anos, que motivaram a criação do Museu do Alto Sertão da Bahia (MASB).
A região de Caetité originalmente era habitada por povos indígenas do tronco macro-jê, como os tupinaens, pataxós e maracás, havendo também a referência de que no século seguinte a região entre Minas do Rio de Contas e Caetité era ocupada pelos índios aracapás.OTT, Carlos Pré-História da Bahia. Salvador. Livraria Progresso Editora, 1958. 257 p.
A colonização da região de Caetité se iniciou no século XVII, por meio de vaqueiros associados à Casa da Ponte, de Antônio Guedes de Brito. Nessa época, essa área foi ponto de passagem para bandeirantes paulistas e posto de catequese.
Século XVIII Na primeira metade do século XVIII, Caetité era ponto de pouso para viajantes, tropeiros e mineradores que se dirigiam para as minas de ouro de Minas Gerais e de Rio de Contas. Nesse período, muitas famílias se fixaram na região, atraídas pelo clima ameno e água abundante.
Em 1724, a vila de Minas do Rio de Contas se emancipou de Jacobina e as terras que pertenceriam a Caetité passaram a pertencer à nova vila.
Em 1740, a família Carvalho ergueu uma capela em louvor a Sant'Ana, em cujos arredores se formou o arraial de Caetité, atual sede municipal.
O Arraial de Caetité foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de Santana do Caetité, subordinada à vila de Minas do Rio de Contas, por meio de Alvara Régio de 1754.
No final do século XVIII, Caetité recebeu mineiros que participaram da Inconfidência Mineira e fugiam de possíveis retaliações da Coroa Portuguesa.
No final do século XVIII e início do século do XIX, a população de Caetité se mobilizou, exigindo da Coroa Portuguesa a elevação da freguesia à categoria de vila. Em 1803, uma provisão do Conselho Ultramarino ordenou a criação da tal vila. No entanto, a Freguesia de Santana só foi elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Nova do Príncipe e Santana do Caetité, desmembrando-se de Minas do Rio de Contas, por meio de decreto de 26 de fevereiro de 1810. A nova vila foi instalada em 5 de abril de 1810, data em que se comemora o aniversário de Caetité.
Do século XIX aos dias atuais esquerda|miniaturadaimagem|249x249px|Vista de Caetité, na década de 1920 Em 1817, Caetité foi visitada pela expedição de Spix e Martius, guardando boa impressão nos naturalistas, que consignaram a presença de uma escola régia de latim.
Morada do Major Silva Castro, herói da Independência da Bahia, teve uma filha, Pórcia, raptada por Leolino Pinheiro de Azevedo, num drama que inspirou, no século seguinte, o romance Sinhazinha, do acadêmico Afrânio Peixoto. Avô do poeta Castro Alves, a presença de Silva Castro foi um dos motivos pelos quais a cidade ainda hoje comemora o 2 de julho, data máxima do estado da Bahia.* AMADO, Jorge. ABC de Castro Alves COTRIM, Dário, Idílio de Pórcia e Leolino PEIXOTO, Afrânio, Sinhazinha.
A vila participou indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, apoiando o Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo Baiano, em Caetité teve lugar o episódio dos mata-marotos, lutas entre brasileiros e portugueses, que se seguiram em 1823.
Em 12 de outubro de 1867, por meio da Lei Provincial nº 995, a Vila Nova do Príncipe e Santana do Caetité foi elevada à categoria de cidade, tendo seu topônimo simplificado para Caetité. De seu território, originaram-se 47 municípios.KOEHNE, André. Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 2, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra
No final do século XIX, Caetité foi visitada por Teodoro Sampaio, deixando o grande engenheiro a seguinte máxima: "Caetité assemelha-se ao viajante qual uma Corte do sertão".O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, Teodoro Sampaio (José Carlos Barreto de Santana org.), Companhia das Letras, São Paulo, 2002.
Cresceu em importância no cenário nacional, com os tribunos Aristides Spínola (ex-governador de Goiás e mais jovem parlamentar no Império) e Cezar Zama, grande polemista e maior adversário, na tribuna, de Rui Barbosa — ambos abolicionistas e republicanos.KOEHNE, André, in Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 3, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra de "Cezar Zama, a verdade
Em 1892, o caetiteense Rodrigues Lima, genro do Barão de Caetité, foi o primeiro governador eleito da Bahia e Caetité assistiu pela primeira vez à ação efetiva do poder público estadual, com a modernização da instalações públicas (dentre outras ações, a construção de açudes, Cemitério Municipal, Mercado e a Primeira Escola Normal do alto sertão).RODRIGUES, Zezito. in Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 6, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra
No começo do século XX, Caetité assistiu à instalação da Missão Presbiteriana Brasil-Central, com a morada na cidade do pastor Henry John McCall, e fundação da Escola Americana. Isso veio a incrementar a sua condição de polo educacional sertanejo, ampliado ainda mais com a instalação do colégio jesuíta São Luiz Gonzaga.
A política local, nesta época, era bipartite entre os Rodrigues Lima, na pessoa do coronel Cazuzinha, e o coronel Deocleciano Pires Teixeira (pai de Anísio Teixeira). Apesar das grandes dificuldades, foi a primeira cidade do interior baiano a ter uma rede de energia elétrica - verdadeira epopeia vivida pelo alemão Otto Koehne. Também a rede de água, a construção do Teatro Centenário e outras, são fruto da índole pioneira de seu povo, progressos até então ausentes em praticamente todas as cidades do país — ressaltando-se figuras como Durval Públio de Castro, na efetivação dessas melhorias.
No cenário político-cultural, a cidade é berço de figuras como Nestor Duarte, a pintora Lucília Fraga, os escritores Marcelino Neves, João Gumes, Nicodema Alves e, mais recentemente, Vandilson Junqueira, Erivaldo Fagundes Neves e outros. João Gumes foi, pessoalmente, o responsável por instalar em Caetité o primeiro jornal do alto sertão: o periódico "A Pena", que hoje constitui-se no principal acervo do Arquivo Público Municipal de Caetité.
Municípios emancipados direta e indiretamente de Caetité upright=1.2|esquerda|thumb|Mapa da Vila Nova do Príncipe e Santana de Cayteté - 1810 Anagé (Conquista, 1962); Aracatu (Brumado, 1962); Barra do Choça (Conquista, 1962); Belo Campo (Conquista, 1962); Boa Nova (Conquista, 1880); Bom Jesus da Serra (Poções,1989); Brumado (1877); Caatiba (Conquista, 1961); Caculé (1919); Caetanos (Poções,1989); Candiba (Guanambi, 1962); Cândido Sales (Conquista, 1962); Caraíbas (Tremedal, 1989); Condeúba (1889); Cordeiros (Condeúba, 1961); Dário Meira; Encruzilhada (Macarani, 1952); Guajeru (Condeúba, 1985); Guanambi (seu território originalmente pertencia à Vila Nova de Caetité, depois passou a Palmas de Monte Alto quando esta desmembrou-se de Macaúbas em 1840, por sua vez oriunda de Urubu em 1832); Ibiassucê (Caculé, 1962); Ibicuí (Poções, 1952); Igaporã (1953/58); Iguaí (Poções, 1952); Itagibá; Itambé (Conquista, 1927); Itapetinga (Itambé, 1952); Jacaraci (1880); Lagoa Real (1989); Licínio de Almeida (Jacaraci/Urandi, 1962); Macarani (Conquista, 1921); Maetinga (Presidente Jânio Quadros, 1985); Maiquinique (Macarani, 1961); Malhada de Pedras (Brumado, 1962); Manoel Vitorino (Boa Nova, 1962); Mirante (Boa Nova, 1962); Mortugaba (Jacaraci, 1943?); Nova Canaã (Poções, 1961); Pindaí (Urandi, 1962); Piripá (Condeúba, 1962); Planalto (Poções, 1962); Poções (Conquista, 1880/1923); Presidente Jânio Quadros (1961); Ribeirão do Largo (Encruzilhada, 1989); Rio do Antônio (Caculé, 1962); Tremedal (Condeúba, 1953); Urandi (1889) e Vitória da Conquista (então Conquista, 1840).
Geografia esquerda|miniaturadaimagem|233x233px|Vista do centro histórico, em 2024 Além da sede, possui quatro distritos com as seguintes distâncias desta: Brejinho das Ametistas, a 24 km; Caldeiras, a 60 km; Maniaçu, a 28 km e Pajeú do Vento, a 26 km. Além disso, alguns povoados de maior importância se destacam, como Anguá, Campinas, Juazeiro, Santa Luzia e Umbuzeiro.
O município apresenta características de cerrado e caatinga, estando aqueles presentes nas partes altas. Em meio ao cerrado, denominado localmente de "gerais", surgem ilhas de mata com características de floresta tropical, chamadas de "capões". Os principais problemas ecológicos apresentados são o desmatamento indiscriminado, para a produção de carvão (destinado ao consumo das grandes siderúrgicas de Minas Gerais), bem como para atender ao polo ceramista local. Em Caetité, foram identificadas diversas espécies vegetais, algumas delas únicas (caso da palmeira "coco-de-vassoura"), estudadas boa parte delas pelo New York Botanical Garden, na década de 1980.
Clima esquerda|miniaturadaimagem|Avenida Prefeito Dácio Oliveira, Centro. Ao fundo, o arco-íris (2025) miniaturadaimagem|Diagrama climático de Caetité Com altitude de 825 metros, possui clima ameno, apesar de situado no semiárido. Os períodos de maior insolação são entre maio e setembro (200 horas), quando o município se encontra na estação seca, e sua temperatura média compensada anual é de 22,1 °C (média máxima de 27,6 °C e mínima de 17,5 °C).
Segundo dados da estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no município, entre 1961 e 2019 a menor temperatura registrada em Caetité foi de em 21 de julho de 1966, e a maior atingiu em 1° de novembro de 2012. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 18 de dezembro de 2007. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a foram: em 9 de março de 1988, em 3 de janeiro de 2004 e em 11 de outubro de 1995.
Demografia A população residente do município de Caetité - BA chegou a 54.572 habitantes, conforme a estimativa do IBGE de 2024. Com a densidade demográfica de 19,62 habitantes por quilômetro quadrado, representando um aumento em comparação com o Censo de 2010. No Ranking de população dos municípios, Caetité está na 41º colocação no estado; na 166º colocação na região Nordeste e na 627º colocação no Brasil. miniaturadaimagem|565x565px|População Residente do Município Caetité de acordo com os censos do IBGE - Brasil +População Residente do Município Caetité - BA com a taxa de crescimento anual de acordo com os censos do IBGE - Brasil AnoPopulaçãoTaxa de crescimento(%)197040.2001,27198045.318 -0,99199140.3801,47200045.7270,39201047.5150,79202252.012
Economia thumb|3 de março de 2007: o governador Jacques Wagner, o então prefeito Ricardo Ladeia e Pramod Agarwal assinaram acordo para exploração da jazida ferrífera de Caetité