Partido Verde (PV) é um partido político brasileiro de centro-esquerda à esquerda fundado em 1986 e registrado oficialmente em 1993. Seu código eleitoral é o número 43, seu símbolo é um "V", e suas cores são o verde e o branco. O partido defende o desenvolvimento sustentável, políticas de mercado com foco ambiental, redução da desigualdade social, federalismo, e propostas que conciliam valores conservadores com inovações progressistas em temas como ecologia e economia. Em setembro de 2024, o partido possuía 352.095 filiados.

Em 2022 o PV se juntou ao Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para formar a Federação Brasil da Esperança.

História Os Partidos Verdes surgiram como instituição política na Tasmânia, Austrália. Um grupo de ecologistas se reuniu pela primeira vez em 1972, com o objetivo de impedir o transbordamento do Lago Pedder. Hoje, o Partido Verde é parte decisiva na política australiana. De lá migrou para a Nova Zelândia e, depois, para a Europa e o restante do mundo. Hoje está constituído em 120 países e é a quarta maior bancada no Parlamento Europeu. Década de 1980 O partido surgiu no cenário político brasileiro da década de 1980, baseado nas convergências ambientalistas existentes na Europa, tendo entre seus primeiros articuladores artistas, intelectuais e ativistas. As manifestações eram pontuais e centradas em questões como as usinas nucleares de Angra dos Reis, a poluição em Cubatão, Amazônia, Pantanal, a caça às baleias.

No Brasil, a primeira manifestação político partidária com o nome de Partido Verde ocorreu no estado do Paraná em 1982. O candidato a Deputado Federal pelo PTB, Hamilton Vilela de Magalhães, utilizou em sua propaganda o nome do Partido Verde e uma baleia como símbolo. A fundação aconteceu em janeiro de 1986 no Rio de Janeiro por Fernando Gabeira, Lúcia Veríssimo, Alfredo Sirkis, Domingos Fernandes, Lucélia Santos, Carlos Minc, John Neschling, Washington Rio Branco, Luiz Alberto Py e Guido Gelli.

No início da formação do Partido, sua ideologia estava voltada tão somente para as questões ecológicas. Contudo, não demorou muito para outros temas ganharem destaque, a exemplo do combate ao racismo, ao machismo, à homofobia, entre outros, divergindo assim do conservadorismo político da época.

A primeira disputa eleitoral deu-se logo no ano de fundação do partido, quando foi lançada a candidatura de Fernando Gabeira ao governo do Rio de Janeiro. Embora tenha havido uma campanha maciça e entusiástica, com momentos marcantes como o abraço à Lagoa Rodrigo de Freitas, ocasião que reuniu cerca de 100 mil pessoas, e a passeata “Fala, Mulher”, que reuniu cerca de 80 mil pessoas no Centro do Rio, a candidatura do verde recebeu forte resistência da mídia conservadora. Fernando Gabeira terminou a disputa com 7,8% dos votos válidos, conquistando o terceiro lugar. Carlos Minc foi o primeiro candidato eleito do partido, para o cargo de deputado estadual.

Após as eleições de 1986, o Partido Verde se expandiu para outras regiões. Em 1987, foi organizado em São Paulo e Minas Gerais e, neste mesmo período, deu seus primeiros passos para o Norte e Nordeste.

Logo o partido ganhou projeção nacional. Na Amazônia, o partido conquistou a simpatia do líder seringueiro Chico Mendes, que participou de diversas reuniões e pensava em se filiar ao partido para disputar uma vaga de deputado pelo Estado do Acre, nas eleições de 1990. Infelizmente seu projeto não foi concretizado, pois Chico Mendes foi assassinado em 1988. Fabio Feldmann, como deputado federal, foi o representante da causa verde na Constituinte de 1988 e responsável pelo capítulo ambientalista na Constituição.

Década de 1990 As perspectivas para as eleições de 1990 eram promissoras. Os Verdes esperavam eleger, pelo menos, cinco deputados federais e dez deputados estaduais. Alguns artistas afiliaram-se ao PV.

Mas em maio de 1990 o partido sofreu um forte golpe, provindo da Justiça Eleitoral, que recusou conceder o registro provisório a legenda. Diversos outros partidos tinham obtido este tipo de renovação antes, mas os juízes decidiram de outra maneira e os Verdes foram proibidos de existir, legalmente. Este episódio, decisivamente, impediu o crescimento do partido como era esperado. Ainda em 1990, impedido mais uma vez de usar sua própria legenda, o PV carioca filiou um de seus ativistas em outro partido e conseguiu, pela primeira vez, eleger um deputado federal.

Em 1992, durante a ECO-92, os verdes de várias partes do mundo se encontraram pela primeira vez no Rio de Janeiro. A partir de então se iniciou a formação da Federação dos Partidos Verdes com o objetivo de cooperação, troca de experiências e consolidação programática. Nas eleições municipais de 1992, os Verdes elegeram 54 vereadores em todo o país e três prefeitos no estado de São Paulo, nas cidades de Campina do Monte Alegre, Pederneiras e Macatuba. Após as eleições, o PV assumiu algumas secretarias de meio ambiente, incluindo algumas capitais como Rio de Janeiro, Salvador e Natal. O período posterior à ECO-92 foi a oportunidade de implantar uma Secretaria de Meio Ambiente na cidade do Rio de Janeiro e tirar do papel algumas reivindicações dos Verdes, como o projeto dos mutirões de reflorestamento e as ciclovias. Os verdes ajudaram a mobilizar a população para o impeachment do presidente Fernando Collor, acusado de corrupção. Aquele momento provocou mudanças nas instituições brasileiras que levaram a investigações também no Congresso Nacional.

Em 30 de setembro de 1993, com o apoio do deputado federal Sidney de Miguel, o primeiro deputado federal do Partido Verde no Brasil (eleito pelo PDT, filiou-se logo depois ao PV), o Partido Verde obteve seu registro definitivo junto à Justiça Eleitoral Brasileira, pois até então o registro era provisório.

Nas eleições de 1994, o PV elegeu para deputado federal o candidato Fernando Gabeira (RJ) e mais quatro deputados estaduais: Edson Duarte, na Bahia; Ronaldo João, em Minas Gerais; Tota Agra, na Paraíba; e Gondim, em São Paulo.

Nas eleições municipais de 1996, o PV elegeu 13 prefeitos em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, e 189 vereadores em 15 estados da Federação. A maior cidade com uma administração Verde, até então, passara a ser Rio Claro, no estado de São Paulo, sob o comando do prefeito Cláudio de Mauro, e, posteriormente, Guarulhos, em 1998, com o prefeito Jovino Cândido, também no estado de São Paulo.

Em 1997, o Partido Verde cresceu em representatividade com a filiação do ex-prefeito de Vitória e então Governador do estado do Espírito Santo, Vitor Buaiz, que passou a ser o primeiro Governador Verde do Brasil.

Em 1998, os Verdes apresentaram candidatura própria à Presidência da República. Com uma campanha modesta, o candidato Alfredo Sirkis ficou em sexto lugar, com 213 mil votos. A campanha, contudo, serviu para promover o programa do PV. Nesta eleição, os Verdes lançaram candidaturas para os cargos de governador e senador em cinco estados da federação. Em 23 estados, disputaram vagas para os parlamentos estaduais e federal. O Rio de Janeiro reelegeu seu deputado federal, Fernando Gabeira, e foram eleitos para o cargo de deputado estadual. André Lazaroni no Rio, Edson Duarte na Bahia, Sargento Denys na Paraíba, e Luis Carlos Gondin, de São Paulo.

Década de 2000 O Partido Verde teve um crescimento substancial de votos nas eleições municipais de 2000: aproximadamente 1,5 milhões, no somatório entre os votos de legenda e nominais. Em número de votos válidos, os Verdes ficaram com a 13.º colocação entre os 30 partidos existentes, mas ainda continuaram discretos em números de prefeitos e vereadores. Elegeram novamente 13 prefeitos e elevaram suas cadeiras nos parlamentos municipais para 315 vereadores. Assumiram, por 120 dias, uma cadeira no Senado com a posse do suplente Júlio Eduardo Gomes Pereira, do Acre. Em 2001, em Canberra, Austrália, aconteceu o Global Greens 2001, encontro mundial dos Partidos Verdes quando foi aprovada a Carta Verde da Terra, o primeiro documento unificado dos partidos verdes mundiais.

Em 2002, em razão das regras eleitorais, o Partido Verde ficou impossibilitado de concorrer à Presidência da República, mas apresentou várias candidaturas ao senado e aos governos estaduais. Embora sem êxito, essas candidaturas ajudaram estrategicamente as eleições parlamentares. O partido obteve 2% dos votos válidos para os parlamentos estaduais em todo o território nacional. Foram 1,78 milhões de votos que elegeram 11 deputados. O PV elegeu cinco deputados federais em quatro Estados, obtendo 1,35% (mais de um milhão de votos) dos votos para o parlamento federal. Os eleitos foram Leonardo Matos, por Minas Gerais; Jovino Cândido e Marcelo Ortiz, por São Paulo; Edson Duarte, pela Bahia e Fernando Gabeira, pelo Rio de Janeiro. Nesta mesma legislatura, os deputados federais Sarney Filho, do Maranhão, em 30 de janeiro de 2003 e Vitório Medioli, em 11 de abril de 2005, de Minas Gerais, filiaram-se ao Partido Verde, ficando a bancada federal com sete deputados, permitindo que os Verdes constituíssem a Liderança do PV na Câmara dos Deputados.

Em 2003, o PV integrou a base de apoio do recém-empossado governo federal, assumindo a pasta do Ministério da Cultura, com Gilberto Gil como ministro. Em 2004, em uma memorável eleição municipal, os Verdes elegeram 773 vereadores, obtendo 2,95% dos votos válidos do país. Foram eleitos 55 prefeitos e 68 vice-prefeitos.

Em 2006, os Verdes prepararam a legenda para suplantar a cláusula de barreira até então imposta pela legislação eleitoral (5% dos votos válidos em todo país). Atingem pouco menos de 4% dos votos válidos, e elegem 34 deputados estaduais e 13 deputados federais: Marcelo Ortiz, Dr. Talmir, Dr. Nechar, José Paulo Tófano e Roberto Santiago, por São Paulo; Antônio Roberto, Fábio Ramalho, Ciro Pedrosa e José Fernando Aparecido, por Minas Gerais; Edson Duarte, pela Bahia; Fernando Gabeira, pelo Rio de Janeiro; Lindomar Garçon, por Rondônia; e Sarney Filho, pelo Maranhão. Ainda nesta legislatura, o suplente Edgar Mão Branca é empossado deputado federal pela Bahia, e os deputados federais Henrique Afonso e Luiz Bassuma filiam-se se ao PV, enquanto o deputado Dr. Nechar deixa a legenda. É mantido no cargo de Ministro da Cultura o cantor Gilberto Gil, filiado do Partido Verde.

Em 2008 o PV se fez presente em todos os estados, organizando-se em 49% dos municípios brasileiros () elegeu sua primeira prefeita de capital, a então deputada estadual Micarla de Sousa, em Natal, Rio Grande do Norte, e mais 76 prefeitos, 152 vice-prefeitos e vereadores.

Candidatura presidencial de Marina Silva em 2010 miniatura|258x258px|Marina Silva durante a oficialização da sua candidatura presidencial em 2010.|esquerda Com a influência do grupo da senadora Marina, o PV apresentou crescimento significativo em todo o país, lançando pré-candidatos ao governo em vários estados. Marina Silva foi candidata à presidência pela sigla nas eleições de 2010 numa chapa "puro-sangue", já que o partido não fez alianças a nível nacional com outros partidos. Na Convenção oficial realizada em 10 de junho de 2010, o Partido Verde homologou sua chapa presidencial para as eleições 2010, com Marina Silva e Guilherme Leal.