Vila Flor é um município brasileiro situado no estado do Rio Grande do Norte, distante 86 quilômetros a sul da capital estadual Natal. Ocupa uma área de aproximadamente , um dos menores municípios do estado em extensão territorial e sua população segundo estimativa no ano de 2024 era de habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o Vigésimo município menos populoso do Rio Grande do Norte, na 147ª colocação (em 167 municípios).

Antiga aldeia de Gramació, Vila Flor foi emancipado de Canguaretama na década de 1960. Seu nome atual foi dado no século XVIII, quando foi elevado à categoria de vila, em homenagem a uma vila portuguesa de mesmo nome. Em 1892, passou à condição de distrito e, em 1940, o nome desse distrito foi alterado simplesmente para Flor, voltando à sua denominação original apenas oito anos depois. Somente quinze anos mais tarde, o distrito foi desmembrado, passando à condição de município.

História A história do município de Vila Flor, localizado na região leste do estado do Rio Grande do Norte, começa no século XVI, quando foi implantada no local a aldeia de Gramació, dando origem à consequente colonização e povoamento do território. Essa aldeia, indígena, ficou sob a responsabilidade de André do Sacramento, um padre jesuíta, e cobria uma légua quadrada de área.

Já no século XVIII, entre os anos de 1743 e 1745, foram construídas a Casa da Câmara e Cadeia e a atual Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Por meio de uma carta-régia datada de 1755, qualquer aldeia transformada em vila passaria a ter o nome de uma comuna de Portugal. Sendo assim, a aldeia de Gramació teve sua denominação alterada para Vila Flor, em homenagem à vila portuguesa de Vila Flor, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte de Portugal.

A partir de 1769, o povoado de Vila Flor foi elevado à categoria de vila, oficialmente instalada pelo juiz Miguel Carlos Caldeira Castelo Branco, na mesma época em que começava se desenvolver economicamente, destacando-se na agropecuária, através do cultivo da cana-de-açúcar. Em 1858, logo após a expulsão dos jesuítas, a lei provincial nº 367 transfere a sede do povoado de Vila Flor para a povoação de Uruá, que viria a se tornar o atual município de Canguaretama, desmembrado de Natal. No final do século XIX (1892), uma lei municipal cria o distrito de Vila Flor.

Em 1933, o distrito de Vila Flor foi extinto, sendo novamente recriado cinco anos depois. Em 22 de abril de 1940, o decreto-lei estadual nº 44, baixado em cumprimento ao decreto-lei federal nº 2104 (datado de 2 de abril de 1940), altera a denominação do distrito, de Vila Flor para Flor. Essa alteração foi revertida em 23 de dezembro de 1948, quando foi sancionada a lei estadual nº 146, que devolveu ao distrito sua denominação original.

Finalmente, em 31 de dezembro de 1963, por força da lei estadual n° 3052, o distrito ganha autonomia política, desmembrando-se de Canguaretama e passando à condição de município do Rio Grande do Norte, preservando a denominação Vila Flor. A instalação oficial do novo município ocorreu em 1º de fevereiro de 1964. Desde a emancipação, Vila Flor é constituído apenas pelo distrito-sede.

Geografia esquerda|250px|thumb|Vila Flor (em vermelho) e municípios limítrofes

O município de Vila Flor está distante 81 quilômetros de Natal, capital estadual. Ocupa uma área de , sendo o oitavo menor município do estado em extensão territorial, e se limita com os municípios de Tibau do Sul a norte e Canguaretama nas demais direções.

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, Vila Flor pertence à região geográfica intermediária de Natal e à região imediata de Canguaretama. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Litoral Sul, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Leste Potiguar.

Situado a uma altitude de quarenta metros acima do nível do mar, no município há predominância de um relevo plano, com altitudes inferior a cem metros. Vila Flor está situado em área de abrangência do Grupo Barreiras, oriundos do período terciário. Em geral, predominam formas tabulares, com aprofundamento de drenagem e diferentes ordens de grandeza, geralmente separados a partir de vales de fundo plano. O tipo de solo predominantemente é a areia quartzosa distrófica, bastante drenado e pouco fértil, coberto de vegetação natural e impróprio para a agricultura; também há, em pequena porção, os solos indiscriminados de mangue.

Vila Flor está dentro de um conjunto de duas bacias hidrográficas, sendo a maior delas a do rio Catu, que cobre 90,97% do território municipal, seguida pela bacia do rio Curimataú (9,03%). O principal rio que corta Vila Flor é o Catu e os principais riachos são Carrapato, Caturzinho e Gramació. A vegetação, por sua vez, é formada pela floresta subperifólia e os tabuleiros litorâneos, sendo este último típico de áreas modificadas pela ação humana. O primeiro tem como principais características a presença de árvores com folhas verdes (a maioria larga), troncos delgrados e solo recoberto por húmus.

O clima de Vila Flor é o tropical chuvoso, do tipo As na classificação climática de Köppen-Geiger, com chuvas concentradas entre abril e julho. A umidade relativa do ar média é de 75% e o tempo de insolação de aproximadamente horas anuais. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), referentes ao período entre 2005 e 2012, o maior acumulado de chuva registrado em Vila Flor foi de em 13 de abril de 2011. Outros acumulados iguais ou superiores a foram: em 1º de junho de 2007, em 10 de maio de 2009, em 3 de junho de 2007, em 23 de maio de 2009, em 20 de maio de 2011, em 18 de junho de 2010, em 17 de junho de 2007 e em 22 de março de 2008. Em um mês o maior volume de chuva observado foi de em junho de 2007.

Demografia

No censo demográfico de 2010, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Vila Flor era o décimo quarto município menos populoso do Rio Grande do Norte, com uma população de habitantes, representando uma taxa média de crescimento de 1,28% ao ano em relação ao censo de 2000, apresentando uma densidade populacional de . De acordo com este mesmo censo, 96,94% dos habitantes viviam na zona urbana e 3,06% na zona rural, sendo o quinto município potiguar com a maior taxa de urbanização. Ao mesmo tempo, 50,84% eram do sexo masculino e 49,16% do sexo feminino, tendo uma razão de sexo de aproximadamente 103 homens para cada cem mulheres. Quanto à faixa etária, 63,89% da população tinham entre 15 e 64 anos, 30,19% menos de quinze anos e 5,92% 65 anos ou mais.

Ainda segundo o mesmo censo, a população de Vila Flor era composta por católicos apostólicos romanos (69,83%), evangélicos (11,71%), testemunhas de Jeová (0,88%) e espíritas (0,11%), além dos sem religião (17,48%). O município tem como padroeira Nossa Senhora do Desterro e pertence à paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Canguaretama, subordinada à Arquidiocese de Natal.

Conforme pesquisa de autodeclaração do mesmo censo, a população vila-florense era formada por pardos (63,09%), brancos (29,87%), pretos (5,54%), amarelos (1,29%) e indígenas (0,21%). Levando-se em conta a nacionalidade da população, 99,54% eram brasileiros (70,31% naturais do próprio município), sendo 99,44% natos e 0,1% naturalizados, e 0,46% estrangeiros. Considerando-se a região de nascimento, 97,65% eram naturais do Nordeste, 1,19% do Sudeste, 0,21% do Centro-Oeste e 0,12% do Sul (0,12%). Dentre os naturais de outras unidades da federação, os estados com maior percentual de residentes eram Paraíba (2,63%), Pernambuco (1,85%) e Rio de Janeiro (0,84%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Vila Flor é considerado baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,576 (o 4718º maior do Brasil). Considerando-se apenas o índice de longevidade o valor é 0,722, o valor do índice de renda é 0,561 e o de educação 0,471. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 50,9% e em 2010, 68,1% da população vivia acima da linha de pobreza, 17,2% encontrava-se na linha da pobreza e 14,7% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, de 0,462, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% mais ricos no rendimento total municipal era de 50,8%, ou seja, mais de doze vezes superior à dos 20% mais pobres, de apenas 4,1%.

Política e administração A administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo. O executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. A atual prefeita é Ivania da Silva Martins, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que foi eleita nas eleições municipais de 2016 com 55,30% dos votos válidos, ao lado de Rivaildo da Silva Barros como vice-prefeito. O poder legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Em complementação ao processo legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente e tutelar, que foram criados em 2007. Vila Flor se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 1º de abril de 1990, e é termo da comarca de Canguaretama, do poder judiciário estadual (o outro termo é Baía Formosa). O município pertence à 11ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em dezembro de 2016, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representando 0,107% do eleitorado potiguar.

Economia Em 2014, segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Vila Flor era de R$ , dos quais do setor primário, R$ do setor terciário, R$ mil do setor secundário e R$ de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita era de R$ .

Em 2015 o município possuía um rebanho de 510 galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), 131 bovinos, 82 ovinos, 65 suínos e 40 equinos. No mesmo ano, Vila Flor produziu de camarão. Na lavoura temporária de 2015 foram produzidas cana-de-açúcar (), batata-doce (), mandioca (), feijão () e milho (), e na lavoura permanente foi reportada a produção de banana (), manga (), abacate () e coco (682 mil frutos).

Em 2010, considerando-se a população municipal com idade igual ou superior a dezoito anos, 62,4% era economicamente ativa ocupada, 18,7% ativa desocupada e 18,9% economicamente inativa. Ainda no mesmo ano, levando-se em conta a população ativa ocupada na mesma faixa etária, 44,23% trabalhavam no setor de serviços, 33,98% trabalhavam na agropecuária, 12,95% na construção civil, 5,44% no comércio e 1,43% em indústrias de transformação. Conforme a Estatística do Cadastro Central de Empresas de 2014, Vila Flor possuía 22 unidades (empresas) locais, todas atuantes; salários juntamente com outras remunerações somavam R$ mil e o salário médio mensal era de 1,6 salários mínimos.

Infraestrutura