Felipe Hirsch (Rio de Janeiro, 1972) é diretor de teatro e cinema.http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=5915
Carreira Felipe Hirsch (Rio de Janeiro, 1972) Diretor de cinema e teatro, Felipe Hirsch é um dos fundadores da “Sutil Companhia”, onde iniciou suas experimentações cênicas. Durante este período, estabeleceu uma parceria influente de longa data com a multiartista Daniela Thomas, e recebeu mais de 100 prêmios e indicações na América Latina. Felipe trabalhou com grandes atores como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Paulo José, Alfredo Castro, Daniel Hendler e Wagner Moura, entre outros. No ano de 2006, Felipe Hirsch foi eleito, pelo jornal O Globo, como um dos 100 geniais brasileiros - uma lista dos pensadores mais influentes do país. Em 2008, ganhou o Grammy por seu trabalho como diretor do espetáculo “Homenagem a Tom Jobim” com os prestigiados cantores Caetano Veloso e Roberto Carlos. No ano seguinte, dirigiu seu primeiro filme, “Insolação”, cuja estreia aconteceu no Festival de Veneza. Em 2013, o diretor lançou “A Menina Sem Qualidades”, minissérie criada para a MTV Brasil, contemplada pela APCA como a melhor direção por Felipe Hirsch e citada em mais de 50 listas de Melhores do Ano nos jornais brasileiros. Ainda em 2013, Felipe Hirsch anuncia a trilogia Puzzle, criada especialmente para a participação brasileira como convidada de honra do Frankfurter Buchmesse e recebida com grande entusiasmo pela imprensa alemã e francesa. Em 2016, Felipe Hirsch estende seu trabalho para a América Latina e estreia as peças “A Tragédia e Comédia Latino-Americana” viajando pela Alemanha, França, Portugal, Chile e Brasil. No mesmo ano, dirigiu “Severina”, seu segundo longa-metragem, que estreou no Festival de Locarno e em 15 outros festivais de cinema ao redor do mundo. Devido à importância à relevância de seu trabalho, as obras de impacto criadas por Felipe Hirsch são estudadas por muitas teses de doutorado da Universidade de São Paulo. Nesse sentido, Felipe foi convidado pela Sorbonne Paris 3 para dar uma conferência, onde discutiu seus projetos envolvendo literatura latino- americana no cinema e no teatro. Para o próximo ano, suas peças mais recentes (Selvageria, Democracia e FIM) serão exibidas em Frankfurt, Tbilisi, Buenos Aires e capitais do Brasil. Sua montagem da ópera Orphée de Phiilip Glass e Jean Cocteau, produzida para o Theatro Municipal do Rio, faz parte da temporada de 2022 no Centro Cultural Belém, em Lisboa. Ainda neste ano, Felipe Hirsch desenvolveu o projeto Língua Brasileira com Tom Zé. Também dirigiu 2022 para a HBO Max, um show com participações de Chico Buarque e Caetano Veloso entre outros.
SUTIL COMPANHIA (1993-2012) Com 30 espetáculos e quase duas centenas de prêmios e indicações na bagagem, a Sutil Companhia de Teatro desenvolveu seu trabalho de criação e pesquisa com o apoio de uma equipe de colaboradores, que incluia a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel, a figurinista Veronica Julian, os músicos Rodrigo Barros Homem Del Rei e L. A. Ferreira, o co-diretor Murilo Hauser e um grupo de atores – no qual figuram, entre os mais constantes, Leonardo Medeiros, Maureen Miranda, além de Guilherme Weber e Erica Migon, que integraram o núcleo central da companhia.
Entre os espetáculos mais emblemáticos da trajetória da companhia, estão a peça de câmara Não Sobre o Amor, de 2008 (Prêmio Bravo! de Melhor Espetáculo do Ano); O Castelo do Barba Azul de Bela Bartok (destaque na temporada de 2008 do Theatro Municipal de São Paulo, descrito pelo jornal Folha de S. Paulo como a reinvenção da encenação de óperas no Brasil); Pterodátilos, com Marco Nanini e Mariana Lima (Produzido pela Pequena Central, 30 prêmios, 9 indicações para o Prêmio APTR e vencedor de 3 Prêmios Shell); Educação Sentimental do Vampiro, inspirado na obra de Dalton Trevisan, que rendeu a Guilherme Weber o APCA 2007 de Melhor Ator; Avenida Dropsie, recriação cênica das graphic novels de Will Eisner (4 indicações para o prêmio Shell); Temporada de Gripe, de Will Eno (Prêmio George Oppenheimer 2004 NYC); A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, com Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha (Produzido pela Pequena Central, Prêmio APCA de Melhor Espetáculo 2003); Os Solitários, de Nick Silver (Produzido pela Pequena Central, Prêmio APCA de Melhor Espetáculo 2002); A Memória da Água (Prêmio Governador do Estado do Rio de Janeiro de Melhor Direção 2001); A Vida é Cheia de Som & Fúria (Prêmio Shell de Melhor Direção 2000, eleita pela Revista Bravo uma das dez peças mais importantes da década); e Estou Te Escrevendo de um País Distante, que motivou a tese de doutorado defendida por Célia Arns de Miranda na Universidade de São Paulo; além de outros premiados espetáculos, grandes sucessos de público e crítica. A última obra da Sutil Companhia tinha 300 minutos e foi batizada "O Livro de Ítens do Paciente Estevão" (duas indicações ao Shell, direção para Felipe Hirsch e Melhor Ator para Leonardo Medeiros).
A Sutil Companhia realizou temporadas de sucesso nos melhores teatros Brasileiros, nas principais cidades do país. Além das temporadas, seus integrantes cumpriram uma longa jornada de palestras, debates e apresentações nas maiores entidades fomentadoras de cultura como o Sesc, Sesi, Itaú Cultural, Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, etc. Seus trabalhos foram amplamente divulgado pela imprensa, seus espetáculos escolhidos regularmente como os melhores do ano pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e pelas revistas Veja, Isto é, Época e Bravo, por exemplo. Em 2003 fundaram a TAO Produções, responsável pelas produções da companhia.
"...trata-se, portanto, de um conjunto organizadíssimo, capaz de manter peças em repertórios, equipe artística e técnica constantes e, como se isso não fosse pouco, produzir reflexões escritas sobre suas criações (...) essa disciplina na produção e na divulgação do trabalho explica, em parte, a projeção nacional do grupo originário de Curitiba. Não explica inteiramente porque é preciso considerar, alem da inegável qualidade do trabalho, um núcleo de significado que se mantém centrando as soluções estéticas do grupo. É um grupo que vem trazendo para o palco, em diferentes perspectivas, o tema dos movimentos anímicos sob a superfície concreta da vida contemporânea (...) a solidez da organização, o tratamento racional dos temas das peças e do domínio da tecnologia da cena parecem fazer parte da significação do trabalho. São talvez essenciais para um grupo que se ocupa da fluidez, da escassa e da abertura para o imponderável da matéria psíquica (...) provam, uma vez mais, que se trata de um grupo empenhado no enfrentamento dos desafios intelectuais da renovação cênica. Tudo é bem-feito, sério, refletido. Felipe Hirsch , responsável pela direção, não contorna obstáculos..." (Mariângela Alves de Lima, O Estado de S. Paulo)
A pesquisadora da USP Silvia Fernandes acrescentou na Revista Bravo!: "(...) É a súmula do teatro contemporâneo, transforma a cena em campo de pesquisa capaz de combinar exatas adaptações literárias à mais radical experimentação com a imagem."
ULTRALÍRICOS (2013) Em 2013, o coletivo Ultralíricos anuncia o projeto Puzzle (a); (b); (c), especialmente criado para a participação brasileira como Convidado de Honra da Frankfurter Buchmesse. Um dos principais jornais da Alemanha e da Europa, o Frankfurter Allgemeine Zeitung, classifica a obra como um “tríptico fulminante (...) finalmente uma maratona teatral extremamente estimulante”. José Miguel Wisnik no jornal O Globo afirma que “(...) Puzzle, sobre textos de vários escritores contemporâneos brasileiros, é sensacional. Uma sucessão de ideias que vão se articulando de maneira surpreendente, com momentos inesquecíveis (...)”. Danilo Santos de Miranda, Diretor Geral do Sesc São Paulo, lembra o “estrondoso êxito de Puzzle em Frankfurt”, e diz ser “(...) imperdível essa mostra da complexa identidade brasileira, sem nenhum clichê, criada pela brilhante cabeça de Hirsch e suas adaptações literárias”.
Em 2014, Felipe Hirsch e os Ultralíricos criam a parte (d) do projeto para a abertura do Festival Íbero Americano, Mirada. A temporada em São Paulo estreia na sexta-feira 13 de carnaval de 2015 e se transforma rapidamente em um dos maiores sucessos do projeto, com plateias lotadas e críticas arrebatadoras como a de Jefferson Del Rios no jornal O Estado de S. Paulo: “Uma maratona verbal de alto nível, inteligente, pleno de força literária e cênica, Puzzle (d) é um espetáculo com um elenco excepcional a criar polêmica e diversão. Lembra o Café Voltaire, de Zurique, onde se reuniam os dadaístas, e parece chegar a Cataguazes, Minas Gerais, onde viveu Rosário Fusco, o insolente e esquecido romancista de O Agressor, que Orson Welles pensou em filmar (...) o Brasil, o continente e o mundo são passados a limpo e a sujo. Desfilam diante do público o nosso ufanismo oficial, delirante e alienado, comércio religioso, manifestos estéticos, o isolamento do idioma português na América Latina (...), estes temas todos estão no palco em palavras, músicas e um humor cético. Puzzle é assim, uma maratona verbal de alto nível com a surpresa de convidados especiais a cada dia. Uma brilhante anarquia-protesto artístico”. O Jornal O Globo escreveu: “O quebra-cabeça lítero-teatral proposto pelo diretor Felipe Hirsch e que provocou estrondo na Feira do Livro de Frankfurt, no ano em que o Brasil foi o país homenageado, mergulha no caos humano e social do país através de algumas de suas feridas abertas, com desconcertante ironia e brilhante seleção de textos. Demolidor, vibrante, transgressor!”. O jornal francês Le Monde também rasga elogios em uma página inteira dedicada a Puzzle (d): “Aqui está a porta para a jovem e rica literatura brasileira. Talvez seja aqui neste teatro da louca metrópole paulistana, centro intelectual tão criticado como querido, que o país tenta mostrar o caminho. A literatura brasileira se inspira com prazer no cotidiano do país, nos percursos de seus habitantes, ricos ou pobres, sãos ou loucos. Uma sociedade jovem, apressada, pronta para tudo. Como um quebra-cabeça”.