Tibau é um município brasileiro, localizado na extremidade setentrional do estado do Rio Grande do Norte. Integrante do Polo Costa Branca, localiza-se a noroeste de Natal, capital do estado, distando desta 323 quilômetros. Ocupa uma área de e sua população no censo de 2022 era de 5.382 habitantes.

A área onde hoje está situado o município de Tibau começou a ser desbravada no século XVII, durante o período das invasões holandesas no Brasil. Palco de disputas entre portugueses e indígenas na chamada Guerra dos Bárbaros (1687–1700), as terras foram adquiridas pelo senhor Gonçalo da Costa Faleiro em 1708, após receber uma sesmaria. No entanto, somente no começo do século XX veio a ocorrer a formação de um povoado, que se desenvolveu em função do apelo turístico proporcionado pelas belezas naturais. Em 1948, Tibau foi elevado a distrito pertencente ao município de Grossos, do qual se emancipou em 1995.

Tibau é uma das localidades mais visitadas do Rio Grande do Norte, com suas falésias, praias e dunas, sendo um dos principais destinos turísticos do estado para a prática de turismo ecológico. Algumas de suas praias são propícias à prática de esportes radicais, como o surfe e o kitesurf. Eventos como o carnaval e as festas juninas, além dos grupos de dança, folclore, gastronomia, música e teatro locais, também se fazem presentes como atrativos culturais.

Etimologia Até os dias atuais, a origem do topônimo "Tibau" se constitui em uma tarefa difícil, principalmente por causa da ausência de um esclarecimento definitivo por estudiosos. Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, a origem do topônimo "Tibau" vem do tupi, pela junção de ti + paum, cujo significado quer dizer "entre dois rios". Tibau é um município localizado entre os rios Jaguaribe e Mossoró.

Os historiadores Vingt-Un e Hélio Galvão, em suas pesquisas, conseguiram descobrir e divulgar a circunstância de que, para chegar a Tibau do Norte e a Tibau do Sul, era necessário passar por um pernambuquinho. No decorrer do século XX, existia, além do distrito de Tibau, um outro distrito de mesmo nome, anexado ao município de Goianinha, no litoral sul potiguar. Com o passar dos tempos, esse distrito goianiense sofreu uma alteração em seu nome, de "Tibau" para "Tibau do Sul", para diferenciar do distrito de Tibau, localizado no extremo norte do estado do Rio Grande do Norte, até depois ser elevado à categoria de município, em 3 de abril de 1963, com o nome de Tibau do Sul, nomenclatura que mantém até os dias atuais.

História A história do município de Tibau começa em meados do século XVII, mais especificamente no mês de fevereiro do ano de 1641, quando foi descoberta pelo navegador holandês Gideon Morris de Jorge, durante o período das invasões holandesas no Brasil. Devido à existência de salinas no local e à diversificação da cor de areias, o local foi batizado de "Morro Vermelho", que era a coloração predominante local.

miniaturadaimagem|esquerda|Fotografia antiga da Praia de Tibau, por volta de 1939 esquerda|miniaturadaimagem|Primeiras residências dos veranistas na praia de Tibau

No dia 5 de julho de 1708, o capitão-mor do Rio Grande do Norte, Sebastião Nunes Colares, doou a Gonçalo da Costa Faleiro uma sesmaria, que era formada por uma vasta extensão de terra. De acordo com o historiador Luís da Câmara Cascudo, notório experiente da cultura potiguar, Gonçalo Faleiro, antes de receber essa sesmaria do capitão-mor potiguar, teria relatado ao rei de Portugal a difícil situação que estava sendo vivida pela Capitania do Rio Grande, devido à principalmente a um conflito compreendido durante treze anos (de 1687 a 1700): a Guerra dos Bárbaros. Essa guerra faz referência aos conflitos, rebeliões e confrontos envolvendo os colonizadores portugueses e várias etnias indígenas tapuias, que aconteceram nas capitanias do nordeste do Brasil.Aragão, R. B, Indios do Ceará e topônimos indígenas, Fortaleza, Barraca do Escritor Cearense. 1994BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição. São Paulo: Ática, 203. p.66

Devido às belezas naturais existentes na região onde se localizam os atuais municípios de Tibau e Grossos, estes foram alvos de disputa entre os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, até que, algum tempo depois, a Assembleia Legislativa do Ceará, com sede em Fortaleza, decidiu pelo anexo de Grossos ao território cearense, junto com os distritos de Grossos e Tibau, que formavam o município. Três anos depois, Rui Barbosa, jurista e Senador da República, foi convidado para a defesa dos direitos do Rio Grande do Norte. Após anos de batalha, Ruy Barbosa garantiu a vitória do estado potiguar, que foi definitiva em 17 de julho de 1920. Algum tempo depois, o povoado de Tibau começou a experimentar sinais de crescimento. Dois anos depois, em 5 de novembro de 1922, ocorreu, pela primeira vez, a celebração de uma missa na comunidade, presidida pelo padre Manoel Gadelha.

Com o forte apelo turístico que o povoado de Tibau ia alcançando cada vez mais, o distrito foi adquirindo características de uma cidade, especialmente após o povado ter chegado à condição de distrito, em 23 de dezembro de 1948. Quase 47 anos depois, o distrito de Tibau, que havia sido criado e anexado a Areia Branca e depois anexado ao município de Grossos com a emancipação deste do município de Areia Branca, o distrito conseguiu finalmente sua autonomia política, desmembrando-se assim do município de Grossos e tornando-se um novo e o mais setentrional município do Rio Grande do Norte. Em 1997, o município foi oficialmente instalado, com a eleição e posse do primeiro prefeito, Sidrônio Freire da Silva.

Geografia Banhado pelo Oceano Atlântico, Tibau possui de litoral e área territorial de de área (0,3207% do território estadual), dos quais de área urbana. Limita-se a norte com o estado do Ceará (Icapuí e Aracati), Mossoró a sul, Grossos a leste e novamente Ceará e Mossoró a oeste. É o município mais setentrional do estado do Rio Grande do Norte, distante 323 quilômetros da capital estadual, Natal, e quilômetros da capital federal, Brasília. De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, Tibau pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Mossoró. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Mossoró, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.

O relevo do município, com altitudes inferiores a cem metros, é formado pelos tabuleiros costeiros, cujas principais características são a baixa altitude e a formação argilosa, que às vezes pode chegar ao litoral. Tibau está situado em área de abrangência do Grupo Barreiras, com terrenos formados durante o período Terciário, com idade aproximada em trinta milhões de anos. Na zona costeira são encontradas as dunas móveis e depósitos vindos do mar, originários da ação dos ventos. Há também a planície fluviomarinha, com aluviões, onde estão localizadas as áreas de extração de sal. Predomina é o latossolo vermelho amarelo eutrófico, de textura média, forte drenagem, nível de fertilidade entre médio e alto e o relevo plano. Há também a areia distrófica marinha nas áreas litorâneas, inclusive na sede municipal. Por sua vez, a cobertura vegetal é formada por três tipos diferentes: a caatinga hiperxerófila, os manguezais e a vegetação halófica.

Mesmo localizado no litoral, o clima de Tibau é caracterizado como semiárido quente (do tipo Bsh na classificação climática de Köppen-Geiger), com chuvas concentradas entre os meses de fevereiro e maio, sendo abril o mês de maior precipitação. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), que possui dados pluviométricos de Tibau desde 1962, o maior acumulado de precipitação registrado no município foi de em 7 de março de 1985, seguido por em 11 de maio de 1977 e em 11 de janeiro de 2011. O recorde mensal de precipitação é de em abril de 1984.

Demografia

Entre os censos de 2010 e 2022, a população do município de Tibau cresceu 45,97%, a uma taxa média de 3,36% ao ano. Com habitantes em 2010, esse número subiu para em 2022, estando na trigésima posição no estado e na no Brasil. A densidade demográfica era de e a razão de sexo de 103,32, com 50,82% da população do sexo masculino e 49,18% do sexo feminino.

thumb|esquerda|Capela Santa Terezinha, padroeira de Tibau, que pertence à paróquia de Grossos

No quesito cor ou raça, mais da metade (63,68%) da população era parda, 28,28% branca, 7,93% preta, indígenas e amarelos 0,04% cada um. A idade mediana da população era de 32 anos e a média de moradores por domicílio de 2,89. Ainda segundo o mesmo censo, 67,46% dos moradores eram católicos, 18,02% evangélicos e 0,06% espíritas. Outros 13,37% não tinham religião, 0,95% seguiam outras denominações e 0,13% não declararam.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,635, sendo o 36° maior do Rio Grande do Norte (PNUD) e o do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,769, o valor do índice de renda é 0,627 e o de educação 0,530.

De 2000 a 2010, o índice de Gini aumentou de 0,50 para 0,55 e a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até R$ 140 caiu de 45,4% para 26,9%, apresentando uma redução de 40,8%. Em 2010, 71,3% da população vivia acima da linha de pobreza, 15,2% entre as linhas de indigência e de pobreza e 11,2% abaixo da linha de indigência. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 59,2% do rendimento total municipal, valor quase dezenove vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de apenas 3,1%.

Política miniaturadaimagem|esquerda|Prefeitura Municipal, sede do poder executivo

Conforme a lei orgânica do município de Tibau, promulgada em 5 de junho de 1998, a administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo, independentes e harmônicos entre si. O primeiro é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. A Câmara Municipal de Tibau, constituída por nove vereadores, representa o poder legislativo. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento participativo.

miniaturadaimagem|Câmara Municipal de Tibau, sede do poder legislativo

Existem também alguns conselhos municipais em atividade; são eles: Assistência Social, Direito da Criança e do Adolescente, Educação, Idoso e Saúde. Tibau e é, ao lado de Grossos, termo da comarca de Areia Branca, do poder judiciário estadual. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o município pertence à 49ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em dezembro de 2024, eleitores, o que representa 0,375% do total do eleitorado potiguar.

Economia Conforme dados de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) municipal era de R$  mil, sendo R$  do setor terciário, R$  mil do setor secundário, mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e R$  mil do setor primário. O PIB per capita era de R$ . 60,3% da população maior de dezoito anos era economicamente ativa, 32,5% economicamente inativa e 7,2% economicamente ativa desocupada.

Na agricultura, Tibau produziu, na lavoura permanente de 2012, coco-da-baía (160 mil frutos) e castanha de caju (41 t). Já na lavoura temporária do mesmo ano foram produzidos melão (687 t), melancia (208 t), milho (58 t), feijão (56 t) e sorgo (10 t). Na pecuária, Tibau possuía galináceos, bovinos, ovinos, 798 caprinos, 510 suínos e 158 equinos. Também foram produzidos 121 mil litros de leite de 234 vacas ordenhadas, 952 quilos de mel de abelha e onze mil dúzias de ovos de galinha, .