Dakota do Sul ou Dacota do Sul (em inglês: South Dakota () é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na Região Centro-Oeste do país. A maior parte deste estado localiza-se nas Grandes Planícies americanas. Por causa disto, a maior parte de Dakota do Sul caracteriza-se pelo seu terreno pouco acidentado, relativamente plano. Mais de 90% do estado é coberto por fazendas. A agropecuária tem sido historicamente a principal fonte de renda do estado. O estado é um dos líderes nacionais na produção de trigo. A Dakota do Sul também possui um dos maiores rebanhos de gado bovino do país, embora atualmente as duas maiores fontes de renda do estado sejam a prestação de serviços financeiros e imobiliários e a indústria de manufatura.
Uma das principais fontes de renda de Dakota do Sul é o turismo. Anualmente, milhões de turistas visitam o estado. A região de Black Hills, localizada no oeste do estado, é uma região montanhosa que abriga a principal atração turística do estado, o Monte Rushmore, onde estão esculpidos os bustos de quatro presidentes norte-americanos. Esta enorme escultura é uma das atrações turísticas mais conhecidas dos Estados Unidos, e rendeu ao estado o epíteto The Mount Rushmore State.
O nome do estado provém dos Sioux, que se chamavam a si mesmos de Dakota, que significa "amigo". A região que compõe atualmente a Dakota do Sul foi uma das últimas regiões dos Estados Unidos continental a ser explorada e assentada pelos americanos. Em 1858, o governo americano criaria o Território de Dakota - um território que incluía o que forma atualmente os estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, até então parte do Território de Minnesota. O Território de Dakota seria escassamente povoado até ao século XIX, quando as primeiras ferrovias passando pela região foram construídas ao longo do Território de Dakota, incentivando assim a prática da agricultura na região. Inicialmente, alguns poucos latifundiários dominavam a economia do território. Porém, o sucesso destes latifundiários e as ferrovias atraíram milhares de pessoas à região. Em 2 de novembro de 1889, o Território de Dakota foi dividido nos atuais Dakota do Norte e Dakota do Sul, e ambos foram elevados à categoria de estados.
História
Até 1889
Quando os primeiros imigrantes europeus exploraram a região que atualmente constitui o estado de Dakota do Sul, duas tribos nativas americanas viviam na região: os Akirara, nativos americanos de caráter sedentário, e que viviam primariamente da agricultura, e os Cheyenne, nativos americanos nômades e que viviam primariamente da caça. As relações entre os Arikara e os Cheyenne eram amigáveis. Durante o século XVIII, uma terceira tribo nativo americano, os Lakota, parte do grupo nativo americano dos Sioux, instalaram-se na região, já após a chegada dos primeiros exploradores europeus na região. Os Sioux não foram bem recebidos pelos Arikara, e confrontos entre as duas tribos nativo americanas foram comuns ao longo dos séculos XVIII e XIX, na atual Dakota do Sul.
Os primeiros exploradores europeus a explorarem a região que atualmente constitui o estado americano de Dakota do Norte foram os irmãos François e Louis-Joseph La Vérendrye, em 1743. Os irmãos enterraram uma inscrição em chumbo, com seus nomes, na região onde atualmente localiza-se Fort Pierre. Esta inscrição seria futuramente encontrada por acaso por crianças, numa escola na cidade, em 1913. Desde então, esta plaqueta faz parte do acervo histórico do Museu Histórico Estadual de Dakota do Sul.
Várias décadas antes da chegada dos irmãos Vérendrye, porém, a região da atual Dakota do Sul já fora anteriormente reivindicada pelos franceses em 1682, por René-Robert Cavelier, que reivindicara toda a bacia hidrográfica do Rio Mississípi-Missouri, bacia que inclui toda a atual Dakota do Sul, e que fazia parte da colônia francesa de Nova França, divisão administrativa de Luisiana. Após os irmãos Vérendrye terem deixado a região de Dakota do Sul, ainda em 1743, poucas pessoas de ascendência europeia pisariam na região. Foi somente em 1785 que o primeiro colono de ascendência europeia - Pierre Dorion, um comerciante e caçador franco-canadense - estabeleceu-se na atual Dakota do Sul, em caráter permanente.
Em 1763, como parte do Tratado de Paris, a França cedeu todos os seus territórios a oeste do Rio Mississípi para a Espanha, a metade ocidental do território conhecido como Luisiana. Assim sendo, muito da atual Dakota do Norte passou a ter controle espanhol. Em 1800, os espanhóis cederam estes territórios para a França. Esta por sua vez vendeu toda a Luisiana aos Estados Unidos em 1803. O Presidente americano Thomas Jefferson deu a Meriwether Lewis e William Clark a missão de explorar a região da Luisiana. Lewis e Clark explorariam a região de Dakota do Sul pela primeira vez em agosto de 1804, tendo acampado próximo a atual cidade de Elk Point, e estabelecido relações amigáveis com tribos nativo americanas vivendo na região. Em setembro os exploradores partiram rumo ao nordeste, em direção à atual Dakota do Norte. Eles retornariam mais uma vez à atual Dakota do Sul em 1806, na viagem de volta para a costa leste americana.
Lewis e Clark descreveram a região de Dakota do Sul como uma região cheia de animais cuja pele era cobiçada por comerciantes - como o bisão - atraíram muitos caçadores e comerciantes à região. O primeiro posto comercial na Dakota do Sul foi fundado em 1817. Este posto desenvolver-se-ia posteriormente na atual cidade de Fort Pierre. Porém, o crescente povoamento da região por parte dos americanos de ascendência europeia fizeram com que tribos nativos americanas passassem a temer cada vez mais pela perda de suas terras. Tensões entre ameríndios e americanos de ascendência europeia surgiram. Em 1823, os Arikara atacaram uma comunidade americana, tendo massacrado os seus habitantes. Em resposta, o governo americano enviou tropas à região. Os sioux, inimigos dos Arikara, aliaram-se com as tropas americanas. Os Arikaras foram derrotados no mesmo anos e confinados em reservas nativas
A atual Dakota do Sul, inicialmente parte do Território da Luisiana, tendo sido incorporada ao Território do Missouri em 1812. Em 1834, a porção ocidental da atual Dakota do Sul seria cedida ao Território de Michigan, porção que pertenceria posteriormente aos territórios de Wisconsin, Iowa e Minnesota.
A região que atualmente constitui a Dakota do Sul começou a desenvolver-se rapidamente durante a década de 1830, quando descobriu-se que navios a vapor eram capazes de circular na região do Rio Mississípi que corta a Dakota do Sul, incentivando a caça e o comércio de peles na região. A caça foi a principal fonte de renda de Dakota do Sul até à década de 1850. A partir de 1857, grandes consórcios compraram grandes quantidades de terras na atual Dakota do Sul. Estas companhias dividiram suas terras em pequenos lotes que eram alugados a fazendeiros dispostos a cultivar na região. Estas mesmas companhias fundaram também diversas cidades na região, como Bon Homme, Vermillion e Yankton. Em 1858, os Sioux concordaram em ceder suas terras no sudoeste da atual Dakota do Sul. Os consórcios e a saída dos Sioux do sudoeste de Dakota do Sul atrairiam centenas de pessoas durante o final da década.
Em 1861 o governo americano criou o Território de Dakota. Este território incorporava o que atualmente forma os atuais estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, bem como partes dos atuais Montana e de Wyoming. Em 1863, o Ato Homestead passou a valer no Território de Dakota. Ainda em 1863, partes do Território de Dakota foram cedidas para os territórios de Montana e Wyoming, restando o território formado atualmente por Dakota do Norte e Dakota do Sul. O Ato Homestead fornecia lotes de terra a nenhum custo para famílias que estivessem dispostas a assentar a região, em um esforço para incentivar o povoamento da região, ainda muito não-povoada.
Diversos conflitos entre americanos de ascendência europeia e os nativos americanos Sioux ocorreram durante a década de 1860. Um destes conflitos fora a Guerra de Red Cloud, ocorrida entre 1866 e 1868. Os Sioux eram contra a construção de estradas e da presença de americanos brancos dentro do atual centro-oeste de Dakota do Sul, acreditando que tais estradas iriam interferir com seu estilo de vida. A guerra foi marcada por diversos ataques-surpresa contra cidadezinhas e tropas americanas. Os ataques dos Sioux tiveram fim em 1868, quando o governo federal concordou, através do Tratado de Laramie, em não construir estradas e impedir o povoamento da região centro-oeste de Dakota do Sul, a oeste do Rio Missouri, fazendo da região uma gigantesca reserva nativo americana, o Great Sioux Reservation.
O governo federal violou os termos do Tratado de Laramie em 1874, quando enviou tropas americanas lideradas por George A. Custer dentro dos limites da reserva nativo americana sioux, rumo ao Black Hills, em busca de ouro. Grandes reservas de ouro foram encontrados dentro dos limites da reserva indígena entre 1876 e 1877, causando uma corrida do ouro, que atraiu milhares de pessoas vindas de outros estados americanos e imigrantes à região. Em 1872, a primeira ferrovia conectando a Dakota do Sul com o resto do país foi inaugurada, propiciando o escoamento do ouro minerado na região, e incentivando o povoamento e o cultivo de terras em regiões isoladas. A Dakota do Sul passou a tornar-se uma grande produtora de trigo e de milho. A indústria agropecuária superaria a mineração como principal fonte de renda da região durante a década de 1880.
A violação do Tratado de Laramie levou a um grande motim por parte dos Sioux, motim liderado por Crazy Horse e Sitting Bull. Os nativos americanos realizaram diversos ataques contra assentamentos brancos, mas foram definitivamente derrotados em 1877, tendo sido confinados definitivamente em pequenas reservas nativas.
250px|right|thumb|Deadwood, em 1888.
Graças à mineração do ouro e da agropecuária, a população de todo o Território de Dakota - incluindo a região da atual Dakota do Sul - passou a crescer rapidamente. Porém, as ferrovias que haviam propiciado a ascensão das indústrias do trigo e da mineração, bem como o povoamento da região, passaram a causar tensões de cunho divisório entre a região norte e sul do Território de Dakota. Estas ferrovias - que eram transcontinentais, conectando a costa leste americana com a costa oeste - cruzavam o Território de Dakota num sentido leste-oeste. Não existiam ferrovias conectando o norte do território com o sul, e o transporte entre ambas as regiões era difícil. O rápido crescimento populacional do Território de Dakota passou a fazer com que o governo do território e seus habitantes passassem a pressionar o governo americano a fazer com que o território fosse elevado à categoria de estado. Porém, por causa das tensões divisórias, rapidamente os habitantes do norte e do sul do Território de Dakota passassem a exigir que cada região tivesse seu próprio governo.
Em fevereiro de 1889 o Congresso dos Estados Unidos dividiu o Território de Dakota em dois. Ambos os territórios adquiriram então suas atuais fronteiras políticas. A rivalidade entre ambas as Dakotas era tanta que, após a aprovação do Congresso em permitir que ambos os territórios fossem elevados à categoria de estado, ambas as Dakotas passaram a exigir que fossem elevados à categoria de estado primeiramente. A rivalidade fez com que o Presidente Benjamin Harrison - após a ratificação da Constituição americana por ambas as Dakotas - ordenasse ao Secretário de Estado James Blaine que misturasse ambos os documentos e o impedisse de ver qual o documento que elevava oficialmente um dos territórios à categoria de estado. Isto foi feito para que ninguém soubesse quem fora elevada primeiramente à categoria de estado. Assim sendo, em 2 de novembro de 1889, a Dakota do Sul tornou-se o 39.° estado dos Estados Unidos juntamente com a Dakota do Norte.
1889 - Tempos atuais