Salesópolis é um município brasileiro do estado de São Paulo, localizado na extremidade leste da Região Metropolitana de São Paulo, dentro da bacia hidrográfica do Alto Tietê, a aproximadamente cem quilômetros da capital. O município é formado pela sede e pelo distrito de Nossa Senhora dos Remédios.

O município de Salesópolis é uma das áreas da região que apresentam extensa vegetação nativa, assim como pressões típicas de áreas urbanas e rurais, envolvendo parcelamento clandestino do solo, atividades agrossilviculturais e turísticas desordenadas.

Destacam-se seis características marcantes de Salesópolis: (1) o ambiente natural ainda preservado e pequena área urbanizada; (2) as nascentes do Rio Tietê, pouco conhecidas, considerando a importância nacional deste curso d'água; (3) a presença de represas e ilhas, com 130 km de orla, considerados patrimônios de valor estético e paisagístico; (4) a proximidade da Serra do Mar e a inclusão do território no Parque Estadual da Serra do Mar; (5) o intenso reflorestamente com eucaliptos; (6) a hortifruticultura existente no município, especialmente a partir do Distrito de Nossa Senhora dos RemédiosOTAKE, Ruy; UMEOKA, Márcia; CARVALHO, Elza Maria Braga de (Org.). Plano diretor participativo de Salesópolis. Salesópolis: Prefeitura da Estância Turística de Salesópolis, 2006..

Estância Turística Em 19 de janeiro de 2001, Salesópolis foi elevada à categoria de Estância Turística por meio da Lei Estadual nº 10.769, substitutída posteriormente pela Lei Estadual Nº. 17.469/2021. O Estado de São Paulo concede esse título a municípios que possuam condições adequadas de lazer, recreação e recursos naturais e culturais de relevância.

Para a obtenção do título, é exigido que o município disponha de infraestrutura e serviços voltados ao turismo, conforme critérios estabelecidos em legislação específica. As cidades reconhecidas como estâncias turísticas recebem, anualmente, recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), destinados à realização de obras e melhorias que fortaleçam a infraestrutura e incentivem o turismo local.

História Origem O início de Salesópolis ocorreu nos primeiros anos do século XIX, situado no percurso entre Taubaté e Mogi das Cruzes (do qual fazia parte). Em suas primeiras referências documentais, consta como região de P'ratinga fazendo referência ao Rio Paraitinga.

O município surgiu a partir do deslocamento feito pelo Capitão Aleixo de Miranda e outros militares, desde o município de Mogi das Cruzes, acompanhados de familiares, escravizados e agregados com o objetivo de explorar economicamente as terras.

Alguns autores citam a origem de um primeiro povoado nas proximidades da Capela de Nossa Senhora da Ajuda, entretanto, não há respaldo documental para tais informações, considerando (1) a distinção entre uma matriz central e a Capela de Nossa Senhora da Ajuda já nos primeiros documentos assentados; (2) a referência entre a Capela de Nossa Senhora da Ajuda como Capela Nova e a outra capela existente, a Capela de São Pedro, conhecida como Capela Velha, indicando a existência de três edifícios religiosos (Matriz, Capela Velha e Capela Nova).

Período Imperial - São José do Paraitinga Esse povoado, denominado São José do Paraitinga, pertencia à Vila de Santana de Mogi das Cruzes e foi elevado à categoria de freguesia em 28 de fevereiro de 1838, por meio da Lei nº. 17. Em 1842, a freguesia foi elevada à condição de Distrito Policial e, quinze anos depois, tornou-se vila, através da Lei Provincial nº. 9, desligando-se de Mogi das Cruzes.

Conflitos políticos e eleitorais Em São José do Paraitinga, a população alfabetizada e socialmente influente, concentrada principalmente na área urbana, encontrava-se dividida entre os ideais partidários dos conservadores e dos liberais. O período eleitoral era marcado por tensões políticas, conflitos e fraudes, sendo raramente conduzido de forma pacífica. As votações ocorriam, em sua maioria, no interior de igrejas, que se tornavam palco de disputas acirradas entre os grupos rivais.

Na cidade, onde o Partido Conservador detinha predominância, era comum que os templos utilizados para as eleições fossem cercados por forças policiais, atuando sob ordens de comandantes nomeados por influência política. Eleitores liberais frequentemente eram impedidos de votar, e em alguns casos, presos antes ou durante a votação.

Como instrumento de intimidação e demonstração de força, os conservadores promoviam a distribuição de fardas e armamentos entre seus apoiadores, em uma prática popularmente conhecida como “guerra das eleições”. As armas — especialmente revólveres — eram posteriormente vendidas sem qualquer tipo de controle, em uma época em que o poder local se sobrepunha ao aparato institucionalDiário de São Paulo, 15 de fevereiro de 1867Correio Paulistano (Ano 1878 Edição 6523) p. 1 e (Ano 1878 Edição 6559) p. 1.

Meses antes de um desses pleitos, as eleições municipais resultaram em confrontos generalizados. Um episódio marcante envolveu um inspetor de quarteirão, que saiu às ruas acompanhado de Serafim Mendes de Faria e outros liberais armados com facas e garruchas, parte deles portugueses sem cidadania brasileira, efetuando disparos pela cidade. Durante os distúrbios, os guardas nacionais João Batista dos Santos e Inácio Antônio Batista recusaram-se a cumprir ordens do juiz eleitoral, questionando sua autoridade sobre o comando das forças locais. As agressões e tumultos prolongaram-se por várias semanas, sem qualquer intervenção efetiva das autoridades municipais para restaurar a ordemO Ypiranga (Ano 1868 Edição 50) p. 2. Disponível em <memoria.bn.br>..

O desenvolvimento da Vila - termo ainda utilizado por pessoas mais antigas - era limitado devido à precariedade das vias e dos meios de transporte e comunicação. Entretanto, o número de escolas era significativo, possuindo registros de unidades tanto em área urbana como nas áreas rurais. Até o final do século XIX, a economia local era predominantemente agrícola, baseada nas lavouras de fumo, café, milho e feijão. Em 1885, foi inaugurado o primeiro serviço urbano de abastecimento de água, que consistia na instalação de chafarizes nas esquinas das ruas, onde os moradores retiravam água utilizando latas e potes de barro.

Período Republicano - Salesópolis Em 1900, foi solicitada ao Governo Provincial a alteração do nome do município para Salesópolis, em homenagem ao então presidente da República, Manoel Ferraz de Campos Sales. A mudança de nome foi oficializada em 1905, por meio da Lei nº. 965.

Em 1912, a inauguração de uma usina pela Companhia de Força e Luz Norte de São Paulo possibilitou o acesso do município à energia elétrica, substituindo a iluminação à base de lampiões a querosene, instalados em ruas e praças. Com o tempo, a atividade econômica passou por transformações: em 1914, a lavoura de fumo praticamente desapareceu, sendo substituída pelo cultivo de batatas.

No início da década de 1940, a crescente demanda pelo carvão vegetal pelas indústrias provocou desmatamentos significativos da vegetação nativa. Em 1945, iniciou-se a manufatura de tábuas para produção de caixas e elementos de proteção para garrafas e frutas exportadas. A produção de hortaliças e outros produtos agrícolas ganhou impulso em 1956, com a chegada de imigrantes japoneses e a instalação de uma colôniaPREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. A RMSP: um breve perfil dos 39 municípios. São Paulo: Prefeitura da Cidade de São Paulo, 2002..

Em 1947, a instalação de uma indústria siderúrgica em Mogi das Cruzes intensificou a devastação das matas para a produção de carvão vegetal. Na década de 1950, esse processo continuou, juntamente com o início do plantio de eucalipto, também voltado à obtenção de carvão. Em 1949, com a instalação da Companhia Suzano de Papel e Celulose S.A., e em 1955, da Indústria de Celulose de Papel “Simão” em Jacareí, o plantio de eucaliptos em áreas de mata se intensificou para atender à demanda de madeira para a produção de papel, substituindo parcialmente a atividade carvoeira.

Formação territorial-administrativa

Histórico da formação do município: Antigo povoado de São José do Paraitinga. Freguesia criada no município de Mogi das Cruzes pela Lei nº 17, de 28/02/1838. Vila criada pela Lei nº 9, de 24/03/1857. Denominação alterada para Salesópolis pela Lei nº 965, de 16/11/1905.

Geografia Seus limites são Santa Branca a norte, Paraibuna a nordeste, Caraguatatuba a leste, São Sebastião a sudeste, Bertioga a sul, Biritiba-Mirim a oeste e Guararema a noroeste.

Relevo alt=Relevo do município de Salesópolis|miniaturadaimagem|297x297px|Relevo do município de Salesópolis, obtido a base de imagem SRTM (Alos-Palsar) O relevo da região é caracterizado por morros e colinas, com altitudes variando entre 740 e 1.100 metros, destacando-se a presença da Serra do Mar nas regiões sul, sudeste e sudoeste. Planícies estão presentes nas áreas mais baixas dos riosSÃO PAULO (Estado). Salesópolis. Disponível em: < http://www.fundacaofia.com.br/ gdusm/salesopolis.htm>. Acesso em: 01 ago. 2011..

Hidrografia A bacia hidrográfica do Alto Tietê possui quase o mesmo tamanho da Região Metropolitana da Grande São Paulo, tendo uma área de 5.985 km² e sendo composta por 34 municípios. Salesópolis, inserido nessa bacia a 97 km de distância da capital, possui uma área de 425 km², sendo que 98% de seu território estão inseridos em Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais (APRM-ATC). alt=Hidrografia da área urbana de Salesópolis|miniaturadaimagem|esquerda|297x297px|Hidrografia da área urbana A Bacia do Rio Tietê possui dois afluentes principais. O Rio Claro, cuja bacia foi desapropriada pelo governo estadual, deságua no Rio Tietê e suas águas são represadas pela Barragem de Ponte Nova. O Rio Paraitinga nasce em Paraibuna, atravessa áreas urbanas e deságua no Rio Tietê, no município de Biritiba Mirim.

O Rio Tietê é a principal fonte de abastecimento público da Região Metropolitana de São PauloJOHNSSON, Rosa Maria Formiga; LOPES, Paula Duarte (Org.). Projeto Marca d’Água: seguindo as mudanças na gestão das bacias hidrográficas do Brasil: caderno 1: retrato 3 x4 das bacias pesquisadas, 2003.. Sua nascente situa-se a uma altitude de 1.030 metros, entre as rochas do Embasamento Cristalino do Planalto Atlântico, no bairro da Pedra Rajada, originando-se em diversos olhos d’água que brotam de uma camada arenosaLEITE, Marcelo (Org.). Nos caminhos da biodiversidade paulista. São Paulo: Secretaria de Estado do Meio Ambiente, 2007..

Clima

O clima do município, como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, é o subtropical. O verão é pouco quente e o Inverno ameno. Não existem meses secos, embora chova mais no verão. A média de temperatura anual gira em torno dos 18 °C, sendo julho o mês mais frio (média de 13 °C) e o mais quente fevereiro (média de 22 °C). O índice pluviométrico anual fica em torno de 1 300 mm.

Rodovias SP-77 Rodovia Nilo Máximo SP-88 Rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura

Meio ambiente Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais A legislação de proteção aos mananciais que abrange o município de Salesópolis foi criada durante o período da Ditadura Militar, inicialmente com enfoque sanitário, assumindo apenas posteriormente um caráter ambiental. Essa regulamentação foi instituída pelas Leis Estaduais nº 898 e nº 1.172, caracterizando-se como uma legislação de natureza altamente impositiva e tecnicista, baseada em parâmetros urbanísticos que variavam conforme a distância dos reservatórios e cursos d’água principais. Seu objetivo era proteger as fontes hídricas e os reservatórios de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, por meio da restrição rigorosa ao uso e à ocupação do solo e da proibição de atividades industriais potencialmente poluidoras.