Joseph Harold Greenberg (Nova Iorque, — Palo Alto, ) foi um eminente e controverso linguista norte-americano, conhecido por seu trabalho tanto na classificação das línguas quanto na tipologia. Nasceu em Brooklyn, e trabalhou por muitos anos na Universidade de Stanford, onde veio a falecer em consequência de câncer hepático.
Contribuições para a linguística Tipologia linguística A fama de Greenberg repousa em parte em suas contribuições, que serviram de sementes para a linguística sincrônica e sua procura pela identificação de conceitos universais da linguística.
No final da década de 1950 do século XX, Greenberg começou a examinar os "corpora" de línguas cobrindo uma ampla distribuição geográfica e genética. Ele localizou uma quantidade de interessantes conceitos universais potenciais, assim como muitas tendências fortes da linguística comparada.
Greenberg (1963) em seu famigerado livro Universals of language define 45 universais linguísticos. De acordo com Greenberg (1975: 75), o conceito de universais linguísticos surgiu de um paper de Aginsks publicado em 1948, como “a base comum de toda a linguagem humana”, isto é, a pesquisa linguística que deseja vislumbrar os universais deve “delimitar os traços comuns da linguagem humana e descobrir os princípios subjacentes” das línguas.
No capítulo 5, intitulado “Alguns Universais de Gramática com Referência Particular à Ordem de Elementos Significativos”, Greenberg (1963: 58-90) aborda 45 universais linguísticos baseados principalmente em um conjunto de 30 idiomas. Segundo o autor, os universais podem sem classificados em Absolutos ou Estatísticos, Internos ou Externos, Implicacionais bidirecionais ou unidirecionais. Dessa forma, os universais se apresentam em todas as línguas do mundo – absolutos – ou em grande parte delas – estatísticos. Os universais também podem ter motivações internas – intralinguísticas – ou ter motivações externas de cognições mais gerais – externos. Ainda, os universais podem se constituir de regras no formato A implica B e B implica A – implicacional bidirecional – ou A implica B, mas B não implica A – implicacional undirecional.
Em particular, Greenberg inventou a noção de conceito universal implicativo, o qual toma a forma "se uma língua tem a estrutura X, então ela deve também ter a estrutura Y." Por exemplo, X pode ser "vogais redondas meio frontais" e Y "vogais redondas frontais altas" (para terminologia, veja fonética). Esse tipo de pesquisa foi aproveitado por muitos outros estudiosos, seguindo o exemplo de Greenberg e tem continuado a ser um importante tipo de coleta de dados em linguística sincrônica.
Línguas africanas Greenberg também é largamente conhecido e respeitado por seu desenvolvimento de novo sistema de classificação para as línguas africanas, publicado em 1963. A classificação foi, por um período de tempo, considerada muito audaz e especulativa, especialmente em sua proposta de uma família de línguas nilótico-saarianas, mas que hoje é geralmente aceita entre os especialistas em história africana. No curso de sua obra, Greenberg cunhou o termo línguas afro-asiáticas, para substituir o anterior hamito-semíticas.
A classificação de Greenberg foi bem aceita por linguistas históricos, que desde então a usaram como base para trabalhos posteriores. Hal Fleming apresentou a família omótica, e Gregerson propôs juntar as línguas do Níger-Congo e as línguas nilótico-saarianas em uma grande família congo-saarianas, o que foi aceito por Greenberg.
Línguas das Américas Mais tarde, Greenberg estudou as línguas nativas das Américas, que até então tinham sido classificadas em centenas de famílias de línguas separadas. Em seu livro Language in the Americas, de 1987, ele propôs uma classificação mais abrangente, em três grupos principais: esquimó-aleutas, na-dene, e ameríndias.
Esse trabalho, particularmente o relativo às línguas ameríndias, é ainda rejeitado por muitos linguistas históricos. A crítica está direcionada não tanto para a classificação em si, mas basicamente para o método de comparação léxica em massa usado para estabelecê-lo, o qual a maioria dos linguistas históricos americanistas consideram inerentemente não confiável (veja abaixo); e também para o elevado número de erros alegadamente presentes nas fontes utilizadas por Greenberg, tais como palavras incorretas ou não existentes, traduções erradas, palavras atribuídas a línguas equivocadas, e identificação sem base ou errada de prefixos e sufixos.
Enquanto alguns desses erros (os quais, de acordo com os defensores de Greenberg, somente afetam um pequeno percentual dos dados) poderiam consideravelmente levar a um aumento artificial na medida da similaridade, outros introduziriam apenas barulho aleatório nas medidas e, portanto, tenderiam a reduzi-la; o que somente fortaleceria as conclusões de Greenberg. Contudo, as alegações de inúmeros erros nos dados, junto com objeções à sua metodologia, levaram muitos linguistas a avaliar essa parte do trabalho de Greenberg como não acadêmica e inválida.
Línguas euroasiáticas Mais tarde em sua vida, Greenberg propôs reunir muitas famílias linguísticas da Europa e Ásia em um único grupo, que chamou de euroasiático. O projeto era muito semelhante às antigas propostas de Illich-Svitych com relação ao grupo nostrático, mas diferia em pontos importantes, nomeadamente a exclusão das línguas afro-asiáticas, o que, em seguida, tornou-se popular também entre os nostraticistas. Ele continuou a trabalhar nesse projeto até a sua morte.
Método de comparação em massa de Greenberg Greenberg propôs um método controvertido e pouco prático para encontrar relações históricas ao comparar demasiadas línguas pelos métodos tradicionais de estabelecer mudanças regulares de som – uma situação que ocorre especialmente quando se tenta estabelecer famílias históricas de longo alcance em regiões do mundo onde poucas famílias de nível baixo (ou mesmo nenhuma) tenham sido reconstruídas, ou onde a diversidade linguística é especialmente elevada. Esse método foi entusiasticamente abraçado por alguns linguistas históricos (e muitos geneticistas), mas foi rejeitado pela maioria dos linguistas históricos. Q.v. comparação léxica em massa para uma discussão completa.
Universais de Greenberg A lista a seguir encontra-se no apêndice III de "Universais da Linguagem" de Greenberg (1963: 88-90) mais especificamente em "Universais Reafirmados", classificados de acordo com o nível da gramática explicitado pelo Greenberg no corpo do texto do já referido capítulo 5.
Ordem de Palavras na sentença Universal 1: Em sentenças declarativas com sujeito e objeto nominal, a ordem dominante é quase sempre aquela em que o sujeito precede o objeto.
Universal 2: Em idiomas com preposiçõesA palavra “preposição” é mencionada aqui não como uma classe gramatical, mas como a posição ocupada pela palavra em questão em relação ao núcleo do sintagma, isto é, preposição é a posição antes do núcleo. o genitivo Genitivo é o tipo de relação entre palavras deposse em que se tem a coisa possuída – núcleo – e o possuidor – genitivo. Exemplo: O carro de João. O carro = coisa possuída, de João = genitivo. quase sempre segue o substantivo governante,Nome governante é o núcleo do sintagma. enquanto em línguas com posposições quase sempre precede.
Universal 3: As línguas com ordem de VSOVSO = Verbo + Sujeito + Objeto. É uma possibilidade de ordem de palvras que exercem determinadas funções sintáticas em uma sentença. É a utilizada Pelo Árabe padrão, por exemplo. dominante são sempre preposicionais.
Universal 4: Com uma frequência muito maior do que a chance, as línguas com ordem SOV normal são pós-posicionais.
Universal 5: Se uma língua tem uma ordem SOVSOV = Sujeito + Objeto + Verbo. É outra possibilidade de ordem de palavras que exercem determinadas funções sintáticas em uma sentença. . É a utilizada pelo Alemão, por exemplo. dominante e o genitivo segue o substantivo governante, então o adjetivo também segue o substantivo.
Universal 6: Todas as línguas com ordem de VSO dominante têm SVOSVO = Sujeito + Verbo + Objeto. É uma terceira possibilidade de ordem de palavras que exercem determinadas funções sintáticas em uma sentença. É a utilizada pela Língua Portuguesa, por exemplo. como uma alternativa ou como a única ordem básica alternativa.
Universal 7: Se em uma língua com ordem SOV dominante não há ordem básica alternativa, ou apenas OSV como alternativa, então todos os modificadores adverbiais do verbo também precedem o verbo. (Este é o subtipo "rígido" do III.)
Sintaxe Universal 8: Quando uma questão sim-não é diferenciada da afirmação correspondente por um padrão entoacional, as características entoacionais distintivas de cada um desses padrões são calculadas a partir do final do sentença e não o começo.
Universal 9: Quando partículasA nota a respeito da afirmação. ou afixos de pergunta são especificados na posição por referência à sentença como um todo, caso essas partículas ou afixos de perguntas forem iniciais, tais elementos são encontrados em idiomas preposicionais e, se forem finais, são encontradas em idiomas posposicionais, com mais frequência que aleatoriamente.
Universal 10: As partículas ou afixos de pergunta, especificados na posição por referência a uma palavra específica na frase, quase sempre seguem essa palavra. Tais partículas não ocorrem em línguas com ordem dominante VSO.
Universal 11: A inversão da ordem de instrução de modo que o verbo preceda o assunto ocorre apenas em idiomas em que a palavra ou frase da pergunta é normalmente inicial. Essa mesma inversão ocorre em questões do tipo "sim-não" apenas se também ocorrer em questões de palavras interrogativas.
Universal 12: Se uma língua possui ordem dominante VSO em sentenças declarativas, sempre coloca palavras ou frases interrogativas primeiro em perguntas de palavras interrogativas; se tem ordem dominante SOV em sentenças declarativas, nunca existe tal regra invariante.
Universal 13: Se o objeto nominal sempre precede o verbo, então as formas verbais subordinadas ao verbo principal também o precedem.
Universal 14: Em declarações condicionais, a cláusula condicional precede a conclusão como a ordem normal em todas as línguas.
Universal 15: Em expressões de vontade e propósito, uma forma verbal subordinada sempre segue segue o verbo principal como a ordem normal, exceto naquelas línguas em que o objeto nominal sempre precede o verbo.
Universal 16: Em línguas com ordem dominante VSO, um auxiliar flexionado sempre precede o verbo principal. Em línguas com ordem dominante SOV, um auxiliar flexionado sempre segue o verbo principal.
Universal 17:
Com uma frequência muito maior do que ao acaso, as línguas com ordem dominante VSO têm o adjetivo após o substantivo.
Em seu artigo intitulado Some universals of grammar with particular reference to the order of meaningful elements. In Universals of Language. Cambridge: MIT Press, Greenberg (1963) trabalha com uma amostra de 30 línguas. Dentre elas, 19 apresentam adjetivos depois de nomes, contra 11 línguas cujos adjetivos antecedem o nome. Isso é representativo de uma tendência geral que quase anula a esperada regra oposta em línguas SOV.
A posição dos demonstrativos e dos numerais está relacionada a dos adjetivos descritivos em determinadas línguas. No entanto, esses itens demonstram uma tendência marcada para preceder os nomes, mesmo quando os adjetivos descritivos seguem o nome. Em seus dados, Greenberg, observou 12 línguas em que o demonstrativo precede o nome, mesmo que o adjetivo ocorra após, e 7 línguas em que, da mesma forma, o demonstrativo antecede o nome, mesmo que o adjetivo o preceda.
Em uma das línguas pesquisadas, o guarani, numerais podem tanto preceder quanto se seguir aos nomes. Nessa língua, os adjetivos seguem o nome, como se poderia esperar.