Lisp é uma família de linguagens de programação concebida por John McCarthy em 1958. Num célebre artigo, ele mostra que é possível usar exclusivamente funções matemáticas como estruturas de dados elementares (o que é possível a partir do momento em que há um mecanismo formal para manipular funções: o Cálculo Lambda de Alonzo Church). A linguagem Lisp foi projetada primariamente para o processamento de dados simbólicos. Ela é uma linguagem formal matemática. Durante os anos de 1970 e 1980, Lisp se tornou a principal linguagem da comunidade de inteligência artificial, tendo sido pioneiro em aplicações como administração automática de armazenamento, linguagens interpretadas e programação funcional.

O seu nome vem de List Processing (a lista é a estrutura de dados fundamental desta linguagem). Tanto os dados como o programa são representados como listas, o que permite que a linguagem manipule o código fonte como qualquer outro tipo de dados.

Existem diversos dialetos de Lisp, sendo os mais conhecidos: Common Lisp, Scheme e Clojure.

História Lisp é uma família de linguagens que possui uma longa história. As primeiras ideias-chave para a linguagem foram desenvolvidas por John McCarthy em 1956, durante um projeto de pesquisa em inteligência artificial. A primeira implementação da linguagem se dá no inverno de 1958. A motivação de McCarthy surgiu da ideia de desenvolver uma linguagem algébrica para processamento de listas para trabalho em IA (inteligência artificial). Esforços para a implementação de seus primeiros dialetos foram empreendidos no IBM 704, IBM 7090, DEC PDP-1, DEC PDP-6 e DEC PDP-10. O dialeto principal entre 1960 e 1965 foi o Lisp 1.5.No início dos anos 1970, houve outros dois dialetos predominantes, desenvolvidos através de esforços anteriores: MacLisp e Interlisp.

Apesar das primeiras implementações do Lisp terem sido realizados nos IBM 704 e 7090, trabalhos posteriores concentraram-se nos DEC PDP-6 e PDP-10, este último sendo o baluarte do Lisp e das pesquisas em IA (inteligência artificial) em lugares como o MIT (Massachussets Institute of Tecnology) e as Universidades de Stanford e Carnegie-Mellon até metade dos anos 1970. O computador PDP-10 e seu antecessor, o PDP-6 eram por definição, especialmente adequados para o Lisp, por possuirem palavras de 36 bits e endereços de 18 bits. Esta arquitetura permitia um registro de um cons cell (par pontuado) em uma única palavra de memória, em instruções simples extraíam o seu car e cdr. Esses computadores possuíam também poderosas instruções de pilha, que proporcionavam rápida chamada a funções; porém suas limitações em 1973 eram evidentes: suportavam um pequeno número de pesquisadores utilizando o Lisp e seu endereçamento em 18 bits limitava o espaço dos programas. Uma resposta para o problema de endereçamento foi o desenvolvimento do "Lisp Machine",um computador dedicado especialmente à tarefa de trabalhar com a linguagem. Outra solução foi a utilização de computadores de uso geral com maior capacidade de endereçamento, como o DEC VAX e o S1 Mark IIA.

2000 até o presente

Depois de ter decaído um pouco nos anos 90, Lisp experimentou um ressurgimento de interesse após 2000. A maioria das novas atividades foi focada em implementações de Common Lisp, Scheme, Emacs Lisp, Clojure, e Racket, e inclui o desenvolvimento de novas bibliotecas e aplicativos portáteis.

Muitos novos programadores de Lisp foram inspirados por escritores como Paul Graham e Eric S. Raymond para buscar uma linguagem que outros consideram antiquada. Os programadores New Lisp frequentemente descrevem a linguagem como uma experiência de abrir os olhos e afirmam ser substancialmente mais produtivos do que em outras linguagens. Esse aumento na consciência pode ser contrastado com o "Inverno da IA" e o breve ganho de Lisp em meados da década de 1990."Trends for the Future". Faqs.org. Recuperada em 15 de novembro de 2013

Dan Weinreb lista em sua pesquisa de implementações Common LispWeinreb, Daniel. "Common Lisp Implementations: A Survey". Arquivado do original em 21 de abril de 2012. Recuperado em 4 de abril de 2012. onze implementações de Common Lisp ativamente mantidas. Scieneer Common Lisp é uma nova implementação comercial da CMUCL com um primeiro lançamento em 2002.

A comunidade open-source criou uma nova infra-estrutura de suporte: o CLiki é um wiki que coleta informações relacionadas ao Common Lisp, o Common Lisp lista recursos, o #lisp é um canal IRC popular e permite compartilhar e comentar trechos de código (com suporte do lisppaste, um bot de IRC escrito em Lisp), Planet Lisp coleta o conteúdo de vários blogs relacionados a Lisp, no LispForum usuários discutem tópicos de Lisp, Lispjobs é um serviço para anunciar ofertas de emprego e há um serviço de notícias semanal, Weekly Lisp News. Common-lisp.net é um site de hospedagem para projetos Common Lisp de código aberto. QuickLisp] é um gerenciador de bibliotecas do Common Lisp.

Cinquenta anos de Lisp (1958–2008) foram celebrados em LISP50@OOPSLA."LISP50@OOPSLA". Lisp50.org. Recuperado em 15 de novembro de 2013. Há reuniões regulares de usuários locais em Boston, Vancouver e Hamburgo. Outros eventos incluem o European Common Lisp Meeting, o European Lisp Symposium e uma Conferênia Internacional de Lisp.

A comunidade Scheme mantém ativamente mais de vinte implementações. Várias novas implementações significativas (Chicken, Gambit, Gauche, Ikarus, Larceny, Ypsilon) foram desenvolvidas nos anos 2000. O Relatório Revisado sobre o Esquema de Linguagem AlgorítmicaDocuments: Standards: R5RS. schemers.org (11/01/2012). Recuperado em 17 de julho de 2013. padrão do Scheme foi amplamente aceito na comunidade Scheme. O processo Solicitações de implementação do Scheme criou muitas bibliotecas e extensões quase-padrão para o Scheme. As comunidades de usuários de implementações individuais do Scheme continuam a crescer. Um novo processo de padronização de linguagem foi iniciado em 2003 e levou ao padrão R6RS Scheme em 2007. O uso acadêmico do Scheme para o ensino de informática parece ter diminuído um pouco. Algumas universidades não estão mais usando Scheme em seus cursos introdutórios de ciência da computação;"Why MIT now uses python instead of scheme for its undergraduate CS program". cemerick.com. 24 de Março de 2009. Recuperado em 10 de Novembro de 2013.Broder, Evan (8 de Janeiro de 2008). "The End of an Era". mitadmissions.org. Recuperado em 10 de Novembro de 2013. MIT agora usa Python em vez de Scheme para seu programa de ciência da computação e MITx massive open online course."MIT EECS Undergraduate Programs". www.eecs.mit.edu. MIT Electrical Engineering & Computer Science. Recuperado em 31 de Dezembro de 2018."MITx introductory Python course hits 1.2 million enrollments". MIT EECS. MIT Electrical Engineering & Computer Science. Recuperado em 31 de Dezembro de 2018.

Existem vários novos dialetos de Lisp: Arc, Hy, Nu, Liskell e LFE (Lisp Flavored Erlang). O analisador para Julia é implementado em Femtolisp, um dialeto de Scheme (Julia é inspirada por Scheme e é frequentemente considerada um Lisp).

Dialetos historicamente significativos LISP 1 Acessado em 11 de maio de 2010. – Primeira Implementação. LISP 1.5 – Primeira versão amplamente distribuída, desenvolvida por McCarthy e outros do MIT. Assim chamada porque continha várias melhorias no interpretador "LISP 1" original, mas não foi uma grande reestruturação como planejado que fosse ser o LISP 2. Stanford LISP 1.6 – Este foi uma sucessora para o LISP 1.5 desenvolvida no Laboratório de IA de Stanford, e amplamente distribuída para sistemas PDP-10 rodando o sistema operacional TOPS-10. Se tornou obsoleta com o advento do Maclisp e do InterLisp. MACLISP – Desenvolvido para o Projeto MAC do MIT (Não tem relaçãocom o Macintosh da Apple, nem com McCarthy), descendente direto do LISP 1.5. Rodou em sistemas PDP-10 e Multics. (MACLISP mais tarde começou a ser chamado de Maclisp, e geralmente é citado como MacLisp.) InterLisp – desenvolvido na BBN Technologies para sistemas PDP-10 rodando o sistema operacional Tenex, mais tarde usado como Lisp "da costa oeste" para as máquinas Xerox Lisp como InterLisp-D Umaversão menor chamada "InterLISP 65" foi produzida para a linha base de computadores 6502 da Família Atari de 8 bits. Por bastante tempo Maclisp e Interlisp foram fortes competidores. Franz Lisp – originalmente um projeto da Universidade da Califórnia, Berkeleyt; mais tarde desenvolvido por Franz Inc. O nome é uma piada com o nome de "Franz Liszt", e não se refere à Allegro Common Lisp, o dialeto de Common Lisp vendido por Franz Inc., em anos mais recentes.

Aplicabilidades Lisp é uma linguagem madura, concebida atenciosamente, altamente portável, linguagem de força industrial. Suas características que mais chamam atenção são: Ferramenta rápida e altamente personalizável para fazer coisas do dia a dia. Aplicações grandes, complexas e críticas as quais seriam impossíveis desenvolver em outra linguagem. Prototipação rápida e Rapid Application Development (RAD). Aplicações de alta disponibilidade, principalmente aquelas que necessitam de mudanças após a etapa inicial. A linguagem teve um grande sucesso em software do ramo de negócios, engenharia, processamento de documentos, hipermídia (incluindo a Web), matemática, gráficos e animação (Mirai), inteligência artificial e processamento de linguagem natural. Uma das grandes vantagens de Lisp é que ela trata o programa como dado, possibilitando assim um programa inteiro ser dado como entrada de um outro, coisa que não acontece em outras linguagens como C e Pascal. É usada algumas vezes para definir todos os aspectos de uma aplicação, ou apenas o motor de processamento interno, ou apenas a interface do usuário; e ainda é usada com rotina para prover linguagens de comando interativas, linguagens de macro ou script e linguagens extensoras de sistemas comerciais.

Características Técnicas A linguagem LISP é interpretada, onde o usuário digita expressões em uma linguagem formal definida e recebe de volta a avaliação de sua expressão. Deste ponto de vista podemos pensar no LISP como uma calculadora, que ao invés de avaliar expressões aritméticas avalia expressões simbólicas, chamadas de expressões. Cada programa em LISP, é, portanto, uma expressão. As expressões são de tamanho indefinido e tem uma estrutura de árvore binária. A estrutura de utilização da memória disponível é na forma de listas, pois livra o programador da necessidade de alocar espaços diferentes para o programa e para os dados, fazendo com que os dados e os programas sejam homogêneos, característica única da linguagem LISP. Suas principais características são: Tipos de dados: átomo e a lista. É com apenas esses dois tipos de dados que se constroem as expressões-S, as estruturas basilares de LISP. Fraca Tipagem: LISP, em relação a outras linguagens funcionais mais recentes, é fracamente tipado, o que causa complicações, já que operações que acessam as suas estruturas de dados são tratadas como funções. Funções de ordem elevada: Linguagens funcionais tipicamente suportam funções de ordem elevada (exemplo: função de uma função de uma função de uma…). Avaliação Ociosa: É o que ocorre quando uma função aninhada executa uma computação desnecessária para a avaliação da função que a chama, aumentando o tempo de execução.