Sara ou Sara, a negra (; ), segundo várias lendas, foi uma figura lendária da tradição popular do sul da França, associada às narrativas medievais sobre a chegada das chamadas Três Marias à região da Camarga. Ela é invocada como a padroeira dos povos ciganos e de mulheres que buscam fertilidade.

O seu nome, tal como o da matriarca judia Sara, cuja vida é relatada no Antigo Testamento, teria se originado do hebraico e era supostamente usado para designar uma mulher de grande relevância na sociedade, mantendo por significado "princesa" ou "senhora". Já o epíteto Kali origina-se, supostamente, do idioma sânscrito, tendo por tradução a palavra "negra". Nas suas tradicionais iconografias, Sara é representada com a pele escura.

Embora seja venerada popularmente por grupos ciganos e por devotos locais, não é reconhecida oficialmente como santa pela Igreja Católica, não constando no Martirológio Romano nem no calendário litúrgico oficial.

História alt=A chegada d'As Santas Marias do Mar em Provença|miniaturadaimagem|Santa Sara e as três Marias A história de Sara é incerta, uma vez que não há registros sobre sua vida. Lendas relatam que ela teria auxiliado Maria durante o nascimento de Jesus. Sara também estaria presente na crucificação de Jesus, embora os Evangelhos Canônicos não a mencionem.Bart McDowell, Gypsies: Wanderers of the World, p. 38-57 Ela também é identificada como serva de Maria Madalena.

Com o início da perseguição aos cristãos no território Israel, conta-se que Sara foi deportada do país juntamente com Maria Madalena, Maria de Cléofas, Maria Salomé, os irmãos Marta, Maria e Lázaro de Betânia, Marcela e um cristão de nome Maximino. A tradição relata que eles foram lançados no Mar Mediterrâneo numa embarcação sem remo que chegou onde nos dias atuais seria a comuna francesa de Saintes-Maries-de-la-Mer (Santas Marias do Mar em francês). Conta-se que o grupo, temendo um naufrágio, puseram-se em oração. Sara, por sua vez, havia de ter feito uma promessa de que se conseguissem desembarcar sem que houvesse mortes, teria ela que se cobrir com um véu em forma de agradecimento.https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/05/optcha-hoje-dia-santa-sara-kali-padroeira-ciganos HISTÓRIA DE SANTA SARA

Sara como filha de Jesus Alguns autores, como Dan Brown, por exemplo,Margaret Starbird, The Woman with the Alabaster Jar: Mary Magdalen and the Holy Grail, Bear & Company, 1993.Fida Hassnain, A Search for the Historical Jesus (Gateway Books, 1994).Marilyn Hopkins, Graham Simmans, Tim Wallace-Murphy, Rex Deus. The True Mystery of Rennes-le-Château and the Dynasty of Jesus, Element Books, 2000. ISBN 86204 472 4. baseando-se em outras obras como o pseudohistórico livro Holy Blood, Holy Grail ao compor a obra O Código Da Vinci, sugerem que Sara seria, na verdade, filha de Jesus Cristo e Maria Madalena. No entanto, essas especulações são descartadas pela vasta maioria dos estudiosos.The Real Da Vinci Code, Channel Four Television, 3 February 2005.Behind The Mysteries: Unlocking Da Vinci's Code – The Full Story, National Geographic Channel, 19 December 2004.

Veneração alt=Interior da Igreja de Saintes-Maries-de-la-Mer|miniaturadaimagem|Interior da igreja de Saint Michel alt=Procissão de Santa Sara em Saintes-Maries-de-la-Mer|miniaturadaimagem|Procissão de Santa Sara em Saintes-Maries-de-la-Mer

Em Saintes-Maries-de-la-Mer, na cripta da igreja de Saint Michel, afirma-se que estariam suas relíquias, junto a uma estátua que lhe representaria. Sobre isso, Jean de Labrune escreveu no início do século XVIII:

Seu culto não deixou vestígios antes de 1800. Da tradição provençal, retoma a memória da "Santas Marias do Mar", da qual Sara tornou-se serva segundo a tradição hagiográfica. Fernand Benoit, que foi o primeiro historiador a decifrar este folclore, sublinha que tal como acontece com Maria de Cléofas, Maria Salomé e Maria Madalena, Sara recebe em sua homenagem uma procissão até ao mar que os ciganos fazem desde 1936. Precedendo em um dia o dia da festa das três Marias, a estátua da Santa Sara é submersa no mar até o meio do corpo.Fernand Benoit, .

Em Camarga, a imersão ritual no mar segue uma antiga tradição. Ainda no século XVII, em memória do desembarque do grupo cristão as margens do Mediterrâneo, os camargues percorreram entre bosques e vinhas até chegarem à praia, prostando-se por fim no mar.

O historiador também sublinha que estas procissões até ao mar contribuem para o próprio caráter da civilização provençal e para o seu medo respeitoso do Mediterrâneo, uma vez que se encontram tanto em Saintes-Maries-de-la-Mer como em Fréjus, Mónaco, Saint-Tropez ou Collioure, o culto ligado a outros santos.Fernand Benoit,

Ver também Ceferino Giménez Malla Portadores de Mirra Lista de santos Santo popular

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