Orós é um município do estado do Ceará, localizado na microrregião de Iguatu, pertencente à mesorregião do Centro-Sul Cearense. Fundado em 1957, o município possui uma população de 19.675 habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e uma área territorial de 576,53 km².

A cidade é conhecida por abrigar o Açude Orós, o segundo maior reservatório do estado, superado apenas pelo Açude Castanhão. Além disso, é a terra natal do renomado cantor e compositor brasileiro Raimundo Fagner, uma das figuras mais icônicas da MPB.

Topônimo A palavra Orós aparece nos livros de registros das Datas e Sesmarias do Ceará em 1732, quando falam de um "riacho que vai se meter no Oró", e em 1736, do "sítio dos Horós".

Orós, no sufixo grego universal, significa montanhas. Vem dele o nome orografia, para descrever montanhas, e orologia, a gênese das mesmas. Apesar do município ter cordilheiras vastas que formam vales e boqueirões, admitir-se que seu nome tenha origem aí é suposição sem base, sobretudo quando inexistem outros topônimos cearenses com derivação semelhante.Livro A história do Município de Orós, de autoria do Dr. João Maia Nogueira

História miniaturadaimagem|esquerda|Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Suas origens estão vinculadas ao chamado Boqueirão do Orós, local tecnicamente estudado e aprovado como propício à construção de um monumental reservatório hídrico (século XIX). Não obstante esses referenciais, tem-se como pioneirismo o estabelecimento de fazendas, ainda no começo do mesmo século, pela família dos Monte e Silva, em conflito territorial com a família Feitosa.

Independente dessas origens consta evidentemente como povoadoras do conflitante território famílias representadas por Patrícios, Matineiros e Nunes da Costa, egressos do sítio Saco da Onça, nas águas do Rio Estreito e local onde seria construído o açude Lima Campos. Essa nova ocupação, exatamente onde seria fundada a povoação de Orós, teve como referencial de posse das quais foram proprietária a senhorinha Dias Bastos e repassadas em operação de compra e venda aos recém-primeiros ensaios de povoamento, fundamentado em casas de moradia, cultivos agrícolas, casa-de-farinha e produção de cal.

No limiar dos anos de 1920, tendo como Presidente da República o paraibano Epitácio Pessoa, saiu do casulo o projeto de construção do pré-falado reservatório de água, objetivando combater as grandes secas da região. Houve como empreiteira a firma norte-americana Dwight P. RobsonPearse, Arno S. "Cotton in North Brazil - Ceará, Maranhão e Pará". Manchester - England. INTERNATIONAL FEDERATION OF MASTER COTTON SPINNERS & MANUFACTURERS' ASSOCIATIONS. 1923. Atraídos pela breve realização de obras tão importantes, grande número de pretensos operários acercou-se do local, na perspectiva de emprego, fato que concorreu para a formação do rápido povoamento .

Em nome do empreendimento, que afinal de contas abortaria, construiu-se por conta da empresa o respectivo canteiro de obras, deste constando dezesseis casas de apoio administrativo, o edifício conhecido por Casa dos Hóspedes, um Hospital e a casa geradora de energia elétrica, além do ramal ferroviário via Iguatu. Foi justamente nessa fase que o aqueduto que ligaria o rio Jaguaribe ao rio denominado Estreito, perenizando este em favor do sistema irrigatório. Tudo isso, finalmente, concorreu em prol da formação do povoado e na ocupação das terras de Orós, tendo-se por acréscimo as empresas F. Holanda e João Brasil Montenegro, respondendo este pela primeira indústria de beneficiamento de algodão em termos regionais.

Formação Administrativa A história administrativa de Orós começou com sua configuração como distrito do município de Icó, conforme o Decreto Estadual nº 1.156, de 4 de dezembro de 1933. Essa condição permaneceu nas divisões territoriais até 1º de julho de 1955.

Em 15 de setembro de 1956, a Lei Estadual nº 3.338 elevou Orós à categoria de município, desmembrando-o de Icó. A sede municipal ficou estabelecida no antigo distrito de Orós, com a inclusão dos distritos de Guassussê (à época ainda conhecida popularmente como Conceição do Buraco, antes de ser submersa pelas águas do Açude Orós, em 1961, tendo parte de sua população, sem apoio governamental, transferido-se e reconstruído o núcleo urbano em outra área, dando de facto origem ao que conhecemos atualmente como Guassussê) e Igarói (antigo distrito de Água Fria), também desmembrados de Icó. A instalação oficial ocorreu em 25 de março de 1957, com a posse do ex-vereador, representante do distrito de Orós na Câmara de Icó, José de Matos Leite, que, em eleição suplementar, foi eleito o primeiro prefeito de Orós.

Na divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município era composto por três distritos: Orós, Guassussê e Igarói. Essa estrutura permaneceu até 31 de dezembro de 1963. Com a promulgação da Lei Estadual nº 7.168, de 14 de janeiro de 1964, foi criado o distrito de Palestina, anexado ao município.

A divisão territorial de 31 de dezembro de 1968 indicava quatro distritos: Orós, Guassussê, Igarói e Palestina, assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988.

Em 18 de junho de 1991, a Lei Municipal nº 03 criou o distrito de Santarém, a partir do antigo povoado, também anexado ao município.

Na divisão territorial de 1995, o município passou a ser oficialmente constituído pelos cinco distritos atuais: Orós, Guassussê, Igarói, Palestina e Santarém.

Orós no cinema Os Trapalhões e o Mágico de Oróz é um filme brasileiro de 1984, do gênero comédia infantil, dirigido por Victor Lustosa e Dedé Santana e estrelado pela trupe humorística Os Trapalhões. Foi realizado por Renato Aragão Produções em parceria com DeMuZa Produções. O filme é uma paródia do conto O Mágico de Oz.

Didi (Renato Aragão), um sertanejo humilde que padecia fome e sede devido à seca no nordeste brasileiro, segue sem rumo com seus companheiros Soró (Arnaud Rodrigues) e Tatu (José Dumont) em busca de melhores condições de vida. Pelo caminho, Didi encontra mais três novos companheiros: o Espantalho (Zacarias), a quem salvou de um bando de Carcarás e que desejava conseguir um cérebro para se tornar uma pessoa comum; o Homem-de-lata (Mussum), que desejava um coração para completar sua felicidade; e o Leão (Dedé Santana), que era o delegado covarde de Oróz e inicialmente lutou contra Didi, mas depois juntou-se ao grupo com o objetivo de levar água para a cidade. O Leão desejava livrar-se de sua covardia. Até que encontram no deserto o lar do Mágico de Oróz (Dary Reis). Este os aconselha a buscarem um monstro de metal que jorra água pela boca, a fim de resolverem o problema da sêca, e a nunca desistirem de conseguir o que desejam. Após enfrentarem e derrotarem, com a ajuda do Mágico de Oróz, o malvado Coronel Ferreira (Maurício do Valle), que comercializava a pouca água dos açudes de Oróz, são levados pelo Mágico e seus poderes à Cidade do Rio de Janeiro, onde conseguem encontrar o procurado "monstro" (que na verdade era uma torneira gigante) e com mais uma ajuda do Mágico o levaram até à cidade de Oróz, que os recebeu em festa. Mas os quatro amigos não sabiam que uma torneira separada de seu encanamento não podia fornecer água, e quando descobriram isto a população da cidade se revoltou e o prefeito os condenou à morte. Perto do fim, Didi convence os seus companheiros a terem fé que a chuva cairia e os salvaria, e dizendo as frases "Vamos todos pensar firme, vamos todos pensar forte, pra cair um pingo d'água e mudar a nossa sorte", fazem o milagre acontecer: a chuva cai e o "monstro" finalmente jorrou água por sua boca. E toda a cidade festeja, e os três companheiros de Didi se tornam seres humanos normais, o que mais desejavam conseguir. O filme termina com uma mensagem escrita na tela, feita pelos Trapalhões aos governantes brasileiros, dizendo: "E choveu. Que a chuva que molhou o sofrido chão do nordeste não esfrie o ânimo de nossas autoridades na procura de soluções para a seca".

Oroenses ilustres Raimundo Fagner Cândido Lopes, mais conhecido como Fagner, é um renomado cantor, compositor, instrumentista, ator e produtor brasileiro, integrante do movimento cultural conhecido como Pessoal do Ceará.

O mais jovem dos cinco filhos de José Fares Lopes, imigrante libanês, e de Francisca Cândido Lopes, Fagner nasceu em Fortaleza, mas foi registrado no município de Orós, local onde passou passou sua infância, e o início de sua juventude e ainda visita regularmente. Ao longo de sua carreira, seu nome tem figurado entre os maiores da música latina, tendo colaborado com artistas internacionais, como a argentina Mercedes Sosa - como também se consolidou como um símbolo de orgulho para a população oroense.

Em reconhecimento à importância de sua família e à sua trajetória, diversos marcos no município homenageiam Fagner e sua familia: uma importante avenida do município de Orós homenageia seu pai, José Fares Lopes; no distrito de Santarém, um ginásio poliesportivo foi batizado com o nome de Fagner; e uma importante rodovia que liga Orós a esse distrito leva o nome de sua mãe, Francisca Cândido Lopes, natural de Santarém. Além disso, o município abriga a sede da Fundação Social Raimundo Fagner, criada em 2000 para auxiliar jovens em situação de vulnerabilidade social por meio da música e das artes cênicas.

Açude Orós alt=Foto: Fredson Pedro Martins|miniaturadaimagem|Pôr do Sol no Açude Orós alt=Açude Orós|miniaturadaimagem|Sangria do Açude Orós em 2007 O Açude Orós ou Açude Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira está localizado no leito do rio Jaguaribe, na região centro-sul do Ceará. Sua história remonta à época do Brasil Império, quando várias secas se sucederam dizimando um número grande de pessoas e animais https://www.portalodia.com/blogs/chico-miguel/as-grandes-secas-do-nordeste,-sec,xix-e-xx-222787.html. Represar o rio Jaguaribe e fazê-lo perene surgiu como a alternativa mais viável para o solucionar o problema da escassez de água no sertão cearense. No entanto, esta ideia só foi colocada em prática no século XX. Ao ser construído, esse reservatório chegou a inundar vilarejos próximos ao leito do rio, dentre eles o mais famoso: Conceição do Buraco. Foi construído pelo DNOCS, tendo suas obras concluídas em 1961.

Sua capacidade é de 2.100.000.000 m³, o que o coloca como o segundo maior reservatório do estado. Foi o maior até a construção do Açude Castanhão em 2003.

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Categoria:Fundações no Ceará em 1956