thumb|300px|Jerusalém: O Domo da Rocha e o Muro das Lamentações, locais sagrados para muçulmanos e judeus.
A Religião em Israel é uma das principais características nacionais, representando uma base fundamental da formação cultural e social de seus habitantes. A religião têm desempenhado um papel central na história do país. O Estado de Israel se declara um "Estado judeu e democrático" e é o único país do mundo com uma população de maioria judaica. A religião desempenha um papel central na vida nacional e civil, e quase todos os cidadãos israelenses são automaticamente registrados como membros das 14 comunidades religiosas oficiais do Estado, que exercem controle sobre diversas questões de direito de família, especialmente o casamento.
Estado Judeu thumb|200px|Judeus Ortodoxos em Mea Shearim. direita|thumb|250px|Jovens israelenses seculares na Universidade Hebraica de Jerusalém. O Estado judeuThe Jewish Republic of IsraelIS ISRAEL A TRUE DEMOCRACY? é o único país do mundo onde a maioria da população é seguidora do judaísmo. O cristianismo e o islamismo também têm presença significativa de fiéis entre os cidadãos israelenses. Além disso, há também outras minorias religiosas como os drusos e Baha'is. Israel concentra inúmeros locais sagrados das três grandes religiões monoteístas e reconhece a liberdade religiosa de todas, permitindo aos peregrinos de todo o mundo livre acesso aos lugares santos.
De acordo com a pesquisa realizada em 2011 pelo Instituto Central de Estatísticas de Israel, 75,3% da população total de Israel é constituída de judeus (5.837.000 indivíduos). 20,5% são seguidores do Islã (1.587.000 pessoas). As demais religiões somam 4,2% da população (322.000 pessoas).
Diferentemente do que ocorre em outros países, os israelenses tendem a não se alinhar com um movimento de judaísmo (como o Judaísmo Reformista ou Judaísmo conservador), mas sim a definir sua filiação religiosa por diferentes graus de prática religiosa.
42% dos judeus israelenses se definem como "seculares"; 25% como "não religiosos"; 13% como "religiosos-tradicionalistas" (cumprindo apenas alguns mandamentos religiosos); 12% como "religiosos" (seguindo a maioria das leis e celebrando as datas religiosas) e 8% dos judeus israelenses se definiram como "haredim" (ortodoxos). 65% dos judeus de Israel declaram acreditar em Deus, mas 85% disseram participar das celebrações anuais do Pessach. No entanto, outras fontes indicam que entre 15% e 37% dos israelenses identificam-se como agnósticos ou ateus.
Religião e nacionalidade .No Estado de Israel, a maior religião é o judaísmo. Foi estabelecido para servir de pátria para todos os judeus do mundo, a salvo de perseguições antissemitas. Embora a lei israelense seja baseada na prestação dos direitos civis para todos os seus cidadãos, independentemente de religião, raça ou sexo, na prática, Israel dá um tratamento preferencial às pessoas que atendem aos critérios definidos pela Lei do Retorno. A Lei do Retorno não segue estritamente a lei religiosa tradicional (Halacá) em relação à definição de quem é judeu. Alguns indivíduos que não seriam considerados judeus pela Halacá possuem direitos sob a Lei do Retorno - por exemplo, filhos de mãe não judia ou convertidos ao judaísmo por correntes não ortodoxas.
O recebimento de judeus de outros países que desejam emigrar é parte essencial da política de aumento da população israelense. As regras de recebimento e absorção de imigrantes têm evoluído ao longo dos anos, com regulamentos cancelados ou alterados de acordo com as necessidades. Por exemplo, recentemente foi aprovada uma ordem temporária que impede os cidadãos israelenses de se casarem com não judeus residentes em Estados inimigos. Na prática, a lei se aplica apenas aos cidadãos árabes, e o objetivo declarado é a proteção contra a entrada ilegal de terroristas palestinos em Israel.
A maioria dos judeus israelenses se autoclassifica como “seculares” ou “tradicionalistas”. O termo "secular" é mais popular entre as famílias israelenses de origem europeia. Já o termo "tradicional" entre as famílias israelenses de origem oriental (do Oriente Médio, Ásia Central e Norte da África). Estas terminologias muitas vezes se sobrepõem e cobrem uma vasta gama de ideologias e uma variedade de abordagens para cumprir os mandamentos e cerimônias religiosas.
Em relação às subdivisões dentro do judaísmo, uma pesquisa Gallup de 2015 constatou que 65% dos israelenses se identificam como judeus seculares e 30% como praticantes religiosos.Who are the most religious people in the world? Haaretz, 14 April 2015 Uma pesquisa do Haaretz de 2013 revelou que 26,5% se identificam como judeus ortodoxos, seguidos por judeus reformistas com 3,9% e judeus conservadores com 3,2%.Poll: 7.1 percent of Israeli Jews define themselves as Reform or Conservative Haaretz, 11 June 2013 Uma distinção adicional costuma ser feita entre judeus ortodoxos moderados e judeus ultraortodoxos ou haredi. Israel também abriga o Congresso Judaico Mundial e o Rabinato Chefe de Israel.
Israel não possui uma constituição consolidada, mas a Liberdade Religiosa está garantida pelas leis existentes desde a fundação do Estado. As Leis Básicas de Israel definem o país como um "Estado Judeu". Estas leis, juntamente com a Knesset (Parlamento), a Suprema Corte de Israel também protegem a livre prática de quaisquer religiões.http://www.state.gov/g/drl/rls/irf/2004/35499.htm
Os direitos das comunidades não judaicas segue o padrão e prática das administrações otomana e britânica, com algumas modificações. A lei israelense reconhece oficialmente cinco religiões, divididas em 14 comunidades. Essas religiões e comunidades reconhecidas (da mais antiga para a mais nova) são: Judaísmo Judaísmo Ortodoxo (administrado pelo Rabinato Chefe de Israel) Cristianismo Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Igreja Ortodoxa Grega de Jerusalém Igreja Católica Apostólica Romana Igreja Greco-Católica Melquita Igreja Católica Latina Igreja Maronita Siríaca de Antioquia Igreja Católica Armênia Igreja Católica Siríaca Igreja Católica Caldeia Igreja Ortodoxa Oriental Igreja Ortodoxa Siríaca Igreja Apostólica Armênia Igreja Anglicana Igreja Episcopal em Jerusalém e no Oriente Médio Islamismo (administrado pelo Conselho Supremo Muçulmano) Druzuísmo (os drusos locais são liderados por líderes espirituais da família Tarif) Bahaísmo (administrada pela Casa Universal de Justiça).
Jerusalém e a religião A cidade de Jerusalém se manteve ao longo dos séculos na consciência religiosa do povo judeu através das orações e das canções populares, por ter sido a capital dos antigos reinos judeus da Antiguidade e por ter sido o local onde existiram os dois grandes templos sagrados da religião hebraica. Em virtude desta importância espiritual, Jerusalém continuou sendo habitada por comunidades judaicas cujo tamanho variou ao longo das eras, e recebeu peregrinos judeus de forma contínua. Os judeus constituem a maioria da população de Jerusalém, pelo menos, desde 1864, segundo o censo britânico e os relatos de diversos viajantes.
Paralelamente, Jerusalém é considerada como o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, depois das cidades de Meca e Medina, na Arábia Saudita. Segundo a crença islâmica, Maomé ascendeu aos céus a partir de Al-Aqsa, no mesmo local onde existiram os dois templos sagrados judeus. Em 1967, com a reunificação de Jerusalém, o governo de Israel estabeleceu um conselho de autoridades islamitas para monitorar os locais santos muçulmanos. Desde então, mesmo com o domínio político judaico sobre a cidade, a soberania de Al-Aqsa pertence integralmente aos muçulmanos, sendo vedada até mesmo a presença de judeus no local.
A maioria dos muçulmanos em Israel são árabes sunitas. Entre 1516 e 1917, o Império Turco-Otomano, (sunita) dominou toda a religião que agora inclui o Estado de Israel. Mas a partir do século XIX, com os movimentos religiosos judaicos de retorno à Terra Santa e, especialmente, após o surgimento do sionismo, a imigração de judeus para a então Palestina passou a aumentar gradativamente. Com a dissolução do Império Otomano, após a Primeira Guerra Mundial, estas ondas migratórias aumentaram, gerando as primeiras grandes colônias e propiciando uma maioria judaica em diversos locais. No entanto, com o início do domínio britânico, a guarda dos locais santos em Jerusalém e seus arredores foi concedida aos muçulmanos.
Em 1922, os britânicos estabeleceram um Conselho Supremo Muçulmano e nomearam Amin al-Husayni (1895-1974) como "Grão-Mufti de Jerusalém". O Conselho foi abolido em 1948, por conta da colaboração de al-Husseini aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e dos ataques terroristas antijudaicos que comandou, mas Amin al-Husayni continuou detendo o título de "Grão-Mufti" até sua morte.
O papel do Rabinato Chefe thumb|180px|Grande Sinagoga de Jerusalém, sede do Rabinato Chefe de Israel O Rabinato Chefe de Israel foi estabelecido ainda durante o Mandato Britânico. Ele é composto por representantes das comunidades asquenazitas e sefaraditas ortodoxas. Em 1921, o rabino Abraham Isaac Kook (1864-1935) foi eleito o primeiro rabino-chefe asquenazi, enquanto o rabino Yaakov Meir foi eleito o primeiro rabino-chefe sefardita. O Rabino Kook foi a inspiração para o movimento sionista religioso e reconhecido como o maior líder religioso de sua geração. Ele acreditava que o trabalho de judeus seculares para a criação de um estado judeu em Israel era parte do plano divino para a vinda do Messias à Terra.
O papel do Rabinato Chefe de Israel, hoje, é controverso, pois não reconhece outras correntes da religião judaica, como os movimentos reformistas. Além disso, o Rabinato Chefe é bastante criticado pelos cidadãos seculares de Israel, por conta de seu arbítrio em diversas questões. Através de uma rede nacional de tribunais religiosos, bem como uma rede de conselhos religiosos, que são parte integrante de cada autoridade local em Israel, o Rabinato Central detém o controle dos assuntos relacionados a conversão, e também nas questões de kashrut, reconhecimento das conversões e ritos funerários, de casamento e de divórcio.
As minorias religiosas Cidadãos israelenses pertencentes a outras religiões gozam dos mesmos direitos e deveres dos cidadãos judeus, salvo em assuntos que possam comprometer o estilo de vida particular de cada minoria. Por exemplo, o Serviço Militar é facultativo para os não judeus.
Os israelenses não judeus também possuem direitos políticos, tais como o direito ao voto e à participação política. No parlamento existe uma forte bancada árabe-muçulmana. Salim Joubran, árabe-cristão, é juiz da Suprema Corte de Justiça.
Samaritanos Israel abriga as únicas populações significativas de samaritanos no mundo. Eles são adeptos do samaritanismo — uma religião abraâmica semelhante ao judaísmo. Em 1º de novembro de 2007, havia 712 samaritanos."Developed Community", A.B. The Samaritan News Bi-Weekly Magazine, 1 November 2007. A comunidade vive quase exclusivamente em Kiryat Luza, no Monte Gerizim, e em Holon, que possui um bairro samaritano chamado Neve Pinchas. Seu líder religioso tradicional é o Sumo Sacerdote Samaritano, atualmente Aabed-El ben Asher ben Matzliach. Ancestralmente, eles reivindicam descendência de um grupo de habitantes israelitas das tribos de José (divididas entre as duas "meias tribos" de Efraim e Manassés) e da tribo sacerdotal de Levi.David Noel Freedman, The Anchor Bible Dictionary, 5:941 (New York: Doubleday, 1996, c1992) Apesar de serem contados separadamente no censo, para fins de cidadania, o Rabinato Chefe de Israel os classificou como judeus de acordo com a lei.
Cristãos 200px|direita|thumb|A Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, considerada o lugar onde Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitado pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa.