Azitromicina é um antibiótico usado no tratamento de várias infecções bacterianas. Entre as indicações mais comuns estão no tratamento de otite média, faringite estreptocócica, pneumonia, diarreia do viajante e outras infecções intestinais. Pode também ser usada no tratamento de várias infecções sexualmente transmissíveis, incluindo clamídia e gonorreia. Em associação com outros fármacos, pode também ser usada no tratamento de malária. Pode ser administrada por via oral ou intravenosa ou endovenosa.

Os efeitos adversos mais comuns são náuseas, vómitos, diarreia e indisposição no estômago. Entre outros possíveis efeitos adversos, menos comuns, estão reações alérgicas, como anafilaxia, QT longo ou um tipo de diarreia causado por Clostridium difficile. O uso durante a gravidez não está indicado exceto em caso de necessidade expressa. A sua segurança durante a amamentação não está firmemente estabelecida, mas é provavelmente segura. A azitromicina é um antibiótico do grupo dos macrólidos. O mecanismo de ação envolve a diminuição da produção de proteínas, impedindo o crescimento das bactérias.

A Azitromicina foi descoberta em 1980 pela empresa farmacêutica da Croácia PLIVA e aprovada para uso médico em 1988. Faz parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde, uma lista com os medicamentos mais seguros e eficazes fundamentais num sistema de saúde. A OMS classifica-a como de importância crítica para a medicina humana. Está disponível como medicamento genérico e é vendida sob diversas marcas comerciais em todo o mundo.

Covid-19

A azitromicina foi proposta recentemente como uma alternativa potencial de tratamento contra o vírus da covid-19. Testes preliminares in vitro sugeriram alguma efetividade,Oldenburg, Catherine E. & Doan, Thuy. "Azithromycin for severe COVID-19". The Lancet, 2020; 396 (10256)Echeverría-Esnal, Daniel et al. "Azithromycin in the treatment of COVID-19: a review". In: Expert Review of Anti-infective Therapy, 2021; 19 (2) mas as evidências eram poucas e de baixa qualidade.Gyselinck, Iwein et al. "Rationale for azithromycin in COVID-19: an overview of existing evidence". In: BMJ Open Respiratory Research, 2021; 8 (1) Diversos testes clínicos controlados posteriores não confirmaram a presumida eficiência. Thomas, Liji. "Azithromycin trial fails to provide evidence of benefit in COVID-19". News Medical, 16/12/2020 Robinson, Julia. "Azithromycin has no benefit for patients with severe COVID-19, RECOVERY trial data suggest". In: The Pharmaceutical Journal, 15/12/2020Kelland, Kate. "Trial of azithromycin in severe COVID-19 patients finds no benefit". Reuters, 14/12/2020"UK study shows azithromycin, doxycycline ineffective in early COVID-19". CGNT, 26/01/2021 Um estudo mostrou que seu uso pode piorar a função renal em alguns pacientes de covid-19. Em dezembro de 2020, o grupo RECOVERY não encontrou nenhum benefício da azitromicina em pacientes hospitalizados com COVID-19.

Não obstante, permanece sendo prescrita por muitos médicos, e em vários canais de comunicação o medicamento ainda é divulgado como uma opção válida, seja isoladamente seja como parte de um "kit preventivo" composto de uma combinação de medicamentos onde são incluídos, por exemplo, a ivermectina e a hidroxicloroquina, mas não há base científica para apoiar o uso de nenhum desses fármacos contra a covid-19.Pinheiro, Chloé. "Mais um estudo aponta ineficácia da azitromicina no tratamento da Covid-19". Saúde Abril, 02/02/2021Cavalcanti, Alexandre B. et al. "Hydroxychloroquine with or without Azithromycin in Mild-to-Moderate Covid-19". In: The New England Journal of Medicine, 2020; 383:2041-2052

Por outro lado, seu uso indiscriminado e desnecessário pode causar o surgimento de cepas bacterianas resistentes ao antibiótico, podendo prejudicar o tratamento de outras doenças.Matos, Mara. "Não existe tratamento preventivo para a covid-19, afirmam especialistas". Jornal da USP, 15/02/2021 Antibióticos por padrão não atuam contra os vírus,"A azitromicina funciona no tratamento contra a Covid-19?". Portal Fiocruz, 03/04/2020 mas o uso abusivo e desinformado de antibióticos durante a pandemia tem sido associado a um aumento nos casos de gonorreia resistente ao antibiótico, podendo se tornar intratável."Covid-19: Uso excessivo de antibióticos desencadeia supergonorreia". IG Saúde, 29/12/2020 O medicamento só tem utilidade demonstrada no quadro geral da infecção por covid-19 se ao mesmo tempo surgirem infecções por bactérias sensíveis a este medicamento."Azitromicina não tem eficácia contra covid-19 em casos graves, diz estudo". Deutsche Welle, 05/09/2020

Marcas comerciais Azitromicina (EMS) Astro (Eurofarma) Azi (Sigma Pharma) Azimed (Grupo Cimed) Azitromed (Medquímica) Azimix (Ativus) Azitrolab (Multilab) Azitron (Mabra) Clindal (Merck) Selimax Pulso (Libbs) Tromizir (Belfar) Zidimax (Laboris) Zimicina (Sandoz) Zithromax (Pfizer) Zitroneo (Neo Química) Azicin (Cristália)

Tipo de ação e Interações A azitromicina administrada por via oral sofre rápida absorção e distribui-se amplamente por todo o organismo, exceto no cérebro e no LCS. A administração concomitante de antiácidos que contêm alumínio e hidróxido de magnésio diminui as concentrações séricas máximas do fármaco, mas não a sua biodisponibilidade global. A azitromicina não deve ser administrada com alimento.

Modo de uso A azitromicina deve ser administrada 1 hora antes ou 2 h após as refeições, quando utilizada por via oral.

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