BacuVersão confirmada no Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. Esta versão existe pelo menos desde o . ou Baku (em azeri: Bakı, ; , Bâd-kube) é a capital do Azerbaijão, sendo a sua maior cidade, e seu maior porto. Localizada às margens do Mar Cáspio, na margem sul da península de Absheron, Bacu está 28 metros (92 pés) abaixo do nível do mar, o que a torna a capital nacional mais baixa do mundo e também a maior cidade do mundo abaixo do nível do mar. Consiste em duas partes principais: a cidade baixa e a cidade velha, abrangendo 21,5 mil hectares. A 1 de janeiro de 2011 a população era de habitantes, dos quais eram deslocados internos (DIs) e refugiados. e à Sister Cities International. A cidade também concorreu aos Jogos olímpicos de 2016, mas foi eliminada em 4 de junho de 2008. Em 2007, os Ministros da Cultura dos estados membros da Organização da Conferência Islâmica declararam Bacu como Capital da Cultura Islâmica de 2009.
Bacu divide-se em onze distritos administrativos, ou raions: Azizbayov, Binagadi, Garadagh, Narimanov, Nasimi, Nizami, Sabail, Sabunchu, Khatai, Surakhany e Yasamal e 48 municipalidades. Entre estas incluem-se as municipalidades localizadas nas ilhas da Baía de Bacu (arquipélago de Bacu) e a cidade de Neft Daşları, construída sobre estacas no Mar Cáspio, distando 60 km de Bacu.
Etimologia Pensa-se que o nome Bacu derive do nome da cidade em persa arcaico Bād-kube باد کوبہ, que significa "cidade fustigada pelo vento", no qual bād significa "vento" e kube radica no verbo kubidan, "fustigar", referindo-se assim a um lugar onde o vento é forte e fustigador. De facto, a cidade é conhecida pelas rigorosas tempestades de neve de Inverno e ventos severos.inglês) Também se acredita que Bacu possa referir-se a Baghkuh, que significa "Montanha de Deus". Baga (hoje bagh) e kaufa (hoje kuh) são as palavras em persa arcaico para "deus" e "montanha" respectivamente; o nome Baghkuh pode ser comparado com Baghdād ("Dádiva de Deus") na qual dā é a palavra em persa arcaico para "dar". Fontes árabes referem-se à cidade como Bacu, Bakukh, Bakuya, e Bakuye, todas estas formas derivando aparentemente dum nome persa.
Várias outras hipóteses diferentes foram ainda propostas para explicar a etimologia da palavra Bacu. De acordo com L.G.LopatinskiГан К.Ф. Oпыть объяснения кавказских географических названий. Тифлис, 1909 e Ali Huseynzade Bacu deriva da palavra turca para "monte". O especialista na história do Cáucaso K.P. Patkanov também explica o nome como "monte" mas na língua lak.
A Enciclopédia Islâmica turca apresenta a origem da palavra Bacu como sendo derivada das palavras Bey-Kyoy, que significam "cidade principal" em turco.
História Durante a maior parte da sua história mais remota, Bacu foi parte de diferentes impérios persas.
O primeiro registo escrito sobre Bacu remonta ao .
A cidade ganhou importância após um sismo ter destruído Shamakhy e, no , o regente Xá de Xirvão Ahsitan I ter tornado Bacu a nova capital. Em 1501, o xá safávida cercou Bacu. Nesta época a cidade estava, no entanto, rodeada por linhas de forte muralhas, que eram banhadas pelo mar de um dos lados, e protegidas por um largo fosso em terra. Em 1540, Bacu foi novamente capturada pelas tropas Safávidas. Em 1604, a fortaleza de Bacu foi destruída pelo xá Abas I.
A 26 de junho de 1723, depois de um cerco final em que foram usados canhões, Bacu rendeu-se aos russos. De acordo com o decretado por Pedro, o Grande, os soldados de dois regimentos (2 382 pessoas) foram deixados na guarnição de Bacu sob o comando do Príncipe Baryatyanski, o comandante da cidade. Em 1795, Bacu foi invadida por Maomé Cã Cajar, como defesa contra a política iniciada pela Rússia czarista de submeter o Cáucaso meridional ao seu domínio. Na Primavera de 1796, por ordem de Catarina II, as tropas do General Zubov deram início a uma grande campanha na Transcaucásia. Bacu rendeu-se após o primeiro pedido de Zubov, o qual tinha enviado 6 000 militantes para capturar a cidade. A 13 de junho de 1796 a frota russa entrou na baía de Bacu, e uma guarnição de tropas russas foi colocada na cidade, sendo o General Pavel Tsitsianov designado comandante de Bacu. Posteriormente, no entanto, o Czar Paulo I ordenou-lhe que suspendesse a campanha e retirasse as forças russas. Em março de 1797 as tropas czaristas deixaram Bacu, mas um novo czar, Alexandre I, começou a demonstrar um interesse especial pela captura de Bacu. Em 1803, Tsitsianov chegou a um acordo com o cã de Bacu sobre um compromisso, mas esse acordo foi rapidamente anulado. A 8 de fevereiro de 1806, após a rendição de Bacu, o cã de Bacu Huseyngulu apunhalou e matou Tsitsianov às portas da cidade. Em 1813 a Rússia assinou o Tratado de Gulistão com a Pérsia, obtendo a cedência de Bacu e da maior parte do Cáucaso pelo Irão e a sua anexação pela Rússia.
Boom petrolífero Bacu conheceu grande desenvolvimento a partir de meados do graças à indústria petrolífera. O primeiro poço de petróleo foi construído no subúrbio de Bibi-Heybat em 1846. No entanto, o desenvolvimento petrolífero em larga escala apenas ocorreu em 1872, quando as autoridades da Rússia imperial leiloaram as parcelas de terra rica em petróleo em volta de Bacu a investidores privados. Num curto período de tempo, investidores suíços, britânicos, franceses, belgas, alemães, suecos e americanos surgiram em Bacu, contando-se entre eles as firmas dos irmãos Nobel, junto com a família von Börtzell-SzuchCarl Knut Börtzell sueco/finlandês/polaco/húngaro, que também possuía o Palácio Livadia e a família Rothschild, e a cintura industrial petrolífera, mais conhecida como Cidade Negra, foi estabelecida perto de Bacu. No início do quase metade das reservas petrolíferas mundiais haviam sido extraídas em Bacu.
Em 1917, depois da Revolução de Outubro, em meio ao tumulto da I Guerra Mundial e da dissolução do Império Russo, Bacu ficou sob controle da Comuna de Bacu, liderada por um veterano bolchevique, Stepan Shahumyan. Buscando tirar proveito dos conflitos inter-étnicos existentes durante a primavera 1918, os bolcheviques inspiraram e toleraram uma guerra civil em Bacu e seus arredores. Durante o famoso Dias de Março, com o apoio da milícia Dashnak armênia na cidade, e sob o pretexto de suprimir o partido Musavat, os bolcheviques atacaram e massacraram milhares de azeris e outros muçulmanos em Bacu.Michael Smith. "Anatomy of Rumor: Murder Scandal, the Musavat Party e Narrativa da Revolução Russa em Bacu, 1917-1920", Journal of Contemporary History, Vol 36, No. 2, (Apr. 2001), p. 228
Em 28 de maio de 1918, a parte correspondente ao Azerbaijão na Sejm Transcaucasiana proclamou a independência da República Democrática do Azerbaijão (ADR) em Ganja. Pouco depois, forças azeris, com o apoio do Exército Otomano do Islão liderado por Nuru Paxá, iniciaram seu avanço para Bacu, capturando a cidade da frouxa coalizão dos bolcheviques, Esers, Dashnaks, Mencheviques e forças britânicas sob o comando do general Lionel Dunsterville, em 15 de Setembro de 1918. Milhares de armênios foram massacrados na cidade em vingança ao ocorrido nos Dias de Março.Furuz Kazemzadeh, Struggle For Transcaucasia (1917 - 1921), New York Philosophical Library, 1951, p. 143-144 Bacu tornou-se a capital da ADR e, dois anos mais tarde - quando em 28 de abril de 1920 o 11° exército vermelho invadiu Bacu e reinstalou o poder bolchevique - a capital da República Socialista Soviética do Azerbaijão.
A sua conquista foi o grande objetivo da campanha alemã no Cáucaso durante a Segunda Guerra Mundial. Até o desenvolvimento da exploração de hidrocarbonetos na Sibéria, Bacu foi o principal centro petrolífero da URSS. Após a independência do Azerbaijão a cidade sofreu o impacto indireto, mas negativo, da guerra do Alto Carabaque, vindo a recuperar-se lentamente. A recente inauguração do oleoduto Bacu-Ceyhan tem criado muitas esperanças de um renascimento, quer de Bacu, quer do Azerbaijão na sua totalidade.
Clima O clima de Bacu é temperado e semiárido (Classificação climática de Köppen-Geiger: BSk). Durante a era soviética, Bacu era um destino de férias onde os turistas podiam desfrutar das praias ou relaxar no complexo de spas (atualmente dilapidados) com vista para o Mar Cáspio. O clima é quente e úmido no verão, e frio e úmido no inverno. Durante o inverno ventos fortes sopram de vez em quando impulsionados por massas de ar polar (ventos fortes do norte Khazri e do sul Gilavar são típicos aqui); a neve é comum, e a temperatura na costa frequentemente cai abaixo de zero. A temperatura média anual de Bacu, 14,2 °C (57,6 °F), difere da média do planeta em menos de 0,1 °C (32,2 °F). A parte sudoeste da Grande Bacu é a parte mais árida do Azerbaijão (a precipitação aqui é inferior a ao ano). Nos Arredores da cidade existe um grande número de vulcões de lama (Keyraki, Bogkh-bogkha, Lokbatan e outros) e lagos de sal (Boyukshor, Khodasan, etc.).
Demografia Até 1988, em Bacu havia grande quantidade de armênios, russos e judeus, que contribuíram para a diversidade cultural, acrescentando de várias formas (música, literatura, arquitetura) a cidade. Sob o comunismo, os soviéticos assumiram a maioria das propriedades judaicas em Bacu e Kuba. Desde o colapso da União Soviética, o e presidente do Azerbaijão Heydar Aliev reformou várias sinagogas e um reabriu um colégio judaico nacionalizado pelos soviéticos. Ele incentivou a reurbanização destes edifícios e era bem-visto pelos judeus do Azerbaijão. A renovação já começou em sete das onze sinagogas originais, incluindo o sinagoga Gilah, construída em 1896, e a grande sinagoga Kruei. A nova Constituição do Azerbaijão concede a liberdade religiosa e afirma que não existe uma religião estatal.
No início do , a grande maioria da população Bacu era composta de azeris (mais de 90%). O intenso crescimento da população começou em meados do , quando Bacu era uma pequena cidade com a população de cerca de 7 mil pessoas no seu conjunto. A população aumentou novamente, passando de cerca de nos anos 1860 para 112 000 em 1897 e 215 000 em 1913, tornando Bacu a maior cidade da região do Cáucaso.
Bacu tem sido uma cidade cosmopolita e em certos momentos de sua história os azeris, não constituíam a maioria da população.Audrey Altstadt, Conflito, Cleavage, e Mudança na Ásia Central e no Cáucaso, Cambridge University Press, 1997, p. 112, table 4.1, Composição étnica de Bacu, 1897, 1903,1913 Ano Azerbaijanos Russos Armênios Cidadãos Iranianos Alemães Judeus Georgianos Total189740 14837 39919 0609 4262 4602 341971111 904190344 25756 95526 15111 1323 749n/an/a155 876191345 96276 28841 68025 0963 2749 6904 073214 672
Religião Mais de 94% dos residentes de Bacu pratica diversas formas de Islão. Uma pequena minoria da população (cerca de 4%) são cristãos (maioria Igreja Ortodoxa Russa, Igreja Ortodoxa da Geórgia e molocanos). Bacu também possui três comunidades judaicas, a saber, os Judeus asquenazes, os Judeus das Montanhas e os Judeus Georgianos.
Infra-estrutura O abastecimento de Bacu é prestado por cinco linhas 110 kV. Em 8 de fevereiro de 2008 três delas (total de comprimento 23,6 km) foram totalmente reequipadas e modernizadas com a sua capacidade de carga a ser duplicada. Três 110 kV e 35 kV doze subestações foram encomendadas recentemente. O abastecimento de água é assegurado por várias linhas, a mais pura água vem de linhas Khachmaz e Shollar.
Bacu foi chamada a mais suja das cidades no mundo por revista Forbes citando "a capital sofre com risco de morte pelos níveis de poluição do ar emitida a partir de perfuração de petróleo e marítimo".
Transporte e comunicação 270px|thumb|Táxi em Bacu