thumb|Entre a homossexualidade restrita (topo à esquerda), heterossexualidade restrita (topo à direita) e assexualidade (canto inferior) existe uma grande diversidade no nível de atração sexual.

Terapia de reorientação sexual (chamada ainda terapia de conversão ou terapia reparativa) compreende um conjunto de métodos que visam eliminar a orientação sexual homossexual de um indivíduo. Essas terapias podem incluir técnicas comportamentais, cognitivo-comportamentais e psicanalíticas, além de abordagens médicas, religiosas e espirituais. Estes tipos de procedimentos têm sido fonte de intensa controvérsia nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países. O consenso científico é de que tais terapias não são efetivas e podem causar danos físicos e psicológicos.

Características thumb|esquerda|Entre os resultados negativos relatados sobre esse tipo de terapia estão transtornos de ansiedade (20%), ideação suicida (10%), depressão (40%), impotência (10%) e transtorno do relacionamento sexual (10%).

A Associação Americana de Psiquiatria afirma que debates políticos e morais sobre a integração dos homossexuais na sociedade norte-americana têm obscurecido os dados científicos sobre mudanças de orientação sexual "por pôr no tema os motivos e até mesmo o caráter dos indivíduos em ambos os lados da questão." Os principais defensores contemporâneos desse tipo de terapia tendem a ser grupos cristãos conservadores e outras organizações religiosas. A principal organização que defende formas seculares de terapia de conversão é a Associação Nacional de Pesquisa e Terapia da Homossexualidade (NARTH - sigla em inglês); no entanto, a entidade frequentemente faz parcerias com grupos religiosos.

As principais organizações médicas e científicas norte-americanas têm expressado preocupação com a terapia de conversão e consideram-na potencialmente prejudicial. A Associação Americana de Psiquiatria afirma que esse procedimento é um tipo de tratamento psiquiátrico "baseado na suposição de que a homossexualidade per se é um transtorno mental ou com base na suposição a priori de que um paciente deve mudar a sua orientação sexual homossexual."

O consenso de longa data das ciências comportamentais e sociais e dos profissionais de saúde mental e geral é de que a homossexualidade, per se, é uma normal e positiva orientação sexual humana. Pesquisas já realizadas têm falhado consistentemente em fornecer qualquer base empírica ou científica para considerar a homossexualidade como uma doença ou anormalidade.Resumo do Amici Curiae da Associação Americana de Psicologia; Associação de Psicologia do Maine; Associação Nacional dos Trabalhadores Sociais; Maine Chapter; Associação dos Médicos Psiquiatras do Maine; Child Welfare League of America; Maine Children’s Alliance; Associação Médica do Maine; Academia Americana de Pediatria, Maine Chapter; Evan B. Donaldson Adoption Institute; Kids First; e Community Counseling Center, Em Apoio aos Recorrentes (12 de outubro de 2006)Royal College of Psychiatrists: Submission to the Church of England’s Listening Exercise on Human Sexuality. Existem pessoas que passam por terapias de reorientação sexual e tendem a ter visões religiosas fortemente conservadoras que as levam a procurar uma forma de mudar a sua orientação sexual. Não há estudos de suficiente rigor científico para concluir que os recentes esforços de mudança de orientação sexual têm sido eficazes. Embora dados de confiança sobre a segurança dessas terapias sejam extremamente limitados, algumas pessoas relataram terem sido prejudicadas por esse tipo de técnica. Angústia e depressão foram exacerbadas. A crença na esperança de mudar a orientação sexual seguida pela falha do tratamento em alcançar tal objetivo, foi identificada como uma importante causa de sofrimento e de uma autoimagem negativa.

As terapias de reorientação sexual têm gerado controvérsia devido às tensões entre os valores mantidos por algumas organizações religiosas, de um lado, e aqueles mantidos por organizações profissionais, científicas e de direitos LGBT, de outro. Alguns indivíduos e grupos têm promovido a ideia de que a homossexualidade é um sintoma de defeitos ou falhas no desenvolvimento espiritual e moral e têm argumentado que tais terapias, incluindo esforços psicoterapêuticos e religiosos, poderiam alterar os sentimentos e comportamentos homossexuais. Tais técnicas têm um grave potencial de prejudicar as pessoas que as buscam porque apresentam a visão de que a orientação sexual de jovens LGBT é uma doença mental ou um distúrbio e porque muitas vezes enquadram a incapacidade de mudança da orientação sexual dessas pessoas como um fracasso pessoal e moral.American Psychological Association: Just the Facts about Sexual Orientation & Youth: A Primer for Principals, Educators, & School Personnel Muitos desses indivíduos e grupos parecem ser incorporados dentro do contexto mais amplo de movimentos políticos religiosos conservadores que apoiam a estigmatização da homossexualidade no âmbito político ou religioso. O co-fundador e outros ex-líderes da organização de ex-gays Exodus Internacional emitiram um pedido de desculpas público e formal por seu trabalho como líderes ex-gays e os danos que causaram aos que tentaram ajudar.

História Tentativas médicas de alterar a homossexualidade já incluíram tratamentos cirúrgicos como a histerectomia, ovariectomia, clitoridectomia, castração, vasectomia, cirurgia do nervo pudico e a lobotomia. Métodos baseados em substâncias incluíram o tratamento hormonal, tratamento de choque farmacológico e tratamento com estimulantes sexuais e antidepressivos sexuais. Outros métodos incluíram a terapia de aversão, a redução da aversão a heterossexualidade, tratamento de eletrochoque, grupo de terapia, hipnose e psicanálise.

Durante o período entre-guerras, o governo da Alemanha nazista tentou 'tratar' homossexuais através de métodos como tratamentos hormonais e relações sexuais forçadas com prostitutas. Para a ideologia nazista, os homossexuais deveriam ser "recuperados" para poderem voltar à prática reprodutiva. No entanto, diante da ineficácia das tentativas de cura, todos os homossexuais envolvidos nas terapias foram castrados para impedi-los de sentir qualquer tipo de prazer sexual.

Atualmente thumb|300px|Em azul escuro os locais que criminalizam a terapia de conversão, em azul os que banem profissionais de saúde de praticarem a terapia, em ciano apenas determinadas jurisdições e em amarelo os que possuem banimento pendente

Nas duas últimas décadas do , uma visão diferente começou a predominar nos círculos médicos e psiquiátricos, julgando esse comportamento (homossexual) como um indicativo de um tipo de pessoa com uma orientação sexual definida e relativamente estável. No final do e XX, os modelos patológicos da homossexualidade ainda eram padrão.

No dia 17 de maio de 1990, a Assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (sigla CID). O governo do Reino Unido seguiu o exemplo em 1994, seguido pelo Ministério da Saúde da Rússia e pelo Conselho Federal de Psicologia do Brasil em 1999, além Sociedade Chinesa de Psiquiatria em 2001. Os conselho da Associação Americana de Psiquiatria (AAP) já havia votado, por unanimidade, a retirada da homossexualidade como um distúrbio da seção de desvios sexuais do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-II, em 1973. Esta decisão foi confirmada oficialmente por 58% dos membros da AAP em 1974, que votaram para substituir o diagnóstico para uma categoria mais suave de "distúrbio de orientação sexual", que foi então substituído no DSM-III para "homossexualidade ego-distônica", que, em 1986, foi excluída do DSM-III-R. A AAP agora classifica a angústia persistente e acentuada de um indivíduo sobre a sua orientação sexual na classificação Desordem Sexual Sem Outra Especificação.Facts About Homosexuality and Mental Health

A maior parte das organizações profissionais de saúde mental sancionaram esforços de mudanças de orientação sexual e praticamente todos eles adotaram declarações de política da profissão e alertas ao público sobre os tratamentos que se propõem a mudar a sexualidade de uma pessoa. Estas incluem a Associação Americana de Psiquiatria, Associação Americana de Psicologia, American Counseling Association, Associação Nacional dos Trabalhadores Sociais, Royal College of Psychiatrists e a Sociedade Australiana de Psicologia. Cura Gay O Projeto de Decreto Legislativo brasileiro 234/2011, ficou conhecido como "cura gay" e foi apresentado pelo deputado e pastor evangélico João Campos de Araújo (PSDB-GO). Foi aprovado no dia 18 de junho de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo pastor Marco Feliciano, que era criticado por declarações homofóbicas. Alterava uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, suspendendo partes desse documento que proibiam psicólogos de considerarem a homossexualidade uma doença e de tentarem mudar a orientação sexual de seus pacientes. O projeto foi alvo de críticas das Jornadas de junho de 2013 no brasil. Antes de se tornar lei, ainda teria de ser analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça, antes de chegar ao plenário da Câmara.

O projeto foi tirado de tramitação no dia 2 de julho de 2013 pelo então presidente da Câmara, Henrique Alves.

Terminologia

Profissionais médicos e ativistas consideram a “terapia de conversão” um nome errôneo, uma vez que não constitui uma forma legítima de terapia. Termos alternativos incluem Sexual Orientation Change Efforts (SOCE) (em português: Esforços de Mudança de Orientação Sexual) e Gender Identity Change Efforts (GICE) (em português: Esforços de Mudança de Identidade de Gênero) — juntos: Esforços de Mudança de Orientação Sexual e Identidade de Gênero (SOGICE).[ melhorar fonte necessário ] De acordo com o pesquisador Douglas C. Haldeman, o SOCE e o GICE devem ser considerados em conjunto porque ambos se baseiam na suposição de que "o comportamento relacionado ao gênero consistente com o sexo de nascimento do indivíduo é normativo e qualquer outra coisa é inaceitável e deve ser alterada". “Terapia reparativa” pode se referir à terapia de conversão em geral, ou a um subconjunto dela.

Os defensores da terapia de conversão também não usam necessariamente o termo, usando em vez disso frases como "cura da fragilidade sexual" e "lutando contra a atração pelo mesmo sexo".

Posição da comunidade científica As terapias de mudança de orientação sexual são bastante discutidas, pois não há provas científicas que a orientação sexual de uma pessoa possa ser alterada através de terapias, sendo a sexualidade humana definida, provavelmente, por fatores biológicos. Existem alguns grupos, a maioria de fundamentação cristã conservadora, que afirmam que a orientação sexual de uma pessoa é influenciada pelo tipo de educação comportamental que foi realizada na infância e poderia ser alterada mais tarde. Estudos da psicologia, no entanto, afirmam que a orientação sexual não é algo controlável.