Otto Ernst Lindemann (Altenkirchen, – Oceano Atlântico, ) foi um militar alemão e o único oficial comandante do navio de guerra Bismarck durante seu serviço de oito meses na Segunda Guerra Mundial.

Lindemann entrou na Kaiserliche Marine em 1913 e, após treinamento básico, serviu a bordo de vários navios durante a Primeira Guerra Mundial como oficial do telégrafo sem fio. A bordo do , ele participou em 1917 da Operação Albion. Depois da guerra, Lindemann serviu em vários cargos burocráticos e de treinamento de artilharia. Um ano depois do início da Segunda Guerra Mundial, lhe foi entregue o comando do navio de guerra Bismarck, na época o maior navio de guerra do mundo e o grande orgulho da Kriegsmarine.

Em maio de 1941, Lindemann comandou o Bismarck durante a Operação Rheinübung. O Bismarck e o cruzador pesado – ambos comandados pelo Almirante Günther Lütjens – partiram de sua base na Polônia para atacar navios mercantes britânicos no Atlântico Norte. O primeiro grande confronto foi a Batalha do Estreito da Dinamarca, que terminou com o naufrágio do HMS Hood. Menos de uma semana depois, em 27 de maio, Lindemann e a maior parte da tripulação foram mortos durante a última batalha do Bismarck.

Recebeu postumamente a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, uma honra que reconhecia extrema bravura no campo de batalha ou incrível liderança militar. A medalha foi entregue à sua viúva, Hildegard Burchard, em 6 de janeiro de 1942.

Infância e adolescência Otto Ernst Lindemann nasceu no dia em Altenkirchen, Renânia-Palatinado, Império Alemão. Ele foi o primeiro filho de Georg Heinrich Ernst Lindemann e Maria Lindemann. Georg Lindemann era um juiz probatório (Gerichtsassessor) e presidente do Preußische Central-Bodenkredit-Aktiengesellschaft, o banco de crédito prussiano.Grützner 2012, p. 21 Lindemann foi batizado na Igreja Evangélica em 24 de abril de 1984. A família mudou-se para o bairro Charlottenburg de Berlim em 1895, vivendo no número 6 da Rua Carmer. Seus irmãos, Kurt e Hans-Wolfgang, nasceram em 1896 e 1900, respectivamente. Eles mudaram-se novamente em 1903 para uma casa própria no bairro de Dahlem, perto da floresta de Grunewald.

Em 1910, quando tinha dezesseis anos, seu tio Friedrich Tiesmeyer estava no comando do cruzador rápido SMS Mainz da Marinha Imperial, na época com a patente de Fregattenkapitän (Capitão de Fragata).Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1990, vol. 6, p. 37 Durante uma reunião de família em Hamelin, Lindemann conversou com seu tio e ouviu sobre suas aventuras no Extremo Oriente. Essas conversas lhe deram a ideia de perseguir uma carreira na marinha.Grützner 2010, pp. 21-22, 229 Lindemann se formou em 1912 do Gymnasien-Bismarck (ensino médio) em Berlim-Wilmersdorf com uma boa média geral. Nos seis meses seguintes, ele estudou na Royal Polytechnic, em Richmond, Grande Londres, Inglaterra.Grützner 2010, p. 23

Carreira Kaiserliche Marine Em 26 de março de 1913, Lindemann viajou com seus pais até Flensburg para exames médicos na Academia Naval de Mürwik. A confortável situação econômica de seus pais fez dele um candidato adequado para a Kaiserliche Marine, já que os custos de uma educação naval em 1909 estavam entre oitocentos e mil marcos por ano durante oito anos. Por comparação, um metalúrgico ganhava marcos anualmente e um professor marcos. Apenas 5% da população alemã da época ganhava mais que três mil marcos por ano. Porém, o médico o certificou como apto apenas para deveres limitados, já que uma pneumonia durante sua infância havia lhe deixado inapto para servir em u-boots. Após um segundo exame, Lindemann foi aceito em condicional, e se tornou um de 290 jovens da "Tripulação de 1913". Ele foi oficialmente alistado na Kaiserliche Marine como Seekadett (Guarda-Marinha) em 1 de abril de 1913.Grützner 2010, pp. 25-26

thumb|left|O SMS Hertha. No início de maio de 1913, os cadetes da Tripulação de 1913 foram enviados para os navios-escola , , e . Lindemann foi designado para o Hertha junto com 71 camaradas. Na época, o Hertha estava sob o comando do Capitão Heinrich Rohardt, um amigo de seu tio Friedrich. Ao embarcarem no dia 9 de maio, eles foram divididos em equipes de aproximadamente dezoito homens cada.Grützner 2010, p. 27 O Hertha deixou Mürwik e ficou em Kiel até o final do mês. Em 29 de maio de 1913, o navio foi para Świnoujście, permanecendo na cidade até 15 de junho. A parada seguinte, via Sassnitz e Visby, foi Estocolmo, Suécia, chegando no dia 24 de junho. A embarcação permaneceu em Estocolmo até 1 de julho antes de partirem para Bergen, Noruega. Após alguns dias, a viagem continuou até Fiorde Lönne. Lá, Lindemann conheceu seu comandante supremo, o Kaiser Guilherme II, pela primeira vez. O Hertha então voltou para a Alemanha, chegando em Wilhelmshaven no dia 8 de agosto.Grützner 2010, pp. 28-29

Uma semana depois, o Hertha começou uma viagem de treinamento de sete meses (15 de agosto de 1913 – 12 de março de 1914). A viagem levou Lindemann a lugares como Dartmouth na Inglaterra, Vilagarcía de Arousa na Espanha, a Ilha do Faial nos Açores e Halifax no Canadá. A viagem de volta passou por Veracruz no México, Havana em Cuba, Porto Príncipe no Haiti, Kingston na Jamaica, Port of Spain em Trinidad e Tobago e nas Canárias até finalmente chegar na Alemanha em março de 1914, primeiramente parando em Brunsbüttel e depois Kiel.Grützner 2010, pp. 29-33 Lindemann foi promovido a Fähnrich zur See (Alferes) em 3 de abril de 1914.Grützner 2010, p. 212

Primeira Guerra Mundial Com o Império Alemão declarando guerra em agosto de 1914, todas as atividades de treinamento na academia naval foram encerradas e o exame normal obrigatório para se tornar oficial foi ignorado. Toda a Tripulação de 1913 foi designada para várias unidades na Kaiserliche Marine. Lindemann foi designado para o SMS Lothringen, um navio de guerra que pertencia ao 2º Esquadrão de Batalha da Frota de Alto-Mar sob o comando do Vizeadmiral (Vice-Almirante) Reinhard Scheer, assumindo a posição de terceiro oficial do telégrafo sem fio.Grützner 2010, pp. 35-37 O Lothringen foi encarregado de patrulhar o Mar do Norte, velejando entre Altenbruch (atualmente parte de Cuxhaven) e Brunsbüttel sem entrar em combate. Lindemann deixou o Lothringen em 1º junho de 1915 para cursar a escola de telegrafia sem fio em Mürwik. Ele completou o curso e voltou para o navio em julho de 1915, assumindo a posição de segundo oficial do telégrafo sem fio com uma promoção a Leutnant zur See (Segundo-Tenente) em 18 de setembro de 1915.Grützner 2010, pp. 39-41

thumb|right|O SMS Bayern. Em 19 de março de 1916, Lindemann foi transferido para o recém comissionado sob o comando do Capitão Max Hahn, com a mesma patente de segundo oficial do telégrafo sem fio. O Bayern era o navio mais poderoso da frota com seus canhões de 38 cm. A maior parte de sua tripulação havia sido transferida do Lothringen, que continuou a servir como navio-escola.Grützner 2010, p. 41 A bordo do Bayern, agora sob o comando do Capitão Rohardt, Lindemann participou da Operação Albion entre setembro e outubro de 1917. O objetivo era a invasão e ocupação das ilhas estonianas Saaremaa, Hiiumaa e Muhu, na época partes da República Russa. Às 5h07min do dia 12 de outubro de 1917, o Bayern bateu em uma mina enquanto se movia para sua posição de bombardeamento para assegurar praias de desembarque. Sete marujos morreram. Apesar do dano, o Bayern participou da bateria de defesa da costa em Cabo Toffri, ao sul de Hiiumaa. O navio foi dispensado de seus deveres às 14h00min daquele dia. Reparos preliminares foram feitos em 13 de outubro na Baía Tagga antes de voltar para Kiel no dia 1ºde novembro de 1917.Grützner 2010, pp. 48-51

Depois do armistício de 1918, o Bayern – junto com a maior parte da frota alemã – foi internado em Scapa Flow, porto da Grande Frota britânica. O Bayern chegou em 28 de novembro de 1918 com uma tripulação mínima de 175 homens, incluindo Lindemann, que então foi mandado de volta para a Alemanha, chegando em Kiel no dia 12 de janeiro de 1919. No dia 21 de junho, o Almirante Ludwig von Reuter mandou que toda a frota fosse afundada para que ela não ficasse nas mãos dos britânicos, com o Bayern naufragando às 14h30min.Grützner 2010, pp. 56-58

Reichsmarine Quando Lindemann voltou para a Alemanha, ele não sabia se conseguiria permanecer ativo no serviço. Como resultado do Tratado de Versalhes, assinado em 28 de junho de 1919, a marinha alemã foi reduzida a quinze mil homens, incluindo oficiais, também sendo renomeada para Reichsmarine durante a República de Weimar. Como Lindemann havia ficado em quinto na Tripulação de 1913, ele tinha boas chances de permanecer. Ele serviu temporariamente na Companhia de Proteção de Dahlem, parte do Regimento de Proteção da Grande Berlim, entre junho e julho de 1919 antes de se transformar em ajudante no Departamento de Comando Naval, sob o comando de William Michaelis, entre 1 de agosto de 1919 e 30 de setembro de 1922. O departamento era diretamente subordinado ao almirantado. Na mesma época, ele manteve a posição de ajudante do Departamento da Frota. Nesse período, Lindemann foi promovido a Oberleutnant zur See (Subtenente) em 7 de janeiro de 1920.Grützner 2010, pp. 60-62, 211-212

A designação seguinte de Lindemann foi a bordo do , servindo como vigia e oficial de divisão entre 1 de agosto de 1922 e 30 de setembro de 1924. Ao mesmo tempo, participou de um curso na escola de artilharia de Kiel entre 5 de fevereiro e 3 de maio de 1924.Grützner 2010, p. 211 Depois, Lindemann foi encarregado da 1.ª Companhia de Artilharia do 3.º Departamento de Defesa Costal em Kiel de 1 de agosto de 1924 a 6 de setembro de 1926. Seu oficial comandante era o Korvettenkapitän (Capitão de Corveta) Otto Schultze, um ex-comandante de u-boot durante a guerra e posterior Generaladmiral (Almirante General) da Kriegsmarine. Nessa posição, Lindemann foi promovido a Kapitänleutnant (Capitão-Tenente) em 1 de janeiro 1925.Grützner 2010, pp. 74, 212

Sua próxima designação o colocou na equipe do almirante na Estação Naval Bâltica entre 27 de setembro de 1927 e 30 de setembro de 1929, primeiro como oficial de equipe e depois como assistente do chefe da estação, que era na época o Vice-Almirante Erich Raeder.Grützner 2010, pp. 76-78, 211 De lá, ele foi transferido para o servindo como segundo oficial da artilharia e Fähnrichsoffizier (oficial encarregado dos cadetes), responsável por treinar os cadetes a bordo, de 7 de setembro de 1929 até 25 de fevereiro de 1930. Lindemann foi então transferido para o Schleswig-Holstein, mantendo o mesmo cargo e patente.

Kriegsmarine Em , o Partido Nazista, sob a liderança de Adolf Hitler, chegou ao poder na Alemanha, iniciando um período de rearmamento naval. Em 1935, a Reichsmarine foi renomeada para Kriegsmarine. Entre 22 de setembro de 1931 e 22 de setembro de 1934, Lindemann foi professor na Escola de Artilharia Naval de Kiel. Ele então foi colocado no Hessen sob o comando do Capitão Hermann Boehm e serviu como primeiro oficial da artilharia de 29 de setembro de 1933 até 8 de abril de 1934. Lindeman foi promovido a Korvettenkapitän em 1º de abril de 1932. Em 9 de abril de 1934, ele foi enviado para o estaleiro Wilhelmshaven para treinos em construção naval e para se familiarizar com o cruzador pesado Admiral Scheer, comandado pelo Capitão Wilhelm Marschall.Grützner 2010, pp. 89-96, 212

thumb|left|O Admiral Scheer no porto de Gibraltar durante a Guerra Civil Espanhola.