Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota (Windsor, 6 de agosto de 1844 – Rödental, 30 de julho de 1900), foi o terceiro Duque de Saxe-Coburgo-Gota, reinante entre 1893 e 1900. Era também um membro da família real britânica, o quarto filho da rainha Vitória do Reino Unido, e de seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi proclamado Duque de Edimburgo, Conde de Kent e Conde de Ulster de acordo com as leis do Reino Unido a 24 de maio de 1866. Ele sucedeu ao seu tio paterno Ernesto II como Duque de Saxe-Coburgo-Gota no Império Alemão a 23 de agosto de 1893.
Primeiros anos thumb|esquerda|200px|Alfredo com o irmão Alberto Eduardo, futuro rei Eduardo VII Alfredo nasceu em 6 de agosto 1844 no Castelo de Windsor. A sua mãe era a monarca britânica no poder, a rainha Vitória. O seu pai era Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o filho mais novo do duque Ernesto I de Saxe-Coburgo-Gota. Como filho da monarca, ele recebeu o tratamento de "Sua Alteza Real, o príncipe Alfredo" à nascença, e estava em segundo lugar na linha de sucessão ao trono atrás do seu irmão, o Príncipe de Gales. Ele era conhecido na família como Affie.
O príncipe foi batizado pelo arcebispo da Cantuária, William Howley, na capela privada do Castelo de Windsor em 6 de setembro de 1844. Os seus padrinhos foram o seu tio-avô maternal, o Duque de Cambridge (representado pelo seu filho, o príncipe Jorge de Cambridge); a sua tia paternal, a Duquesa de Saxe-Coburgo-Gota (representada pela sua avó materna a Duquesa de Kent); e o meio-irmão da rainha Vitória, o Príncipe de Leningen (representado pelo Duque de Wellington).
À semelhança dos seus irmãos, Alfredo cresceu com um programa de educação rigoroso concebido pelo seu pai e pelo barão Christian Friedrich von Stockmar. Para além de terem aulas seis dias por semana e poucas férias, as crianças aprenderam competências mais práticas. Em Osbourne House, na Ilha de Wight, o príncipe Alberto mandou construir a Swiss Cottage, uma casa em miniatura onde as crianças aprenderam a cozinhar, tarefas domésticas e agrícolas e carpintaria.
Alfredo começou por ter aulas em conjunto com o seu irmão mais velho, Eduardo, na esperança de que o seu temperamento mais calmo e maior capacidade de concentração ajudassem a melhorar o desempenho do futuro rei. No entanto, a experiência teve o efeito contrário e Alfredo começou a distrair-se mais. Uma vez que Alfredo era considerado mais inteligente, Alberto decidiu separar os irmãos para que o mau comportamento de Eduardo não afetasse a aprendizagem do irmão mais novo.
Desde cedo, o príncipe mostrou ter aptidão para Geografia e para trabalhos manuais e mecânicos, sendo a carpintaria uma das suas atividades preferidas. Alfredo fazia brinquedos, modelos de navios e gostava de desmontar e voltar a montar aparelhos e motores. Ele também tinha um grande gosto pela Marinha e aprendeu a ler quando era bastante novo para descobrir por si o nome de navios e de navegadores. Outro dos seus interesses era a arte, especialmente a música e ele aprendeu a tocar violino sozinho para fazer uma surpresa aos pais.
A educação de Alfredo também teve em conta o seu potencial título de duque de Saxe-Coburgo-Gota. O duque na altura, o seu tio Ernesto, não tinha filhos e Eduardo era o herdeiro do trono britânico, pelo que o mais provável seria que Alfredo herdasse o ducado. Ernesto queria que ele fosse viver para a Alemanha, mas Alberto não queria que o filho crescesse no "ambiente pacato e limitado" da corte alemã. No entanto, Alfredo visitava frequentemente o tio em Coburgo e Alberto ensinou-lhe os básicos da gestão de propriedades em Balmoral.
Entrada na Marinha Real esquerda|miniaturadaimagem|243x243px|Alfredo em 1856 Em 1856, quando Alfredo tinha 12 anos, foi tomada a decisão de que ele deveria entrar para a Marinha Real, algo que ia de encontro com os desejos do príncipe. O tenente John Cowell do Real Corpo de Engenheiros foi escolhido para preparar o jovem príncipe para a marinha e, nesse ano, Affie foi separado da família e foi viver com John para Royal Lodge para estudar para o exame de admissão.
Alfredo passou no exame em julho de 1858 e foi designado cadete naval do navio HMS Eurylaus com 14 anos de idade. Em julho de 1860, enquanto servia neste navio, Alfredo visitou a Colónia do Cabo e deixou uma boa impressão junto dos colonos e dos chefes nativos. Esta foi a primeira vez que um membro da família real britânica visitou a Cidade do Cabo, pelo que o príncipe foi recebido com bastante entusiasmo.
Alfredo encontrava-se a servir no navio HMS George quando o seu pai, o príncipe Alberto, morreu a 14 de dezembro de 1861. O navio estava nas Caraíbas e Alfredo, na altura com 17 anos, só regressou a casa dois meses depois. A morte do pai afetou-o bastante e ele "chorou copiosamente" durante o casamento da sua irmã mais velha, Alice, em 1 de julho de 1862.
Após uma licença de luto de vários meses, o príncipe Alfredo regressou ao HMS George em julho de 1862. Quando o navio chegou a Malta, começaram a surgir rumores de que o príncipe teria seguido a tradição dos marinheiros e sucumbido às tentações do sexo oposto. Estes rumores chegaram aos ouvidos da rainha Vitória que ficou chocada com o seu "comportamento insensível e indigno".
Pouco depois deste episódio, o rei Oto I da Grécia abdicou do trono e Alfredo foi escolhido para o suceder. No entanto, o governo travou os planos para a sua ascensão a este trono em grande medida porque a rainha Vitória se opôs à ideia. Ao que tudo indica, Alfredo também se mostrou apreensivo, uma vez que o trono da Grécia era considerado instável e ele queria dedicar-se à sua carreira na marinha e ao ducado de Saxe-Coburgo-Gota.
Alfredo foi promovido a tenente da marinha em 24 de fevereiro de 1863, servindo sob as ordens do conde Gleichen no HMS Racoon. A sua promoção sofreu um atraso quando ele ficou doente com febre tifoide uma semana antes do seu exame. A doença também o forçou a perder o casamento do seu irmão mais velho, Eduardo, com Alexandra da Dinamarca em 10 de março de 1863, uma vez que ainda se encontrava a recuperar em Malta.
De regresso a Inglaterra, Alfredo passou a fazer parte do Marlborough House set, um grupo de amigos da alta sociedade do futuro rei Eduardo VII e de Alexandra da Dinamarca que não se identificava com a moral rígida da Era Vitoriana. Nesta altura, Alfredo fez uma pausa na sua carreira naval para frequentar a Universidade de Bonn, uma tradição entre os príncipes e aristocracia alemães.
Em 23 de fevereiro de 1866, com apenas 21 anos, Alfredo foi promovido a capitão da Marinha sendo, mais tarde, nomeado comandante da fragata HMS Galatea.Heathcote, Tony (2002). The British Admirals of the Fleet 1734 – 1995. Pen & Sword Ltd. ISBN 0-85052-835-6 Lorde Charles Beresford afirmou que o príncipe tinha "uma grande capacidade natural para organizar uma frota" e constatou que este "poderia ser um almirante de combate de primeira classe."Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p.32
Duque de Edimburgo Nas celebrações do aniversário da rainha Vitória a 24 de maio de 1866, o príncipe foi proclamado duque de Edimburgo e conde de Ulster e Kent, com um rendimento anual de 15 mil libras garantido pelo parlamento. Ele ocupou o seu lugar na Casa dos Lordes em 8 de junho.
Viagens esquerda|miniaturadaimagem|285x285px|O duque de Edimburgo em Sydney por volta de 1868. Fotografia de Montagu Scott Enquanto era comandante do Galatea, o duque de Edimburgo iniciou em Plymouth, em 24 de janeiro de 1867, uma viagem à volta do mundo. Em 7 de junho de 1867, deixou Gibraltar, tendo depois seguido para a ilha da Madeira. Em 16 de julho de 1867 foi recebido no Rio de Janeiro pelo Conde d'Eu. Tendo desembarcado na ponte do Arsenal de Guerra na Baía da Guanabara, seguiu para o Palácio de São Cristóvão e em seguida ao Paço Imperial, na Praça XV onde recebeu uma comitiva de súditos de Sua Majestade Britânica residentes no Rio de Janeiro.
Depois de passar pelo arquipélago de Tristão da Cunha, a sua viagem alcançou o cabo da Boa Esperança a 24 de julho. Nesse dia, fez uma visita oficial à Cidade do Cabo depois de atracar em Simon's Town, um pouco mais cedo do que o previsto. Durante a sua estadia na África do Sul, Alfredo participou numa caça onde matou um elefante. A cabeça do animal foi levada para Inglaterra, onde decorou Clarence House enquanto o duque viveu lá e ele mandou fazer facas com o seu marfim que distribuiu como prendas para o grupo que o acompanhou na caçada.
Depois de África do Sul, estava prevista uma visita às Ilhas Maurícias, mas houve uma mudança de planos quando a tripulação recebeu notícias de que havia uma epidemia de febre tifoide nas ilhas, pelo que o navio seguiu diretamente para a Austrália.
Visita à Austrália O HMS Galatea atracou em Glenelg, no sul da Austrália, em 31 de outubro de 1867. Alfredo foi o primeiro membro da família real britânica a visitar a Austrália e foi recebido com grande entusiasmo e multidões enormes. No entanto, a sua estadia de quase 5 meses no país ficou marcada por vários incidentes. A sua visita a Adelaide não teve grandes incidentes, para além de o facto de o duque ter comentado que os vários retratos que foram feitos supostamente à sua imagem, não eram nada parecidos consigo, ou entre eles, e que nem a sua mãe seria capaz de o reconhecer se os visse. Também houve um pequeno embaraço quando se descobriu que o criado temporário do duque tinha roubado algumas joias e talheres de prata do seu navio.
As tensões começaram a aumentar quando Alfredo chegou a Melbourne, em 24 de novembro. A sua chegada causou alguma tensão entre católicos e protestantes, uma vez que havia uma imagem de Guilherme I, príncipe de Orange (que derrotou os católicos na Irlanda na Batalha do Boyne), a decorar o salão da comunidade protestante da cidade. À medida que a multidão se juntava para ver o príncipe, as tensões foram aumentando e começaram a haver disparos, tendo um deles matado um menino católico, o que por sua vez deu origem a um motim.
Dois dias depois, Alfredo esteve presente no baile do Governador que já tinha sido alvo de críticas por parte de católicos pelas suas decorações. Enquanto o baile estava a decorrer, um grupo de católicos juntou-se no exterior a gritar ofensas, a cantar músicas irlandesas e a atirar pedras às janelas. Uma das janelas acabou por se partir e a polícia começou a disparar sobre a multidão, provocando um morto e vários feridos. miniaturadaimagem|316x316px|Ilustração da tentativa de assassinato do príncipe Alfredo por Samuel Calvert No mês seguinte, quando Alfredo foi recebido em Bendigo, um dos eventos organizados para celebrar a sua visita foi uma uma procissão de velas. A multidão começou a lançar fogo-de-artifício de forma descontrolada e um deles acabou por atingir um modelo em madeira do navio HMS Galatea. O modelo estava a ser transportado por um grupo de crianças que tentou fugir, mas três delas ficaram presas e acabaram por morrer. Uma semana depois, um novo incêndio destruiu por completo um salão que tinha sido construído de propósito para receber o príncipe.
Alfredo visitou a Tasmânia e Nova Gales do Sul antes de regressar a Sydney em março de 1868. Durante esta visita, o príncipe foi convidado por Sir William Manning, o presidente da Sydney Sailors' Home, para um piquenique no subúrbio de Clontarf para angariar fundos a sua instituição. Durante o evento, Alfredo foi alvo de uma tentativa de assassinato. Ele foi atingido nas costas por uma bala disparada por Henry James O'Farrell. O disparo de O'Farrell deu origem a uma luta violenta, durante a qual um transeunte, William Vial, conseguiu retirar-lhe a arma e outro, George Thorne, foi atingido no pé por um segundo disparo. Vários transeuntes ajudaram a controlar a situação e a travar O'Farrell, que foi brutalmente agredido antes da chegada da polícia, que o prendeu no local.