Pinhel é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, na antiga província da Beira Alta e nas atuais Região do Centro e sub-região das Beiras e Serra da Estrela, com habitantes (2021), também conhecida por Cidade Falcão.
É sede do Município de Pinhel com de área e habitantes (2021), subdividido em 18 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte pelo município de Vila Nova de Foz Côa, a nordeste por Figueira de Castelo Rodrigo, a leste por Almeida, a sul pela Guarda e a oeste por Celorico da Beira, Trancoso e Mêda.
O município de Pinhel encontra-se entre os 350 e os 600 metros de altitude e é banhado pelo rio Côa, pelo rio Massueime, para além da ribeira das Cabras e da ribeira da Pêga. Pinhel fica rodeado por paisagens vistosas: colinas, planaltos, montes e a notável Serra da Marofa. Pinhel foi outrora diocese e atualmente permanece o ponto focal de Terras de Riba Côa, dominada por planaltos, fortalezas, pelourinhos e os vastos horizontes, junto ao Vale do Côa. A cidade de Pinhel possui monumentos tipicamente beirões, de beleza estética, de gastronomia e de vinho, para além de salientar os frondosos pinheiros e bosques da Beira Alta.
O nome Pinhel deriva da grande quantidade de pinheiros existentes nessa zona. A proximidade de Pinhel a Espanha fez com que esta fosse um fulcro de um dos mais avançados centros fortificados até à assinatura do Tratado de Alcanizes.
Na parte setentrional (norte), situa-se o Parque Arqueológico do Vale do Côa, compartilhado com algumas municipalidades vizinhas, declarado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1998.
Freguesias thumb|left|Freguesias do município de Pinhel O município de Pinhel está dividido em 18 freguesias:
História A origem da cidade de Pinhel é atribuída, sem grande certeza, aos Túrdulos, por volta do ano 500 a. C.
O concelho de Pinhel recebeu foral de D. Sancho I em 1209, detendo funções de organização militar e jurisdição. Deve-se a D. Dinis a reedificação do Castelo de Pinhel, constituído por duas torres, e a construção da histórica muralha que rodeava a vila da época (atual zona histórica), constituída por seis portas: Vila, Santiago, S. João, Marrocos, Alvacar e Marialva.
Pinhel teve uma comunidade judaica que aí se fixou no século XV.
Tornou-se sede de diocese e cidade em 1770, durante o reinado de D. José I, por desanexação da Diocese de Lamego, mas em 1881 a Diocese de Pinhel foi extinta pela Bula Papal de Leão XIII e incorporada na Diocese da Guarda.
Pinhel tem como símbolo o Falcão, presente também como distintivo no seu brasão. O falcão simboliza o patriotismo dos pinhelenses que lutaram pela defesa da independência nacional, numa altura em que estes aderiram ao movimento patriótico do Mestre de Avis e em que Portugal estava sob ataques de Castela, nomeadamente na Beira Alta. O falcão foi assim um talismã arrebatado ao rei de Castela por parte dos terços pinhelenses.
Evolução populacional Número de habitantesInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 16 218 17 481 18 643 18 774 19 858 18 139 18 420 20 688 22 270 20 293 14 375 14 328 12 693 10 954 9 627 8 092 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Nos censos de 1864, 1878 e 1890, o concelho de Pinhel integrava as freguesias de Alverca da Beira, Atalaia, Azevo, Bogalhal, Bouça Cova, Cerejo, Cidadelhe, Colmeal, Ervas Tenras, Ervedosa, Freixedas, Gouveia, Lamegal, Lameiras, Manigoto, Pala, Pereiro, Pinhel, Pínzio, Pomares, Póvoa d'El-Rei, Safurdão, Santa Eufêmia, Sorval, Souropires, Valbom, Vale de Madeira, Valverde e Vascoveiro.
Em 1895, as freguesias de Colmeal e Valverde passaram para os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida, respetivamente. Nesse mesmo ano, foram anexadas ao concelho de Pinhel as freguesias de Pínzio e Pomares, que pertenciam aos concelhos da Guarda, e Póvoa d’El Rei, que pertencia ao concelho de Trancoso.
Número de habitantes por Grupo EtárioINE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 20210-14 Anos 6 279 6 696 5 864 6 092 6 967 7 181 6 151 3 905 3 237 2 158 1 323 1 000 63115-24 Anos 3 222 3 476 3 293 3 515 3 466 3 889 3 553 2 095 2 382 1 834 1 429 881 66925-64 Anos 8 163 8 329 7 658 7 836 8 791 9 373 8 827 6 690 6 327 6 009 5 336 4 607 3 668= ou > 65 Anos 1 023 1 189 1 186 1 361 1 344 1 563 1 762 1 685 2 382 2 692 2 866 3 139 3 124 (Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)
No concelho de Pinhel o decréscimo da população entre 2011 e 2021 foi de 15.9%. A freguesia que registou a maior quebra foi Lameiras (-31%) seguida pelas freguesia de Vale de Massueime (-28.5%) e de Ervedosa (-27.9%). A média dos concelhos do distrito da Guarda situou-se em -11.1%.
thumb|318x318px|Pelourinho de Pinhel, na Praça Sacadura Cabral
Acessibilidades e infraestruturas O município de Pinhel é servido por uma única autoestrada (A25) que permite a deslocação até ao município: 21x21px de Lisboa: A1 (autoestrada) até o nó de Ançã; IP3 até Viseu; A25 (autoestrada) até nó de Pínzio do Porto: A1 (autoestrada) até ligação a A25 (autoestrada); A25 (autoestrada) até ao nó de Pínzio de Coimbra: N110 até Penacova; IP3 até Viseu; A25 (autoestrada) até ao nó de Pínzio de Aveiro ou Vilar Formoso (Ligação a Espanha), pela mesma autoestrada
No município de Pinhel passa ainda a seguinte linha ferroviária: 18px Linha da Beira Alta - Pampilhosa - Guarda - Vilar Formoso As estações de Vila Franca das Naves e da Guarda fornecem boas condições e acessibilidade aos turistas e visitantes, existindo táxis ao dispor, sendo ambas próximas de Pinhel. Até ao final do segundo terço da década de 2000 o município era servido pela Estação de Pinhel, em Bouça Cova, entretanto desativada.
No município existe a Barragem de Vascoveiro, uma grande infraestrutura que serve para o abastecimento de água das populações vizinhas. Nesta barragem pode-se desfrutar de uma bonita paisagem e observar a Natureza. No município também existe a Barragem de Bouça Cova, situada na terra homónima.
Património arquitetónico e histórico
O município de Pinhel possui vários monumentos arquitetónicos e históricos, para além de outros pontos de interesse, dos quais se podem destacar:
DesignaçõesCategoriaTipologiaGrauConstrução50pxCastelo de PinhelArquitetura militarCasteloMonumento Nacional1209-128250pxPelourinho de PinhelArquitetura civilPelourinhoMonumento NacionalSéculo XVI50pxIgreja de Santa Maria do CasteloArquitetura religiosaIgrejaImóvel de Interesse PúblicoSéculo XIV50x50pxConvento de Santo António (ou Convento dos Frades)Arquitetura religiosaConventoImóvel de Interesse Público–50pxPaço Episcopal de PinhelArquitetura religiosaPaço EpiscopalEm estudo1783-179750pxCasa Grande (ou Solar dos Antas e Meneses)Arquitetura civilSolarImóvel de Interesse MunicipalSéculo XVIII50pxBogalhal Velho (antiga aldeia de Santa Maria de Porto de Vide)ArqueologiaAldeia medievalNão classificado–50pxPelourinho de Alverca da BeiraArquitetura civilPelourinhoImóvel de Interesse Público–50pxIgreja da Misericórdia de PinhelArquitetura religiosaIgrejaImóvel de Interesse Público153750pxErmida Senhora das FontesArquitetura religiosaErmidaNão classificado–50pxBarragem de VascoveiroArquitetura civilBarragemNão classificado200050pxArte Rupestre do Vale do Côa (Núcleo de Arte Rupestre da Faia)ArqueologiaArte rupestrePatrimónio Mundial da HumanidadePaleolítico50pxIgreja de São LuísArquitetura religiosaIgrejaEm Estudo159650x50pxSolar dos Mena Falcão (ou Casa Seixas)Arquitetura civilSolarImóvel de Interesse MunicipalSéculo XVII50x50pxSolar dos Corte-RealArquitetura civilSolarImóvel de Interesse Público–50x50pxSolar dos Mendes PereiraArquitetura civilSolarNão classificadoSéculo XVIIICanhão Histórico (parque da Trincheira)Arma bélicaCanhãoNão classificado–Solar dos TávorasArquitetura civilSolarImóvel de Interesse PúblicoSéculo XV
Personalidades ilustres Visconde de Pinhel e Conde de Pinhel Barão de Alverca e Visconde de Alverca
Ambiente thumb|250x250px|Jardim 5 de Outubro O município de Pinhel situa-se numa zona de extrema beleza, a região do Côa. Pode-se apreciar o rio Côa e outros afluentes, para além das extraordinárias paisagens e o contacto com a Natureza e as várias maravilhas da Serra da Marofa.
Em termos de fauna pode-se destacar mamíferos como a lebre e a raposa e aves como o açor, a águia real, a cegonha ou o chasco.
No caso da flora destaca-se principalmente a amendoeira, para além da oliveira e da videira. Em certas épocas do ano é extraordinário observar campos e montes floridos ou os mantos de neve no Inverno.
Em termos geológicos, a região caracteriza-se por ser granítica, ter xisto, podendo também ser encontrada ocasionalmente bicos de quartzo ou turmalina.
A freguesia de Cidadelhe está incluída no Património Mundial da Humanidade da UNESCO devido à verificação arqueológica de figuras gravadas em granito, colocando-se a hipótese de que estas pertençam a um época pré-histórica, de que alguns destes elementos pictóricos sejam paleolíticos.
Pinhel tem vários espaços verdes, dos quais se podem destacar o Parque Municipal da Trincheira, o Parque Urbano de Pinhel, a Praça Sacadura Cabral, o Largo D. Cristóvão de Almeida Soares (junto à Igreja de S. Luís) e o Jardim 5 de Outubro (junto ao cineteatro S. Luís).
Economia thumb|250x250px|Posto de Turismo de Pinhel A principal atividade económica que encontramos no município pinhelense é a agricultura. Nos últimos anos verifica-se um decréscimo deste tipo de atividade em termos de sustento individual. Em termos mais específicos, a cultura do olival e a da vinha vêm crescendo nos últimos anos. Apesar do declínio, é a região com maior volume de vinhas de toda a Beira Interior.Gazeta Rural n.º 258 (31 de outubro de 2015). pág. 17.
Outro tipo de atividade económica praticada no município é a extração de pedra, devido fundamentalmente às características geológicas da região.
A pequena indústria, como artesanato, transformação de carnes e da amêndoa, são de se relevar. Ao nível da indústria da amêndoa, destaca-se a empresa PABI S.A. - Produtos Alimentares da Beira Interior, que se dedica à transformação e comercialização de frutos secos, tendo como especialização as amêndoas e os seus derivados. Tem ganho vários prémios em feiras internacionais e no setor dos frutos secos, aumentando o seu prestígio e reconhecimento nesta área. É responsável pela expansão de grande parte da produção nacional de amêndoas para o país e para mercados estrangeiros.
O maior impacto a nível industrial e a nível de emprego no município foi a multinacional alemã de calçado Rohde, já desaparecida.
Um símbolo importante de Pinhel é o vinho produzido pela Adega Cooperativa de Pinhel, que já conquistou variados elogios internacionais. A propósito deste símbolo e cientes de que a Beira Interior é uma região de excelência e qualidade no que toca aos vinhos com cada vez maior notoriedade, o Município de Pinhel, em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, unem-se anualmente para concretizar o evento Beira Interior - Vinhos & Sabores, um certame que pretende dar a conhecer o que de melhor se faz nesta região, sendo também um espaço de debate e de reflexão, um lugar de experiências e de descobertas e uma possível oportunidade de negócio para os comerciantes locais, nacionais e internacionais.