Região do Norte ou simplesmente o Norte é uma região portuguesa situada no norte de Portugal. Está composta por 8 sub-regiões, 86 municípios e 1 426 freguesias, sendo a cidade do Porto a cidade administrativa da região.Tem uma extensão total de km2, habitantes em 2024 e uma densidade populacional de 173 habitantes por km2. A região é limitada a norte com a região espanhola da Galiza, a este com a região espanhola de Castela e Leão, a sul com a região do Centro e a oeste com o oceano Atlântico.
É, com a Galiza, uma das duas componentes da Eurorregião da Galiza-Norte de Portugal.
É constítuída pelas seguintes 8 sub-regiões:
Alto Minho, Alto Tâmega e Barroso, Área Metropolitana do Porto, Ave, Cávado, Douro, Tâmega e Sousa e Terras de Trás-os-Montes
Registou em 2024 um produto interno bruto de 85 mil milhões de euros, posicionando-se em 2.° lugar entre as regiões portuguesas e representando cerca de 30% da economia nacional. Em termos de produto interno bruto per capita, registou euros, ocupando o 6.° lugar entre as 9 regiões portuguesas.
Através da Lei n.º 75/2013, que aprovou a reforma administrativa na Assembleia da República, as sub-regiões constituintes do Norte foram formalmente instituídas, estabelecendo os seus respetivos territórios como Comunidades Intermunicipais. Todo este território integrado na região do Norte constitui a área de atuação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, também designada como CCDR-N, estatuto este regulado pelo Decreto-Lei n.º 36/2023.
A região é conhecida por sua rica história, incluindo a cidade de Guimarães, o berço de Portugal. Foi inicialmente habitada por várias tribos pré-célticas e célticas antes de ter relações comerciais e ser visitada, atacada e conquistada por várias povos, incluindo gregos, cartagineses, romanos, germânicos, mouros e viquingues. A cultura diversa inclui tradições folclóricas, culinária deliciosa e o famoso vinho do Porto. A região também é um importante centro industrial e empresarial, com a Universidade do Porto formando líderes empresariais e intelectuais.
História
Antiguidade O território do Norte de Portugal actual foi originalmente habitado por populações que se desenvolveram localmente no Paleolítico, que produziram as Gravuras Rupestres do Vale do Côa. Os celtas são o povo que em meados de , emigrou desde a Europa Central para estas paragens, desenvolvendo uma cultura conhecida como cultura castreja. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua natural belicosidade permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores romanos. Décimo Júnio Bruto Galaico, após a conquista do último reduto peninsular ainda resistente à ocupação romana, toma o cognome de Galaico. O território a norte do rio Douro até ao mar, Galiza, era conhecida como Galécia Bracarense. Da província romana com o mesmo nome faziam parte ainda a Galécia Lucense e a Galécia Asturicense. Os suevos fundaram o Reino da Galécia, cuja capital era Brácara Augusta, englobando a Galiza e tendo como limite o rio Tejo na sua extensão máxima; os visigodos conquistaram politicamente este reino em 580, gozando no entanto de grande autonomia dentro do espaço visigótico peninsular. Mais tarde invadidas pelos mouros, as terras perdidas para estes rapidamente (em 750) foram recuperadas e incorporadas no Reino da Galiza. O Condado de Portugal ou Condado Portucalense veio a ser estabelecido depois da reconquista do Porto por Vímara Peres, em 868, como parcela deste reino.
Formação e consolidação do reino Embora a existência da povoação na foz do rio Douro durante o período romano se encontre confirmada, o mesmo não acontece para a sua localização exacta; o Paroquial Suévico de São Martinho de Dume, estudado por Pierre David após a sua identificação pelo Professor Avelino de Jesus da Costa, refere-se, séculos depois, a um povoado que designava como Portvcale Castrvm Antiqvvm, na margem esquerda, e outro, o Portvcale Castrvm Novvm, na direita.
Quando do domínio dos suevos, Portucale foi palco de vários acontecimentos, contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão de (457), a revolta do seu governador Agiulfo, que pretendia ser aclamado rei e foi executado, e a última batalha (585) de Andeca, último rei suevo, vencido por Leovigildo.
Quando da invasão muçulmana da Península Ibérica, Portucale era já, desde a segunda metade do século VI, a sede da diocese Portucalense, situada na província da Galécia, e tendo por metropolita o Bispo de Braga. Após a invasão, a diocese não sobreviveu, tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto, em 868.
Portugal constituiu-se como reino independente com Afonso Henriques a partir do Norte de Portugal. Durante o seu reinado conquistou-se grande parte do território com o apoio das aguerridas populações nortenhas. A língua portuguesa evoluiu a partir desta área e hoje tem dialetos modernos específicos (os dialetos portugueses setentrionais), depois expandiu-se para sul à medida que o Reino Português se expandiu, nomeadamente após o reinado de Afonso Henriques. Na sequência, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e, mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.
Geografia miniaturadaimagem|Rio Lima no Parque Nacional da Peneda-Gerês, zona com precipitação expressiva. O Norte de Portugal é uma zona montanhosa. Os seus picos, conhecidos como serras, incluem a Serra do Gerês (), Peneda (), Marão (), Amarela (1361 m) e Soajo (). Alguns dos quais formam parques naturais: o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Alvão.
A costa, conhecida como Costa Verde, é uma faixa plana de terra fechada por praias arenosas e colinas, a maior das quais é a planície costeira entre os rios Cávado e Ave. A área é conhecida pela longa extensão de dunas de areia pitorescas que se acumularam durante a Pequena Idade do Gelo, parte da qual está protegida no Parque Natural do Litoral Norte.
Os rios Minho, Lima, Neiva, Cávado, Ave e Douro são os rios mais proeminentes que fluem para o Oceano Atlântico. No interior, o Tâmega é um grande afluente que esvazia o rio Douro. O Douro é o rio mais proeminente, e um dos rios mais importantes da Península Ibérica. O rio Minho marca a fronteira noroeste luso-espanhola e é o segundo rio mais importante.
Clima A região tem, predominantemente, um clima mediterrânico de verão ameno (Csb) na costa e um clima mediterrânico de verão quente (Csa) ao longo do Vale do Douro. O noroeste de Portugal tem verões temperados e invernos amenos, influenciados pelo Oceano Atlântico e a variação da temperatura diurna raramente atinge os 10 °C, enquanto no interior o nordeste de Portugal tem verões quentes e invernos frios e longos, daí a existência de características continentais. A variação da temperatura diurna pode chegar aos 20 °C.
A precipitação é muito irregular, uma vez que a topografia e a distância em relação ao mar influenciam fortemente os níveis de precipitação, mesmo a curtas distâncias. As zonas montanhosas interiores do noroeste em torno dos picos da Peneda, Gerês e Marão têm a maior precipitação em todo o país. O vale do Douro, no entanto, está entre as zonas mais secas de Portugal. Algumas cidades chuvosas incluem Vila Real, Braga e, no litoral, Viana do Castelo. O litoral tende a ter mau tempo, elevada irradiação solar e menor precipitação numa faixa do Cabo Santo André para a zona urbana do Porto.
Política NomePartidoÁrea de responsabilidadeÁlvaro Manuel Reis SantosPSDPresidente do Conselho Diretivo da CCDR NorteRicardo Jorge e Silva BentoIndependenteVice-Presidente, Ordenamento do Território e Informação GeográficaPedro Daniel Machado GomesPS e PSDVice-Presidente, Coesão Territorial e Desenvolvimento LocalPaulo Fernando de Sousa RamalhoPSDAgricultura e PescasJorge Manuel Salgueiro MendesPSDSaúdeTeresa Gabriela Marques LeitePSDAmbienteRui Manuel Oliveira CostaPSDCulturaMaria José da Silva FernandesIndependenteEducação
Demografia
População
Entre 2011 e 2024, o Norte apresentou uma evolução populacional relativamente estável, com pequenas variações anuais. Em 2011, a população residente na região era de habitantes, representando 34,9% da população nacional.
Nos anos seguintes, a população da região apresentou um ligeiro decréscimo até 2018, passando para habitantes, mantendo o peso relativo na população nacional praticamente constante em torno de 34,8%. A partir de 2019, a população começou a crescer novamente, alcançando habitantes em 2024, correspondendo a 34,4% da população nacional.
A variação anual da população foi geralmente baixa, oscilando entre 0,0% e 0,9%, refletindo tanto movimentos migratórios internos quanto alterações naturais da população (nascimentos e mortes). O período evidencia uma tendência de leve diminuição do peso do Norte na população total de Portugal, apesar do crescimento populacional absoluto nos últimos anos.
Essa estabilidade relativa contrasta com o crescimento mais acentuado de outras regiões do país, especialmente os grandes centros urbanos do litoral, como a Grande Lisboa e a Península de Setúbal, influenciando a distribuição da população nacional. AnoPopulação residenteVariaçãoPeso na população nacional201134,9 %2012 34,9 %2013 34,9 %2014 34,8 %2015 34,8 %2016 34,8 %2017 34,8 %2018 34,8 %2019 34,7 %2020 34,6 %2021 34,6 %2022 34,6 %2023 34,5 %2024 34,4 %
Sub-regiões
Em 2024, o Norte registava uma população residente de habitantes, correspondendo a 34,4% da população nacional. Comparativamente a 2023, a região apresentou um crescimento populacional de 8,6%.
A distribuição populacional pelas sub-regiões é heterogénea. A Área Metropolitana do Porto é a mais populosa, com habitantes, representando 49,2% da população regional e 16,9% da população nacional. Seguem-se o Cávado com habitantes (11,7% da população regional e 4,0% da nacional) e a Ave com habitantes (11,5% regional e 3,9% nacional).
Outras sub-regiões incluem o Tâmega e Sousa com habitantes (11,1% regional e 3,8% nacional), o Alto Minho com habitantes (6,4% regional e 2,2% nacional), o Douro com habitantes (5,0% regional e 1,7% nacional), as Terras de Trás-os-Montes com habitantes (3,0% regional e 1,0% nacional) e o Alto Tâmega e Barroso com habitantes (2,3% regional e 0,8% nacional).
Esta distribuição evidencia a concentração populacional na Área Metropolitana do Porto, contrastando com a menor densidade demográfica das sub-regiões do interior e do norte mais periférico. Sub-regiãoPopulação residente 2024Variação face a 2023Peso na população regionalPeso na população nacionalAlto Minho Cávado Ave Área Metropolitana do Porto Alto Tâmega e Barroso Tâmega e Sousa Douro Terras de Trás-os-Montes Norte 100 %34,4 %
Municípios
Em 2024, os municípios mais populosos do Norte concentram a maior parte da população da região. Vila Nova de Gaia é o município com maior número de habitantes, com residentes, seguido pelo Porto com e Braga com habitantes.
Outros municípios com população superior a 100 mil habitantes incluem Matosinhos com , Gondomar com , Guimarães com , Maia com , Santa Maria da Feira com , Vila Nova de Famalicão com , Barcelos com e Valongo com .
Entre os municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes destacam-se Viana do Castelo com , Paredes com , Vila do Conde com , Penafiel com , Póvoa de Varzim com , Santo Tirso com , Oliveira de Azeméis com , Paços de Ferreira com , Felgueiras com , Amarante com e Vila Real com .
A distribuição populacional da região mostra uma forte concentração nos grandes centros urbanos como a Área Metropolitana do Porto, Cávado e Ave, enquanto os municípios do interior apresentam densidade populacional menor. MunicípioPopulação residente