Punk rock (ou simplesmente punk) é um gênero musical que surgiu em meados da década de 1970. Enraizado no rock de garagem e proto-punk dos anos 1960, as bandas punk rejeitaram os excessos percebidos do rock mainstream dos anos 1970. Eles normalmente produziam canções curtas e rápidas com melodias e estilos de canto contundentes, instrumentação simplificada e muitas vezes gritavam letras políticas antissistema. O punk adota uma ética faça-você-mesmo; muitas bandas produzem gravações por conta própria e as distribuem por meio de gravadoras independentes.
O termo "punk rock" foi usado anteriormente pelos críticos de rock americanos no início dos anos 1970 para descrever as bandas de garagem de meados dos anos 1960. Certas bandas de Detroit do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, como MC5 e Iggy and the Stooges, e outras bandas de outros lugares criaram músicas fora do mainstream que se tornaram altamente influentes no que estava por vir. O glam rock no Reino Unido e o New York Dolls de Nova York também foram citados como influências importantes. Quando o movimento que agora leva o nome se desenvolveu de 1974 a 1976, artistas incluíram Television, Patti Smith e os Ramones na cidade de Nova York; os Sex Pistols, o Clash, os Damned em Londres, e os Buzzcocks em Manchester. No final de 1976, o punk se tornou um grande fenômeno cultural no Reino Unido. Isso levou a uma cultura punk expressando a rebelião juvenil por meio de estilos distintos de roupas, como camisetas deliberadamente ofensivas, jaquetas de couro, faixas e joias com tachas ou pontas, alfinetes de segurança e roupas bondage.AllMusic: British Punk AllMsuic: American Punk Rock https://blitz.pt/principal/update/2017-12-10-A-historia-do-punk-made-in-Portugal
Em 1977, a influência da música e da cultura punk se espalhou pelo mundo. Ele se enraizou em uma ampla gama de cenas locais que muitas vezes rejeitavam a afiliação ao mainstream. No final dos anos 1970, o punk experimentou uma segunda onda quando novos artistas que não estavam ativos durante seus anos de formação adotaram o estilo. No início da década de 1980, subgêneros mais rápidos e agressivos, como hardcore punk (por exemplo, Minor Threat), Oi! (por exemplo, o Exploited) e o anarco-punk (por exemplo, Crass) tornaram-se os modos predominantes do punk rock. Muitos músicos que se identificaram ou se inspiraram no punk rock seguiram outras direções musicais, dando origem a movimentos como o pós-punk, a new wave e o rock alternativo. Seguindo o avanço mainstream do rock alternativo na década de 1990 com o Nirvana, o punk rock viu renovado o interesse das grandes gravadoras e o apelo mainstream com a ascensão das bandas californianas Green Day, Social Distortion, Rancid, The Offspring, Bad Religion e NOFX.
A história do punk rock O início miniatura|esquerda|250px|CBGB, casa noturna que é considerada por muitos como o berço do punk rock nova-iorquino, na qual inúmeras bandas iniciaram a sua carreira.
Punk é um movimento musical e cultural, e também é usado para designar as pessoas que seguem esse movimento. Os punks surgiram inicialmente tanto nos Estados Unidos, quanto na Grã-Bretanha, em cenas locais próprias e independentes e alguns anos depois espalharam-se por outros países.
A cultura punk nos EUA surgiu na década de 70, tendo como expoente a banda Ramones, uma banda de rock com um estilo vestir diferente, usando jaquetas de couro estilo motociclista, camiseta branca, calça jeans, tênis, transparecendo uma aparência agressiva, rebeldia, com um estilo musical, moda, e gosto por artes bastante diferentes em comparação aos tradicionais daquela época.
O movimento punk surgiu como um contraponto da ideologia dos hippies, uma reação à não-violência e suas atitudes. Inicialmente era chamado de cultura punk, depois passou para movimento, e depois uma ideologia, onde os jovens seguiam o mesmo lado político, maneira de se vestir, gosto para música, cinema, artes e etc.
O punk rock surgiu em meados da década de 1970, mas já é possível achar bandas que faziam algo bem próximo na década de 1960, como o The Troggs e o The Kinks ingleses (com suas "Wild Thing" e "You Really Got Me", respectivamente). O mesmo espírito sônico animava os Stooges (A ex-banda de Iggy Pop que fazia músicas simples e ruidosas) e o MC5 (primeira banda a juntar agressividade musical com ideias políticas subversivas e drogas, outra característica típica de alguns punks pré-straight edge), ambas as bandas de Detroit e formadas no final dos anos 60. Antes disso, em 1964-1965, o The Trashmen (com sua "Surfin Bird", regravada pelo Ramones), o The Sonics e o The Monks faziam algo muito próximo do punk rock em termos sonoros. Vale a pena citar também o The Velvet Underground, outra banda que influenciou bastante a "primeira geração" punk, principalmente no clássico álbum White Light/White Heat, de 1968.
A cena punk londrina derivou dos Mods, tendo como principal influência musical, o som da banda The Who, em uma cena própria, independente da cena nova iorquina. Os punks londrinos colocaram o movimento em evidência ao tomarem de assalto Londres no final dos anos 70.
Já em 1971, foram formados os New York Dolls; e em 1974 o The Dictators, que já eram praticamente punk rock, tanto nas atitudes quanto no som, no mesmo ano, em Detroit, surge a banda Death, formada por três irmãos afro-americanos, que, apesar de terem gravado, nunca foram lançados. Também são clássicas as gravações de Jonathan Richman com os The Modern Lovers, de Boston, em 1972. Nos anos 70, começaram a surgir várias bandas em Detroit e Nova Iorque que tocavam em bares. Destes bares, destacava-se o CBGB, lugar onde inicialmente o Television fazia seus shows, atraindo a atenção dos locais e propiciando uma cena onde iriam se reunir Ramones, Patti Smith, Talking Heads, Richard Hell and the Voidoids, Johnny Thunders and the Heartbreakers, The Dictators, The Cramps, Blondie, Dead Boys e muitas outras.
Começava então a surgir, desse pequeno grupo de bandas, algumas conhecidas como bandas de protopunk, o movimento punk.
1977: A explosão do punk rock inglês miniatura|250px|The Clash em Oslo, 1980.
Uma pessoa presente àquelas sessões do CBGB era o empresário do New York Dolls, Malcolm McLaren (também empresário dos Sex Pistols), que tentou passar o visual da banda de travestidos para comunistas sem sucesso. Malcolm ficou particularmente impressionado com a figura de Richard Hell, que sempre andava rasgado quando subia ao palco. Em 1976, os Ramones lançaram seu primeiro disco nos Estados Unidos, auto-intitulado, pela Sire Records. O disco tinha 14 músicas e 29 minutos de duração. As músicas e as letras eram simplíssimas, e a velocidade das músicas era apavorante para aquela época. O álbum recebeu poucas (porém boas) críticas e acabou não sendo um grande sucesso de vendas por lá.
Na Inglaterra o álbum foi muito bem recebido pelos jovens, que acabou dando numa turnê em julho de 1976. Também voltaria à ilha o empresário da boutique londrina Sex, Malcolm McLaren, trazendo as subversivas ideias do som e da imagem do punk, que seriam potencializadas por sua esposa Vivienne Westwood. Foi na Sex que ele conheceu os jovens integrantes do Sex Pistols. Da ideia ao fato foi um pequeno intervalo; e a visibilidade dos ultrajes do Sex Pistols deu margem à formação de diversas bandas por onde passavam. Dentre estas bandas estavam os The Damned, Buzzcocks e o The Clash, entre inúmeras outras. Mesmo o embrião do Joy Division foi formado após um show deles em Manchester.
miniatura|200px|Sex Pistols, durante uma reunião em 2007.
1977 foi o ano mais marcante da história do punk rock. Saíram inúmeros compactos, surgiam inúmeras bandas (principalmente na Inglaterra e na Irlanda). Também foi o ano em que saiu o primeiro disco do The Clash (The Clash), Damned, Damned, Damned do The Damned, Spiral Scratch do Buzzcocks, Never Mind the Bollocks do Sex Pistols, Leave Home e Rocket to Russia dos Ramones (este último considerado por muitos o melhor disco dos Ramones, com a cover de "Surfin Bird" do Trashmen), Live Kicks (EP gravado ao vivo no The Roxy nightclub em 1977 e lançado em 1979) do U.K. Subs, Pink Flag do Wire, Rattus Norvergicus do Stranglers e vários outros discos marcantes na história do punk. Até mesmo bandas e artistas mais antigos do rock se lançaram em alguns trabalhos: o Queen investiu no gênero, com a música "Sheer Heart Attack", do álbum de 1977 News of The World, ou os The Rolling Stones com a música "Shattered", do álbum Some Girls. Por seu caráter de explosão, em 1978 o punk estava "meio que saindo de moda"; mas isto não impediu em nada que ótimos álbuns fossem lançados e ótimas bandas surgissem. Deste ano são os clássicos Crossing the Red Sea with The Adverts dos Adverts, White Music do XTC e Germ Free Adolescents do X-Ray Spex.
esquerda|miniatura|200px|Os Ramones, durante uma apresentação em 1987.
Já em 1979 o punk rock tinha "sumido do mapa". Alguma coisa ainda saiu, como o At the Chelsea Nightclub do The Members, mas maioria das bandas acabava ou então mudava de rumo (a maioria migrava para a new wave, que era uma versão mais "comportada" do estilo e mais comercialmente viável, ou migrava para um pós-punk radical, como foi o caso de John Lydon com o Public Image Ltd.; que lançaria seu Metal Box inspirado em krautrock). Mesmo assim são deste ano os clássicos London Calling do Clash; Another Kind of Blues, o primeiro disco de estúdio do U.K. Subs; o Inflamabble Material do Stiff Little Fingers e o Entertainment! do Gang of Four; enquanto que o hardcore começava a surgir, nos Estados Unidos, numa atitude punk mais politizada e ruidosa ainda, com bandas como o Dead Kennedys. Também neste ano se formava o The Exploited na Escócia.
Final da década de 1970 e início da década de 1980 Hardcore punk
miniatura|250px|Bad Brains, uma das principais bandas do hardcore americano.
Ainda em 1978 e 1979 começavam a surgir bandas nos Estados Unidos que levavam o punk rock a um nível mais extremo. Faziam canções ainda mais rápidas, com acordes ainda mais básicos e atitudes mais extremas. Dessas bandas, podemos citar o Dead Kennedys, The Germs, Middle Class, Bad Brains, Black Flag (que mais tarde geraria o Circle Jerks, outra banda importantíssima para o hardcore americano) e também o Minor Threat. No Canadá também havia bandas que faziam um som parecido: o D.O.A. e o Subhumans. Estava evidente que essas bandas faziam algo bem diferente do que faziam em 1977 nos países da Europa e que dessas bandas surgiria um novo estilo: o hardcore.
Literalmente o termo significa algo como "núcleo duro" mas, neste caso, seria mais adequada a tradução de algo como "casca grossa". O termo já era usado para designar militantes agressivos, criminosos, ou qualquer versão mais extrema ou exagerada de algo e foi adotado por punks como sinônimo de originalidade e radicalismo.
O estilo do hardcore se caracteriza pela presença de guitarras extremamente distorcidas e músicas extremamente rápidas e barulhentas, às vezes não chegando nem a 1 minuto de duração, negação do esquema "verso/refrão/verso" e pelos temas, que normalmente abrangem críticas político-sociais e temas anti-guerra e anti-violência.
Nos Estados Unidos os músicos do hardcore não deram tanta importância ao visual comparados aos punks da geração anterior e aos contemporâneos europeus. Normalmente adotavam cortes de cabelo curtos e roupas mais simples.
200px|miniatura|Wattie, vocalista do Exploited, uma das mais populares e mais importantes bandas de hardcore punk e street-punk da Inglaterra.