miniaturadaimagem|Um OMV não possui espetro ou infraestrutura de rede. Em vez disso, paga o acesso à capacidade de rede de um Operador móvel com rede (OMR) a preços grossistas, o que lhe permite revender serviços sob a sua própria marca. Um operador móvel virtual (OMV) ou operador móvel de rede virtual (inglês: mobile virtual network operator ou MVNO) é um fornecedor de serviços de telefonia móvel que não possui a infraestrutura de rede móvel (sem fios) ou a concessão do espetro de frequência sobre a qual presta os serviços aos seus clientes. Um OMV assina um acordo comercial com um operador móvel com rede (OMR) para obter o acesso em massa aos serviços de rede a preços grossistas, significativamente inferiores aos preços dos clientes finais e, em seguida, fixa os preços do retalho de forma independente. Um OMV pode utilizar o seu próprio serviço de apoio ao cliente, sistemas de apoio à faturação, pessoal de marketing e vendas, ou pode empregar os serviços de um Ativador de Rede Móvel Virtual (ARMV). As agências reguladoras assumem um papel decisivo na criação e disseminação dos OMV em todos os países do mundo.Tipos de operadorOperador de telefonia móvelOperador móvel com rede (OMR)Operador móvel virtual (OMV)Ativador de rede móvel virtual (ARMV)Nome em inglêsMobile network operator ou MNOMobile virtual network operator ou MVNOMobile virtual network enabler ou MVNE
História Os acordos dos operadores móveis virtuais (OMV) com os operadores móveis com rede (OMR) remontam à década de 1990, quando os mercados de telecomunicações europeu e australiano testemunharam a liberalização do mercado, novas estruturas regulatórias, melhor tecnologia de rede 2G e um consequente aumento do número de assinantes de serviços sem fios. Embora as novas redes 2G gerissem de forma mais eficiente as bandas de frequência limitadas alocadas ao serviço sem fios, as novas operadoras de telemóveis ainda estavam limitadas pela sua capacidade de aceder a faixas de frequência num espectro restrito.
Com os mercados europeus recém-abertos à concorrência e as novas tecnologias a permitirem um melhor serviço e aparelhos mais baratos, verificou-se um aumento massivo da procura de telemóveis (celulares). No meio deste crescimento, a Sense Communications lutou pelo acesso ao espectro dos operadores móveis com rede (OMR) na Escandinávia em 1997. A Sense conseguiu estabelecer um acordo OMV com a Sonera na Finlândia, mas não conseguiu persuadir os OMV na Suécia, Dinamarca e Noruega. A Sense recorreu então aos reguladores da UE, citando disposições que exigiam que certos OMR permitissem a interligação de novos operadores. Embora a pretensão da Sense tenha sido negada, em novembro de 1999, a empresa assinou um contrato de prestação de serviços com a Telia/Telenor Mobile para acesso à capacidade da rede GSM, permitindo à Sense oferecer serviços aos seus próprios clientes na Suécia e na Noruega.
Apesar do fracasso inicial da Sense, o regulador na Dinamarca viu o potencial do modelo OMV como uma rota economicamente viável para as empresas de telecomunicações entrarem no mercado e, em Maio de 2000, foi aprovada legislação que exigia que os operadores móveis com rede (OMR) com poder de mercado significativo abrissem o acesso à sua infraestrutura. Em agosto do mesmo ano, a operadora móvel Sonofon consolidou o primeiro acordo OMV viável com a Tele2. Este acordo proporcionou à Tele2 o acesso à rede da Sonofon para serviços móveis e de roaming, este último solicitado (e negado) pela Sense Communications. Com as novas regulamentações em vigor, os OMV na Escandinávia acabaram por alcançar uma quota de mercado superior a 10%.
Em 2008, os subscritores de serviços sem fios nos EUA tinham cerca de 40 OMV à sua escolha. De acordo com a FCC, aproximadamente 7% de todos os assinantes de serviços móveis nos EUA eram servidos por revendedores, incluindo OMV, e os analistas descobriram que os 15,1 milhões de assinantes de serviços sem fios servidos por revendedores no final de 2006 aumentaram 1,6 milhões em relação ao ano anterior.
Tipos de Operadores Móveis Virtuais Os papéis e a relação de um OMV com a operadora móvel proprietária da rede (OMR) variam segundo a situação comercial do mercado e a regulação legal do país onde operam. Em geral, um OMV é uma entidade independente da operadora com rede que lhe dá o serviço, o que lhe permite fixar as suas próprias tarifas.
Por definição, um OMV não dispõe de nenhuma infraestrutura de radio, por não ter autorização legal para prestar este serviço. Assim, nenhum OMV disporá de estações base próprias, dando serviço ao cliente as do OMR correspondente.
No entanto, em relação ao resto da infraestrutura as coisas podem ser distintas.
Geralmente os OMVs não possuem nenhuma infraestrutura de GSM ou UMTS, para além da elaboração de cartões SIM, que em muitos casos inclusive levam o código da rede do seu OMR ou um específico para os seus revendedores. Se um OMV depende completamente do seu OMR, denomina-se-lhe em geral OMV revendedor (ou em inglês service provider), dado que o único que faz é pôr a sua marca nos cartões SIM e realizar trabalhos comerciais, carecendo absolutamente de elementos da rede. São o tipo de OMV mais abundante.
Outros OMV podem dispor de departamentos técnicos próprios; consoante o operador virtual em concreto, podem possuir o seu próprio registo de localização (em tecnologia GSM, denominado HLR) ou um centro de comutação de telefonia móvel (MSC). Isto permite ao operador virtual gozar de maior flexibilidade, visto que lhe permite mudar de prestador de rede no futuro ou inclusive utilizar várias redes diferentes num mesmo país. Igualmente, e segundo o grau de independência do operador virtual, poderia dispor de departamentos de faturação. Aos OMV que dispõem dos seus próprios elementos de rede chama-se-lhes genericamente OMVs completos (em inglês, full MVNOs).
Um OMV completo deve ter uma marca forte, estrutura de atendimento ao cliente, vendas e marketing. Porém, não necessita das áreas técnicas de desenvolvimento, como Engenharia e Tecnologias da Informação. O operador que interage com o cliente detém toda a estrutura comercial e de atendimento, mas sua rede é virtual, pois, como citado, pertence a um dos OMR que partilha a receita gerada e recebida com o OMV. Geralmente os OMV completos atuam em nichos de mercado onde os OMR não queiram ou não possam atuar, atingindo consumidores atraídos pela força da marca ou pelo foco dado a este determinado mercado.
Os FRMV Menos conhecido é o perfil que representa o facilitador de rede móvel virtual ou FRMV (em inglês, Mobile Virtual Network Enabler ou MVNE), agente que atua de intermediário entre um OMR e um OMV. Consiste numa empresa que fornece serviços aos OMV como faturação, aprovisionamento, administração. Os FRMV atuam de intermediários entre os operadores móveis com rede e os operadores móveis virtuais, oferecendo a estes todo o apoio técnico e de consultoria para que possam centrar-se no negócio. As duas principais motivações pelas quais os OMV decidem contratar os serviços de um FRMV são a redução do time to market e a complexidade operativa à qual devem fazer frente.
Situação por países
Espanha miniaturadaimagem|350x350px|Repartição do mercado espanhol por número total de linhas pessoais, segundo dados de abril de 2009. Fonte: Comissão do Mercado das Telecomunicações de Espanha (CMT). miniaturadaimagem|350x350px|Aumento do mercado espanhol por número total de novas linhas pessoais, segundo dados de agosto de 2009. Fonte: Comissão do Mercado das Telecomunicações de Espanha (CMT).
A regulação no país procede da Ordem Ministerial CTE/601/2002Ministerio da Indústria, Turismo e Comércio, Orden Ministerial CTE/601/2002, de 14 de março e da medida proposta pela Comissão de Mercado das Telecomunicações de Espanha (CMT), mediante as quais os operadores móveis virtuais terão acesso às redes de telefonia móvel -Movistar, Vodafone, Orange e Yoigo- e podem oferecer serviços aos utilizadores finais com a sua própria marca.
A decisão da CMT de abrir forçosamente o mercado aos operadores virtuais foi contestada pela Telefónica, em forma de recurso administrativo. Este recurso foi rejeitado pela Sala do Contencioso da Audiência Nacional em janeiro de 2009,Expansión, 15 de enero de 2009: "La Audiencia Nacional confirma la legalidad de los "operadores virtuales"" confirmando a legalidade dos OMV e insistindo no caráter de "oligopólio estreito" do mercado de telefonia móvel espanhol.
A imensa maioria dos operadores virtuais espanhóis centrou-se na redução do preço, e alguns especializaram-se nos nichos de mercado como o dos imigrantes (chamadas internacionais mais baratas) e no do acesso à Internet.Porém,dezoito meses depois da entrada do primeiro operador neste mercado, a sua quota de mercado conjunta se situava nos 1,5 % do total de linhas móveis.El Periódico, 28 de abril de 2008: "Los operadores móviles virtuales despegan en clientes e ingresos"
Saldo de portabilidades Linhas móveis portadas (fonte CNMC - maio de 2016)OperadorExportador (perdidos)Importados (ganhos)Movistar109 83676 327Vodafone120 433119 050Orange128 621146 065Yoigo35 80835 174OMV32 78550 867 OMV com saldo positivo em portabilidades:https://www.adslzone.net/2017/11/08/portabilidad-movil-octubre-2017/ Masmóvil: +24300 linhas Yoigo: +21000 linhas DIGI mobil: +13700 linhas Lowi: +7600 linhas Pepephone: +6100 linhas OMV com saldo negativo em portabilidades: Eroski: -6500 linhas Lycamobile: -5500 linhas Carrefour: -3800 linhas Lebara: -3800 linhas R cable: -3000 linhas Oceans: -200 linhas
História Algumas fontes assinalam a Euskaltel Móvil como o primeiro operador móvel virtual no país, já que em 1999 começou a oferecer o serviço para o País Basco por meio da rede da Amena (posteriormente, Orange Espanha). No entanto, naquele momento a Euskatel,já estava operando por meio de um contrato comercial entre as duas partes.El País, 16 de diciembre de 1998: "Euskaltel cierra el acuerdo con Retevisión Móvil para ofrecer telefonía celular a partir de enero" dado que não existia regulamentação específica para os OMV. Ainda assim, um grande número de empresas ainda estavam esperando autorização para operar neste sistema a partir de 2001.El Mundo, 24 de mayo de 2001: "Operadores de nuevo estilo"El Mundo, 15 de julio de 2001: "Más virtuales que nunca".El Mundo, 2 de diciembre de 2001: "Examen a la liberalización"
A Comissão Europeia não interveio no processo, mesmo que já existissem reclamações por parte das novas empresas, pois existia uma gigantesca concentração de mercado por três empresas já consolidadas, todas existentes antes da implementação do sistema de operador móvel virtual.Diario Cinco Días, 12 de julio de 2007: "La CMT pide abrir las redes de móviles ante la escasa competencia" para por em marcha este mercado após muitos atrasos. Assim, em 2006 a Comissão autorizou a CMT a obrigar aos operadores existentes a alugar as suas redes.Diario Cinco Días, 1 de febrero de 2006: "Bruselas permite a España lanzar los operadores virtuales de móvil" No entanto, uma vez forçada a abertura do mercado, e com Reinaldo Rodríguez como presidente da CMT, se manteve uma aposta pela livre negociação entre operadoras de telecomunicações para estabelecer o preço do uso das redes atuais por parte dos OMV, em vez de impor um modelo mais intervencionista de regulação do preço.El Mundo, 19 de enero de 2006: "El presidente de la CMT apuesta por los Operadores Móviles Virtuales para 2007"
Após a mudança da regulamentação, o primeiro operador virtual "puro" a lançar comercialmente os seus serviços foi Carrefour Móvil a 27 de outubro de 2006. A este lhe seguiu Euskaltel, que rompeu os seus acordos com Orange para oferecer um serviço de telefonia móvel independente,El País, 9 de septiembre de 2006: "Euskaltel y Amena se disputan 450.000 clientes de telefonía móvil en Euskadi" e pouco depois apareceram Happy Móvil, das lojas The Phone House, e Lebara.