O termo "libertário" designa pessoas, correntes políticas, movimentos sociais, estruturas, organizações, etc., que propõem a liberdade individual e coletiva e/ou seguem o Libertarismo, em contraposição ao Estado, como valor fundamental e que, consequentemente, rejeitam o autoritarismo na organização da sociedade e na vida privada.Sébastien Faure, Encyclopédie anarchiste, Paris, La Librairie Internationale.

"Libertário" é um neologismo criado pelo filósofo francês Joseph Déjacque em 1857, para afirmar a proposta ética e política anti-autoritária em formação. O termo "libertário" era originalmente usado na França como um sinonimo de anarquista, movimento político desenvolvido a partir do século XIX sobre um conjunto de teorias e práticas antiautoritárias e autogestionárias, mas que passou a ter denotações ambíguas com o tempo.Marshall, Peter (2009). Demanding the Impossible: A History of Anarchism. p. 641. "Por muito tempo, libertário era intercambiável na França com anarquismo, mas nos últimos anos, seu significado se tornou mais ambivalente. Alguns anarquistas como Daniel Guérin se autodenominam "socialistas libertários", em parte para evitar as conotações negativas ainda associadas ao anarquismo, e em parte para enfatizar o lugar do anarquismo dentro da tradição socialista. Até os marxistas da Nova Esquerda, como E.P. Thompson, chamam a si mesmos de "libertários" para se diferenciar daqueles socialistas e comunistas autoritários que acreditam na ditadura revolucionária e nos partidos de vanguarda." (tradução do inglês) Em torno da década de 1960 o termo "libertário" transborda o quadro do anarquismo histórico e passa a ser usado por outra correntes políticas, como o marxismo libertário, anarcocapitalismo, autonomismo, agorismo, comunismo de conselhos, anarcocomunismo, ecologia social, dentre muitos outros.

História

O primeiro uso registrado do termo libertarian, no inglês, foi em 1789, quando William Belsham escreveu sobre um libertarianism no contexto da metafísica.

O termo "libertário" é um neologismo criado em 1857 por Joseph Déjacque, militante e escritor comunista, originalmente no francês libertaire, com um sentido oposto à liberal. Aparece em uma carta aberta à Proudhon, De l'Être-Humain mâle et femelle - Lettre à P. J. Proudhon (Do ser humano masculino e feminino - Carta à P. J. Proudhon) publicado em La Nouvelle-Orléans no mês de maio de 1857. Joseph Déjacque se opõem à misoginia de Proudhon e o acusa de ser "anarquista centrista, liberal e não libertário". Contra o conservadorismo social de Proudhon, Déjacque reivindica a igualdade dos sexos e a liberdade dos desejos em uma sociedade liberta da exploração e autoridade. A palavra é construinda sobre um modelo difundido entre os socialistas da época, presente, por exemplo, na palavra prolet-ário, do francês prolét-aire. Déjacque também usou o termo para sua publicação Le Libertaire, Journal du mouvement social, que foi impressa de 9 de junho de 1858 a 4 de fevereiro de 1861 na cidade de Nova York.Woodcock, George (1962). Anarchism: A History of Libertarian Ideas and Movements. Meridian Books. p. 280. Sébastien Faure, outro comunista libertário francês, começou a publicar um novo Le Libertaire em meados da década de 1890, enquanto a Terceira República da França promulgou as chamadas leis de vilões (lois scélérates) que proibiam publicações anarquistas na França. O adjetivo libertário tem sido frequentemente usado para se referir ao anarquismo e ao socialismo libertário desde esse tempo... Atualmente, o termo é mais amplamente utilizado por anarquistas individualistas (anarcocapitalistas e agoristas).

Movimento plural Em 1928, Sébastien Faure, na La synthèse anarchiste (A síntese anarquista), propõem reunir as quatro grandes correntes libertárias. Em 2008, Michel Ragon, em seu Dictionnaire de l'anarchie (Dicionário da anarquia), define cinco correntes do pensamento libertário. São: a mais antiga, o mutualismo, que promove uma nova sociedade econômica por um sistema de mutualidades e de cooperativas; o socialismo libertário, teorizado principalmente por Mikhail Bakunin que, junto com os comunistas libertários, propõem a intauração de uma sociedade horizontal fundada sobre a autogestão e o federalismo. o anarco-comunismo; o anarcossindicalismo e sindicalismo revolucionário, que propõem um método sindicalista como meio de lutar e de organizar a sociedade; O anarquismo individualista (Max Stirner, Henry David Thoreau, E. Armand), que não acredita na capacidade revolucionária das massas, e defende o retiro sobre si e a refutação das leis e do governo; o anarquismo cristão (Liev Tolstói) que é igualistarista, pacifista e não violento;

Libertário e/ou anarquismo

Na França, em sequência das leis de 1893 e 94 sobre o anarquismo, que interdita todo tipo de propaganda do movimento, os anarquistas aproveitam a palavra libertário para se identificar e continuar suas atividades editoriais. Assim, em dezembro de 1893, a La Revue Anarchiste se torna La Revue Libertaire. Durante muitas décadas esses dois termos serão utilizados como sinônimos. Serão quase intercambiáveis. Assim, durante a Revolução Espanhola, se utiliza tanto Federação Anarquista Ibérica quanto a forma Federação Ibérica de Juventude Libertária, seu movimento jovem.

Emergência do socialismo libertário

Segundo Simon Luck

Maio de 1968 marca uma inflexão, notoriamente pelo papel determinante do Movimento de 22 de março no início dos eventos. Com a crítica situacionista da sociedade do espetáculo, "a corrente libertária vive uma revolução cultural enorme que a permite renovar-se e conhecer uma expansão sem precedentes" Assim, o conceito de movimento libertário transborda o movimento anarquista. Nesse contexto, existe a emergência de novas mídias e novas figuras intelectuais libertárias como Jacques Ellul, Michel Onfray, Daniel Colson, Normand Baillargeon, Ruwen Ogien, Miguel Benasayag, etc. Irène Pereira coloca a questão:

Segundo o cientista político Francis Dupuis-Déri:

Referências

Categoria:Etimologias Categoria:Socialismo libertário Categoria:Terminologia política