O Palácio de Bleinheim é um suntuoso palácio rural inglês, situado em Woodstock, Oxfordshire, Inglaterra. Construído no centro de uma extensa propriedade nobre entre 1505 e 1722, Blenheim destaca-se como a única residência aristocrática leiga a ostentar a titulação de "palácio".
A construção da propriedade foi inicialmente planejada para ser oferecida por uma nação agradecida, a John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, pela sua vitória na Batalha de Blenheim (1704) contra os franceses e os bávaros, ocorrida no Sacro Império Romano-Germânico durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1702-1714). De qualquer forma, em breve se tornou objecto de luta política, a qual levou ao exílio de Marlborough, a queda do poder da sua Duquesa e danos irreparáveis para a reputação do seu arquitecto, Sir John Vanbrugh. Desenhado no raro e breve estilo Barroco inglês, a apreciação arquitectónica do palácio está tão dividida hoje como estava na década de 1720. Blenheim é único na sua combinação de casa da família Churchill, mausoléu e monumento nacional. O palácio também é famoso por ter sido o local de nascimento e casa ancestral do antigo primeiro-ministro, Sir Winston Churchill.
A verdade é que a construção do palácio foi um campo minado de intriga política, com maquinações a uma escala Maquiavélica por Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough. Depois de concluido, o palácio tem sido a residência da família Churchill ao longo dos três últimos séculos. Durante esse período vários membros da família têm efectuado várias alterações nos interiores, parque e jardins, algumas para melhor, outras para pior. No final do século XIX, o palácio e os Churchills foram salvos da ruína pelo casamento com uma norte-americana. Por esse motivo, o exterior do palácio permanece em bom estado de conservação, exactamente como acabado de completar.
Os Churchill thumb|left|180px|John Churchill, 1.º Duque de Marlborough.
John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, nasceu em Devon. Apesar de a sua família ter relações aristocráticas, foram mais "gentis" que propriamente membros altamente colocados nos escalões superiores da sociedade setecentista. Ao se juntar ao exército britânico em 1667, serviu inicialmente em Tânger e foi depois enviado como assistente de Luís XIV de França nas guerra holandesas, onde foi promovido a coronel. Em 1678 desposou Sarah Jennings e sete anos mais tarde, na subida ao trono do Rei Jaime II, foi elevado a Barão Churchill. Foi então um dos líderes da supressão da Rebelião Monmouth. Na subida ao trono de Guilherme III, Churchill foi elevado a Conde de Marlborough, um título que se extinguira na sua família materna.
thumb|140px|Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough.
Durante a Guerra de Sucessão Espanhola ganhou renome militar, obtendo a partir de 1702 uma série de triunfos militares: Batalha de Blenheim em 1704, Batalha de Ramillies em 1706, Batalha de Oudenarde em 1708 e Batalha de Malplaquet em 1709. Restituindo a Inglaterra livre das forças de Luís XIV de França, tornou-se um herói nacional e foi carregado com honras, incluindo o Ducado de Marlborough. Dizia-se naquela época que juntamente com a sua esposa, melhor amiga e confidente de Rainha Ana, o Duque de Marlborough governava virtualmente o país. Não foi por isso surpresa que a Rainha Ana tivesse decidido que a última honra ao herói fosse a oferta de um grande palácio. Foi dado a Marlborough o antigo Woodstock Palace para local do novo palácio e o Parlamento da Grã-Bretanha votou uma soma substancial de dinheiro dirigida à sua construção.
A esposa de Marlborough, a antiga Sarah Jennings, foi por todos os registos considerada uma mulher perversa, apesar de ter grande charme. Fez amizade com a jovem Princesa Ana, e mais tarde, quando esta se tornou Rainha, a Duquesa de Marlborough, como sua Governanta dos Paramentos, exerceu uma grande influência sobre ela, quer a nível pessoal, quer a nível político. A relação entre a Rainha e a Duquesa tornar-se-ia, mais tarde, estranha e tensa, e na sequência da briga final, em 1711, o dinheiro para a construção de Blenheim cessou. Os Marlboroughs foram forçados ao exílio no estrangeiro até ao dia da morte da Rainha, em 1 de Agosto de 1714.
Placa do portão leste thumb|right|110px|O portão leste é mais uma defesa de uma cidadela que a entrada de um palácio
A placa por cima do maciço portão leste dá uma visão asséptica da história da construção do palácio, lendo-se nela:
O local thumb|left|280px|Gravura do Palácio de Blenheim A propriedade oferecida pela nação a Marlborough para o novo palácio foi o Solar de Woodstock, por vezes chamado de Palácio de Woodstock, o qual tinha sido um domínio real e, na realidade, era pouco mais que um pavilhão de caça. A lenda obscureceu as origens do solar. O Rei Henrique I fechou o parque para conter veados. Henrique II alojou ali a sua amante Rosamund Clifford (algumas vezes conhecida como "Fair Rosamund").
Ao que parece o despretensioso pavilhão de caça foi reconstruído muitas vezes, e teve uma história desprovida de interesse até o reinado de Isabel I, a qual, antes de subir ao trono foi aprisionada ali pela sua irmã, Maria I, entre 1554 e 1555. Isabel fôra implicada com Thomas Wyatt (filho). O cativeiro de Isabel em Woodstock foi curto, e o solar manteve-se na obscuridade até que foi bombardeado e arruinado pelas tropas de Oliver Cromwell durante a Guerra civil inglesa.
Quando o parque estava a ser reajardinado como cenário para o palácio, Sarah Churchill desejou que as ruínas históricas fossem demolidas, enquanto que Vanbrugh, um conservacionista inicial, queria-as restauradas e incluiu-as num arranjo paisagístico. A Duquesa, como acontecia frequentemente nas suas disputas com o arquitecto, ganhou e os vestígios do solar foram varridas para longe.
Arquitecto thumb|left|150px|Sir John Vanbrugh por Kneller.
O arquitecto selecionado para o projeto era controverso. A Duquesa era conhecida por favorecer Sir Christopher Wren, famoso pela Catedral de São Paulo e muitos outros edifícios nacionais. O Duque, de qualquer forma, na sequência de um encontro casual num teatro, terá contratado Sir John Vanbrugh nessa mesma ocasião. Vanbrugh, um popular dramaturgo, era um arquitecto leigo, que trabalhava habitualmente em conjunto com o experiente Nicholas Hawksmoor. O duo havia completado recentemente as primeiras etapas do barroco Castle Howard. Este gigantesco palácio do Yorkshire foi um dos primeiros edifícios ingleses no Estilo Barroco Flamejante Europeu. Marlborough tinha ficado obviamente impressionado com este grandioso edifício e desejou algo semelhante para Woodstock.
Blenheim, no entanto, não providenciaria a Vanbrugh os aplausos arquitetónicos que este imaginara. O disputado sobre-financiamento levou a acusações de extravagância e impraticabilidade de desenho, muitas destas acusações apontadas pelas facções Whig no poder. Vanbrugh não encontrou defesa na Duquesa de Marlborough, a qual se vira frustrada no seu desejo de contratar Wren. Lady Sarah apontou críticas a Vanbrugh a todos os níveis, desde o desenho ao gosto. Em parte os seus problemas apareceram daquilo que pedia do arquitecto. A nação (assumido então, por arquitecto e proprietários, que iria pagar as contas) queria um monumento, mas a Duquesa não queria apenas um adequado tributo ao seu marido mas também uma residência confortável, dois requisitos que não eram compatíveis na arquitetura do século XVIII. Finalmente, nos primeiros dias da construção o Duque estava frequentemente longe nas suas campanhas militares, e foram deixadas à Duquesa as negociações com Vanbrugh. Mais conhecedora que o seu marido do precário estado das ajudas financeiras que recebiam, tentou conter as ideias grandiosas de Vanbrugh, com modos arrogantes (como era sua vontade), em vez de explicar as suas verdadeiras razões por trás da sua frugalidade.
thumb|right|300px|Fachada Oeste do Palácio de Blenheim, mostrando os severos belvederes de pedra ornamentando a linha do horizonte.
Como consequência da sua altercação final, Vanbrugh foi banido do local. Em 1719, enquanto a Duquesa estava longe, Vanbrugh observou o palácio em segredo. De qualquer forma, quando ele e a sua esposa, com o Conde de Carlisle, visitou Blenheim completo em 1725, foi recusada a sua admissão, mesmo de entrar no parque. O palácio foi completado por Nicholas Hawksmoor, seu amigo e arquitecto associado.
O barroco severo e compacto de Vanbrugh usado em Blenheim nunca captou realmente a imaginação pública, e foi rapidamente substituído pelo revivalista estilo Palladiano. A reputação de Vanbrugh foi irreparavelmente afetada, e ele não recebeu mais grandes comissões públicas. Para o seu desenho final, no Seaton Delaval Hall, ele usou uma versão refinada do barroco empregue em Blenheim, o qual foi saudado como a sua obra-prima. Ele morreu pouco antes da sua conclusão.
Financiando a construção A precisa responsabilidade para o financiamento do novo palácio sempre tem sido objeto de debate, sem resolução até aos dias de hoje. Que uma poderosa nação liderada pela sua Rainha tencionou dar ao seu herói nacional uma residência apropriada não há dúvida, mas o tamanho exato e natureza dessa casa é questionável. Uma autorização datada de 1705 e assinada pelo tesoureiro parlamentar, Sidney Godolphin, 1º Conde de Godolphin, nomeava Vanbrugh como arquitecto, e descrevia a sua remessa. Desafortunadamente para os Churchill, em parte nenhuma esta autorização menciona a Rainha ou a Coroa. Este erro providenciou a cláusula de fuga para o Estado quando os custos e a luta política se agravaram. É interessante notar que o palácio como um prêmio foi debatido poucos meses depois da Batalha de Blenheim, numa época em que Marlborough ainda tinha muitas vitórias a dar ao país.
thumb|left|300px|A Grande Ponte do Palácio de Blenheim
O Duque de Marlborough contribuiu com 60.000 libras para o custo inicial quando a obra começou em 1705, as quais, suplementadas pelo Parlamento, dariam para construir uma casa monumental. O Parlamento votou fundos para a construção de Blenheim, mas as somas exatas não foram mencionadas, nem previsões para a inflação ou despesas de "orçamento estourado". Quase desde o início que os fundos foram irregulares. A Rainha Ana pagou alguns deles, mas com relutância crescente e lapsos, na sequência das suas frequentes altercações com a Duquesa. Depois do seu argumento final em 1712, todo o dinheiro do Estado cessou e o trabalho foi interrompido. Foram ainda gastas 220.000 libras e 45.000 ficaram em dívida para os trabalhadores. Os Marlboroughs foram forçados ao exílio no Continente, e só regressaram depois da morte da Rainha em 1714.
No seu regresso os Duques voltaram ao favor da Corte. O Duque, agora com 64 anos de idade, decidiu completar o projeto a suas próprias expensas. Em 1716 a obra recomeçou, mas o projeto completamente adaptado aos meios limitados do próprio Duque.
A harmonia do local de construção teve pouca duração, pois em 1717 o Duque sofreu um severo ataque, e a Duquesa tomou o controle. A Duquesa culpou inteiramente Vanbrugh pelos custos crescentes e extravagância do palácio, desenho do qual ela nunca gostara. Depois de um encontro com a Duquesa, Vanbrugh deixou o local da construção enraivecido, insistindo que os novos pedreiros, carpinteiros e pessoal, trazidos pela Duquesa, eram inferiores àqueles que ele tinha empregado. O chefe do pessoal que ele tinha patronizado, de qualquer forma, tal como Grinling Gibbons, recusou trabalhar pelos preços mais baixos pagos pelos Marlboroughs. O pessoal trazido pela Duquesa, sob a orientação do fabricante de mobiliário James Moore, e o arquitecto assistente de Vanbrugh, Hawksmoor, completaram o trabalho em perfeita imitação do maior mestre. Houve, pois, culpa e intransigência de ambos os lados neste conhecido argumento.