Synapsida é um grupo diverso de vertebrados tetrápodes incluindo todos os mamíferos e seus parentes extintos. É um dos dois clados principais do grupo Amniota, o outro é o Sauropsida, mais diverso e contendo todos os répteis e, consequentemente, as aves atuais. Diferentemente dos demais amniotas, os sinapsídeos possuem uma única fenestra temporal, ou seja, a abertura na porção inferior da calvária, formando um arco ósseo atrás e sob cada órbita ocular. Esta fenestra temporal distinta se desenvolveu quando sinapsídeos e sauropsídeos divergiram, há cerca de 318 milhões de anos atrás, em meio à época do Carbonífero Pensilvânico.
Os sinapsídeos evoluíram dos répteis, conhecidos filogeneticamente como aqueles animais amniotas basais oriundos do clado Reptiolomorpha. Por tal razão, o clado ou grupo coroa Synapsida foi descrito na sistemática clássica como "répteis semelhantes a mamíferos", descendentes diretos dos terapsídeos, por sua vez descendentes da família Sphenacodontia do grado Pelycosauria. Muitas linhagens destes pelicossauros não-terapsídeos foram substituídas pelos sinapsídeos durante a extinção em massa conhecida como Extinção de Olson, há cerca de 273 milhões de anos, entre as épocas do Cisuraliano e do Guadalupiano do período Permiano.
Esta terminologia parafilética caiu em desuso e só (ou sequer) é utilizada informalmente na literatura contemporânea, pois todos os répteis que existem estão mais relacionados entre si e as aves do que com os sinapsídeos. A palavra "réptil" foi portanto ressignificada para incluir o clado Sauropsida ou apenas um de seus sub-grupos. Em sentido cladístico, os sinapsídeos são um grupo-irmão dos sauropsídeos, ao invés de uma de suas linhagens, sendo agora referidos como mamíferos primitivos (stem-mammals), proto-mamíferos, para-mamíferos ou pan-mamíferos.
Os sinapsídeos foram os maiores vertebrados terrestres durante o período Permiano, comparáveis apenas a alguns para-répteis como o Scutosaurus do clado Pareiasauria, além de serem os superpredadores do período Permiano ao Triássico, entre o fim da eraPaleozóica e o início da Mesozóica. A extinção em massa da idade Capitaniana reduziu severamente suas populações; Dicynodontia e Theriodontia são os únicos grupos terapsídeos conhecidos a terem sobrevivido e se recuperado durante a era Mesozóica como organismos pioneiros, e os Lystrosaurus chegaram a compor 95% de todas as espécies terrestres antes da extinção em massa da idade Olenequiana conhecida como evento-limite Smithiano–Spathiano. A partir daí ocorre a ascensão dos sauropsídeos arcossauros, primeiro do clado Pseudoshuchia e logo Pterossauromorpha e Dinosauria. Os únicos sinapsídeos a sobreviver além do Triássico estavam no grupo Probainognathia, dentro do grupo Cynodontia que inclui os mamíferos. Atravessando o período Jurássico, tornaram-se majoritariamente notívagos para evitar competição com os dinossauros. Finalmente, com a extinção do Extinção do Cretáceo-Paleogeno que erradicou todos os dinossauros não-aviários e os pterossauros e o início da era Cenozóica, os sinapsídeos mais uma vez reemergiram, desta vez como mamíferos.
nenhum|miniaturadaimagem|Lystrosaurus georgi, um dos sinapsídeos (e dos animais terrestres em geral) mais bem sucedidos. nenhum|miniaturadaimagem|Lystrosaurus murrayi
Etimologia thumb|250px|esquerda|Crânio de sinapsídeoSynapsida, do grego: συν-, syn-, lit. 'junto' + ἁψίς, apsís, lit.'arco', ou seja, συναψίδης, synapsídes, "possuindo um arco fusionado".
O termo, como já visto, designa a anatomia craniana do clado, e funciona como sinônimo de Theropsida (não confundir com Therapsida), do grego: "cara-de-besta".
História evolutiva Archaeothyris e Clepsydrops são conhecidos como os mais antigos sinápsidas. Eles viveram no Pennsylvaniano subperíodo do período Carbonífero e pertencia à série de sinápsidas primitivos que são convencionalmente agrupados como "pelicossauros". Os pelicossauros foram o primeiro grupo de amniotas bem sucedidos, espalhando e diversificando-se até que se tornaram os animais terrestres dominantes no fim do Carbonífero e Permiano recente. Eles foram corpulentos, de sangue frio e tinha cérebros pequenos. Eles foram os maiores animais terrestres de seu tempo, que chegavam até aos 3 metros (10 pés) de comprimento. Muitos, como o dimetrodonte, tinha grandes velas que podem ter ajudado a aumentar sua temperatura corporal. Alguns grupos de "pelicossauros" duraram até o final do Permiano, mas a maior parte dos pelicossauros se tornou extinta antes do fim do Permiano.
Sphenacodon era um "pelicossauro" carnívoro que estava intimamente relacionado com o Dimetrodonte e terápsidas.
Os terápsidas, um grupo de sinápsidas mais avançado, apareceu durante a primeira metade do Permiano e passaram a se tornar os animais terrestres dominantes. Eles tinham dominado o mundo por duas vezes: uma vez no Permiano e uma vez no Cenozoico, a época atual. Eles foram, de longe, os mais diversos e abundantes animais terrestres do Permiano Inferior e Médio, incluíam herbívoros e carnívoros, indo de pequenos animais do tamanho de um rato (por exemplo: Robertia), a volumosos grandes herbívoros de uma tonelada ou mais em peso (por exemplo: Moschops). Após muitos milhões de anos, estes animais foram bem sucedidos, mas todos foram aniquilados na extinção do Permiano-Triássico há cerca de 250 milhões de anos, a maior extinção que houve na história da Terra, que pode ter sido relacionada com as "Trapps Siberianos" num evento vulcânico de grandes proporções.
Apenas alguns terápsidas (e alguns "pelicossauros") sobreviveram à extinção do Permiano e passaram a ser bem sucedidos no início do Triássico; eles incluem Lystrosaurus e o cinognato, o último dos quais apareceu mais tarde, no início da era Triássica. Agora, porém, eles foram acompanhados do início por arcossauros (anteriormente conhecido como tecodontes, termo que não é mais utilizado nas classificações contemporâneas). Alguns destes, como Euparkeria, foram pequenos e leves, enquanto outras, como o eritrossuco, eram tão grande quanto ou maior do que o maior terápsida.
Terápsidas do Triássico incluíam três grupos especializados, conhecidos como os herbívoros dicinodontes (tais como Lystrosaurus e seus descendentes (Kannemeyeriidae), continham algumas espécies que atingiram grandes dimensões (até uma tonelada ou mais). Um cada vez maior número de carnívoros, herbívoros, insetívoros cinodontes. Por último, houve os Therocephalia, que duraram apenas na período inicial do Triássico.
Ao contrário dos dicinodontes, que se mantiveram grandes, os cinodontes tornaram-se progressivamente menores e mais parecidos com mamíferos durante sua evolução no Triássico. Desde os mais avançados e minúsculos cinodontes, que eram apenas do tamanho de uma rato, veio o primeiro mamífero precursor, durante o Carniano, no Triássico Inferior, há cerca de 220 milhões de anos. miniaturadaimagem|Diversidade dos mamíferos, único grupo restante de sinapsídeos. Durante o início de sucessão evolutiva terápsida de cinodonte a eucinodonte para mamífero, o principal osso maxilar inferior, o dentário, substituiu os adjacentes ossos. Assim, o maxilar inferior apenas gradualmente se tornou um grande osso, com vários dos mais pequenos ossos maxilar migrando para o ouvido interno e permitindo uma sofisticada audição.
Seja através das alterações climáticas, mudanças na vegetação, competição ecológica, ou uma combinação de fatores, a maior parte dos restantes grandes cinodontes (pertencente à Traversodontidae) e dicinodontes (da família Kannemeyeriidae) tinha desaparecido no período Noriano, mesmo antes da extinção do Triássico-Jurássico que extinguiu a maior parte dos grandes arcossauros não dinossauros. Seus nichos foram tomadas pelos arcossauros conhecidos como dinossauros, que dominaram o ecossistema terrestre pelo resto da era Mesozoica. Os restantes sinápsidas do Mesozoico eram pequenos, e vão desde o tamanho de um rato ao tamanho de um texugo como o Repenomamus.
Durante o Jurássico e o Cretáceo, os restantes não foram cinodontes tão pequenos, tais como Tritylodon. Cresceram mais que um gato. A maior parte dos cinodontes do Jurássico e Cretáceo eram herbívoros, apesar de alguns serem carnívoros. A família Trithelodontidae apareceu pela primeira vez perto do final do Triássico. Eles eram carnívoros e persistiram até o Jurássico Médio. A outra, Tritylodontidae, apareceu pela primeira vez, ao mesmo tempo que o trithelodontes, mas eles eram herbívoros. Este grupo foi extinto no fim do Cretáceo. Pensa-se que os dicinodontes se extinguiram perto do fim do período Triássico, mas há indícios de que este grupo sobreviveu. Novos fósseis foram encontrados em rochas do Cretáceo no continente de Gondwana.
Atualmente existem mais de 5800 espécies de sinápsidas vivos conhecidos, incluindo espécies aquáticas (como os cetáceos, dos quais se destaca a baleia-azul, o maior animal que já existiu na terra) e voadoras (morcegos). Há ainda um grupo de mamíferos que põe ovos tal como os seus antepassados, conhecidos como monotremados. A única diferença entre mamíferos e outros sinápsidas é que somente mamíferos amamentam suas crias.
A evolução dos mamíferos Crê-se que a evolução aos mamíferos tenha sido desencadeada pela mudança a um nicho de vida noturna, um dos poucos nichos cada vez mais proeminentes que os dinossauros não dominavam. Ancestrais dos mamíferos com maiores taxas metabólicas foram capazes de manter seu corpo quente durante a noite, e tinham mais probabilidades de sobreviver.
Isto significava que consumiam alimentos (provavelmente comendo insetos) em muito maior quantidade. Para facilitar a digestão rápida, os ancestrais dos mamíferos evoluíram a mastigação e dentes especializados que auxiliavam nessa atividade. Os membros também evoluíram para se deslocar de forma ereta para frente em vez de lado para lado como nos répteis comuns, permitindo aos ancestrais dos mamíferos respirar de forma mais eficiente durante a locomoção, e também serem capazes de mudar de direção mais rapidamente, a fim de catar pequenas presas num ritmo mais rápido. Isso ajudou a tornar possível sua maior exigência metabólica. Crê-se que, em vez de correr atrás de suas presas, os ancestrais dos mamíferos adotaram a estratégia de surpreender suas presas usando suas capacidades melhoradas de locomoção, andando levemente, sem fazer ruídos.
Tendências evolutivas A evolução se deu de forma diferente em cada ser vivo, sendo que todos sofreram modificações nas suas características e na forma que elas foram herdadas ao longo do tempo por seus descendentes. Nos Synapsida não foi diferente. Pough, Janis e Heiser (2008)POUGH, F. Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 4. ed. – São Paulo: Atheneu Editora, 2008. listam uma série de tendências evolutivas apresentadas pelo grupo, as quais são destacadas abaixo.
Uma das tendências evolutivas apresentadas pelo grupo é o aumento da fenestra temporal, conferindo um maior volume da caixa craniana e da musculatura da mandíbula, consequentemente, permitindo uma maior ingestão e processamento de alimentos.
Também, nos Synapsida, há um arco que se projeta do crânio, atrás da órbita, nomeado de arco temporal inferior. Esse arco aponta a presença de um músculo masseter, originado a partir desse arco e inserido na mandíbula. Em Cynodontia, esse arco, curvado para fora, forma o arco zigomático e indica a presença do músculo masseter. Esse músculo atua na mastigação, possibilitando um maior processamento de alimentos, e na elevação da mandíbula.