O Castelo Real de Varsóvia (em polaco: Zamek Królewski) é um antigo palácio real polaco que serviu de sede ao Sejm e ao senado da Rzeczpospolita, vindo a ser também residência oficial aos Reis da Polónia. Situa-se na Plac Zamkowy (Praça do Castelo), em Varsóvia, capital da Polónia, à entrada da Cidade Velha. O castelo é um símbolo da soberania e da história polaca. As suas origens somam quase sete séculos e a sua presente estrutura evoluiu por fases desde o século XIV.
Os gabinetes pessoais do rei e os gabinetes administrativos da Corte Real da Polónia estiveram ali localizados desde o século XVI até às Partições da Polónia, organizados em volta dum pátio central. Na sua longa história, o Castelo Real foi repetidamente devastado e saqueado pelos exércitos sueco, brandemburguês, alemão e russo.
A Constituição Polaca de 3 de Maio de 1791, a primeira constituição nacional moderna codificada da Europa e a segunda mais antiga constituição nacional do mundo, foi elaborada aqui pelo Sejm de Quatro Anos. No século XIX depois do colapso da Revolta de Novembro, foi usado como centro administrativo pelo czar. Entre 1926 e o início da Segunda Guerra Mundial, o palácio foi a sede do presidente polaco Ignacy Mościcki. Depois da devastação causada pela guerra, foi reconstruído.
Actualmente é um monumento histórico e nacional, além de estar classificado como museu nacional.
História O castelo na Idade Média thumb|left|250px|Parede medieval da Curia Maior.
Em 1339, o Legado Papal em Varsóvia ouviu um caso trazido pelo Rei da Polónia, Casimiro III da Polônia, contra a alemã Ordem Teutónica. O monarca alegava que a Ordem tinha ocupado ilegalmente uma parcela de território polaco — as regiões da Pomerânia e da Cujávia. Os documentos deste caso são os primeiros testemunhos escritos da existência de Varsóvia. Nessa época, uma cidade fortificada rodeada por muralhas de terra e madeira e situada onde se ergue agora o Castelo Real era a sede de Trojden, Duque de Mazóvia (duque de 1310 a 1341).
No final do século XIII, durante o reinado do Duque Conrado II de Mazóvia (duque de 1264 a 1294), tinha sido construído o gord (castelo) de madeira e terra chamado de Curia Minor (Solar Menor). O sucessor de Trojden, o Duque Casimiro I (duque de 1341 a 1355), decidiu construir aqui o primeiro edifício em tijolo do burgo, a Turris Magna (Torre Magna).
Em meados do século XIV, foi construída a Torre do Castelo, cuja estrutura até ao primeiro andar tem sobrevidido até aos nossos dias, enquanto a Curia Maior (Solar Maior) foi erguida entre 1407 e 1410, quando a Mazóvia era governada pelo Duque Janusz I. A sua fachada, que ainda estava de pé em 1944, foi deliberadamente destruída pelos alemães, mas está atualmente reconstruída. O carácter da nova residência e o seu tamanho (47,5 m por 14,5 m) foram decisivos na mudança de estatuto do edifício, que passou a funcionar a partir de 1414 como solar do soberano.
Renascimento Quando a região da he Mazóvia foi incorporada no Reino da Polónia, em 1526, o edifício, que até então tinha sido o Castelo dos Duques da Mazóvia, tornou-se numa das residências reais. A partir de 1548, a Rainha Bona Sforza residiu ali com as suas filhas Isabella, que se tornaria Rainha da Hungria, Catarina, que se tornaria Rainha da Suécia, e Ana, mais tarde Rainha da Polónia.
Em 1556/1557 e em 1564, o Rei Sigismundo II da Polónia convocou parlamentos reais em Varsóvia, que se reuniram no castelo. Na sequência da União de Lublin (1569), pela qual a Coroa da Polónia e o Grão-Ducado da Lituânia ficaram unidos como um único país, o Castelo Real de Varsóvia foi regularmente o lugar onde se reuniu o parlamento do Estado das Duas Nações. Entre 1569 e 1572, o Rei Sigismundo II começou a fazer alterações no castelo, sendo os arquitectos Giovanni Battista di Quadro e Giacopo Pario.
A Curia Maior foi alterada para providenciar um lugar de reunião para o Parlamento, com salas destinadas à Câmara dos Deputados (Sejm - delegados da nobreza) no piso térreo (a Antiga Câmara de Deputados) e a Câmara do Senado (onde os Senadores debatiam em presença do rei) no primeiro andar. Esta foi uma das primeiras tentativas na Europa de criar um edifício que seria unicamente usado para fins parlamentares. O carácter parlamentar da Curia Maior é sublinhada pelas pinturas da fachada — o brasão de armas da Polónia, o brasão de armas da Lituânia e das várias regiões pelas quais os delegados eram eleitos. Um novo edifício em estilo renascentista, conhecido como "Casa Real", foi erguido junto da Curia Maior. O rei residia ali quando o parlamento estava em sessão.
A Era Vasa e o Dilúvio thumb|left|200px|Torre de Władysław.
As alterações seguintes ao castelo foram feitas no reinado de Sigismundo III, monarca que transferiu a residência real de Cracóvia para Varsóvia. Entre 1598 e 1619, o castelo foi ampliado. Giovanni Trevano ficou encarregado da reconstrução. Os seus planos foram, provavelmente, emendados pelo arquitecto veneziano Vincenzo Scamozzi.
Entre 1601 e 1603, Giacomo Rodondo acabou a ala norte. A partir de 1602, Paolo del Corte encontrava-se a realizar os trabalhos em pedra. Mais tarde, depois de 1614, quando Matteo Castelli tomou a liderança, foi construída a ala oeste (a partir do actual lado da Plac Zamkowy - Praça do Castelo) como gabinete dos chamceleres e marechais. A ala sul foi construída no final. Desta forma, o trabalho dos arquitectos surgiu como cinco alas assumidas como fazendo parte do maneirismo-barroco inicial. Em 1619, foi terminado o edifício da Nova Torre Real (Nova Turris Regia), também chamada de Torre de Segismundo. Esta contava com 60 metros de altura e foi colocada no meio do recém-construído lado oeste do castelo, de 90 metros de comprimento. No topo da torre, foi colocado um relógio com ponteiros dourados e face de cobre. O pináculo da nova torre tinha 13 metros de altura, apresentando protuberâncias dourados e uma bandeira de cobre no topo.
thumb|280px|Exterior da Ópera de Władysław.
No dia 29 de Outubro de 1611, na Câmara do Senador, o Czar Basílio IV da Rússia, capturado pelo hetmã Stanisław Żółkiewski, prestou homenagem ao rei polaco Sigismundo III Vasa.
O rei polaco Sigismundo III e os seus sucessores da Dinastia Vasa — Władysław IV e Jan Kazimierz — reuniram um grande número de ricas obras de arte no castelo, como produtos orientais, tapeçarias e numerosas pinturas de artistas tão famosos como Ticiano, Veronese, Jacopo e Leandro Bassano, Tintoretto, Palma il Giovane, Antonio Vassilacchi, Tommaso Dolabella, Guercino, Guido Reni, Joseph Heintz, Rembrandt, Pieter Soutman, Peter Danckerts de Rij, Peter Paul Rubens, Jan Brueghel, o Velho, Daniel Seghers e Georg Daniel Schultz, entre outros, e esculturas por Giambologna, Giovanni Francesco Susini e Adriaen de Vries. Estas esplêndidas obras de arte foram tanto destruídas como saqueadas durante as invasões da Polónia pelos suecos e alemães de Brandemburgo, no decorrer do perído da história do país que durou de 1655 a 1657 e ficou conhecido como (O Dilúvio. Os suecos e os alemães tomaram as inestimáveis pinturas, mobiliário e tapeçarias, assim como a biblioteca real, o arquivo da Coroa, numerosas esculturas, pavimentos inteiros e bandeiras reais. No castelo, montaram um hospital militar de campanha, o que contribuiu adicionalmente para a devastação dos edifício. Poucos meses depois, exércitos destruíram o resto, pilhando a maioria dos elementos de cobre e rasgando o que restava do pavimento do castelo.
Em 1628, a primeira ópera polaca - Galatea - foi encenada no castelo. O grande salão de ópera, de duplo piso e com mais de 50 metros de comprimento, que existia no castelo foi demolido pelos suecos e pelos alemães, sendo reconstruído na década de 1660 pelo rei Jan Kazimierz.
Período do Barroco tardio thumb|280px|left|O Castelo Real durante o reinado de Jan III Sobieski.
A reconstrução do castelo começou logo em 1657, sob a direcção do arquitecto italiano Izydor Affait. Devido à falta de dinheiro, o rei polaco seguinte, Michał Korybut Wiśniowiecki, não decidiu uma reconstrução radical do edifício, limitando-se apenas a fazer desaparecer as destruições. As más condições da residência obrigaram-no a mudar-se para o Castelo Ujazdów em 1669. Até 1696, quando o rei polaco seguinte, Jan III Sobieski, faleceu, não foram feitas obras sérias. Apenas limitaram os trabalhos a inspecções correntes das condições do edifício. As sessões do Parlamento continuaram a realizar-se no castelo, assim como várias ocasiões de Estado, tais como quando os Duques Hohenzollern da Prússia prestaram homenagem aos Reis da Polónia e quando o rei recebia os embaixadores de países estrangeiros.
Depois da escolha de Augustus II como rei, numa eleição em 1697, o castelo começou novamente a deteriorar-se. Um novo conflito com o rei Carlos XII da Suécia alterou significativamente o orçamento do rei. Apesar dos problemas, em 1698 Augustus II fez uma encomenda para se começar um projecto de reconstrução da residência. Em 1700, isso foi feito por Johann Friedrich Karcher, chamado do estrangeiro. No dia 25 de Maio de 1702, os suecos apoderaram-se novamente do Castelo Real de Varsóvia, montando ali um hospital com 500 camas e instalando um estábulo na Câmara de Deputados e nas salas dos ministros. Durante o cerco do exército polaco, em 1704, o castelo foi retomado. No entanto, em breve se mudou para o exército sueco. Em 1707, em virtude do tratado de paz entre Augustus II e Carlos XII da Suécia, as tropas russas aliadas entraram em Varsóvia e o Czar Pedro I da Rússia instalou-se no castelo. Depois de dois meses, as forças russas foram removidas de Varsóvia, roubando do castelo obras de arte, como por exemplo pinturas de Tommaso Dolabella, entre as quais duas com importância para os russos: A Defesa de Smolensk e o Czar Russo Basílio IV obrigado a ajoelhar-se frente ao Rei Sigismundo III da Polónia. O Salão de Ópera de Władysław foi completamente devastado e nunca mais foi restaurado.
thumb|280px|Desenho de reconstituição do Castelo Real cerca de 1700.
A resconstrução, de acordo com o projecto de Karcher, começou durante o período de 1713 a 1715. Em 1717, o Salão do Parlamento foi completamente reconstruído. Destinava-se a servir aos governadores saxões como uma galeria de coroação. Durante os anos seguintes, entre 1722 e 1723, as outras galerias do castelo foram convertidas sob a direcção do arquitecto Joachim Daniel von Jauch, a nova Câmara do Senaod foi construída e todos os equipamentos foram mudados da antiga para a nova localização, entre os quais se encontravam 60 emblemas de províncias polacas, apainelamentos e molduras. No dia 31 de Maio de 1732, um incêndio deflagrou no castelo, destruindo a elevação oeste e parte da Torre de Zygmunt e as esculturas exteriores da fachada, conhecidas como armadura.