thumb|Quinxassa vista de Brazavile, duas capitais separadas pelo rio Congo. A República Democrática do Congo possui uma economia em desenvolvimento e em transição. Seu desempenho econômico declinou drasticamente nos anos que antecederam e durante a Primeira e a Segunda Guerra do Congo, não obstante o país abrigar um vasto potencial em recursos naturais e riqueza mineral; seu produto interno bruto (PIB) nominal foi estimado em cerca de US$ 79,12 bilhões em 2025. Ao longo do período recente, as exportações da RDC expandiram-se significativamente, passando de US$ 13,3 bilhões em 2017 para US$ 28,5 bilhões em 2022. Desde 2003, a economia nacional tem registrado recuperação e crescimento gradual, mas o país permanece entre as nações mais pobres do mundo.

À época de sua independência em 1960, a República Democrática do Congo era o segundo país mais industrializado da África, superado apenas pela África do Sul, dispondo de um setor minerador próspero e de uma agricultura relativamente produtiva. Desde então, décadas de corrupção sistêmica, conflitos armados e instabilidade política prolongada comprometeram o desenvolvimento socioeconômico, situando o PIB per capita e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da RDC entre os mais baixos do mundo, classificando o país como um dos mais frágeis e integrando a lista das nações menos desenvolvidas da Organização das Nações Unidas.

Apesar desses entraves, a RDC tem implementado iniciativas de modernização estrutural; em 2016, figurou ao lado da Malásia entre as maiores taxas de evolução positiva do IDH global. Os projetos estatais compreendem o fortalecimento da infraestrutura de saúde materno-infantil,World Economic Forum: The DRC is offering pregnant women free maternity care, 14 de janeiro de 2025. a expansão da eletrificação e do abastecimento de água potável e programas de requalificação urbana e social.

Impactos econômicos dos conflitos Os conflitos armados deflagrados a partir de 1996 (Primeira e Segunda Guerra do Congo) provocaram contração drástica na produção nacional e na arrecadação estatal, elevaram a dívida externa e resultaram na morte de mais de cinco milhões de pessoas em decorrência direta dos combates, da fome e de epidemias. A subnutrição atinge cerca de dois terços da população congolesa.

A agricultura constitui a base de subsistência de grande parte da sociedade, tendo respondido por 57,9% do PIB em 1997 e empregado cerca de 66% da força de trabalho em 1996.

Embora dotada de vastas reservas geológicas, a RDC enfrentou um histórico predatório de exploração mineral, elemento central de disputas armadas locais e regionais na década de 1990. Grande parte da movimentação financeira e comercial transcorre no setor informal, não sendo captada integralmente pelos cálculos oficiais do PIB.

No relatório de 2006 da Transparência Internacional, a República Democrática do Congo foi classificada na 156.ª posição entre 163 países no Índice de Percepção de Corrupção, empatada com Bangladesh, Chade e Sudão com nota 2,0. O presidente Joseph Kabila criou a Comissão de Repressão aos Crimes Econômicos ao assumir a chefia de Estado em 2001.

As disputas armadas no país decorreram historicamente do controle sobre recursos hídricos, áreas agricultáveis e depósitos minerais estratégicos. A precariedade e a escassez de infraestrutura básica refletem-se nos índices de mortalidade: doenças transmissíveis, complicações materno-perinatais e carências nutricionais respondem por cerca de 56% do total de óbitos no país. O afluxo contínuo de refugiados e deslocados internos desde 1998 agravou o quadro de pobreza generalizada, mantendo a RDC nas posições terminais do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

História econômica thumb|Evolução do PIB per capita na RDC (1950–2018), em dólares internacionais de 2011 ajustados pela inflação thumb|450px|Evolução do PIB da RDC entre 2000 e 2008

Período pós-colonial Durante a colonização belga, a produção agrícola e extrativa dependeu amplamente de regimes de trabalho compulsório. As grandes companhias concessionárias eram de capital predominantemente belga e britânico. A década de 1950 caracterizou-se pelo aumento da renda média e pela expansão da infraestrutura hospitalar e de saúde pública na África Central, coexistindo, contudo, com profunda desigualdade social e segregação funcional: as oportunidades educacionais superiores eram praticamente inacessíveis à população nativa. No momento da independência em 1960, havia apenas 16 cidadãos congoleses com diploma universitário em uma população de cerca de 20 milhões de habitantes, e somente 3 dos 5.000 cargos técnicos da administração pública colonial eram ocupados por congoleses. A partida abrupta dos quadros coloniais belgas após a independência causou grave perda de capacidade administrativa institucional.

thumb|350px|Composição das exportações congolesas em 2006

Zaire (1965–1997) Após a Crise do Congo, o general Mobutu Sese Seko assumiu o poder, promovendo a estabilização política centralizada. No âmbito econômico, contudo, a gestão caracterizou-se pela deterioração estrutural: em 1979, o poder de compra real da população equivalia a apenas 4% do registrado em 1960. A partir de 1976, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concedeu sucessivos pacotes de empréstimos e estabilização financeira ao regime, cujos recursos foram amplamente desviados por membros da cúpula governamental.

Em relatório confidencial de 1982, o chefe da missão do FMI no país, Erwin Blumenthal, constatou: "É alarmantemente claro que o sistema corrupto no Zaire, com todas as suas manifestações nefastas, sua má gestão e fraude, destruirá todos os esforços de instituições internacionais, governos amigos e bancos comerciais voltados à recuperação econômica do país".

Blumenthal ressaltou a inviabilidade de recuperação dos créditos pelos credores externos, enquanto programas de ajuste estrutural associados ao endividamento impuseram cortes severos nos investimentos em saúde, educação e infraestrutura viária.

Década de 1990 A precariedade da infraestrutura, a indefinição dos marcos regulatórios, a corrupção administrativa e a falta de transparência orçamentária constituíram barreiras crônicas ao investimento produtivo. No início dos anos 1990, missões do FMI e do Banco Mundial tentaram articular planos de estabilização macroeconômica, frustrados pela ausência de reformas estruturais pelo governo de Mobutu.

Diante da desvalorização cambial descontrolada e da hiperinflação, o governo proibiu em janeiro de 1999 o uso do dólar norte-americano em transações comerciais domésticas (medida posteriormente flexibilizada). Sem reservas internacionais suficientes para lastrear operações externas, o Banco Central recorreu à emissão monetária para cobrir o déficit público. No ano 2000, o país registrou retração econômica decorrente do colapso no valor das exportações e da instabilidade política pós-golpe.

Século XXI O crescimento econômico da RDC desacelerou do patamar pré-pandemia de 4,4% em 2019 para cerca de 0,8% em 2020. A atividade foi sustentada pela resiliência do setor extrativo mineral que, impulsionado pela demanda da China, expandiu-se em 6,9% em 2020 (contra 1% em 2019). Em contrapartida, os setores não mineradores recuaram 1,6% em razão de medidas de restrição sanitária, interrupção de cadeias logísticas e compressão fiscal.

Zonas econômicas especiais O governo delineou a criação de zonas econômicas especiais (ZEE) para atrair investimentos industriais e fomentar a manufatura local. O primeiro polo foi planejado em N'Sele (município de Quinxassa), voltado à agroindústria, seguido por projetos direcionados ao setor mineral (Catanga) e à indústria cimenteira (Congo Central). Le "paradis" où le droit fera la loi, L'Echo, novembro de 2010. O programa estruturou-se em três etapas: a Fase I compreendeu o estudo de viabilidade, o marco regulatório e a análise de demanda de mercado; a Fase II estabeleceu as diretrizes de atração de capital externo, planejamento territorial e avaliação de impacto ambiental; e a Fase III integrou mecanismos de estruturação de concessões competitivas com apoio técnico do Banco Mundial.

Produto Interno Bruto (PIB) PIB (nominal)

Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

PIB per capita (nominal)

Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

Consequências econômicas da instabilidade A continuidade dos conflitos armados provocou queda acentuada na arrecadação tributária e ampliação do endividamento externo. Redes ilegais e grupos paramilitares articularam esquemas de contrabando de recursos de alto valor agregado (como Coltan, cassiterita, ouro e diamante), operando monopólios ilícitos baseados em trabalho forçado e recrutamento compulsório de menores. Parques nacionais e reservas ecológicas sofreram invasões predatórias para exploração mineral clandestina e caça ilegal de espécies ameaçadas.

A RDC figura historicamente entre as menores pontuações globais nos relatórios de liberdade econômica da Fundação Heritage. Barreiras burocráticas e regulatórias — incluindo exigências de capital social inicial equivalentes a múltiplos da renda anual per capita — dificultam a formalização de novos empreendimentos, forçando a população a atuar no mercado informal ou em esquemas corporativos oligopolizados.

Relações econômicas internacionais thumb|Pauta de exportações de produtos da República Democrática do Congo (2019)

Estatísticas de comércio exterior Ano Exportações de bens(em bilhões de US$) Importações de bens(em bilhões de US$) Saldo comercial(em bilhões de US$) 2023 US$ 29,6 US$ 28,0 US$ 1,6 2022 US$ 28,7 US$ 26,7 US$ 2,0 2021 US$ 22,2 US$ 18,3 US$ 3,9 2020 US$ 13,8 US$ 11,9 US$ 1,9 2015 US$ 10,3 US$ 10,6 US$ −0,3 2010 US$ 8,5 US$ 8,0 US$ 0,4 2005 US$ 2,4 US$ 2,7 US$ −0,3

Banco Mundial Por intermédio da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), o Banco Mundial financiou programas de restabelecimento de serviços sociais básicos na RDC, abrangendo a expansão do atendimento médico primário a 15 milhões de habitantes e a distribuição de mosquiteiros para contenção da malária. No âmbito do Programa de Desmobilização e Reintegração de Emergência, mais de 107.000 combatentes adultos e 34.000 crianças-soldado foram desmobilizados. Obras viárias reduziram o tempo de transporte entre Lubumbashi e Kasomeno (Catanga) de sete dias para duas horas, reduzindo o custo de frete de bens essenciais em 60%. Projetos conjuntos com o IFC, o banco estatal alemão KfW e a União Europeia simplificaram o tempo de abertura de empresas em 51%, a concessão de alvarás de construção em 54% e reduziram a quantidade de tributos corporativos de 118 para 30.

Fundo Monetário Internacional Em 2015, o FMI reabriu negociações para uma linha de crédito de US$ 1 bilhão com a RDC, após dois anos de suspensão provocados pela recusa estatal em divulgar cláusulas de concessão de minas públicas negociadas com o consórcio do investidor Dan Gertler. O financiamento visava estabilizar as contas governamentais em meio às despesas logísticas das eleições presidenciais de 2016 em um território de dimensões continentais dotado de malha rodoviária pavimentada inferior a 3.000 km.

Setores econômicos Agricultura

A agricultura representa o principal sustentáculo socioeconômico da população. As culturas comerciais de exportação compreendem o café, óleo de palma, borracha natural, algodão, cana-de-açúcar, chá e cacau. As principais culturas de subsistência alimentar incluem a mandioca, banana-da-terra, milho, amendoim e arroz.

Em 2018, a República Democrática do Congo produziu: 29,9 milhões de toneladas de mandioca (3.º maior produtor mundial, superado apenas por Nigéria e Tailândia); 4,7 milhões de toneladas de banana-da-terra (maior produtor mundial); 2,0 milhões de toneladas de milho; 1,1 milhão de toneladas de óleo de palma; 990 mil toneladas de arroz; 384 mil toneladas de batata-doce; 309 mil toneladas de banana; 307 mil toneladas de amendoim;