Eirunepé é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Microrregião de Juruá e Mesorregião do Sudoeste Amazonense, localiza-se a sudoeste da capital do estado, distando desta cerca de 1 160 km. Ocupa uma área de 14.966,242 km², sendo que 5,70 km² estão em perímetro urbano, e sua população é de 33.170 habitantes de acordo com dados do censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo então o décimo sétimo mais populoso do estado e o primeiro de sua microrregião. Eirunepé é também um centro sub-regional do Amazonas.
Na vegetação do município predomina o bioma amazônico. Sua taxa de urbanização em 2010 era de 72,32%. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,563, considerado médio em relação ao estado. Situada em uma área de Floresta Amazônica, não há, em Eirunepé, acesso a outras cidades por meio de rodovias, existindo, como meio de ligação à capital ou a municípios vizinhos, apenas transportes fluvial e aéreo.
O povoamento da região de Eirunepé deu-se no início do século XIX, com a chegada de nordestinos. O desenvolvimento do município ocorreu durante um grande período dado pelo Ciclo da Borracha, que envolvia tanto o Amazonas como o Acre. Nesta época ocorreu ainda uma miscigenação da população, com traços do mestiço nordestino com índios Kulinaã, sendo que houve também influência de povos vindos de outras regiões do mundo, como turcos, portugueses, espanhóis e vários outros.
Na área cultural, destaca-se principalmente pelo turismo, existindo diversos atrativos, como igrejas e praças, além de suas praias de água doce, ilhas, igarapés e lagos que formam a geografia municipal. Nota-se também a realização de eventos culturais e tradicionais, como a Festa do Açaí, o Festival Folclórico e a Festa de São Francisco de Assis, padroeiro municipal.
Etimologia
O município surgiu com o nome de São Filipe do Rio Juruá, em 1894. A vila de São Filipe passou a denominar-se João Pessoa em consequência do Ato 317 de 5 de março de 1931, através de um pedido feito em 1930 pelo primeiro prefeito, capitão Moisés de Araújo Coriolando, após eleito. Em 31 de dezembro de 1943, através do Decreto-Lei Estadual 1.186, o município e o distrito-sede passaram a denominar-se Eirunepé. O nome "Eirunepé" vem da língua tupi, significando "caminho do mel preto", através da junção de eíra (mel), un (preto, escuro) e (a)pé (caminho, estrada).NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
História
Primórdios Em meados do século XIX, vários migrantes nordestinos, sobretudo cearenses, rio-grandenses do norte e paraibanos, chegaram à região do rio Juruá e fixaram residência nos seringais, dando origem às primeiras vilas remotas existentes na região. Estes fugiam da seca na Região Nordeste brasileira, além de serem atraídos pela extração do látex, que movimentava a economia do Amazonas à época, o auge brasileiro. Foi nesse contexto histórico que se iniciou o povoamento do município de Eirunepé e vizinhos.
Homens nordestinos, trazidos por Filipe Manuel da Cunha, foram os primeiros habitantes da região após os nativos. Muitos tinham como destino trabalhar nos seringais do Sudoeste do Amazonas e no Acre. Estes casavam-se com mulheres indígenas da tribo Kulinaã, dando origem aos caboclos, - mestiços amazônidas. Os vários casamentos realizados entre os nordestinos que chegavam, e as mulheres índias kulinaãs, dividia a opinião da tribo. Isso fez com que os índios que aceitassem o envolvimento destes com os ditos homens brancos fossem chamados de Kulinas, enquanto aqueles que não aceitavam foram denominados Kanamari. thumb|esquerda|Casa de caboclo na beira do rio. esquerda|thumb|Extração de látex de uma seringueira.
Nas primeiras décadas do século XX, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), muitos povos de vários países fugindo da guerra procuravam outros lugares para reiniciar a vida. Ao chegarem ao Brasil, muitos eram atraídos pela borracha, principal riqueza da época, e procuravam o interior para se dedicarem ao cultivo agrícola e ao cultivo do látex.Hoover, Herbert, Ordeal of Woodrow Wilson, 1918, página 47.
Com o declínio da borracha, muitas famílias buscaram trabalhos em grandes centros urbanos, principalmente Manaus, Belém, Rio Branco, Tefé, Tabatinga e Eirunepé. Entretanto, muitos permaneceram nas regiões rurais e ribeirinhas vivendo da baixa valorização da borracha e da agricultura. A população, fortemente miscigenada, com traços do branco nordestino com índios Kulinaã, teve também influência de povos vindos de outras regiões, como turcos, portugueses e outros. A partir de então, registra-se uma cultura bastante diversificada, com hábitos e costumes próprios.
A cidade de Eirunepé, outrora São Filipe do Juruá, situa-se à margem esquerda do rio Juruá, próximo a foz do rio Tarauacá, este situado à margem oposta. O local em que foi erguida, era anteriormente a sede do grande seringal Eiru, de propriedade de Filipe Manuel da Cunha, rico seringalista do Rio Juruá. A sede de São Filipe desenvolveu-se consideravelmente na época em que o preço da borracha passou por uma grande valorização no mercado mundial.
Ciclo da borracha O ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social de Eirunepé, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha. Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso às cidades de Manaus, Rio Branco Belém e até hoje maiores centros e capitais de seus estados, Amazonas, Acre e Pará, respectivamente. No mesmo período foi criado o Território Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia por meio de uma compra por 2 milhões de libras esterlinas em 1903. O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Foi descoberto um grande potencial nas vilas sobre o Juruá, inclusive Eirunepé, daí como vários trabalhadores migravam para a região do Juruá foram formando vilas que se desmembraram de Eirunepé e viraram cidades como Envira e Ipixuna, que hoje são seus principais parceiros, já que a cidade chegou a ser um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial com aproximadamente 215.000 quilômetros quadrados.
Formação administrativa O seringal Eiru assumiu aspecto de povoado, através da forte influência do Ciclo da Borracha. Com o acontecimento, o proprietário interessou-se por transformá-la em vila, a fim de chamar autoridades para residir naquela região longínqua. Não tardou muito, Filipe Manuel da Cunha entrou em entendimento com o governo e conseguiu que fosse acrescentado no artigo nº 69, da Lei nº 33 de 4 de novembro de 1892, mais um município, que foi denominado de São Filipe do Rio Juruá. Esta lei, porém, não foi posta em execução.
A Lei nº 76, de 8 de setembro de 1894, criou no Rio Juruá um município com respectivo Termo Judiciário anexo à Comarca de Tefé, com sede em São Filipe. A Lei nº 114 de 17 de abril de 1895, transferiu a sede do município do lugar de São Filipe para Carauari. Feita a revisão dos limites dos municípios do estado, pelo Decreto nº 122, de 7 de agosto de 1896, a sede do município de Carauari ficou incluída no território de Tefé, dando resultado ao Decreto nº 125, de 11 de agosto de 1896, transferindo a sede do município de Carauari novamente para o lugar de São Filipe. Automaticamente, o Dr. Jorge Augusto Studart, juiz de direito, julgou transferida a sede da Comarca e, se passando para a nova localidade, ali foi instalada a Comarca em 21 de setembro de 1896. Não existe nenhum ato criando a Comarca de São Filipe. Na mesma data, o primeiro superintendente Capitão Tenente Tomás Medeiros Pontes instalou a vila, que até então não fora criada. Após a Revolução Nacional (1930), o Capitão Moisés de Araújo Coriolando foi nomeado prefeito. Este solicitou, logo em seguida, a mudança do nome da vila de São Filipe para João Pessoa, através do Ato nº 317, de 5 de março de 1931.
Pela Lei nº 14 de 6 de setembro de 1935, a vila foi elevada à categoria de Cidade, tendo sido instalada na gestão do prefeito João Pinto Conrado Gomes. Em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto-Lei Estadual nº 1.186, o município e o distrito sede passam a denominar-se Eirunepé. Em 19 de dezembro de 1955, pela Lei Estadual n° 96, parte de seu território é desmembrado para constituir dois novos municípios, que atualmente são chamados de Envira e Ipixuna.
História recente O município cresceu gradativamente e tornou-se uns dos principais municípios do sudoeste do Amazonas, juntamente com Tabatinga e Fonte Boa. São os principais pólos dessa região. A atual população de Eirunepé, bem como da região do Juruá, é formada principalmente pelo elemento caboclo, mescla do indígena e dos nordestinos que vieram à região em grande número no início do século XX para a extração da borracha. Também é forte na região a presença de imigrantes. Mais recentemente, a região também tem recebido imigrantes peruanos, que têm intensivado e passado alguns de seus costumes.
Acidente que marcou a história Na manhã de 12 de junho de 1982, o avião Fairchild Hiller FH-227 da TABA, prefixo PT-LBV, decolou às 5h30min do aeroporto de Eirunepé. A aeronave transportava 40 passageiros e quatro tripulantes e tinha como destino Manaus, com escalas previstas em Tabatinga, Coari e Tefé. Após 30 minutos de voo, a tripulação recebeu boletim meteorológico da estação-rádio de Tabatinga, que informava que devido ao denso nevoeiro, o aeroporto local estava operando apenas com instrumentos. Com isso, a tripulação decidiu realizar a aproximação e o pouso através de instrumentos. Pouco tempo depois, o radiofarol de Tabatinga saiu do ar repentinamente, obrigando a tripulação do turboélice da TABA a realizar pouso através de referências visuais. O mau tempo, porém, impediu a visualização da cidade de Tabatinga, enquanto que o combustível se esgotava.
Durante uma tentativa de pouso, a tripulação usou o rio como referência. Voando baixo para tentar avistar a cabeceira da pista, o avião se chocou com a torre do radiofarol do aeroporto as 6h05min, que se encontrava encoberta pelo nevoeiro, indo cair no estacionamento. O impacto com o solo causou uma explosão forte que matou todos os 44 ocupantes da aeronave e espalhou destroços numa área de 500 metros. Por conta de um blecaute na cidade de Tabatinga, as notícias sobre o acidente chegaram a Manaus várias horas depois. Por conta de problemas de comunicação, a TABA chegou a comunicar aos parentes que havia sobreviventes. A informação só foi desmentida horas mais tarde pela FAB, que enviou a Tabatinga uma equipe de investigação e legistas para identificação e liberação dos corpos. Entre os passageiros mortos estavam Expedito Barroso Alencar, prefeito de Eirunepé, e o renomado gerente da antiga CELETRA AMAZON, Raimundo Paulo Araújo da Costa, responsável pelo abastecimento da rede elétrica do município de Eirunepé e também por outros municípios do baixo Juruá; os mesmos viajavam para participar da convenção regional do PDS.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 14.966,242 km², sendo que 5,70 km² constituem a zona urbana e os km² restantes constituem a zona rural. Situa-se a 06º39′36” de latitude sul e 69º52′26” de longitude oeste e está a uma distância de 1 159,7 quilômetros a sudoeste da capital amazonense. Seus municípios limítrofes são Itamarati e Envira ao leste; Tarauacá (AC) e Ipixuna ao sul; Benjamin Constant e Jutaí ao oeste.
thumb|right|Ponte sobre o rio Tarauacá, que desagua em território eirunepeense.