O Anel de Giges (, Gýgou Daktýlios; pron. em grego ático: /ˈɡyːˌɡoː dakˈtylios/) é um artefato mítico e mágico mencionado por Platão, no segundo livro de A República (2:359a–2:360d). O objeto concede ao seu detentor o poder de se tornar invisível. Por intermédio da metáfora do anel, Sócrates questiona se uma pessoa racional, inteligente e que não precisasse temer consequências negativas por cometer uma injustiça, ainda assim agiria com justiça. No diálogo, Glaucon (irmão de Platão) discorda de Sócrates e insiste que justiça e virtude não são de fato desejáveis em si mesmas: o importante é aparentar ser um homem virtuoso e justo.

Mitologia miniaturadaimagem|O Anel de Giges, Anônimo da escola de Ferrara, século XVI. Giges da Lídia foi um rei histórico, fundador da dinastia mermnada de reis lídios. Variadas obras clássicas — a mais conhecida sendo Histórias de Heródoto — proveram diferentes relatos das circunstâncias que propiciaram a sua ascensão ao poder. Na narrativa do mito por Glaucon, é um ancestral anônimo de Giges que o protagoniza.A República 359d: . Na República, décimo livro (A República 612b), Sócrates refere-se ao anel como "o anel de Giges" (). Por esta razão, a história é simplesmente intitulada "O Anel de Giges".

A República

Glaucon postula a Sócrates:

Influência cultural

Cícero recorda a história de Giges em De Officiis para ilustrar sua tese de que um sábio ou bom indivíduo baseia as suas decisões no medo da degradação moral ao invés do medo da punição ou consequências negativas. Cícero segue com uma discussão a respeito do papel dos experimentos mentais na filosofia. A situação hipotética em questão é a completa imunidade à punição para o conseguido por Giges através de seu anel.

O Um Anel — presente em O Hobbit e O Senhor dos Anéis, de John Tolkien — concede invisibilidade ao usuário ao mesmo tempo em que o corrompe. Embora haja especulação de que Tolkien foi influenciado pela história de Platão, uma pesquisa por "Giges" e "Platão" em suas cartas e biografia não provê evidência para tal. Ao contrário do anel de Platão, o de Tolkien exerce uma ativa força malévola que necessariamente destrói a moralidade do portador.

O Homem Invisível, de Herbert George Wells, tem como base uma releitura do conto do anel de Giges.

Ver também Interpretações alegóricas de Platão

Ligações externas

"Nova interpretação da passagem 359d da República de Platão" por Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes The Republic: Book II, traduzido por Benjamin Jowett The Ring of Gyges por Bernard Suzanne Glaukon's Challenge (Republic 2) por Cathal Woods

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