Irupi é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na região do Caparaó, no sul capixaba, estando situado a 191 km a oeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que 6,75 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2026.

História

thumb|esquerda|Igreja Matriz de São João Batista em Irupi O município de Irupi está localizado no Sul Estado do Espírito Santo, região do Caparaó. Limita-se ao norte com o município de Ibatiba, ao sul, leste e oeste com o município de Iúna. Além da sede, com altitude de 730 metros, é compreendido pelo distrito de Santa Cruz.

Desenvolveu-se com o cultivo do café, que era transportado por carros de boi e tropas de burro. O território que hoje constituí o município de Irupi pertencia, inicialmente ao município de Vitória. Com a criação do distrito de Viana, foi anexado a ele e nele permaneceu, após a sua elevação à categoria de município como território do distrito de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo, criado pela lei nº 10, em 14 de junho de 1859. Todo o território do distrito de Rio Pardo foi anexado ao município de Cachoeiro de Itapemirim, em 1867.

O município de Rio Pardo foi criado em 1890, quando da promulgação da primeira Constituição Republicana do Estado do Espírito Santo, sendo dividido em três distrito. A sede, o distrito de São Manoel do Mutum e o distrito de Santa Cruz.

Com trânsito de pedestre, tropas e carros de boi, na segunda metade do século passado, a então Fazenda da Cachoeirinha, de propriedade de Hydário Tomaz, foi se transformando num pequeno arraial, com cemitério capela dedicada a São João Batista e pequenos comércios, até que desapareceu seu primitivo nome e ficou conhecida como "Cachoeirinha do Rio Pardo", por ficar às margens de um dos afluentes desse rio.

Com o progresso da pequena Vila de Cachoeirinha do Rio Pardo e a estagnação da Vila de Santa Cruz, a sede do distrito foi transferida para esta.

O Distrito foi criado com a denominação de Cachoeira, pelo ato municipal de 28 de dezembro de 1903. Em divisão datada do ano de 1911, o distrito de Cachoeirinha do Rio Pardo já figurou no município do Rio Pardo resistindo às divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.

Pelo Decreto Lei Estadual nº 15177, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Cachoeirinha do Rio Pardo, passou a denominar-se Irupi, topônimo de origem indígena que tem os seguintes significados; amigo belo e águas branquinhas pequenas,  e o município de Rio Pardo passou a denominar-se Iúna.

Em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960, Irupi permaneceu distrito de Iúna, assim ficou até a divisão territorial de 18 de agosto de 1988.

A primeira tentativa de emancipação político-administrativa que se tem notícia ocorreu em 1963 conforme processo 18000424/1963 mas a mesma se viu frustrada Arquivos da Justiça Eleitoral no Estado do Espírito Santo e a emancipação com respectivo desmembramento do município de Iúna somente aconteceu com a Lei Estadual nº 4520/91 de 15 de Janeiro de 1991 durante a gestão do Governador Max de Freitas Mauro. Permanecendo ainda por dois anos sob a gestão prefeito de Iúna, Wellington Firmino do Carmo, a instalação do município se deu em 1 de Janeiro de 1993, após sua primeira eleição direta, que elegeu para Prefeito a Mário Luiz Barbosa.

Formada por uma miscigenação de cultura, tem como, ascendente mais diretos, os Portugueses e indígenas do qual vem a atual denominação IRUPI.

O município de Irupi localiza-se a uma latitude sul de 20°, 20 e 42" e a uma longitude oeste de Greenwich de 41°, 38 e 28", possuindo uma área de 185 km², equivalente a 0,41% do território estadual.

Em divisão territorial datada de 1 de junho de 1995, o município era constituído somente de distrito sede. Pela lei nº 068/95 , de foi criado o distrito de Santa Cruz de Irupi. Anexado a 15 de julho de 1997, o município passou a ser constituído de 2 distritos: Irupi e Santa Cruz de Irupi. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2003.

Turismo Irupi faz parte do Entorno do Caparaó e seus principais atrativos são a Pedra da Tia Velha, a Pedra da Torre, a Gruta de São Quirino, a Cachoeira do Chiador e a Cachoeira de São José.

Pedra da Tia Velha: A pedra da Tia Velha fica a 12 km da sede, sendo 9 km seguindo pela rodovia e mais 3 km de trilha até o seu topo, a uma altitude em torno de 1600 metros. A caminhada até o topo proporciona momentos de admiração pela natureza e reflexões sobre a importância da preservação ambiental. No alto da pedra ainda há uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, onde anualmente diversos romeiros se reúnem no dia 12 de outubro para a tradicional caminhada até o alto da pedra.

Pedra da Torre: a cerca de 2 km do centro da cidade de Irupi, a Pedra da Torre é um belo atrativo rochoso, com cerca de 950 m de altitude, que embeleza a paisagem urbana da cidade.

Entorno do Caparaó: Irupi compõe um dos 10 municípios da região do entorno, sendo um dos pontos de melhor visibilidade do pico da Bandeira, com 2890 m.

Cachoeira do Chiador: a 18,5 km da Sede, composta por 2 poços com suas águas claras e esverdeadas, o primeiro poço é mais fundo, onde possui uma queda d'agua de 9 metros de altura, o segundo poço é um verdadeiro tobogã natural, adicionando adrenalina e energia às experiências dos mais corajosos. O ambiente é cercado pela Mata Atlântica e pedras escorregadias.

Mirante do Cruzeiro: Localizado no centro da cidade a pouco mais de 100 metros da Igreja Matriz. O mirante é um ponto importantíssimo e em datas religiosas, é palco de celebrações de missas. Além de tal importância, o ponto é uma parada obrigatória a visitantes. A Vista privilegiada contempla boa parte da cidade, as montanhas ao redor do município e até o majestoso Pico da Bandeira.

Gruta de São Quirino: Localizado no Córrego São Quirino (antigo córrego dos Machados), fica a 2 km do Centro de Irupi. A formação rochosa tem dois ambientes, um deles com mais de 8 metros de altura formando um grande salão natural, guarda-se um pouquinho da história da Guerrilha do Caparaó, datado entre 1966 e 1967. Na entrada da gruta é possível observar a o Pico da Bandeira e parte da Serra do Caparaó.

Geografia Irupi está localizado na região do Caparaó, limitando-se com Ibatiba ao norte e Iúna ao sul, leste e oeste.

Relevo O relevo é predominantemente forte ondulado a montanhoso: cerca de 54% do território tem declividade entre 20% e 45% (forte ondulado) e outros 18% ultrapassam 45% (montanhoso a escarpado). Apenas 4,8% da área municipal é plana. A altitude varia entre 647 m, na confluência dos rios Pardo e Pardinho na divisa com Iúna, e 1.986 m, na porção oeste do município, dentro da Serra do Caparaó; a sede está a 730 m. Essa topografia acidentada é a base da chamada "cafeicultura de montanha" praticada no município e implica forte restrição à mecanização agrícola em grande parte do território.

Clima Segundo a classificação de Köppen-Geiger, o clima é do tipo Cwb (temperado quente, com estação seca no inverno). A precipitação média anual gira em torno de 1.500 a 1.600 mm, concentrada entre outubro e abril (cerca de 89% do total anual); a temperatura média anual é de 19,6 °C, com médias mensais entre 16,1 °C (julho) e 22,5 °C (fevereiro).

Hidrografia O município está inserido na Bacia hidrográfica do rio Itapemirim, cuja área de drenagem total é estimada pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) entre aproximadamente 5.950 e 6.200 km², abrangendo 17 municípios capixabas e uma pequena porção de Lajinha (MG)Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). «CBH Itapemirim». Consultado em 9 de setembro de 2026.. Em Irupi, a rede hidrográfica é formada por diversos córregos, que dão nome a boa parte das comunidades rurais, destacando-se pela maior vazão os rios Pardinho e Santa Clara. O Pardinho deságua no rio Pardo, já no município de Iúna, e o Santa Clara no rio Braço Norte Direito, em Ibitirama; ambos contribuem para a bacia do Itapemirim.

Geologia O substrato geológico do município é composto principalmente por diorito, granito, granodiorito e paragnaisse.

Solos Com base no mapeamento pedológico do Espírito Santo (Cunha et al., 2016), o território de Irupi é dividido em seis unidades de mapeamento, formadas essencialmente por quatro classes de solo. A classe predominante é o Cambissolo Háplico Tb Distrófico típico (CXbd), que ocupa cerca de 73% do território; trata-se de um solo de pedogênese pouco avançada, geralmente associado a relevo declivoso, com limitações de profundidade e fertilidade. Em segundo lugar, ocupando cerca de 21% da área municipal, está o Latossolo Amarelo Distrófico típico (LAd), solo profundo e bem drenado, pouco suscetível à erosão e sem impedimento à mecanização. O Neossolo Litólico Distrófico (RLd), solo raso associado a relevo muito declivoso e com fortes restrições de uso, ocupa cerca de 3,5% do território. Por fim, o Cambissolo Húmico Alumínico típico (CHa), com cerca de 2% de ocupação, é encontrado na porção oeste do município, acima de 1.300 m de altitude, dentro do Parque Nacional do Caparaó, sendo destinado exclusivamente à preservação.

Os solos do município apresentam, de forma geral, baixa fertilidade natural (deficiência pronunciada de fósforo, potássio, cálcio e magnésio) e acidez elevada em subsuperfície, o que exige correção via calagem e adubação para viabilizar o uso agrícola intensivo.

Vegetação e uso e cobertura da terra O território de Irupi está inteiramente inserido no bioma Mata Atlântica. Um levantamento por sensoriamento remoto (imagens Landsat 5 e Sentinel-2, com acurácia de classificação de 92,6% e 93,9%) mapeou a seguinte distribuição do uso e cobertura da terra entre 2008 e 2020: Classe20082020Lavoura (predominantemente café)52,0%56,3%Vegetação nativa18,4%17,6%Pastagem23,1%17,5%Reflorestamento (eucalipto)2,1%3,5%Afloramento rochoso2,8%2,9%Área edificada1,3%1,5%Solo exposto0,3%0,6%Massa d'água—0,1% No período, a lavoura cafeeira foi a classe que mais se expandiu (+4,3 pontos percentuais), avançando principalmente sobre áreas de pastagem, que registraram a maior redução (−5,6 p.p.); a vegetação nativa permaneceu praticamente estável, com supressão inferior a 1%. Um levantamento anterior, do Atlas da Mata Atlântica (IEMA, 2018), com base em imagens de 2012/2013, já indicava Irupi como o município com a maior proporção de área cultivada com café do Espírito Santo (45,6% do território) e apontava a vegetação nativa somada à macega em 18,7% do território, próximo à pastagem (18,1%). Cerca de 41% das propriedades rurais do município possuem remanescentes de mata nativa destinados a Reserva Legal ou Área de Preservação Permanente.

Áreas protegidas Uma pequena parcela do território, cerca de 3,7 km² na extremidade oeste, está inserida no Parque Nacional do Caparaó (PNC), unidade de conservação federal com 318 km² total, dividida entre Espírito Santo (79%) e Minas Gerais (21%). Aproximadamente 40% da área municipal está situada na zona de amortecimento do parque.

Aptidão agrícola das terras e erosão Um estudo aplicando o Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras (SAAT) mostrou que os principais fatores restritivos ao uso agrícola em Irupi são a baixa fertilidade natural dos solos, a alta suscetibilidade à erosão e o forte impedimento à mecanização decorrente do relevo. Cerca de 26 a 31% do território tem aptidão boa, regular ou restrita para lavoura; 51% tem aptidão restrita apenas para pastagem plantada; 15% para silvicultura e/ou pastagem natural; e 7,5% não possui aptidão agrícola, sendo destinado à preservação da fauna e da flora. O estudo constatou que cerca de 77% das terras atualmente ocupadas com lavoura estão sendo utilizadas em intensidade superior à recomendada pelo zoneamento (sobreutilização), o que intensifica os riscos de erosão e perda de sedimentos, especialmente relevante por se tratar de uma região de cabeceira de drenagem.