O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (em inglês: United States Department of Defense, DoD, USDOD ou simplesmente DOD), também referido como o Departamento de Guerra (DoW), constitui um departamento executivo do governo federal norte-americano, incumbido da coordenação e supervisão das seis forças armadas do país, o Exército, a Marinha, o Corpo de Fuzileiros Navais (Marines), a Força Aérea, a Força Espacial e, para determinados fins, a Guarda Costeira, além de diversas agências e funções correlatas. Em junho de 2025, o departamento contabilizava mais de 1,3 milhão de militares da ativa distribuídos entre os seis ramos das Forças Armadas. Acrescentam-se a esse contingente aproximadamente 766 mil membros da Guarda Nacional e da reserva, bem como mais de 776 mil civis, totalizando um corpo funcional superior a 2,86 milhões de pessoas. A sede do Departamento de Defesa localiza-se no Pentágono, no Condado de Arlington, Virgínia, nas imediações de Washington, D.C. Sua missão oficial é "prover as forças militares necessárias para dissuadir a guerra e garantir a segurança da nação".

O departamento é chefiado pelo Secretário de Defesa, autoridade de nível ministerial que responde diretamente ao Presidente dos Estados Unidos, este último atuando, conforme estabelecido na Constituição, como Comandante em chefe das Forças Armadas. Subordinam-se ao Departamento de Defesa três departamentos militares: o Departamento do Exército, o Departamento da Marinha e o Departamento da Força Aérea. Além disso, quatro importantes agências de inteligência nacionais estão sob sua jurisdição, a Agência de Inteligência de Defesa (DIA), a Agência de Segurança Nacional (NSA), a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA) e o Gabinete Nacional de Reconhecimento (NRO).

Nome O Departamento de Defesa tem origem no antigo Departamento de Guerra, existente entre 1789 e 1947, quando, em virtude da Lei de Segurança Nacional de 1947, foi dividido em Departamento do Exército e Departamento da Força Aérea, que, juntamente com o Departamento da Marinha, passaram a integrar o Estabelecimento Militar Nacional (National Military Establishment, NME). Em 1949, o NME recebeu a denominação de Departamento de Defesa. A alteração teria sido motivada, segundo alguns relatos, pela pronúncia do acrônimo NME, homófono da palavra inglesa enemy ("inimigo").

Em 5 de setembro de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva autorizando o uso de Departamento de Guerra e Secretário da Guerra como títulos secundários aos do Departamento de Defesa e Secretário de Defesa. Os termos devem ser reconhecidos pelas agências federais e são permitidos em comunicações do Poder Executivo, em contextos cerimoniais e em documentos não estatutários. Contudo, apenas uma lei aprovada pelo Congresso pode alterar de modo formal e jurídico a designação do departamento e do respectivo secretário, assim, Departamento de Defesa e Secretário de Defesa permanecem como títulos oficiais.

História Diante do recrudescimento das tensões entre as Treze Colônias e o governo britânico, uma das primeiras resoluções do Primeiro Congresso Continental, em setembro de 1774, foi recomendar que as colônias iniciassem preparativos militares defensivos. Em junho de 1775, após o início da Guerra da Independência, o Segundo Congresso Continental, reconhecendo a necessidade de um exército nacional capaz de operar além dos limites de cada colônia, organizou o Exército Continental em 14 de junho de 1775. No mesmo ano, o Congresso autorizou a criação da Marinha Continental, em 13 de outubro, e dos Fuzileiros Navais Continentais, em 10 de novembro.

Departamento de Guerra e Departamento da Marinha

Com a instalação do 1.º Congresso dos Estados Unidos, em 4 de março de 1789, a legislação destinada a instituir uma força de defesa nacional foi relegada a segundo plano, dado o foco inicial na organização do novo governo. O presidente George Washington dirigiu-se ao Congresso em duas ocasiões para relembrar a obrigação de estabelecer forças militares. Finalmente, no último dia da sessão, em 29 de setembro de 1789, o Congresso criou o Departamento de Guerra. Este órgão administrava também os assuntos navais, até que, em 1798, foi instituído o Departamento da Marinha. Os secretários de cada departamento reportavam-se diretamente ao presidente na qualidade de membros do gabinete até 1949, quando todos os departamentos militares passaram a ser subordinados ao Secretário de Defesa.

Estabelecimento Militar Nacional thumb|Presidente Truman assina a Emenda da Lei de Segurança Nacional de 1949.

Após a Segunda Guerra Mundial, o presidente Harry S. Truman propôs a criação de um departamento unificado de defesa nacional. Em mensagem especial ao Congresso, datada de 19 de dezembro de 1945, apontou os gastos militares excessivos e os conflitos interdepartamentais como justificativas. O debate legislativo prolongou-se por meses, centrando-se no papel das Forças Armadas na sociedade e no risco de conceder demasiado poder militar ao Executivo. Em 26 de julho de 1947, Truman sancionou a Lei de Segurança Nacional de 1947, que criou o Estabelecimento Militar Nacional (NME) e instituiu o Conselho de Segurança Nacional, o Conselho de Recursos de Segurança Nacional, a Força Aérea dos Estados Unidos e o Estado-Maior Conjunto. O NME ficou sob a supervisão do recém-criado cargo de Secretário de Defesa.

O Estabelecimento Militar Nacional iniciou oficialmente suas atividades em 18 de setembro, um dia após a confirmação de James V. Forrestal como primeiro Secretário de Defesa. Em 10 de agosto de 1949, o NME foi renomeado Departamento de Defesa, absorvendo os três departamentos militares de nível ministerial, por meio de emenda à legislação de 1947.

Nos termos da Lei de Reorganização do Departamento de Defesa de 1958 (Department of Defense Reorganization Act, ), os canais de autoridade interna foram racionalizados, sem prejuízo da competência ordinária dos Departamentos Militares para organizar, treinar e equipar suas forças respectivas. A lei reafirmou a autoridade decisória do Secretário de Defesa sobre esses departamentos subordinados, e definiu com maior clareza a cadeia de comando operacional das Forças Armadas, estabelecida do presidente ao Secretário de Defesa, passando pelo chefe de estado-maior do comandante combatente unificado, e deste aos próprios comandantes unificados. A legislação também criou uma autoridade centralizada de pesquisa, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, mais tarde conhecida como DARPA. Elaborada e patrocinada pelo governo Eisenhower, a lei foi sancionada em 6 de agosto de 1958.

Estrutura organizacional O secretário de Defesa, nomeado pelo presidente com a anuência do Senado, é, por força da legislação federal (), o chefe do Departamento de Defesa, "o principal assistente do Presidente em todos os assuntos relativos ao Departamento de Defesa", possuindo "autoridade, direção e controle sobre o Departamento de Defesa". Dado que a Constituição atribui toda a autoridade militar ao Congresso e ao presidente, a autoridade legal do secretário de Defesa deriva dessa competência constitucional. Como seria impraticável a participação direta e contínua do Congresso ou do presidente em todos os assuntos do departamento, o secretário de Defesa e seus subordinados exercem, em regra, a autoridade militar em seu nome.

O Departamento de Defesa é composto pelo Gabinete do Secretário de Defesa, pelo Estado-Maior Conjunto e o Estado-Maior Conjunto Executivo, pelo Gabinete do Inspetor-Geral, pelos Comandos Combatentes, pelos Departamentos Militares (Exército, Marinha e Força Aérea), pelas Agências de Defesa e Atividades Operacionais do Departamento de Defesa, pelo Bureau da Guarda Nacional, bem como por outros órgãos, agências, atividades e comandos instituídos por lei, pelo presidente ou pelo próprio secretário de Defesa. A Diretiva 5100.01 do Departamento de Defesa define as relações organizacionais no âmbito do departamento, sendo o documento basilar para a delimitação de suas funções principais. A versão mais recente, assinada pelo então secretário Robert Gates em dezembro de 2010, constituiu a primeira revisão substancial desde 1987.

Gabinete do Secretário de Defesa O Gabinete do Secretário de Defesa (Office of the Secretary of Defense, OSD) é composto pelo secretário, seus adjuntos e, predominantemente, por pessoal civil. Constitui o principal órgão de assessoramento do secretário de Defesa no desenvolvimento de políticas, planejamento, gestão de recursos, avaliação fiscal e programática, além da articulação com outros departamentos e agências do governo federal dos Estados Unidos, governos estrangeiros e organizações internacionais, tanto por canais formais quanto informais. O OSD supervisiona e administra as Agências de Defesa, as Atividades Operacionais do Departamento de Defesa e equipes funcionais especializadas de caráter transversal.

Agências de defesa O OSD é o órgão-matriz das seguintes agências de defesa:

Agências nacionais de inteligência Diversas agências de defesa integram a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos, funcionando simultaneamente sob a jurisdição do Departamento de Defesa e a autoridade do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional. Essas agências suprem as necessidades de formuladores de políticas e de planejadores militares, atuam como Agências de Apoio ao Combate e colaboram com serviços de inteligência e de aplicação da lei não vinculados ao Departamento de Defesa, como a CIA e o FBI.

Cada força armada mantém seus próprios órgãos de inteligência, que, embora distintos, são coordenados pelas agências nacionais subordinadas ao Departamento de Defesa. Este último administra as principais capacidades e recursos nacionais nas áreas de inteligência de sinais, inteligência geoespacial, inteligência de medições e assinaturas, além de construir, lançar e operar os satélites da Comunidade de Inteligência. O departamento também dispõe de um serviço próprio de inteligência humana, que colabora com a CIA, mas mantém como prioridade a coleta de informações voltadas às necessidades militares. Essas agências são diretamente supervisionadas pelo subsecretário de Defesa para Inteligência e Segurança.

Estado-Maior Conjunto

O Estado-Maior Conjunto é um colegiado de oficiais superiores que assessora o secretário de Defesa, o Conselho de Segurança Interna, o Conselho de Segurança Nacional e o presidente em questões militares. Sua composição, definida em lei, inclui o presidente do Estado-Maior Conjunto, o vice-presidente, o conselheiro militar sênior, os chefes de Estado-Maior do Exército, da Marinha, do Corpo de Fuzileiros Navais, da Força Aérea e da Força Espacial, bem como o chefe do Bureau da Guarda Nacional, todos nomeados pelo presidente com aprovação do Senado. Fora de suas funções no Estado-Maior Conjunto, cada chefe militar atua diretamente junto ao secretário do respectivo departamento, Exército, Marinha e Força Aérea.

Com a Lei Goldwater–Nichols de 1986, o Estado-Maior Conjunto deixou de deter autoridade de comando operacional, individual ou coletiva. O presidente do Estado-Maior Conjunto (CJCS) passou a ser designado como o "principal assessor militar do presidente, do Conselho de Segurança Nacional, do Conselho de Segurança Interna e do secretário de Defesa". Os demais membros só podem apresentar seus pareceres ao presidente e aos conselhos competentes por intermédio do CJCS, que, por lei, deve transmitir esses pareceres em conjunto com os seus próprios. A cadeia de comando foi formalmente estabelecida do presidente ao secretário de Defesa e deste aos comandantes dos Comandos Combatentes. A lei também criou o cargo de vice-presidente do Estado-Maior Conjunto, reforçando o papel do presidente como assessor militar principal.