A História do Equador compreende um período de cerca de nove mil anos, sendo subdividido em cinco períodos principais: Era pré-colombiana, Conquista Espanhola, Era Colonial, Independência e República. A história do Equador tem início com o estabelecimento de várias civilizações, seguidas pelo crescimento dos Incas, e estes pelos colonizadores espanhóis. Na primeira metade do século XIX, surgiram os ideais de independência da América com relação ao domínio espanhol, influenciado pelos Libertadores Simón Bolívar e José de San Martín.

Era pré-colombiana

A primeira etapa da história do Equador começa com a chegada dos primeiros povoadores indígenas que desenvolveram ao longo de 10 mil anos impressionantes civilizações donas de tecnologia e sabedoria únicas.

Povoamento da América (ca. 40.000 – 15.000 a.C.) Os últimos continentes a serem invadidos por europeus foram a América e a Oceania há 40 mil anos aproximadamente. Em relação com o povoamento de nosso continente, uma das teorias mais conhecidas é aquela que foi proposta inicialmente no ano de 1590 d.C. por José de Acosta e passou a ser aceita em 1930. Tal hipótese tornou-se aceita cientificamente entre os anos de 1928 e 1937 quando foram encontrados, em escavações arqueológicas nas proximidades da cidade de Clovis (Novo México), EUA, artefatos de mesmo tipo dos anteriormente descobertos na região da Beríngia. Atualmente é consenso entre os especialistas que durante a última glaciação a concentração de gelo nos continentes fez descer o nível dos oceanos em pelo menos 120 metros. Esta descida provocou em vários pontos do planeta o aparecimento de diversas conexões terrestres, como por exemplo Australia-Tasmania com Nova Guiné; Filipinas e Indonésia; Japão e Coreia. Um destes lugares foi a Beríngia, nome que recebe a região que divide a Ásia da América, é nesta área que ambos os continentes entraram em contacto. Devido a sua baixa profundidade (entre 30 e 50 metros) a descida do nível do mar colocou a descoberto um amplo território que alcançou km, unindo as terras da Sibéria e do Alasca, aproximadamente 40 mil anos atrás.

Outra teoria foi aquela defendida pelo antropólogo francês Paul Rivet em 1943, segundo a qual diversas tribos da Polinésia e da Malásia teriam utilizado canoas primitivas para ir de ilha em ilha rumo a leste, chegado na América do Sul. Não negava a passagem do homem pela Beringia apenas defendia que a chegada do homem na América teria ocorrido por mais de uma rota. Esta passagem teria ocorrido em dois momentos e de dois lugares diferentes. Primeiramente da Austrália 6 mil anos antes de Beríngia e da Melanesia um pouco mais tarde.

Povoamento dos Andes equatoriais (10 000 - 4000 a.C.) O primeiro período da história equatoriana se denomina Paleo-Índio. É o mais longo e o menos valorizado. O local mais antigo de povoamento no Equador fica no litoral sul, na atual província de Santa Elena e é conhecido como Las Vegas. As primeiras referências a este lugar as forneceu o arqueólogo americano Edward Lanning, em 1964, que chamou Las Vegas para uma área na qual ele identificou os restos de uma cultura no início da aparição da cerâmica. O interesse em investigar esses testemunhos motivaram o dinamarquès Olaf Holm (+) para conduzir um projeto de pesquisa liderada pela antropóloga americana Karen Stothert, que começou seus estudos em 1971, identificando um local em um morro alongado cerca de 150 m de comprimento. O local foi escavado em várias ocasiões, mais recentemente, em 1977. Eram caçadores transhumantes que se estabeleceram na Península de Santa Elena, um território coberto por uma vegetação própria das savanas tropicais e manguezais. Alimentavam-se de frutos do mar, além de carne de veado e frutos selvagens. Em 7000 a.C., estes primeiros povoadores cultivaram a cabaça, sendo a planta mais antiga produzida pelo homem nas Américas, pelo menos dois mil anos antes dos peruanos e mexicanos.Neste local foi achado um cemitério datado em 7000 a.C. aproximadamente considerado o mais antigo e maior da América com cerca de 200 túmulos. um dos enterros mais notáveis reportados em Las Vegas é aquele denominado "amantes de Sumpa". Seu interesse radica em ser um enterro duplo, onde um casal adulto (de uns 20 anos no momento da morte) aparece entrelaçado, A mulher repousa em posição flexionada , com os braços estendidos para o homem que repousa junto com ela. Este cobre a cintura da sua companheira com um braço e a perna dobrada.

Quase mil anos depois do litoral, grupos de caçadores e coletores chegaram nos Andes entre os anos 9000 a.C. e 8000 a.C. Nos arredores da cidade de Quito, no norte da cordilheira, os arqueólogos encontraram os restos de ferramentas feitas de uma pedra de origem vulcânica denominada obsidiana. Tratava-se de facas e pontas de lança usadas para a caça de veados, perus e porquinhos da Índia (cuy em quéchua).

Os homens viviam em grutas ou em construções muito simples, feitas de ramos e palha. Os assentamentos eram temporais e se localizavam em locais que lhes permitisse a caça e a provisão de matérias-primas para as ferramentas.

Na província de Azuay se encontra a Gruta preta de Chobshi, cujos achados incluem pontas de lança e facas de obsidiana, além de restos fósseis de animais caçados pelo homem como porquinho da Índia, peru e coelho. Desde o período Paleo-Índio se sabe da existência e domesticação do cachorro andino, uma espécie de cão sem pêlo que hoje é conhecido como cachorro peruano.A população indígena na Amazônia se formou graças a algumas migrações procedentes da bacia do rio Orinoco, na Venezuela e na Colômbia, e do planalto brasileiro. Entre os primeiros crânios achados pelo arqueólogo francês Paul Rivet em 1906, se estabeleceram semelhanças com o homem de Lagoa Santa, no Brasil. thumb|Estatueta feminina de argila da cultura Valdivia (3900 a.C.) no Museu Nacional de Quito.

A agricultura e a cerâmica (4.000 – 500 a.C.) No litoral equatorial, principalmente na Península de Santa Elena, os antigos habitantes de Las Vegas evoluíram até se transformar na civilização Valdivia (4000 - 1500 a.C.). Esta cultura foi descoberta pelo arqueólogo guayaquilenho Emilio Estrada em 1956 e foi estudada por vários pesquisadores equatorianos como Jorge Marcos e os americanos Clifford Evans e Betty Meggers. A cerâmica encontrada nos enterros e sítios arqueológicos data de 3800 a.C., considerada a segunda tradição oleira mais antiga das Américas depois de Monsú e Puerto Hormiga na Colômbia.

Os valdivianos tinham uma organização social baseada na vida em comunidade. Por causa dos objetos encontrados, entre os quais aparecem as famosas estátuas de pequeno tamanho com representações femininas, os arqueólogos pensam que a forma de governo devia ser o matriarcado. Na década de 1970 foi descoberto o complexo arqueológico de Real Alto (3500 a.C.). Aqui os valdivianos ergueram uma aldeia de forma rectangular com choças ovaladas localizadas ao redor de uma praça cerimonial feita por baixo do nível do resto do vilarejo. Aos lados da praça foram construídos uns montículos de terra com rampas de acesso para os templos. Na casa denominada ossário, os arqueólogos descobriram um enterro de uma mulher colocada junto a um homem e, por trás, os ossos de oito homens que foram sacrificados em honra dela e da Pachamama (Mãe Terra). Estes indígenas cultivavam milho, feijões, amendoins, pimenta, abóbora e complementavam a dieta com frutos do mar, peixe e carne de veado. Em Real Alto também se encontrou o vestígio mais antigo da cultura do algodão no Equador, utilizada para a produção de tecidos. Da planta do agave, conhecida também como "cabuya",os indígenas extraíram uma fibra vegetal usada até hoje na elaboração de bolsos, sandálias e vestidos.

Por volta do ano 1500 a.C., o litoral do Equador viu florescer outra civilização chamada Machalilla. Este grupo assentou-se na província de Manabi, no Pacífico central equatoriano. A cerâmica apresenta variações em relação à de Valdivia. Além da cor natural da argila, aparecem linhas de decoração de cor vermelha. São famosas as garrafas com asa em forma de estribo e as representações de mulheres com as cabeças deformadas.

A deformação foi uma prática que começou no período Formativo, mas que se difundiu nos períodos seguintes até a chagada dos espanhóis. A aplicação de tabuinhas de madeira amarradas à cabeça de um bebezinho permitia dirigir o crescimento do crânio no sentido que se desejasse, alongando ou alargando a testa e oferecendo marcadas diferencias sociais entre os membros da comunidade e ao mesmo tempo dava um aspecto característico desde o ponto de vista estético.

A cerâmica apresenta variações em relação à de Valdivia. Além da cor natural da argila, aparecem linhas de decoração de cor vermelha. São famosas as garrafas com asa em forma de estribo e as representações de mulheres com as cabeças deformadas.

Entre os anos 1300 a 500 a.C., no final do período Formativo, aparece a cultura Chorrera. Localiza-se na bacia dos rios Daule e Babahoyo, embora a extensão atingisse as áreas costeiras de Manabí e Esmeraldas. Possivelmente a sua influência chegou a uma parte dos Andes e da bacia amazônica. Segundo pesquisas recentes, Chorrera baseou sua estabilidade material na cultura do milho. Foi um centro de troca de produtos manufaturados e matérias primas com outras regiões.

A cerâmica desta civilização poderia ter sido um objeto de intercâmbio com outros grupos, mostrando através dela toda a sua ideologia e cosmologia. As cerâmicas de Chorrera mostram uma tecnologia com a argila mais avançada. As sofisticadas formas dos recipientes que encontramos expostos no museu pertenceram a contextos rituais, por quanto à qualidade e perfeição são a sua principal característica. Algumas vasilhas são antropomorfas e outras representam peixes, aves, macacos, caracóis, serpentes, além de espécies de plantas como a abóbora e a graviola.

A técnica desenvolvida pelos artesãos de Chorrera incluiu a pintura iridescente, feita com óxido de ferro ou hematita que era usada como pintura aplicada sobre a figura.

Destacam-se as garrafas-apito, as quais têm representações de bichinhos diferentes como morcegos, macacos, patos, corujas e lhamas. Estas garrafas funcionam colocando água no interior. Não se precisa soprar. É só colocar água e movimentá-la. O som é produzido por um apito que se encontro no interior da representação por onde o ar preso passa e sai.

No final do período Formativo tem dois locais estrategicamente importantes, que tiveram uma grande transcendência posterior. Cerro Narrío, na província de Cañar, localizada ao sul dos Andes equatoriais deixou objetos que revelam uma sociedade avançada que mantinha laços comerciais com os povos do litoral com os quais trocava produtos muito variados como a concha Spóndylus. Como prova disso temos as “ucuyayas”, uns amuletos feitos de concha marinha que representam aos seres do inframundo, associados com os espíritos dos mortos e dos ancestrais.

Outra cultura se chamou Cotocollao (1800 a.C.), localizada na região onde atualmente fica a cidade de Quito, que por sua situação geográfica controlava rotas comerciais entre a Costa, os Andes e a Amazônia. Esta área geográfica abrange uma variedade de nichos ecológicos - tanto devido à sua diferente altitude ao respeito das cadeias montanhosas andinas - que incluem desde a floresta úmida subtropical até o piso temperado e úmido (coberto do bosque montano e campinas) e as profundezas cálidas e secas da Serra.