Darío Leonardo Conca (General Pacheco, 11 de maio de 1983) é um ex-futebolista argentino que atuava como meio-campista. Era conhecido por sua técnica e habilidade na construção de jogadas com a perna esquerda, principalmente nos dribles e passes. Sua baixa estatura e pouco peso lhe proporcionavam uma agilidade e velocidade que complementavam seu estilo de jogo.
Ganhou notoriedade continental após sua participação na Copa Sul-Americana de 2005 quando, atuando pela Universidad Católica do Chile, foi um dos principais responsáveis pela eliminação do Fluminense da competição. Curiosamente, seria no clube carioca que o jogador viveria o melhor momento de sua carreira, sagrando-se campeão brasileiro em 2010, sendo eleito o melhor jogador do país naquele ano, e tornando-se o segundo jogador de linha a participar de todas as 38 rodadas do Campeonato Brasileiro num mesmo ano na era dos pontos corridos.
Em 2011, ao se transferir para o Guangzhou Evergrande, da China, Conca passou a receber, à época, o terceiro maior salário do planeta para um jogador de futebol, perdendo apenas para o argentino Lionel Messi, do Barcelona, e o português Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. Já em 2017, tornou-se o terceiro estrangeiro a defender três dos quatro grandes clubes do Rio. Antes dele, o argentino Alfredo González (na década de 1940 atuou por Fla, Vasco e Botafogo) e o sérvio Dejan Petković (nos anos 2000 teve passagens por Flamengo, Vasco e Fluminense) já haviam alcançado este feito.
Oficialmente aposentado do futebol desde abril de 2019, Conca se dedica a eventos, palestras e à prática do golfe. Mesmo fora dos campos, o atleta segue com a ASJ Consultoria na gestão da sua carreira pós-futebol.
Carreira Início Descoberto pelo River Plate em 1991 — quando ainda tinha nove anos —, enquanto jogava futebol em sua escola, Conca passou seis meses nas categorias de base do clube argentino até seu desligamento, motivado pela condição econômica de sua família.
Tigre Permaneceu sem clube até 1995, quando, com 12 anos, ingressou no Tigre, seu clube do coração. Foi pelo Tigre que Conca fez a sua estreia no futebol profissional, em 1998, com apenas 15 anos, em partida válida pela Segunda Divisão Argentina.
River Plate Agora profissional, Conca foi novamente chamado pelo River. Todavia, teve de retornar às categorias de base. Em 2003, quando disputava uma vaga na Seleção Argentina Sub-20 que disputaria o Mundial de 2003 nos Emirados Árabes, o jogador sofreu a pior lesão de sua carreira: uma fratura na perna direita, que o deixou seis meses afastado do futebol.
Universidad Católica Em 2004, com 21 anos e preterido no River Plate, acertou com a Universidad Católica, do Chile, por empréstimo. Foi no clube chileno que Conca despontou para o futebol sul-americano. Pela Católica, utilizou a camisa 10 na conquista do Clausura de 2005 e também na breve participação da equipe na Copa Libertadores da América de 2006. Mas foi na Copa Sul-Americana que Conca realmente chamou a atenção: conduziu a equipe chilena às semifinais da competição, onde foi eliminada pelo Boca Juniors, que viria a se sagrar campeão.
Disputou 85 partidas pela Universidad Católica, marcando 15 gols.
Rosario Central Em 2006, com o término de seu contrato de empréstimo, foi obrigado a retornar ao River onde, não sendo aproveitado, foi emprestado novamente, dessa vez ao Rosario Central, da Argentina. Teve uma passagem discreta pelo clube. Disputou apenas 11 partidas, com o Rosario ocupando a oitava colocação no Apertura de 2006. Novamente, Conca retornou ao River e, novamente, transferiu-se.
Vasco da Gama Em dezembro de 2006, acertou sua transferência para o Vasco da Gama. Conca estreou pelo clube carioca no dia 13 de maio, em partida contra o América de Natal, substituindo o centroavante Alan Kardec. Assumiu a condição de titular em 30 de junho, na derrota por 3–1 para o Cruzeiro e marcou seus dois primeiros gols pelo clube na partida seguinte, uma goleada de 4–0 sobre o Santos. Atuando com a camisa 8, Conca chegou a ser escalado como segundo atacante da equipe, formando dupla com Leandro Amaral. Já chamava atenção a habilidade, agilidade e determinação do franzino argentino, que viria a marcar seis gols no Brasileirão daquele ano, competição na qual o Vasco terminou na 10ª posição.
Pela Copa Sul-Americana de 2007, disputou cinco partidas pelo Vasco, marcando apenas um gol. Com a camisa cruzmaltina Conca atuou em 50 partidas, tendo marcado oito gols.
Fluminense 2008 O contrato de Conca com o Vasco se encerrava em 6 de janeiro de 2008, e foram iniciadas as negociações para a renovação. Porém, o River Plate - dono dos direitos federativos do jogador - anunciou que só o negociaria em definitivo. O Vasco não era o único clube interessado no jogador e, apesar do empresário do jogador afirmar que ele não defenderia outro clube brasileiro, o então presidente do Fluminense, Roberto Horcades, foi à imprensa e apresentou um contrato firmado com o jogador. Com isso, Conca foi anunciado pelo Fluminense como um dos reforços do clube para a disputa da Copa Libertadores de 2008.
No Fluminense, teve a oportunidade de trabalhar novamente com Renato Gaúcho, que fora seu treinador no Vasco da Gama. Estreou pelo clube tricolor em 2 de fevereiro de 2008, em partida válida pelo Campeonato Carioca daquele ano, substituindo o volante Arouca no empate em 1–1 contra o Boavista. Marcou seu primeiro gol em 1º de março, na vitória de 3–1 sobre a Cabofriense. Com o início da Copa Libertadores, foi poupado das primeiras partidas do Fluminense no Campeonato Brasileiro de 2008 e, apesar de ter iniciado a primeira partida da equipe pela competição continental no banco de reservas, formou, com Thiago Neves, o meio-campo titular do clube carioca durante o restante da competição. Mesmo assumindo um papel de coadjuvante em relação à Thiago, Conca foi decisivo para a boa campanha tricolor na competição: em 30 de abril, nas oitavas-de-final, marcou o gol da vitória da equipe sobre o Atlético Nacional da Colômbia. No primeiro jogo da final, disputado no Equador, contra a LDU, Conca também marcou, muito embora tenha desperdiçado sua cobrança de pênalti no jogo decisivo.
Após a perda do título da Libertadores e a com a transferência de alguns dos principais jogadores da equipe para outros clubes (como Thiago Neves e Gabriel), Conca assumiu a responsabilidade de livrar o clube do risco de rebaixamento. Com a demissão de Renato Gaúcho e a malograda passagem de Cuca pela equipe, coube à René Simões salvar o clube da degola. Na reta final do Brasileirão daquele ano, Conca chegou a atuar sozinho na armação, à frente de uma linha de três volantes.
2009 Em 2009, um imbróglio atrasou a renovação de seu contrato com o Fluminense, o que atraiu o interesse de outros clubes, incluindo o Flamengo, principal rival do tricolor. Diante da perspectiva de perder o seu mais novo xodó, a torcida tricolor iniciou uma campanha na internet para que, através de uma "vaquinha", os próprios tricolores comprassem o passe do jogador, mantendo-o no clube. Nas primeiras semanas de janeiro, no entanto, ocorreu a renovação, por mais três anos.
Conca teve um mau início de temporada, chegando a ser barrado pelo técnico René Simões no Campeonato Carioca. Com a demissão de Simões, a chegada de Carlos Alberto Parreira ao comando da equipe e a volta de Thiago Neves, Conca voltou a ter um companheiro na armação das jogadas. Foi dele o gol da vitória da reestreia de Parreira no comando da equipe, na vitória por 2–1 sobre o Volta Redonda, em 12 de março. No entanto, teve uma participação discreta na campanha tricolor na Copa do Brasil, encerrada nas quartas de final após empate em 2–2 com o Corinthians. Após uma série de maus resultados que culminaram com a entrada da equipe na zona de rebaixamento do Brasileirão, Parreira foi demitido do cargo de treinador do Fluminense, que anunciou o retorno de Renato Gaúcho ao clube.
Com o retorno de Thiago Neves ao Al-Hilal, Conca viu-se novamente solitário na armação de jogadas do Fluminense, assumindo com Fred a responsabilidade de livrar o Flu da má fase no Campeonato Brasileiro. Em 15 de julho, na derrota por 4–2 para o Internacional, o argentino marcou um gol de cabeça, algo raro para alguém de seu tamanho e porte físico. A má fase de Fred, somada às suas constantes lesões, deixou Conca como único jogador habilidoso do elenco que, em 12 partidas sob o comando de Renato Gaúcho, perdeu seis, empatou cinco e venceu somente uma — uma goleada de 5–1 sobre o Sport, na qual Conca colaborou com duas assistências. Àquela altura, o Fluminense ocupava a penúltima colocação da competição.
No dia 2 de setembro, após a derrota de 2–0 para o Santos, Renato Gaúcho foi demitido e Cuca retornou ao cargo de treinador do Fluminense, que já ocupava a última colocação do campeonato e que, de acordo com o matemático Tristão Garcia, tinha 93% de chances de rebaixamento. Conca marcou o único gol do Fluminense na partida de reesreia do treinador, um empate em 1–1 contra o Náutico. Após três empates, duas derrotas e somente uma vitória, o Fluminense já tinha 98% de chances de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Porém, em 10 de outubro a equipe iniciou uma arrancada histórica. Após a vitória de 2–1 sobre o Santo André, aquele que viria a ser aclamado como "Time de Guerreiros" pela torcida tricolor emplacou uma série invicta de 11 jogos, comandados por Conca, Fred e Maicon "Bolt", livrando-se do rebaixamento na última rodada, após empate em 1–1 com o Coritiba. Conca foi fundamental nessa reta final, contribuindo com sete assistências e quatro gols para a manutenção do tricolor carioca na elite do futebol nacional, sendo aclamado pela torcida como o "Craque da Galera" do Prêmio Craque do Brasileirão, através de votação popular.
Apesar de não ter marcado nenhum gol, teve importante participação na campanha do vice-campeonato da Copa Sul-Americana, sendo o principal homem da bola parada tricolor, marcando dois gols de falta e concretizando três assistências para o Fluminense.
2010 Aquele que viria a ser o grande ano da carreira do argentino, começou de forma conturbada: após mau desempenho no Carioca, Cuca foi demitido, mesmo mantendo boa campanha na Copa do Brasil. Em seu lugar, assumiu o então tricampeão brasileiro Muricy Ramalho que, em temporadas anteriores, já havia assumido publicamente o seu interesse em treinar o argentino.
A eliminação da Copa do Brasil e o começo ruim no Campeonato Brasileiro logo foram esquecidos conforme o Fluminense de Muricy Ramalho começava a crescer na competição, com Conca se destacando, mesmo com a presença de estrelas como Fred e Deco. O argentino foi eleito vice-capitão da equipe e, com as constantes lesões de Fred, envergou a braçadeira diversas vezes.
Em 5 de dezembro, após vitória de 1–0 sobre o Guarani, o Fluminense sagrou-se tricampeão brasileiro de futebol, com Conca sendo amplamente elogiado. O argentino jogou todas as partidas do campeonato, tornando-se o segundo jogador de linha a participar de todas as partidas do torneio na era dos pontos corridos, terminando a competição como líder isolado de assistências além de nove gols, mesmo tendo atuado durante a reta final com dores no joelho, inserindo de vez o seu nome na galeria dos ídolos do Fluminense.