thumb|300px|"Crucificação de São Pedro" por Caravaggio.|borda|right Crucificação ou crucifixão é um método de pena de morte no qual a vítima é amarrada ou pregada em uma viga de madeira e pendurada durante vários dias até a eventual morte por exaustão.
Crê-se que o método tenha sido criado na Pérsia e trazido no tempo de Alexandre para o Ocidente. Os itálicos copiaram a prática dos cartagineses. Neste ato se combinavam os elementos de vergonha e tortura, e por isso o processo de crucificação era olhado com profundo horror. O castigo da crucificação começava com a flagelação, depois do criminoso ter sido despojado de suas vestes. No azorrague os soldados fixavam os pregos, pedaços de ossos, e coisas semelhantes, podendo a tortura do açoitamento ser tão forte que às vezes o flagelado morria em consequência do açoite. O flagelo era cometido ao réu estando este preso a uma coluna.
No ato de crucificação a vítima era pendurada de braços abertos em uma cruz de madeira, amarrada ou, raramente, presa a ela por pregos perfurantes nos punhos e pés. O peso das pernas sobrecarregava a musculatura abdominal que, cansada, tornava-se incapaz de manter a respiração, levando à morte por asfixia. Para abreviar a morte os torturadores às vezes fraturavam as pernas do condenado, removendo totalmente sua capacidade de sustentação, acelerando o processo que levava à morte. Mas era mais comum a colocação de "bancos" no crucifixo, que foi erroneamente interpretado como um pedestal. Essa prática fazia com que a vítima vivesse por mais tempo. Nos momentos que precedem a morte, falar ou gritar exigia um enorme esforço.
O termo vem do Latim crucifixio ("fixar a uma cruz", do prefixo cruci-, de crux ("cruz"), + verbo figere, "fixar ou prender".)
A Crucifixão de Jesus é a narrativa central do Cristianismo e a cruz (algumas vezes representando Jesus pregado nela) é o símbolo religioso central para muitas Igrejas Cristãs.
Terminologia thumb|303x303px|"Crucificação pr Georgios Margazinis".|left O Grego Antigo possui dois verbos para crucificação: ana-stauro (ἀνασταυρόω), de stauros, "estaca", e apo-tumpanizo (ἀποτυμπανίζω) "crucificar numa prancha", ἀποτυμπα^ν-ίζω (mas tarde ἀποτύμπα^ν-τυπ- UPZ119 (2nd century BC), POxy.1798.1.7), A. cruficicar em uma prancha, D.8.61,9.61:—Pass., Lys.13.56, D.19.137, Arist. Rh. 1383a5, Beros. ap. J.Ap.1.20. 2. de forma geral, destruir, Plu.2.1049d. junto com anaskolopizo (ἀνασκολοπίζω "empalar"). Em antigos textos pré Grego-Românicos anastauro normalmente significa "empalar".LSJ anastauro ἀνασταυρ-όω, = foreg., Hdt.3.125, 6.30, al.; idêntico a ἀνασκολοπίζω, 9.78:—Pass., Th. 1.110, Pl.Grg.473c. II. nos tempos romanos, afixar a uma cruz, crucificar, Plb. 1.11.5, al., Plu.Fab.6, al. 2. crucificar de novo, Ep.Hebr.6.6.Plutaro Fabius Maximus 6.3 "Aníbal agora percebera o erro de sua posição, e seu perigo, e crucificou os guias nativos responsáveis por ela."Polybius 1.11.5 . Polybius. Theodorus Büttner-Wobst after L. Dindorf. Leipzig. Teubner. 1893-.
O Novo Testamento Grego utiliza quatro verbos, três deles baseados em stauros (σταυρός), normalmente traduzido como "cruz". O termo mais comum é stauroo (σταυρόω), "crucificar", aparecendo 43 vezes; sustauroo (συσταυρόω), "crucificar com" ou "ao lado" aparece cinco vezes, enquanto anastauroo (ἀνασταυρόω), "crucificar novamente" aparece somente uma vez na Epístola de prospegnumi (προσπήγνυμι); "fixar ou amarrar em, empalar, crucificar" ocorre somente uma vez em
A palavra portuguesa cruz deriva da palavra latina crux. O termo latino crux classicamente se refere a uma árvore ou qualquer construção de madeira usada para enforcar criminosos como forma de execução. O termo mais tarde veio a se referir especificamente a uma cruz.Charlton T. Lewis, Charles Short, A Latin Dictionary: crux, ŭcis, f. (m., Enn. ap. Non. p. 195, 13; Gracch. ap. Fest. s. v. masculino, p. 150, 24, and 151, 12 Müll.) [perh. relacionado ao circo]. I. Lit. A. Em geral, uma árvore, armação ou outros instrumentos de madeira para execução, nos quais criminosos eram empalados ou enforcados, Sen. Prov. 3, 10; Cic. Rab. Perd. 3, 10 sqq.— B. Em particular, uma cruz, Ter. And. 3, 5, 15; Cic. Verr. 2, 1, 3, § 7; 2, 1, 4, § 9; id. Pis. 18, 42; id. Fin. 5, 30, 92; Quint. 4, 2, 17; Tac. A. 15, 44; Hor. S. 1, 3, 82; 2, 7, 47; id. Ep. 1, 16, 48 et saep.: "dignus fuit qui malo cruce periret, Gracch. ap. Fest. l. l.: pendula", o poste de uma carruagem, Stat. S. 4, 3, 28.
A palavra portuguesa crucifixo deriva do Latim crucifixus ou cruci fixus, particípio passado de crucifigere ou cruci figere, significando "crucificar" ou "amarrar a uma cruz".
Detalhes thumb|Este crucifixo é atribuído a Michelangelo, conhecido por mostrar crucificações nuas. A crucificação era frequentemente feita para dissuadir suas testemunhas a perpetrar crimes (em particular, crimes hediondos). Vítimas eram algumas vezes deixadas penduradas após a morte para alertar potenciais criminosos. Crucificação geralmente tinha como objetivo provocar uma morte que era particularmente lenta, dolorosa (de onde vem o termo excruciante, literalmente "pela crucificação"), horrível, humilhante e pública, utilizando quaisquer meios que fossem apropriados a esse objetivo. Métodos de crucificação variavam consideravelmente de acordo com o lugar e período histórico.
As palavras Gregas e Latinas para "crucificação" correspondiam à aplicação de muitas formas dolorosas de execução, de empalamento preso em uma árvore, em uma estaca vertical (uma cruz simplex ou a uma combinação de uma viga vertical (em Latim, stipes) e uma viga cruzada (em Latim, 'patibulum'). Sêneca escreveu: "Eu vejo cruzes lá, não somente de um tipo, mas feitas em muitas maneiras diferentes: algumas têm suas vítimas com a cabeça no chão; algumas empaladas em suas partes pudendas; outras amarradas pelos braços na forca". Em alguns casos, o condenado era forçado a carregar a viga cruzada para o local de sua execução. Uma cruz inteira pesaria mais de 135 kg, mas a viga cruzada não seria um fardo tão pesado, pesando em torno de 45 kg. O historiador romano Tácito disse que a cidade de Roma possuía um lugar específico para realizar as execuções, localizada próximo da Porta Esquilina, e possuía uma área específica reservada para a execução de escravos (por crucificação). Postes verticais estariam presumivelmente fixados permanentemente naquele lugar e as vigas cruzadas, com os condenados talvez pregados nelas, seriam amarradas aos postes.
A pessoa executada poderia ser amarrada à cruz por cordas, embora pregos e outros materiais afiados sejam mencionados de passagem pelo historiador judaico Flávio Josefo, em que ele afirma que no Cerco de Jerusalém (70), "os soldados tomados por fúria e ódio, pregaram aqueles que capturavam, um após o outro, outro após o outro, a cruzes, só por pirraça". Objetos utilizados na crucificação de criminosos, como pregos, eram vendidos como amuletos com notória qualidade medicinal.Mishna, Shabbath 6.10: see David W. Chapman, Ancient Jewish and Christian Perceptions of Crucifixion (Mohn Siebeck 2008 ), p. 182
Enquanto uma crucificação era uma execução, era também uma humilhação, fazendo o condenado o mais vulnerável possível. Embora artistas tradicionalmente retratem a figura na cruz com uma tanga ou cobrindo os genitais, a pessoa crucificada era geralmente deixada nua. Escritos de Sêneca afirmam que algumas vítimas tiveram uma vara de madeira enfiada pela virilha.Seneca, Dialogue "To Marcia on Consolation", in Moral Essays, 6.20.3, trad. John W. Basore, The Loeb Classical Library (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1946) 2:69 Apesar de seu uso frequente pelos Romanos, os horrores da crucificação não escaparam das críticas de alguns eminentes oradores romanos. Cícero, por exemplo, descrevia a crucificação como "a mais cruel e detestável punição", e sugeria que "a simples menção da cruz deveria ser removida não apenas do corpo de um cidadão romano, mas da sua mente, seus olhos, seus ouvidos". (citando Cícero, pro Rabirio Perduellionis Reo ). Em outra parte ele diz: "Pregar um cidadão romano é um crime, açoitá-lo é uma abominação, matá-lo é quase um ato de vil: crucificá-lo é… o quê? Não existe uma palavra capaz de descrever tão horrível ato". (citando Cícero, Against Verres II.v.66, para. 170)
Frequentemente, as pernas da pessoa executada eram quebradas ou esmagadas com uma barra de ferro, um ato chamado crurifragium, que era também frequentemente aplicado em escravos, mesmo sem crucificação. Esse ato apressava a morte da pessoa mas também significava prevenir aqueles que assistiam à crucificação de cometer crimes.
Formato da Cruz
A forca na qual a crucificação era realizada podia possuir várias formas. Flávio Josefo descreve múltiplas torturas e posições de crucificação durante o Cerco de Jerusalém conforme Tito crucificou os rebeldes; Sêneca registrou: "Eu vejo cruzes lá, não de somente um tipo, mas feitas de diferentes maneiras: algumas têm a vítima com a cabeça ao chão; algumas empaladas pelas partes pudendas; outras com os braços esticados na forca."
Algumas vezes a forca era somente uma estaca vertical, chamada em Latim de crux simplex. Esta era facilmente construída para torturar e matar o condenado. Constantemente, contudo, havia uma peça cruzada amarrada ao topo para dar a forma de um T (crux comissa) logo abaixo do topo, como na forma mais comum do simbolismo cristão (crux immissa)."A ... mais antiga representação de crucificação ... foi descoberta por arqueologistas mais de um século atrás na Colina do Palatino em Roma. É uma graffiti do século II rabiscado em uma parede que era parte do complexo imperial. Ela inclui a inscrição — não por um Cristão, mas por alguém insultando e ridicularizando os cristãos e as crucificações que sofreram. Ela mostra um rascunho de um rapaz reverenciado seu 'Deus', que possui uma cabeça de burro e está em uma cruz com os braços abertos na viga cruzada. Aqui temos um esboço Romano de uma Crucificação Romana, e esta em sua forma tradicional de cruz." A mais antiga imagem de uma crucificação Romana retrata um indivíduo em uma cruz em forma de 'T'. É um grafite encontrado em uma taberna em Putéolos, datado da época de Trajano ou Adriano (final do século I e início do século IIEC.).
Alguns autores do século II garantiam que os braços da pessoa crucificada deveriam ser esticados e não amarrados a uma estaca simples: Luciano de Samósata fala de Prometeu crucificado "sobre a ravina com suas mãos esticadas" e explica que a letra 'T' (a letra grega tau) era vista acima como um sinal de mau presságio (similar ao modo como o número treze é visto atualmente como um número de azar), dizendo que a letra conseguiu esse "significado maligno" devido ao "instrumento odioso" que possuía aquela forma, um instrumento no qual tiranos sacrificavam pessoas. Testemunhas de Jeová sustentam que Jesus foi crucificado em uma crux simplex, e que a crux immissa foi utilizada primeiramente como um símbolo Cristão no período da suposta conversão do Imperador Constantino.
Outras formas eram em forma das letras X e Y.