Fuquiém ou Fujian (; pronunciado ), é uma província da República Popular da China. Tem uma área de aproximadamente 121 400 quilômetros quadrados e uma população de 35 350 000 habitantes. A capital provincial é Fucheu. A população é constituída maioritariamente por habitantes de etnia Han (99%), existindo 1% de habitantes de etnia She e 0,3% de etnia Hui.
Cidades A seguinte lista mostra as 3 cidades mais populosas de Fuquiém, sendo que a segunda, Fucheu (Fuzhou), é a capital da província.
Ordem Nome da cidade Nome em chinês População (em 2010) 1 Xiamen 厦门 3 119 110 2 Fucheu (Fuzhou) 福州 2 824 414 2 Jinjiang 晋江 1 172 827
Subdivisões thumb|180px|esquerda|Vista do Centro da capital Na província de Fuquiém, existem: nível prefeitural: 9 cidades administrativas nível distrital: 14 cidades com nível distrital 45 comarcas 26 distritos
História Houve quatro grandes culturas neolíticas no litoral de FuquiémːJiao, Tianlong. 2013. "The Neolithic Archaeology of Southeast China." In Underhill, Anne P., et al. A Companion to Chinese Archaeology, 599-611. Wiley-Blackwell. Keqiutou, 壳丘头文化 (c. 4050–3550 a.C.) Tanshishan, 昙石山文化 (c. 3050–2350 a.C.) Damaoshan, 大帽山文化 (c. 3000–2300 a.C.) Huangguashan, 黄瓜山文化 (c. 2350–1550 a.C.)
Houve duas grandes culturas neolíticas no interior de Fuquiém, as quais eram bem diferentes das culturas costeiras de Fuquiém. Niubishan, 牛鼻山文化 (c. 3000–2000 a.C.) Hulushan, 葫芦山文化 (c. 2050–1550 a.C.) De 334 a 111 a.C., a região foi sede do reino de Minyue. Em 111 a.C., o reino foi anexado ao império Han.
No início do século IV, houve a primeira onda de imigração de nobres hanes para a região, quando a dinastia Jin do Oeste entrou em colapso e o norte da China foi invadido por tribos nômades e entrou em guerra civil. Esses imigrantes hanes eram predominantemente de oito famílias da China Centralː Lin (林), Huang (黄), Chen (陈), Zheng (郑), Zhan (詹), Qiu (邱), He (何), and Hu (胡). As quatro primeiras continuam a ser, até hoje, os principais sobrenomes de Fuquiém.
Em 1549, o navegador e cronista português Galiote Pereira, estando à guarda dos juncos mercantis de Diogo Pereira, foi obrigado a atracar à margem da costa de Fuquiém, pelas autoridades chinesas. A crónica de Galiote Pereira, «Algumas Cousas Sabidas da China», obra em que dá a conhecer ao povo português as suas vivências e peripécias pela China, começa a narrativa exactamente nesse momento, em que se atracou em Fuquiém. «E porque foi o princípio dos nossos trabalhos e de virmos a saber desta terra esta comarca de Foquiem, por aqui começarei.» «(Nota. 3) Província de Fukien. Os dois juncos pertencentes a Diogo Pereira, nos quais viajava Galiote Pereira e os seus companheiros foram capturados pelas autoridades marítimas chinesas, ao largo de Fukien em 1549.» As autoridades chinesas, sob a alçada do vice-rei Chu Huan, confundindo os juncos portugueses por embarcações piratas, capturaram os trinta mercadores portugueses e os cerca de noventa tripulantes chineses e malaqueses, levando-os por prisioneiros até à capital provincial em Fuchéu. «(...) a situação no Sul da China alterara-se profundamente, e os dois juncos foram capturados pelas autoridades marítimas chinesas, que os tomaram erradamente por embarcações dedicadas à pirataria» «<Os prisioneiros portugueses, juntamente com os tripulantes chineses e malaqueses foram conduzidos a Chüan-chow e depois a Fuchou, capital da província de Fukien» Ficaram aí retidos durante um ano, até que uma sindicância imperial, levada a cabo para esmiuçar processo de judicial de captura, concluiu serem totalmente falsas as acusações de pirataria, o que redundou na ilibação dos mercadores portugueses. «Aí ficaram mais de um ano. Logo após a captura, alguns portugueses, assim como cerca de noventa tripulantes chineses, foram sumariamente executados, sem julgamento. Foi graças a esta execução, contudo, que foi possível a ulterior libertação dos portugueses. As autoridades chinesas locais haviam excedido as suas competências judiciais ao executar os prisioneiros sem qualquer ratificação imperial da sentença, o que constituía uma ofensa extremamente grave na China da época Ming (1368-1644).»
A sindicância imperial foi iniciada na sequência das execuções sumárias aos prisioneiros, dentre os quais, um deles seria um cidadão chinês com familiares com ligações na corte imperial, que se insurgiram contra a situação, alegando que as acusações de pirataria eram falsas e que o vice-rei excedera as suas competências ao decretar pena de morte sumária, sem autorização imperial. No rescaldo da sindicância, o vice-rei Chu Huan suicidou-se, para não ser punido pelo imperador. «Alegando abuso de poderes, especialmente depois de se ter descoberto que dentre os executados se encontrava um fidalgo chinês, com familiares na corte imperial, os inimigos do vice-rei Chu Huan conseguiram que a corte imperial nomeasse uma comissão de inquérito para investigar os acontecimentos ligados ao apresamento dos juncos (...) O relatório que resultou da dessava foi completamente desfavorável às autoridades provinciais chinesas, reconhecendo a falsidade das acusações de pirataria feitas aos portugueses, bem como um total desleixo na tramitação judicial, ao ponto de terem sido ordenadas execuções sumárias dos prisioneiros, sem que os mesmos tivessem sido identificados ou qualquer processo judicial tivesse sido aberto sequer. (...) Antecipando-se ao castigo imperial, Chu Huan suicidou-se. (...) as fontes chinesas da época citadas por alguns historiadores confirmam que a comissão de inquérito, ao condenar Chu Huan, estava necessariamente a ilibar os prisioneiros portugueses de qualquer culpa.»
Fuquiém tem sido um importante centro cultural e comercial na história, fazendo parte da "Estrada marítima da Seda", ponto de partida das viagens de Zheng He para a base do islã. Durante a Dinastia Song e a Dinastia Yuan, a abertura dos portos e o lançamento da Estrada da Seda Marítima permitiram que Fuquiém tivesse mais frequentes comércio e intercâmbio no exterior, permitindo, à província, entrar no seu auge econômico. Durante a Dinastia Ming e Dinastia Qing, a indústria têxtil de seda, indústria de açúcar, indústria de chá, indústria de construção naval e indústria de papel de Fuquiém foram bem desenvolvidos. No entanto, com a implementação da política introvertida de "banimento do comércio marítimo", a economia de Fuquiém foi seriamente afetada e a China foi degradada em um país semicolonial e semifeudal. Em 1949, Fuquiém era uma das províncias costeiras com menor nível de desenvolvimento econômico do país.
A partir do final da década de 1970, a província se desenvolveu economicamente, beneficiada pela proximidade com Taiwan.
Costumes e hábitos Os costumes folclóricos multiculturais e confluentes de Fuquiém originam-se principalmente dos costumes de povos aborígines antes da Dinastia Qing e dinastia Hã, dos costumes da nacionalidade Han, do costume das nacionalidades das minorias e dos costumes estrangeiros. A característica de confluência dos costumes populares de Fuquiém é representada pela confluência de costumes populares de diferentes nacionalidades e diferentes regiões da nacionalidade Han, bem como a confluência de costumes chineses e costumes estrangeiros.
Fuquiém é, também, o habitat principal da nacionalidade de She, cujos costumes transformaram-se numa parte importante dos costumes populares de Fuquiém. Além disso, alguns costumes da Mongólia (Dinastia Yuan) e da Manchúria (Dinastia Qing) também foram integrados nos costumes folclóricos de Fuquiém.
A província possui um estilo de kung fu nativo, o estilo do cachorro. Várias regiões da província possuem seu próprio estilo de ópera chinesa. A ópera min é popular na região de Fucheu; Gaoxiaji, na região de Jinjiang e Chincheu; Xiangju, na região de Zhangzhou; Fuquiém Nanqu, por todo o sul da província; e Puxianxi, na região de Putian e do condado de Xianyou. A "laca sem corpo de Fucheu" usa corpos de barro ou gesso para modelar a laca; os corpos de barro/gesso são removidos posteriormente. Fucheu também é famosa pelas "pedras esculpidas de Shoushan". Culinária A cozinha de Fuquiém, com sua ênfase em frutos do mar, é uma das oito grandes tradições da culinária da China. É composta por tradições de várias regiões, incluindo a cozinha de Fucheu e a cozinha Min Nan. O prato mais famoso é o Fotiaoqiang (literalmente, "Buda salta sobre a muralha"), um prato complexo com muitos ingredientes, como barbatana de tubarão, pepino-do-mar, abalone e vinho de Shaoxing.
Muitos chás famosos são originários de Fuquiém, como o oolong, o Wuyi Yancha, o Lapsang souchong e o chá de jasmim de Fucheu. As técnicas de processamento de três dos principais tipos de chá no mundo (oolong, chá-branco e chá-preto) foram desenvolvidas na província. A cerimônia do chá de Fuquiém é muito elaborada. As palavras inglesa (tea), espanhola (té), francesa (thé) e alemã (tee) para "chá" vieram da língua hokkien (a palavra portuguesa "chá" veio do cantonês e do mandarim). Línguas Por causa de sua natureza montanhosa e das numerosas ondas migratórias com origem na China central ao longo de sua história, Fuquiém é uma das regiões mais linguisticamente diversas da área han chinesa. Dialetos locais podem se tornar ininteligíveis em dez quilômetros. Isso se reflete na expressãoː "se você andar cinco milhas em Fuquiém, a cultura muda; se você andar dez milhas, a língua muda".French, Howard W. "Uniting China to Speak Mandarin, the One Official Language: Easier Said Than Done." The New York Times. July 10, 2005. A maior parte das variedades faladas em Fuquiém faz parte das línguas min. Antigas classificações, como as de Li Fang-Kuei em 1937 e Yuan Jiahua em 1960, dividiram as línguas min em "do norte" e "do sul". Classificações mais recentes dividem as línguas min emːKurpaska, Maria (2010). Chinese Language(s): A Look Through the Prism of "The Great Dictionary of Modern Chinese Dialects". Walter de Gruyter. pp. 49, 52, 71. ISBN 978-3-11-021914-2.Norman, Jerry (1988). Chinese. Cambridge: Cambridge University Press. p. 233. ISBN 978-0-521-29653-3. Min nan, incluindo o dialeto amoi e o taiuanês Língua putian, falada nas áreas costeiras centrais Min Dong (o antigo grupo do norte), incluindo a língua Fucheu Min Bei, falado nas áreas interioranas do norte Min Central, falado no oeste da província Shao-Jiang, falado no noroeste A sétima subdivisão das línguas min, o Hainanês, não é falada em Fuquiém. A língua hacá, uma outra subdivisão do chinês, é falada na região de Longyan pelos hacás que aí vivem.
Assim como em outras províncias chinesas, a língua oficial é a língua mandarim, que é usada para comunicação entre pessoas de diferentes localidades.The New York Times. Disponível em https://www.nytimes.com/2005/07/10/world/asia/uniting-china-to-speak-mandarin-the-one-official-language-easier.html. Acesso em 22 de maio de 2018. Religião As religiões mais praticadas na província são a religião tradicional chinesa, o taoismo e o budismo chinês.
Economia Industrial thumb|180px|Edifícios modernos na capital.