Belo Oriente é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 84% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 18 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,686, classificado como médio em relação ao estado.
A exploração da área do atual município teve início no século XIX, com a chegada dos primeiros homens brancos que estavam a explorar o Vale do Rio Doce e mais tarde invadir terras dos indígenas. Para contê-los e expulsá-los, criaram-se quartéis, dentre os quais o Quartel do Galo, ao redor do qual surgiu um pequeno núcleo que se desenvolveu exclusivamente da agricultura até a década de 1920. A partir do povoado, em 1943 é criado o distrito de Belo Oriente, subordinado a Mesquita, que foi emancipado em 1962 e instalado em 1º de março de 1963. Na década de 1970, é implantada no local a Cenibra, que configura-se como uma das maiores produtoras mundiais de celulose branqueada.
As principais manifestações culturais presentes no município são o artesanato e os grupos teatrais, de manifestação tradicional popular e música, além dos eventos festivos, tais como as comemorações do aniversário da cidade, a Festa do Chapéu de Palha e as celebrações tradicionais religiosas da Festa do Senhor Bom Jesus e da Festa de Nossa Senhora do Rosário.
História
thumb|esquerda|Cruzeiro na Rua 1º de Março Até o século XIX, o lugar era habitado exclusivamente pelos povos indígenas botocudos. Os forasteiros, com o objetivo de invadir as terras dos indígenas, criaram quartéis para expulsá-los e extermina-los em 1811.
A chegada do Barão de Mesquita, acompanhado de familiares e escravizados africanos, fez com que fosse formado o povoado de Piedade do Galo - nome originado do quartel do Galo -, que até a década de 1920 se desenvolveu exclusivamente da agricultura, com destaque às culturas do milho, feijão, arroz, café, algodão e cana-de-açúcar.
Em 1912, o núcleo foi beneficiado com a chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a construção da Estação Cachoeira Escura (atual Estação Friedrich Sellow), situada no distrito de Perpétuo Socorro.
Na década de 1930, ocorreu o início da industrialização da atual Região Metropolitana do Vale do Aço, após a implantação de um complexo industrial da Belgo-Mineira. Com isso, ganharam impulso na localidade a pecuária, visando a atender à demanda do mercado, e mais tarde o comércio local.
Dado o desenvolvimento populacional e econômico, do povoado de Piedade do Galo foi criado o distrito de Belo Oriente, pertencente a Mesquita, pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, ocorre a emancipação da cidade e sua instalação em 1º de março de 1963, então composta pelos distritos de Perpétuo Socorro e Sede.
Na década de 1970, implanta-se em Belo Oriente a Celulose Nipo Brasileira S/A (Cenibra), às margens do rio Doce e da BR-381. A empresa configura-se como uma das maiores produtoras mundiais de celulose branqueada, tendo sido fundada em 13 de setembro de 1973, entrando em operação em 1977 com capacidade nominal de produção inicial de 225 mil toneladas.
Pela lei estadual nº 8.285, de 8 de outubro de 1982, é criado o distrito de Bom Jesus do Bagre e pela lei municipal nº 414, de 24 de janeiro de 1995, é criado o distrito de São Sebastião de Braúnas.
Geografia thumb|esquerda|Córrego do Galo na Avenida João Hemétrio de Menezes A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º13'12" de latitude sul e 42°29'02" de longitude oeste e está a uma distância de 253 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Açucena, a norte; Mesquita, a oeste; Santana do Paraíso e Ipaba, a sul; Bugre, a sudeste; Iapu, a leste; e Naque, a nordeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Santo Antônio entre Belo Oriente e Açucena O relevo do município de Belo Oriente é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente do território belorientino há o predomínio de mares de morros e terrenos montanhosos, enquanto cerca de é coberto por áreas onduladas e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra do Pendura Saco, que chega aos 785 metros, enquanto que a altitude mínima está no rio Santo Antônio, com 236 metros. Já o ponto central da cidade está a .
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a poluição hídrica, a poluição do ar, a redução do pescado nos cursos d'água e a contaminação do solo. Boa parte da mata nativa original foi desmatada para ceder espaço ao eucalipto, com objetivo de alimentar a atividade industrial da Cenibra, no entanto a cidade possui um Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado no ano de 1997, e Fundo Municipal de Meio Ambiente e a empresa realiza a reabilitação dos ecossistemas naturais e mantém reservas ecológicas e áreas de mata ciliar tanto em Belo Oriente quanto em outros municípios onde possui propriedades.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais o rio Doce, o rio Santo Antônio e o ribeirão Baraúna, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Belo Oriente, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Belo Oriente por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 16/01/1962 Julho 19/07/1941 Fevereiro 17/02/2005 Agosto 05/08/1972 Março 18/03/1985 Setembro 23/09/1987 Abril 04/04/1987 Outubro 27/10/2010 Maio 23/05/2013 Novembro 15/11/1952 Junho 13/06/1949 Dezembro 05/12/2020 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima belorientino é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva em Belo Oriente não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1941 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Belo Oriente foi de no dia 17 de fevereiro de 2005. Outros grandes acumulados foram de em 8 de fevereiro de 1995, em 2 de fevereiro de 1979 e em 5 de fevereiro de 2017. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 216º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 5,6047 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população do município foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (26,02%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,07%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (6,91%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,77 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0.
Em 2010, a população belo-orientina era composta por brancos (23,66%); negros (11,64%); 158 amarelos (0,68%); pardos (63,98%) e dez indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, 25 eram nascidos na Região Norte (0,11%), 195 na Região Nordeste (0,83%), no Sudeste (98,48%), 79 no Sul (0,34%) e 30 no Centro-Oeste (0,13%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (95,70%) e, desse total, eram nascidos em Belo Oriente (15,59%). Entre os naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 322 pessoas (1,38%), seguido pelo Espírito Santo, com 218 residentes (0,93%), e pela Bahia, com 134 habitantes residentes no município (0,57%). thumb|direita|Fachada da Igreja Nossa Senhora da Piedade no Centro de Belo Oriente
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Belo Oriente é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,686 (o 2282º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,606, o valor do índice de longevidade é de 0,813 e o de renda é de 0,655. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 67,7% e em 2010, 87,6% da população vivia acima da linha da pobreza, 7,4% encontrava-se na linha da pobreza e 5,1% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,43, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 47,2%, ou seja, nove vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 5,1%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Belo Oriente está composta por: católicos (48,30%), evangélicos (37,87%), pessoas sem religião (11,97%), 55 espíritas (0,24%) e 1,62% estão divididos entre outras religiões. O município faz parte da Diocese de Itabira-Fabriciano, sendo sede das paróquias Nossa Senhora da Piedade (Centro) e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (distrito Perpétuo Socorro).
Política e administração