Bom Jesus do Galho é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 65% da população vivendo na zona urbana, Bom Jesus do Galho contava, em 2009, com dezesseis estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,623, classificado como médio em relação ao estado.
A exploração da área do atual município teve início no século XVIII, quando chegam os primeiros forasteiros, que estavam a explorar o Vale do Rio Doce e mais tarde adquirir terras dos indígenas. As disputas por território geraram vários conflitos, mas a catequização dos nativos, defendida por Guido Marlière, fez com que fosse possível formar um povoado. Este se desenvolveu em função da agricultura, sendo elevado a distrito, pertencente a Caratinga em 1877 e emancipado em 31 de dezembro de 1943.
As principais manifestações culturais presentes no município são o artesanato e os grupos teatrais e de manifestação tradicional popular, além dos eventos festivos, tais como o Carnaval, a Festa do Bonjesuense Ausente e as comemorações religiosas da Semana Santa e da Festa do Jubileu do Senhor do Bom Jesus. Também destacam-se as cachoeiras e lagoas propícias a banhos e os atrativos naturais ligados ao raio de influência do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), além do Cristo da Paz da cidade.
História thumb|esquerda|Distrito de Quartel do Sacramento Até o século XVIII, o lugar era habitado exclusivamente por botocudos. A região de Ouro Preto passava por uma decadência na extração de ouro e com isso expedições adentaram o Vale do Rio Doce à procura do metal até o atual município de Conselheiro Pena (onde chegaram em 1781). Os exploradores instalaram um ponto de parada em Quartel do Sacramento e próximo dali construíram uma ponte sobre o rio Doce em 1779. No começo do século XIX, houve interesse por parte dos colonos de habitarem o Vale do Rio Doce, passando a disputar as terras com os povos originários. Durante as disputas, os indígenas supostamente incendiaram a antiga ponte, que foi reconstruída na década de 1930 e atualmente é conhecida como Ponte Queimada, onde hoje se encontra a divisa entre Pingo-d'Água e Marliéria.
Em 1820, o soldado francês Guido Marlière substitui as batalhas contra os nativos pela catequização dos mesmos, facilitando o povoamento, e em 1847, Reginaldo Lopes e João José da Silva tomam posse de sesmarias de terras na cidade. Nas décadas seguintes observa-se um considerável desenvolvimento em função da agricultura e um notável fluxo migratório para o atual município, em especial com pessoas de origem de Araponga, Jequeri, Ervália e Viçosa. O topônimo "Bom Jesus" foi uma homenagem que Adão Coelho fez após recorrer ao Senhor Bom Jesus e se curar de uma enfermidade, por volta de 1880. Adão doou terreno para construir uma pequena capela, onde situa-se a Igreja Matriz. Ao seu redor se formou um pequeno núcleo urbano, que teve um abrupto crescimento após a chegada da Estrada de Ferro Leopoldina, na década de 30, sendo desativada décadas depois.
Dada a evolução econômica e demográfica, pela lei provincial nº 2.407, de 5 de novembro de 1877, é criado a partir do povoado o distrito de Galho (subordinado a Caratinga), recebendo a denominação de Bom Jesus do Galho pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, o distrito perde área para a criação de Vermelho Velho, pertencente a Matipó. Sua emancipação ocorreu pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, constituído pela sede municipal e pelo distrito de Vermelho Velho, que voltou a fazer parte de Bom Jesus do Galho.
Pela estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foram criados os distritos de Córrego Novo e Passa Dez, ao mesmo tempo que Vermelho Velho voltou a ser desmembrado de Bom Jesus do Galho, agora anexado a Raul Soares. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, houve a criação do distrito de Quartel do Sacramento e Córrego Novo foi elevado a município. A lei complementar nº 7 de 28 de novembro de 1995 criou o distrito de Revés de Belém, restando a partir de então três distritos, além da sede municipal: Passa Dez, Quartel do Sacramento e Revés de Belém.
Geografia thumb|esquerda|Vista remota da cidade, em meio ao relevo ondulado, a partir da estrada para Córrego Novo. A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º49'44" de latitude sul e 42°18'58" de longitude oeste e está a uma distância de 260 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais) desde janeiro de 2012. Seus municípios limítrofes são Timóteo e Caratinga, a norte; Marliéria, a noroeste; Pingo-d'Água e Córrego Novo, a oeste; Raul Soares, a sul; Caratinga, a leste e nordeste; e Entre Folhas e Vargem Alegre, a leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ipatinga e Imediata de Caratinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Caratinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|direita|Ribeirão Sacramento no interior da cidade O relevo do município de Bom Jesus do Galho é predominantemente ondulado. Em aproximadamente do território bonjesuense há o predomínio de lugares ondulados, enquanto cerca de é coberto por áreas com mares de morros e terrenos montanhosos e os restantes são áreas planas. A altitude máxima encontra-se na cabeceira do córrego dos Batistas, que chega aos 986 metros, enquanto que a altitude mínima está na Lagoa Branca, com 253 metros. Já o ponto central da cidade está a .
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram a poluição de corpos d'água. O território municipal se encontra nos limites do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que é a maior reserva de Mata Atlântica do estado de Minas Gerais, no entanto o predomínio é do reflorestamento com eucalipto visando a alimentar as indústrias do Vale do Aço.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais o rio Doce, os ribeirões do Boi, do Galho e Sacramento e o córrego dos Batistas, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro, e em 2004 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Bom Jesus do Galho por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 25/01/2020 Julho 19/07/1941 Fevereiro 08/02/2021 Agosto 29/08/1990 Março 04/03/2005 Setembro 06/09/2009 Abril 04/04/1968 Outubro 31/10/2020 Maio 30/05/1979 Novembro 27/11/2022 Junho 11/06/1978 Dezembro 14/12/1987 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima bonjesuense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva em Bom Jesus do Galho não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1941 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Bom Jesus do Galho foi de no dia 27 de novembro de 2022. Outros grandes acumulados foram de em 10 de novembro de 1999, em 14 de dezembro de 1987 e em 24 de dezembro de 1994. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 416º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 3,9858 raios por quilômetro quadrado.
Povoado de Iguaçu O povoado de Iguaçu situa-se na zona rural de Bom Jesus do Galho. Possui uma escola municipal, o Centro Municipal de Educação Maria da Penha Ivone Abrão,* e um centro de saúde.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (22,88%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (66,00%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (11,11%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,0 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,8. thumb|esquerda|Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus
Em 2010, a população bonjesuense era composta por brancos (35,18%); 951 negros (6,19%); 37 amarelos (0,24%); pardos (58,38%) e dois indígenas (0,01%). Considerando-se a região de nascimento, 12 eram nascidos na Região Norte (0,08%), 61 na Região Nordeste (0,40%), no Sudeste (98,67%), 45 no Sul (0,29%) e 18 no Centro-Oeste (0,12%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (97,49%) e, desse total, eram nascidos em Bom Jesus do Galho (69,62%). Entre os 386 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 97 pessoas (0,63%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 52 residentes (0,34%), e pelo Paraná, com 45 habitantes residentes no município (0,29%).