Carangola é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. O município é cortado pelas rodovias BR-482, MG-111 e MG-265.

História esquerda|miniaturadaimagem|Carangola, 1934. Arquivo Nacional. Carangola localiza-se na Zona da Mata mineira, em uma área de contato entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A ocupação da região ocorreu relativamente tarde em comparação a outras partes de Minas, principalmente porque o território integrava as chamadas “áreas proibidas” do período colonial, zonas controladas pela Coroa Portuguesa para impedir o contrabando de ouro. A partir da primeira metade do século XIX, a procura por novas jazidas auríferas atraiu colonizadores para a região. Como a exploração mineral não apresentou resultados expressivos, a agricultura passou a ocupar papel central no desenvolvimento regional, inicialmente com produções de subsistência e, posteriormente, com a expansão da cafeicultura, atividade que transformou profundamente a economia local.

Antes da ocupação colonial permanente, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados. A expansão das fazendas ao longo das décadas de 1840 e 1850 provocou intensos processos de desmatamento nas margens do rio Carangola, especialmente na área correspondente ao atual núcleo urbano. Diferentemente de muitas cidades mineiras, Carangola não teve um fundador único. Sua formação resultou da atuação simultânea de diversos proprietários rurais estabelecidos nos arredores da região durante o avanço da ocupação agrícola.

A formação do povoado não esteve associada a um único fundador. O núcleo urbano surgiu gradualmente a partir da instalação de grandes fazendas nos arredores durante a década de 1840. Nesse período ocorreu a derrubada de parte significativa da mata original existente nas margens do rio Carangola. Antes da ocupação colonial, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados.

O nome “Carangola” deriva do rio homônimo, cuja denominação já aparecia em mapas da Capitania de Minas Gerais elaborados no século XVIII, antes mesmo da presença permanente de colonizadores brancos na região. Há registros de que João Fernandes de Lannes teria passado pela área em 1805, chegando a acampar onde hoje se localiza a Praça Coronel Maximiano, embora não tenha permanecido definitivamente no local. Nesse período inicial, os contatos entre colonizadores e indígenas ocorreram de maneira relativamente pacífica, especialmente em atividades ligadas à extração da poaia, planta medicinal bastante valorizada comercialmente no interior fluminense. Apesar de diversas hipóteses propostas ao longo do tempo, a origem exata do nome permanece sem explicação definitiva.

Entre os primeiros que chegaram na da região destacam-se Antônio Dutra de Carvalho, conhecido como Coronel Dutrão, que tomou posse de sesmarias na região do Caparaó a partir de 1822, além do Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima e do Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro, responsáveis pela expansão da ocupação em áreas vizinhas. Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima ocupou cerca de 800 alqueires na região do Papagaio, estabelecendo sua base no local posteriormente conhecido como Córrego dos Freitas. Em 1833, o Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro liderou o a chegada na região de Divino, enquanto José de Lannes Dantas Brandão avançou sobre áreas localizadas entre os rios Carangola e São Mateus, em direção às atuais regiões de Porciúncula e Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro.

Os primeiros proprietários identificados das terras onde posteriormente se desenvolveu a área urbana de Carangola foram Francisco Pereira de Souza e Marciano Pereira de Souza. Um dos marcos políticos iniciais do povoado ocorreu em 2 de novembro de 1856, data da realização da primeira eleição voltada aos chamados “eleitores especiais”. Pouco depois, em 7 de outubro de 1857, foi benzida a primeira capela da localidade, dedicada a Nossa Senhora do Rosário e construída por Francisco de Souza Romano.

A disposição das ruas centrais da cidade surgiu a partir da doação de terrenos à Igreja para a formação do patrimônio religioso e do Largo da Matriz. Carangola tornou-se Distrito de Paz em 1860, freguesia em 1866 e município autônomo em 1878, desmembrando-se de Muriaé.

Em 1881, sua sede recebeu oficialmente a categoria de cidade. Já em 1882 ocorreu a instalação do primeiro governo municipal. Originalmente, o município possuía território muito mais amplo, abrangendo áreas que posteriormente dariam origem a diversas cidades da região, como Tombos, Espera Feliz, Divino e São Francisco do Glória. A vida religiosa teve grande importância no desenvolvimento local. A paróquia de Santa Luzia consolidou-se ao longo do século XIX, recebendo posteriormente congregações religiosas católicas responsáveis por atividades educacionais, assistenciais e hospitalares.

Ao longo do século XX, diferentes denominações evangélicas também passaram a se estabelecer na cidade. O desenvolvimento econômico de Carangola esteve profundamente ligado à expansão da cafeicultura. A introdução do café ocorreu ainda em 1848 e, no auge da produção, o município chegou a exportar cerca de 100 mil sacas anuais. A importância econômica da região foi tão expressiva que Carangola chegou a possuir uma das maiores arrecadações fiscais de Minas Gerais.

A chegada da ferrovia em 1887 impulsionou intensamente o crescimento urbano e comercial da cidade, estabelecendo ligação direta com o Rio de Janeiro. Durante décadas, Carangola tornou-se um importante centro regional de comércio e circulação de mercadorias.

Além da agricultura, o município também desenvolveu experiências industriais importantes no início do século XX, incluindo a instalação da primeira fábrica de isoladores de porcelana da América do Sul e oficinas metalúrgicas voltadas à fabricação de equipamentos mecânicos.

Em 6 de janeiro de 1859, uma reunião presidida pelo padre Antônio Bento Machado, vigário da freguesia de Tombos, definiu a construção da futura matriz de Santa Luzia. A organização urbana do povoado passou então a seguir exigências típicas da época para formação de freguesias, incluindo a criação de um patrimônio religioso e a abertura do Largo da Matriz diante da igreja principal. Para viabilizar esse processo, José Moreira Carneiro, português natural de Funchal, na Ilha da Madeira, e seu sogro Manoel José da Silva Novaes adquiriram de Francisco de Souza Romano a área necessária para doação à Mitra Diocesana de Mariana. A partir dessa doação surgiu a configuração inicial das ruas centrais da cidade. thumb|direita|Praça da Matriz

A estrutura administrativa de Carangola passou por sucessivas transformações ao longo dos séculos XIX e XX. Em 1860 foi criado o distrito policial de Santa Luzia do Carangola. Em 1866 a localidade tornou-se distrito oficialmente subordinado a São Paulo do Muriaé. Em 1878 foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Muriaé e incorporando inicialmente os distritos de São Francisco do Glória e Tombos do Carangola. Já em 1881, Carangola recebeu oficialmente o título de cidade.

Nas décadas seguintes, o município expandiu significativamente seu território administrativo, incorporando áreas que posteriormente dariam origem a diversos municípios da região. Entre o final do século XIX e o início do século XX foram criados ou incorporados distritos como São Mateus, São Sebastião da Barra, Divino Espírito Santo do Carangola, Alto Carangola, Alvorada e São João do Rio Preto. Em determinados períodos o município chegou a possuir sete ou oito distritos simultaneamente, enquanto atualmente mantém os distritos de Carangola, Alvorada, Lacerdinha e Ponte Alta de Minas. Essas sucessivas mudanças refletem o papel histórico de Carangola como um dos principais núcleos de ocupação e expansão territorial da Zona da Mata mineira.

Ao longo do século XX, sucessivos desmembramentos territoriais reduziram significativamente a dimensão econômica e administrativa do município. A crise da cafeicultura, somada à erradicação de lavouras consideradas improdutivas a partir da década de 1960, contribuiu para o enfraquecimento da economia local, que anteriormente figurava entre as mais dinâmicas do estado mineiro.

Geografia Localização De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Carangola. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Muriaé, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.

Enchentes A cidade vem sofrendo com as constantes enchentes (transbordamentos) do Rio Carangola que corta a área urbanizada, em forma de vale, onde se localiza o comércio e onde se concentra a mancha habitacional urbana. O assoreamento dos cursos d´àgua, o desmatamento das margens e a falta de tratamento de adequado dos dejetos, a poluição, associadas as fortes chuvas do período mais quentes do ano são as principais causas das enchentes.

Em janeiro de 2020 o município foi atingido por uma enchente que atingiu um nível recorde, superando a de 1985, que até então havia sido a maior dos últimos tempos. Em 1985, o Rio Carangola subiu seis metros acima do nível normal, atingindo 3,80 metros acima das pontes centrais da cidade. Na época, quatro mortes foram contabilizadas e mais de 2.500 famílias ficaram desabrigadas.

Dados do município thumb|direita|Região do Centro de Carangola thumb|direita|Vista parcial da cidade Carangola possui área territorial de aproximadamente 353 km² e população superior a 31 mil habitantes, apresentando densidade demográfica próxima de 88 habitantes por quilômetro quadrado. O município integra a região da Zona da Mata mineira e localiza-se a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte, mantendo posição de destaque regional no leste de Minas Gerais.

Os habitantes do município são chamados de carangolenses. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) registrado é de aproximadamente 0,695, considerado médio-alto em comparação aos indicadores nacionais. O clima predominante é tropical de altitude, caracterizado por temperaturas amenas em parte do ano, verões úmidos e períodos de inverno mais secos. A economia local possui forte ligação com a agropecuária, especialmente com o cultivo de café e a produção leiteira, além do comércio e da prestação de serviços urbanos.

Carangola exerce influência regional na oferta de comércio, educação e serviços públicos, funcionando como centro de atendimento para municípios vizinhos da Zona da Mata. O município também possui atrativos naturais e culturais relacionados ao turismo rural, ecológico e histórico, integrando áreas próximas ao Caparaó mineiro e à Serra do Brigadeiro. Carangola faz divisa com Fervedouro, Divino, Tombos, Espera Feliz, Orizânia e Santana do Manhuaçu.

Carangola apresenta taxa de escolarização de aproximadamente 97% entre crianças de 6 a 14 anos, índice considerado elevado dentro do contexto regional da Zona da Mata mineira.

Em relação à economia, o município possui Produto Interno Bruto per capita superior a R$ 24 mil, demonstrando relevância econômica regional em comparação a outros municípios do entorno. Os indicadores de saneamento apontam que mais de 85% dos domicílios urbanos possuem arborização em vias públicas, enquanto pouco mais de 40% das residências localizadas em áreas urbanas estão em vias com urbanização adequada, incluindo presença de bueiros, calçadas, pavimentação e meio-fio.