Cristina é um município brasileiro no sul do estado de Minas Gerais. Localiza-se na Região Geográfica Imediata de São Lourenço. Sua população recenseada em 2022 era de habitantes. É conhecida como "cidade imperatriz".
Localização O município está localizado no sul do estado. Faz divisa com Maria da Fé, Dom Viçoso, Carmo de Minas, Olímpio Noronha, Pedralva e Conceição das Pedras.
Topônimo O topônimo é uma homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. O nome foi sugerido por um filho do município, o conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz.
História
Na segunda metade do século XVIII, com os sinais de esgotamento de ouro em vilas mineradoras de Minas Gerais como Ouro Preto, Mariana, Sabará e São João del-Rei, muitos mineradores se fixaram no sul do estado, atraídos pela possibilidade de existência de ouro na região e pela fertilidade das terras.
O Sertão da Pedra Branca (nome original da região) começou a ser desbravado a partir de 1797, quando surgiram 22 sesmarias. A primeira sesmaria foi concedida a João de Souza Portes em 6 de novembro de 1797 no local denominado Barra Mansa; no mesmo ano foram concedidas as sesmarias do Pitangal, pertencente a João Fernandes da Silva, e do Urutu, de propriedade de Manoel Cardoso de Menezes. Em 22 de maio de 1798, Domingos Rodrigues Simões e sua esposa Inês Monteiro de Alvarenga receberam meia légua na paragem chamada Comquibios (variação da palavra latina cumquibus, que significa riqueza). Foram estes os primeiros moradores das paragens às margens do rio Lambari, que derrubando matas edificaram as primeiras sesmarias, que na realidade eram fazendas dedicadas a agricultura, haja vista a fertilidade dos terrenos encontrados. Um pouco mais tarde, por volta de 1810, foi edificada uma ermita em louvor a Nossa Senhora da Glória no atual município, pelo padre açoriano José Dutra da Luz, que já fora vigário de Pouso Alto, cujos sobrinhos formam alguns dos principais troncos familiares da região.
Formação do arraial Em 1817, já existia um pequeno arraial na sesmaria de "Comquibios", quando alguns de seus habitantes solicitaram à Diocese de Mariana uma autorização para a construção de uma capela em louvor ao Divino Espírito Santo, que já estava edificada por voltas de 1820 e era subordinada eclesiasticamente à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Pouso Alto e consequentemente ao Curato do Carmo (atual Carmo de Minas). A construção do templo deveu-se aos esforços de Manoel Machado de Vasconcelos e seu irmão Agostinho Machado, proprietários da sesmaria do Pitangal.
Assumindo a Diocese de Mariana, em 1820, o bispo Dom Frei José da Santíssima Trindade, viajando pela Comarca do Rio das Mortes em suas visitas pastorais no ano de 1824, designou a ida de um sacerdote à Capela do Espírito Santo em Cumquibus, para a administração de crismas.
Formação territorial e município independente A Lei Provincial nº 209, de 7 de abril de 1841, elevou a povoação de Cumquibus (ou Comquibios) à categoria de freguesia, com o nome de Espírito Santo dos Cumquibus, subordinada à vila de Campanha, sendo transferida para Itajubá com a sua emancipação, em 1848.
A Lei Provincial nº 485, de 19 de junho de 1850, elevou a freguesia à categoria de vila, desmembrando-a de Itajubá e dando-lhe o nome de Cristina. O grande articulador desse momento foi Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, filho da região, que mais tarde exerceria importantes ministérios no Império.
Nos anos seguintes à criação da vila, ela recebeu melhoramentos, como o primeiro mercado em 1855 e a primeira agência dos Correios em 1857.
1868 foi um ano marcante para Cristina, não só pelo nascimento de um de seus filhos mais ilustres, o futuro governador de Minas Gerais e presidente do Brasil Delfim Moreira, mas também pela visita da Princesa Isabel e do seu marido, o Conde d’Eu, à vila. Após passagem pelas estâncias hidrominerais de Caxambu e Lambari, foram para Cristina, que já vinha preparando a sua estadia desde 26 de novembro daquele ano.
Os preparativos teriam sido feitos pelo então Presidente da Câmara, Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. A visita Princesa à Vila ocorreu nos dias 1º e 2º de dezembro, hospedando-se na residência do Joaquim Delfino, situada na Rua Direita (atual Rua Governador Valadares).
A Lei nº 1.885, de 15 de julho de 1872, elevou Cristina à categoria de cidade e, em 8 de julho de 1876, pela Lei nº 2.273, se tornou sede de comarca, suprimida em 1903 e incorporada à comarca de Itajubá, voltando novamente a ser comarca novamente pela Lei estadual nº 663, de 18 de setembro de 1915.
Em 1884, Cristina sofreu sua primeira perda territorial, com a criação da vila de Pedra Branca (atual Pedralva). Em 1891, a ferrovia chegou à cidade. Em 1901, foi a vez da freguesia de Carmo de Cristina ser emancipada, com o nome de Silvestre Ferraz, levando consigo também o distrito de São Lourenço.
Em 1911, Campos de Maria da Fé (atual Maria da Fé) foi desmembrada de Cristina. Em 1923, o distrito de Dom Viçoso foi transferido para Silvestre Ferraz.
Em 1962, o distrito de Olímpio Noronha foi emancipado.
Economia Em meados do século XIX, o plantio e beneficiamento de fumo era o principal produto das maiores fazendas.
Indústria Hoje o muncípio conta com diversas fábricas de luvas e outros equipamentos de couro (EPI) para o comércio intermunicipal e interestadual. Além destas, a cidade conta com uma fábrica de batata palha, e outra de fabricação de produtos derivados do leite (Natalac).
Agricultura Cristina se destaca na produção de café, destacando-se a produção de café especial na fazenda do agricultor Sebastião Afonso da Silva, ganhador duas vezes seguidas do Cup Of Excellence, que consagra os melhores produtores de café do mundo.
Pecuária O município produz hoje em torno de 7,3 milhões de litros de leite/ano, com rebanho composto de aproximadamente 3,5 mil animais, pertencentes a 200 produtores.
A criação de pequenos animais é uma atividade realizada praticamente por todas as famílias rurais com objetivos principais de consumo familiar e pequena comercialização.
Turismo O município integra o Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas e é servido pelas rodovias AMG-1905, MG-347 e MGC-383. A cidade conta com várias cachoeiras, dentre elas a da Gruta que fica a poucos metros da praça central da cidade, além de belos casarões antigos dos séculos XIX e XX e da bela e antiga estação ferroviária da cidade (atual rodoviária).
Cultura e natureza miniaturadaimagem|Sede da prefeitura municipal Cristina é a terra natal de Delfim Moreira, 10º presidente da República. Cristina conta com um museu, o "Museu do Trem" (local onde são guardados equipamentos e utensílios da extinta ferrovia, a Estrada de Ferro Sapucaí, inclusive uma locomotiva restaurada), monumentos, como o busto e cripta do Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior, a estátua do Leão e do Peixinho, o famoso chafariz, o túmulo do "Conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz" (logo na entrada do cemitério). Além de diversas praças, casarões antigos, inúmeras cachoeiras, rios, chácaras, fazendas históricas e montanhas.
Entre os casarões, podem ser conhecidos: Casarão dos Noronha Kauage (hoje transformado em pousada); Casarão da família Fonseca (Nilo Fonseca); Casarão da família Azevedo (João de Azevedo ("João Gastão"); Casarão da família Barcelos (propriedade da família Noronha); Casarão da família Alves Ribeiro (descendentes de Cornélio Alves Ribeiro); Prédio centenário da Estação Ferroviária (hoje, transformado em Terminal Rodoviário); Casarão da Família Junqueira Ferraz (Adolfo Junqueira Ferraz);
Política Período Imperial No período imperial, os governantes a nível municipal eram denominadas presidentes da Câmara. Abaixo a lista dos chefes do executivo municipal de Cristina, até o fim da monarquia no Brasil:
Presidentes da Câmara Municipal nº Nome início do mandato fim do mandato1João Carneiro Santiago185218522João Batista Pinto185318563Joaquim Carneiro Santiago185718574José Felipe dos Santos185718575Joaquim Carneiro Santiago185718606Fernando Oliver Alzamora186118617Joaquim Delfino Ribeiro da Luz186118618Fernando Oliver Alzamora186218629Joaquim Delfino Ribeiro da Luz1862186410Antônio Dias Ferraz1864186411Joaquim Delfino Ribeiro da Luz1865186912Manoel Carneiro Neto1870187113Joaquim Delfino Ribeiro da Luz1872187614Antônio Vieira da Silva1877188015Francisco Carneiro Ribeiro1881188416Antônio Olyntho Batista Pinto1885188817Antônio Vieira da Silva18891889
Período Republicano Agentes Executivos Com o advento da República, até o ano de 1930 os municípios elegiam apenas vereadores, o qual mais votado desempenhava o cargo de Agente Executivo:
nº Nome início do mandato fim do mandato1Francisco Isidoro da Silveira Pinto189018902Antônio Vieira da Silva189018903João Batista da Fonseca189018914Luis d'Oliveira189218925Joaquim Machado de Andrade189318946Francisco José Barbosa189518957Francisco Isidoro da Silveira Pinto190019038Francisco José Ribeiro Sobrinho190419079Godofredo Pinto da Fonseca1908192310Albertino Dias Ferraz1923192611Pedro Carneiro de Rezende1927193012Antônio Cândido Toledo1931193413João Bueno Mendonça de Azevedo19351937
Prefeitos municipais Com o advento da Revolução de 1930 o cargo foi extinto e então criado o cargo de Prefeito Municipal: nº Nome início do mandato fim do mandato1José Rezende Ferraz (Interventor)193719462Gastão de Azevedo Filho (Interino)194619463Mário Carneiro Paraguai (Interino)194719474Gastão de Azevedo Filho (Interino)194719475João Bueno Mendonça de Azevedo194719476João Teixeira Pinto194719517Ibrahim Pinto da Fonseca195119548Cornélio Alves Ribeiro195519599João José de Souza1959196310Gabriel Ribeiro Ferraz (afastado por motivo de doença)1963196311Pedro Paulo de Rezende (Vice-prefeito)1963196712Cornélio Alves Ribeiro1967197013Benedito Teixeira de Carvalho1971197314Walter Rodrigues1973197715Miguel Aley1977198316Walter Rodrigues1983198817José Clênio Pereira1989199218José Carlos Filho1993199619João Dionísio Chaves1997200420Luiz Dárcio Pereira2005201221Márcio Barros Ribeiro2013201622Ricardo Pereira Azevedo2017202423Márcio Barros Ribeiro2025atualmente
Religião De acordo com o censo demográfico de 2022 a população do município naquele ano era constituída por 78,3% de católicos romanos, 16,7% de evangélicos, 3% de outras denominações e 1,9% sem religião.
Possível aparição de Nossa Senhora de Fátima em Cristina Crianças afirmaram ter visto uma aparição de Nossa Senhora em Cristina, segundo elas teria aparecido consecutivamente por três dias e teria pedido insistentemente para as crianças rezarem, ainda segundo elas a aparição teria acontecido em cima de uma capela enquanto elas brincavam.
O fato realmente é curioso ao ponto de vista que várias pessoas conseguiram fotografar e filmar de vários pontos da cidade a suposta aparição, mas com o fim de investigação o pároco da cidade, Antônio Carlos Oliveira, retirou a corneta da capela com o fim de estudar melhor o caso.
Segundo matéria vinculada pelo Estado de Minas o fato gerou controvérsias na pequena cidade, de 10.000 (dez mil) habitantes, ainda segundo a mesma matéria uma testemunha ocular teria sentido arrepios.
Mas para o astrofísico, Gabriel Hickel, o caso realmente aconteceu, porém com uma explicação científica, segundo ele trata-se de uma ilusão de ótica causada pelas luzes da igreja que refletia através da corneta uma imagem semelhante a Nossa Senhora gerando um efeito conhecido como pareidolia.
Notas
Ligações externas Prefeitura de Cristina Câmara municipal de Cristina Cristina no WikiMapia Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas Cristina no IBGE Cidades
Categoria:Fundações em Minas Gerais em 1872 Categoria:Municípios de Minas Gerais