Itueta é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 54% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com seis estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,635, classificado como médio em relação ao estado.
O povoamento do município teve início no começo do século XX, com a vinda de colonos alemães e italianos que deram início à agricultura, e mais tarde, à exploração madeireira, cujas atividades foram beneficiadas pela construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e fizeram com que a localidade se desenvolvesse. Em 1938, foi criado o distrito de Itueta, que emancipou-se em 27 de dezembro de 1948. Na década de 1950, no entanto, a madeira tornou-se escassa na região, o que implicou no declínio da atividade madeireira e, posteriormente, na evasão da população da cidade.
Na década de 2000 o núcleo urbano de Itueta precisou ser relocado, devido à inundação da localidade em decorrência da formação do lago da Usina Hidrelétrica de Aimorés. Isso resultou em problemas à população, a exemplo de perda de referências e dificuldades de convívio social. A nova cidade, no entanto, foi totalmente planejada e urbanizada, contando com serviços que antes não existiam, como estação de tratamento de esgoto e de lixo, centro cultural, museu, terminal rodoviário e acesso pavimentado às cidades vizinhas através da BR-259. Ademais, manifestações culturais, como o artesanato e a Festa de São João, padroeiro municipal, continuam presentes na vida ituetana e se destacam localmente.
Etimologia
O nome recebido pelo local, Itueta, tem origem na língua tupi e é uma junção dos termos ytu, cachoeira, e etá, muitas, significando "muitas cachoeiras", remetendo às pequenas quedas d'água existentes nos rios, em função das pedras.
História
thumb|esquerda|Interior da Praça Antônio Barbosa de Castro, praça principal da cidade, construída como parte da nova sede municipal na década de 2000. A ocupação da área do atual município teve início após o começo da Primeira Guerra Mundial, ainda em 1914, quando fixaram-se colonos de origem alemã na margem esquerda do rio Doce e de italianos na margem direita. O desenvolvimento da localidade ganha impulso após a instalação da chamada Fazenda Barra do Quatiz, na margem direita do rio, por volta de 1925, associada à implantação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Neste período também construíram-se várias serrarias no local.
Dado o desenvolvimento populacional e econômico, pela lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, houve a criação do distrito de Itueta, subordinado a Resplendor, sendo elevado à categoria de município pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1949, tendo seu primeiro prefeito, Antônio Barbosa de Castro, tomado posse juntamente com a primeira bancada de vereadores em 19 de março do mesmo ano. Esse dia é considerado o "dia do Legislativo", segundo a lei orgânica. A lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou seu único distrito, Quatituba. No decorrer da década de 1950, a madeira tornou-se escassa na região, o que implicou o fechamento das serrarias e em um grande declínio da atividade madeireira; resultando na evasão da população de Itueta.
Na década de 2000, parte da sede municipal foi relocada devido à formação do lago da Usina Hidrelétrica de Aimorés. Todo o perímetro urbano da cidade foi reconstruído, sendo que a antiga cidade possuía e ganhou , incluindo vias, casas e equipamentos sociais. Parte do traçado da EFVM também foi redesenhado, levando ao fechamento da estação ferroviária de Itueta, inaugurada em 1927. As mudanças foram realizadas entre 2004 e 2005, com a população enfrentando problemas como perda de referências e dificuldades de convívio social. A nova cidade, no entanto, foi totalmente planejada e urbanizada, contando com serviços que antes não existiam, como estação de tratamento de esgoto e de lixo, centro cultural, museu, biblioteca, terminal rodoviário e acesso pavimentado às cidades vizinhas através da BR-259.
Em 2022 a língua pomerana foi cooficializada no município.Lei Municipal Nº 387, de 19 de Maio de 2022, Dispõe sobre a cooficialização da Língua Pomerana, à Língua Portuguesa, no Município de Itueta - MG
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19°23'47" de latitude sul e 41°13'34" de longitude oeste e está a uma distância de 458 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Resplendor, a norte; Santa Rita do Itueto, a oeste; Aimorés, a sul; e Baixo Guandu, no estado do Espírito Santo, a leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Aimorés-Resplendor. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|BR-259 entre Itueta e Aimorés O relevo do município de Itueta é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente 50% do território ituetano há o predomínio de terras montanhosas, enquanto que cerca de 40% é coberto por mares de morros e terrenos ondulados e 10% lugares aplainados. A altitude máxima encontra-se no Morro da Jacutinga, que chega aos 880 metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do rio Resplendor, com 229 metros. Já o ponto central da cidade está a cerca de 100 metros.
O principal rio que passa por Itueta é o rio Doce, porém o território municipal é banhado por vários mananciais, como os rios Manhuaçu e Resplendor e o córrego Quatis, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município, principalmente o rio Doce, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes, e em 2003 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios, da mesma forma que em dezembro de 2013. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a escassez de recursos hídricos, a redução do pescado e as queimadas. Os principais setores atingidos por esses empecilhos são a atividade pecuária e a atividade agrícola. Parte da cobertura vegetal original foi destruída durante o século XX, devido ao desenvolvimento da extração madeireira no município. Uma das principais áreas de preservação ambiental situadas no município é o Parque Estadual de Sete Salões, que foi criado em 22 de setembro de 1998 e também abrange partes de Conselheiro Pena, Santa Rita do Itueto e Resplendor, sendo este em maior parte. Possui área total e é um dos maiores remanescente de Mata Atlântica do Vale do Rio Doce, estando associado a formações de campos rupestres e florestas de candeias.
Clima O clima ituetano é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Itueta é o 793º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 1,1073 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (22,04%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,03%) tinham de 15 a 64 anos e 637 pessoas (10,93%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,5 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0.
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população ituetana era composta por brancos (49,16%); 261 negros (4,48%); 23 amarelos (0,39%) e pardos (45,97%). Considerando-se a região de nascimento, dez eram nascidos na Região Norte (0,17%), 73 na Região Nordeste (1,25%), no Sudeste (97,37%), nove na Região Sul (0,16%) e 14 no Centro-Oeste (0,24%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (87,96%) e, desse total, eram nascidos em Itueta (60,34%). Entre os 702 naturais de outras unidades da federação, Espírito Santo era o estado com maior presença, com 522 pessoas (8,96%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 24 residentes (0,41%), e pelo Piauí, com 16 habitantes residentes no município (0,27%). thumb|esquerda|Residências no entorno da Praça Antônio Barbosa de Castro