O Faial Filmes Fest, também designado Festival de Curtas das Ilhas e Festival de Cinema dos Açores, foi um festival de cinema organizado pelo Cineclube da Horta e realizado na cidade da Horta, na ilha do Faial, nos Açores, entre 2005 e 2011.

Criado em 2005, teve por objetivo inicial divulgar e promover a produção cinematográfica regional e local, tendo passado a acolher realizadores de todo o país em 2007. Nas edições seguintes as secções competitivas foram alargadas aos países de língua portuguesa e aos arquipélagos da Macaronésia.

História

Criação e primeiras edições

O festival foi criado em 2005, tendo então por finalidade a divulgação da produção cinematográfica realizada sobretudo a nível regional e local.

Em 2007, a participação foi alargada a realizadores de todo o país.

Edição de 2008

A quarta edição teve início a 27 de outubro de 2008. O concurso reuniu dez filmes de realizadores açorianos e vinte de realizadores nacionais, selecionados entre as 85 inscrições recebidas.

A edição prestou homenagem ao realizador Fernando Lopes, com a exibição de um documentário sobre a sua vida e obra, e apresentou em antestreia nacional o filme Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, adaptação da obra Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. A sessão contou com a presença do realizador, do produtor Niv Fichman e do argumentista Don McKellar.

Edição de 2009

A quinta edição decorreu entre 2 e 8 de novembro de 2009. O júri foi constituído por Raquel Freire, a primeira cineasta a integrá-lo, João Paulo Macedo, Maria Pimentel, Rafael Barcelos e Rita Freitas. A secção competitiva reuniu 44 curtas-metragens, número que constituiu um recorde para o certame.

O prémio principal e o de melhor ficção couberam a Arena, de João Salaviza, sobre um homem em prisão domiciliária que faz tatuagens para ocupar o tempo. Foram ainda distinguidos Listening to the Silences, de Pedro Flores, como melhor documentário, e Mi Vida en Tus Manos, de Nuno Beato, como melhor animação.

O realizador Paulo Rocha foi o homenageado da edição, tendo recebido um prémio de carreira na sessão de abertura, a 2 de novembro, após a exibição do filme Os Verdes Anos, da sua autoria.

Edição de 2010

A sexta edição decorreu entre 31 de outubro e 7 de novembro de 2010 e integrou uma seleção oficial de 57 filmes, nos géneros de ficção, documentário, animação e experimental. A principal alteração introduzida foi a abertura das secções competitivas a todos os países lusófonos, tendo o Brasil sido o país convidado, com sete filmes a concurso. O programa incluiu ainda uma secção competitiva destinada aos arquipélagos da Macaronésia, Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias.

O concurso esteve aberto a realizadores nascidos ou residentes em Portugal continental, nos arquipélagos dos Açores, da Madeira e das Canárias, ou em países de língua portuguesa, entre os quais Angola, o Brasil, Moçambique e Timor-Leste. As inscrições decorreram até 31 de agosto de 2010. Segundo a organização, esta abertura pretendia afirmar o certame como um espaço mais abrangente de reunião em torno do cinema, congregando as realidades culturais da comunidade de países de língua portuguesa.

Podiam concorrer filmes produzidos a partir de 2008, a cores ou a preto e branco, em formatos que incluíam 35 mm, 16 mm, Super 8, MiniDV, DVCam, Betacam SP e DVD.

A edição homenageou Manoel de Oliveira, cuja curta-metragem Painéis de S. Vicente de Fora — Visão Poética foi apresentada na sessão de encerramento, com a presença do realizador. Participaram igualmente Manuel Mozos, Edgar Pêra e Anna da Palma. Além das sessões de cinema, o programa integrou conferências, exposições, oficinas e espetáculos musicais.

Edição de 2011

A sétima edição decorreu entre 30 de outubro e 5 de novembro de 2011 e teve como principal novidade a abertura às longas-metragens. As inscrições estiveram abertas a realizadores de todos os países lusófonos, podendo ainda concorrer filmes das Canárias, integrados na secção «Ilhas da Macaronésia» juntamente com trabalhos dos Açores, da Madeira e de Cabo Verde.

Foram recebidas cerca de duas centenas de curtas-metragens e mais de trinta longas-metragens, tendo a seleção oficial integrado 33 curtas e nove longas. Entre as longas-metragens portuguesas em competição encontravam-se Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, O Barão, de Edgar Pêra, Cisne, de Teresa Villaverde, e Estrada de Palha, de Rodrigo Areias.

A edição homenageou o realizador António de Macedo, com a exibição do filme Almada Negreiros Vivo Hoje na sessão de encerramento.

Fora de competição, o festival apresentou em antestreia regional Dharma Guns, do realizador francês F. J. Ossang, parcialmente rodado nos Açores, bem como o documentário É na Terra Não É na Lua, de Gonçalo Tocha, rodado na ilha do Corvo.

Interrupção

O certame realizou-se entre 2005 e 2011. Segundo Sara Rodrigues Abreu, contava-se entre os festivais mais periféricos, promotores da descentralização cultural, que menos beneficiaram da institucionalização dos apoios públicos iniciada em 2003; a redução do financiamento levou vários certames a extinguir-se ou a interromper as suas edições, entre os quais o açoriano.

Prémios

Na edição de 2010, o júri atribuiu os prémios de Melhor Filme, Melhor Ficção, Melhor Animação e Melhor Documentário, aos quais acresciam o de Melhor Curtíssima, destinado a películas com menos de cinco minutos, e o de Melhor Filme das Ilhas, reservado a realizadores da Macaronésia. O prémio de Melhor Filme de Escolas distinguia trabalhos produzidos por escolas de cinema dos arquipélagos da Macaronésia e o Prémio do Público resultava da votação dos espectadores. A organização atribuía ainda os prémios de Melhor Filme Açoriano, entre os trabalhos de realizadores nascidos ou residentes no arquipélago, e de Melhor Filme Faialense, entre os de realizadores nascidos ou residentes na ilha do Faial.

Referências

Categoria:Festivais de cinema de Portugal Categoria:Horta Categoria:Festivais de curta-metragem Categoria:Fundações em Portugal em 2005 Categoria:Extinções em Portugal em 2011