Mariana é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. No entanto, possui uma população flutuante, girando em torno, provavelmente, de 30 mil habitantes. A economia local depende principalmente do turismo e da extração de minérios.

Mariana é conhecida como a primaz de Minas, por ter sido a primeira vila, cidade, bispado e capital de Minas Gerais. No século XVIII, foi uma das maiores cidades produtoras de ouro para o Império Português. Tornou-se a primeira capital mineira por participar de uma disputa onde a Vila que arrecadasse maior quantidade de ouro seria elevada a cidade sendo a capital da então Capitania de Minas Gerais.

Em comparação com outros municípios do estado, Mariana detém uma posição econômica de destaque, sendo que o seu produto interno bruto (PIB) é um dos maiores de Minas Gerais. Sendo conhecida pela preservação cultural e patrimonial, liderando por 16 anos, com a maior pontuação, o ICMS Cultural.

História

Indígenas pré-europeus O atual território de Minas Gerais era habitado pelas populações indígenas falantes de línguas macro-jês até o século XVI, quando ocorreu o início da ocupação portuguesa do território.Conheça Minas. Disponível em http://www.conhecaminas.com/2016/04/as-comunidades-indigenas-em-minas-gerais.html. Acesso em 10 de outubro de 2018.

Fundação thumb|esquerda|Panorama de Mariana, por Alberto Delpino (1895) thumb|esquerda|Igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis, início do século XX. Arquivo Nacional. A origem da cidade remonta ao final do século XVII.http://www.iranilima.com/2013/12/resumo-da-historia-se-taubate_4976.html A região em que hoje se encontra o território das Minas Gerais pertencia à Capitania de Itanhaém, porém encontrava-se completamente sem colonização de origem portuguesa. Assim, sob ordens dos donatários da capitania de Itanhaém, bandeirantes oriundos de Taubaté, primeira cidade do Vale do Paraíba, começaram a explorar o sertão após a Serra da Mantiqueira em busca do ouro. Ainda na segunda metade do século XVII, fundaram o primeiro núcleo colonial em território das futuras Minas Gerais, a considerada primeira vila mineira.

O governador, em cerimônia, escolheu o lugar da praça pública, tendo, no seu centro, o pelourinho, símbolo da autonomia administrativa recém-adquirida. Nos dias seguintes, os "homens bons" se reuniram para a eleição da Câmara e a nomeação de diferentes oficiais municipais. No caso do Carmo, foi escolhido o arraial que conhecia mais forte crescimento, o arraial de Cima. A descrição da cerimônia estipulava que não somente os habitantes do lugar, mas todos que doravante dependeriam da jurisdição do novo distrito, se encarregariam, segundo seus meios, da construção da igreja, da Câmara e da prisão.

Foi desta maneira que foi criada a primeira vila e, posteriormente, a primeira cidade em Minas Gerais. Estavam presentes, segundo o Termo escrito então, as pessoas e moradores principais, assinando o documento (escrito por Manuel Pegado) Antônio de Freitas da Silva, Domingos Fernandes Pinto, José Rebelo Perdigão, Aleonardo Nardi Sizão de Sousa, que também assinava aliás Nardi de Arzão, Manuel Antunes de Lemos, Antônio Correia Ribeiro, Francisco de Campos (antigo chefe emboaba), Feliz de Azevedo Carneiro e Cunha, Pedro Teixeira Sequeira, Rafael da Silva e Sousa, conhecido reinol, José de Campos, Antônio Correia Sardinha, Bartolomeu Fernandes, Manuel Gonçalves Fraga, José de Almeida Naves, Jacinto Barbosa Lopes, Manuel da Silva e Sousa, Bernardo de Chaves Cabral, Manuel Ferreira Vilence, Torquato Teixeira de Carvalho, João Delgado de Camargos, Filipe de Campos, Manuel da Silva Leme, Caetano Moniz da Costa, Jerónimo da Silveira de Azevedo, Sebastião Preto Ferreira, Francisco Ribeiro de Morais, Fernando de Andrade, Jacinto Nogueira Pinto, Antônio Rodrigues de Sousa, Inácio de Sampaio e Almeida, Francisco de Lucena Monte Arroio, Pedro Correia de Godói, Bento Vieira de Sousa e José de Barros e Fonseca.

Mariana faz parte da história do nascimento de Minas Gerais, pois foi sua primeira vila, cidade e capital. Sua imagem mais antiga foi o panorama desenhado por Thomas Ender em cerca de 1817, do Morro do Cruzeiro.

Designação da vila e da cidade A designação de Mariana veio mais tarde, em homenagem à rainha D. Maria Ana de Áustria, esposa do rei D. João V. Em 8 de abril de 1711, o governador do Rio de Janeiro Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho criou, no arraial do Ribeirão do Carmo, a Vila do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, confirmada por Carta Régia de 14 de abril de 1712 com o nome mudado para Vila Real de Nossa Senhora. Mudará de nome outra vez em 23 de abril de 1745 para Cidade Mariana, homenagem do rei dom João V de Portugal a dona Maria Ana de Áustria, sua esposa.

Bispado thumb|esquerda|Mariana em cerca de 1817, por Thomas Ender. A Diocese de Mariana foi ereta pelo Papa Bento XIV, no dia 6 de dezembro de 1745, por meio da bula Candor lucis æternæ, a partir de território desmembrado da então Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, sendo nomeado primeiro bispo Dom Frei Manuel da Cruz. A mesma bula criou a então Diocese de São Paulo (atualmente Arquidiocese de São Paulo), na Capitania de São Paulo. No dia 16 de julho de 1897, um decreto pontifício transferiu para a Diocese de Mariana os municípios de Minas Gerais então subordinados à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Em 11 de julho de 1903, presidido por Dom Silvério Gomes Pimenta, foi realizado o Primeiro Sínodo da Diocese de Mariana,PRIMEYRO Synodo da Diocese de Marianna celebrado pelo Exm.º e Rvmº Snr. Bispo D. Silverio Gomes Pimenta; julho de 1903. Marianna: Typographia Episcopal, 1903. 107p. e no dia 1º de maio de 1906, o Papa Pio X, por meio da bula Sempiternam humani generis, elevou a diocese à categoria de arquidiocese e sé metropolitana.

A Diocese de Mariana abrangia um território inicialmente bastante extenso, o qual foi desmembrado sucessivamente para constituir outras dioceses em Minas Gerais: Diamantina (1854), Pouso Alegre (1900), Caratinga (1915), Luz (1918), Belo Horizonte (1921), Juiz de Fora (1924), Leopoldina (1942), São João del-Rei (1960) e Itabira-Fabriciano (1965).

Em julho de 1919, a cidade, bem como a vizinha Ouro Preto, foi visitada pelo artista e ensaísta Mário de Andrade. Ele buscava referências de arte brasileira para fundamentar um apresentação de nome "A Igreja e a arte no Brasil". Em Mariana, ele conheceu Alphonsus de Guimaraens e Silvério Gomes Pimenta e visitou as igrejas do centro da cidade e a Casa de Câmara e Cadeia.

Quilombos

Mariana foi um dos centros escravistas no Brasil Colônia. Sendo a segunda cidade que mais recebeu escravizados africanos na História da escravidão na América. Isso não só reflete o trabalho escravizado, mas também a resistência negra a escravidão. Uma das principais formas de resistência era a formação de quilombos. Há diversos quilombos marianenses que ainda resistem aos tempos atuais.

Rompimento de barragem

Em 2015, Bento Rodrigues, um subdistrito de Santa Rita Durão, que é um dos distritos de Mariana, foi destruído após o rompimento de uma barragem administrada pela empresa Samarco. A onda de detritos de mineração atingiu 18,20 m de altura e matou 20 pessoas. A lama também contaminou o rio Doce.

Geografia miniaturadaimagem|Pico do Itacolomi, entre Mariana e Ouro Preto thumb|Típico relevo em Mariana, Parque Estadual do Itacolomi De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Belo Horizonte e Imediata de Santa Bárbara - Ouro Preto. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ouro Preto, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.

Mariana está localizada a cerca de 12 km de Ouro Preto, 45 km de Ouro Branco, 60 km de Itabirito, 70 km de Conselheiro Lafaiete, 70 km de Ponte Nova e 75 km de Congonhas. Sua distância em relação à capital Belo Horizonte é de 110 quilômetros.

Relevo Na maior parte do município são marcantes os relevos ondulados e a presença de planaltos. Na divisa entre os municípios de Mariana e Ouro Preto situa-se o Parque Estadual do Itacolomi, onde é localizado o Pico do Itacolomi, o ponto mais alto do município se localiza nas bordas da Serra do Caraça a uma altitude que beira os 2000 metros. O Pico do Itacolomi não é o ponto mais alto nem de Ouro Preto nem de Mariana como popularmente se acredita, o pico fica em Mariana e possui uma altitude de 1772 metros. Topografia%Plano10Ondulado30Montanhoso60

Hidrografia

O principal rio da cidade é o Rio do Carmo, que separa o centro histórico da parte mais nova da cidade. Há também o Rio Gualaxo do Sul, e outros rios menores nos arredores da cidade.

Clima O clima no município é típico tropical de altitude úmido. Os verões são quentes e chove com mais frequência. No inverno as temperaturas caem. A topografia da região, muito montanhosa e escarpada propicia a formação de bolsões de ar frio e neblina. O fenômeno é bastante visível ao amanhecer.

Bioma Em grande parte do município a vegetação predominante é a mata atlântica. O cerrado também compõe o bioma do município, bem como a mata de transição.

Demografia thumb|direita|Zona histórica de Mariana População IBGE 1991: 38.180 habitantes IBGE 2000: 46.710 habitantes IBGE 2010: 54.219 habitantes IBGE 2015: 58.802 habitantes IBGE 2017: 59.857 habitantes IBGE 2022: 61.387 habitantes thumb|direita|Mariana em 1824, por Johann Moritz Rugendas. Possui uma populacao flutuante, girando em torno, provavelmente, de 30 mil habitantes. Em maior grau pela mineração, e em menor pela sua população universitária.

Composição étnica Cor/RaçaPercentagemParda49,05%Branca30,14%Preta18,21%Amarela2,36%Indígena0,25%

IDH miniaturadaimagem|Mariana em 1839, por Ernst Hasenclever (1814-1869). Mariana possui um IDHM considerado alto segundo os padrões do IBGE. Principalmente a renda e a educação foram responsáveis pela elevação do IDH marianense na última divulgação. O IDH de Mariana em 2010 era de 0.742, que a colocava em º lugar entre os municípios brasileiros e o 52º entre os municípios mineiros.

Composição do IDH IDH-M Renda (PNUD 2010) = 0.705 IDH-M Longevidade (PNUD 2010) = 0.874 IDH-M Educação (PNUD 2010) = 0.664

Entre 1991 e 2010, o IDH de Mariana teve um crescimento de cerca de 50% (considerando o total): AnoIDH% parcial19910,49320000,620 +26%20100,742 +20%

Governo e política thumb|Câmara Municipal de Mariana, na Praça Minas Gerais Hino O hino da cidade de Mariana, escrito em 1911, possui letra do poeta neorromântico/simbolista mineiro Alphonsus de Guimaraens e melodia composta por Antônio Miguel.

Subdivisões

Bairros

Barro Preto Bela Vista Bom Sucesso Cabanas Centro Chácara Colina Colina São Pedro Cruzeiro do Sul Dom Oscar Estrela do Sul Fonte da Saudade Jardim dos Inconfidentes Marília de Dirceu Morada do Sol Morro Santana Passagem de Mariana Residencial Dandara Residencial Jardim Santana Residencial Vila Del Rei Rosário Rosário Novo Santa Clara Santa Rita de Cássia Santana Santo António São Cristóvão São Gonçalo São José (Cartucha) São Pedro São Sebastião Vale Verde Vila Aparecida Vila do Carmo Vila Máquine Vila Samitri