thumb|250px|Paisagem estépica. Foi neste tipo de ambiente que viveu o povo protoindo-europeu.
Protoindo-europeus são os hipotéticos falantes da língua protoindo-europeia; um povo pré-histórico da Idade do Cobre e do início da Idade do Bronze. O que se sabe sobre estes povos deve-se principalmente à reconstrução linguística, a par de evidências materiais arqueológicas e arqueogenéticas. A reconstrução linguística está repleta de incertezas significativas com margem para a especulação.
De acordo com alguns arqueólogos, os falantes de protoindo-europeu não podem ser considerados como sendo um povo ou tribo, única e identificável, mas antes um grupo impreciso de populações ancestrais ainda parcialmente pré-históricas, distintas dos indo-europeus da Idade do Bronze. Este ponto de vista é defendido especialmente pelos arqueólogos que postulam uma terra natal original de vasta extensão e de imensa profundidade temporal. Todavia este ponto de vista não é compartilhado pelos linguistas, devido às protolínguas, geralmente, ocuparem áreas geográficas pequenas num horizonte temporal limitado, e serem faladas por comunidades muito próximas, como pequenas tribos.
Os protoindo-europeus terão vivido, provavelmente, durante o final do Neolítico, ou à volta do quarto milênio Antes de Cristo. Uma corrente académica predominante localiza-os na região entre a floresta e a estepe, imediatamente a norte do extremo oeste da estepe pôntica na Europa Oriental. Alguns arqueólogos posicionam estes povos ainda mais no passado, no Neolítico médio (5500 a 4500 Antes de Cristo) ou até mesmo no começo do Neolítico (7500 a 5500 Antes de Cristo) e sugerem hipóteses alternativas de localização.
No final do terceiro milênio Antes de Cristo, desdobramentos dos protoindo-europeus alcançaram a Anatólia, a Grécia, a Europa Ocidental, a Ásia Central e o sul da Sibéria.
Cultura
As características seguintes dos protoindo-europeus e de seu meio ambiente merecem ampla concordância, mas são ainda hipotéticas, devido à sua natureza reconstruída. Alguns dos fatos básicos são: Criação de gado e animais, incluindo gado, cavalos e cães domesticados. Agricultura e cultivo de cereais, incluindo tecnologia geralmente relacionada com as comunidades agrícolas do final do Neolítico, tal como o arado (*h2erh3trom). Clima com neve no inverno"The Indo-Europeans knew snow in their homeland; the word sneigwh- is nearly ubiquitous." The American Heritage Dictionary of the English Language, Fourth Edition. 2000. Transporte por ou através da água. A roda sólida, usada em carroças, mas não ainda em bigas com rodas raiadas.The Oxford introduction to Proto-Indo-European and the Proto-Indo-European world – J. P. Mallory, Douglas Q. Adams, Oxford University Press, 2006, ISBN 0-19-929668-5, p249 Culto a um deus do céu,The Oxford Companion to Archaeology – Edited by Brian M. Fagan, Oxford University Press, 1996, ISBN 0-19-507618-4, p 347 – J.P. Mallory *dyeus ph2tēr (literalmente "pai céu"; > grego antigo Ζευς (πατηρ) / Zeus (patēr); *dieu-ph2tēr > latim Jupiter; ilírio Deipaturos)"Porém, para a sociedade falante de indoeuropeu, podemos reconstruir com segurança a palavra para "deus", *deiw-os, e o nome de duas palavras para a principal deidade do panteão, *dyeu-pəter- (latim "Iūpiter", Grego "Zeus patēr", Sânscrito "" e luviano "Tatis Tiwaz")." The American Heritage Dictionary of the English Language, Fourth Edition. 2000http://books.google.com/books?id=YvzCBBTqyzUC&pg=PA89&dq=%22Zeus+Pater%22+Illyrian&hl=en&ei=F12PTsOHEIP6sgaY__zpDw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCwQ6AEwAA#v=onepage&q=%22Zeus%20Pater%22%20Illyrian&f=false Poesia épica oral ou canções que usavam frases regulares como fama imperecível ou mar de vinho negro. Um sistema de parentesco patrilinear baseado no parentesco entre os homens.
História da pesquisa
Tem havido muitas tentativas para definir que culturas pré-históricas particulares podem ser identificadas com os povos falantes de protoindo-europeu, mas todas são especulativas. Todas as tentativas para identificar um povo atual com uma língua não atestada dependem da reconstrução sonora dessa língua, o que permite a identificação de conceitos culturais e de fatores ambientais que podem ser associados com culturas particulares (tais como o uso de metais, agricultura versus pastoralismo, plantas e animais geograficamente características, etc.).
Os estudiosos do século XIX que primeiro cuidaram da questão da terra natal original dos indo-europeus (também chamada de Urheimat, termo alemão para "terra natal original") estavam essencialmente confinados à evidência linguística. Uma localização aproximada foi tentada pela reconstrução de nomes de plantas e animais (dando grande importância à faia e ao salmão), assim como à cultura e à tecnologia (uma cultura da Idade do Bronze centralizada na criação de animais e tendo domesticado o cavalo). as opiniões eruditas se tornaram basicamente divididas entre a hipótese europeia, postulando uma migração da Europa para a Ásia, e uma hipótese asiática, sustentando que a migração ocorreu na direção oposta.
No começo do século XX, o racismo científico, a questão foi associada à expansão de uma suposta "raça ariana". A questão é ainda controversa em alguns opiniões sobre nacionalismo étnico. Uma série de importantes avanços ocorreu na década de 1970 devido à convergência de vários fatores. Primeiro, o método de datação por radiocarbono, inventado em 1949, tornou-se, no começo da década de 1970, suficientemente barato para ser aplicado em grande escala. Através da dendrocronologia (datação pelos anéis dos troncos de árvores), as datas obtidas pelo radiocarbono puderam ser calibradas a um grau de acuidade muito elevado. E finalmente, antes da década de 1970, partes da Europa Oriental e da Ásia Central tinham estado fora dos limites dos pesquisadores ocidentais, enquanto arqueólogos não-ocidentais não tinham acesso às publicações de seus colegas ocidentais. Este problema foi parcialmente resolvido pelo trabalho pioneiro de Marija Gimbutas, auxiliada por Colin Renfrew, que organizou expedições e e melhorou a colaboração acadêmica entre os pesquisadores ocidentais e os não-ocidentais.
A hipótese Kurgan, atualmente a teoria mais amplamente aceita, é baseada em evidências linguísticas, arqueológicas e genéticas, mas não é universalmente aceita. Ela sugere a origem dos protoindo-europeus na estepe pôntica, durante o Calcolítico. Uma minoria de pesquisadores prefere a hipótese anatólica, que sugere a origem na Anatólia durante o Neolítico. Outras teorias (hipótese armênia, teoria da saída da Índia, teoria da continuidade paleolítica) têm apenas apoio científico marginal.
Hipóteses Urheimat
400px|thumb|Esquema das migrações indo-européias de aproximadamente 4000 a.C. a 1000 a.C. de acordo com a hipótese Kurgan. A região púrpura corresponde à presumida Urheimat (cultura Samara, cultura Sredny Stog). A região em vermelho corresponde à área que deve ter sido colonizada por povos falantes de indo-europeu depois de aproximadamente 2500 a.C.; e a região em laranja até 1000 a.C. Várias ideias foram propostas quanto à localização dos primeiros falantes de protoindo-europeu, poucas das quais sobreviveram ao escrutínio dos acadêmicos especialistas nos estudos indo-europeus suficientemente bem para serem incluídas no debate académico moderno.JP Mallory, In Search of the Indo-Europeans, 2nd edn (1991) Abaixo estão resumidas as três que ainda restam.
No século XX, Marija Gimbutas criou a hipótese Kurgan. O nome foi retirado dos kurgans (montes funerários) das estepes eurasianas. A hipótese sugere que os indo-europeus eram uma tribo nômade da estepe pôntica (atualmente o leste da Ucrânia e o sul da Rússia) que se expandiu em várias ondas durante o 3º milênio AEC. Sua expansão coincidiu com a domesticação do cavalo. Deixando sinais arqueológicos de sua presença, eles subjugaram os pacíficos agricultores neolíticos europeus da civilização da Europa Antiga de Gimbutas. Conforme as crenças de Gimbutas se desenvolveram, ela colocou ênfase crescente na natureza patriarcal e patrilinear da cultura invasora, nitidamente contrastando-a com a supostamente igualitária, se não matrilinear, cultura dos invadidos, a um ponto de formular essencialmente uma arqueologia feminista. Uma forma modificada da teoria de Gimbutas, proposta por James Patrick Mallory, data as migrações um pouco antes de 3500 AEC e insiste menos na natureza violenta ou quase militar da invasão, sendo este o ponto de vista mais apoiado do Urheimat protoindo-europeu.
A hipótese anatólica sugere que as línguas indo-europeias se disseminaram pacificamente para da Ásia Menor para a Europa a partir de 7000 AEC com o avanço da agricultura (onda de avanço). O principal propagador desta teoria é Colin Renfrew. A cultura dos indo-europeus como deduzida pela reconstrução linguística contradiz esta teoria, visto que as culturas neolíticas não tinham cavalos, nem a roda e nem os metais, termos esses todos seguramente reconstruídos para o protoindo-europeu. Renfrew rejeita esse argumento, comparando tais reconstruções à presença da palavra "café" em todas as modernas línguas romances não necessariamente implica que os antigos romanos também a tivessem. Outro contra-argumento é o fato de se saber que a antiga Anatólia antes era habitada por povos não indo-europeus, especialmente hatitas, cálibes e outros; apesar de isso não eliminar a possibilidade de que os primeiros falantes de indo-europeu também pudessem ter vivido lá.
Usando modelos estocásticos de evolução de palavras para estudar a presença ou ausência de diferentes palavras nas línguas indo-europeias, Gray e Atkinson sugerem que a origem dos indo-europeus retrocede há 8500 anos, a primeira divisão sendo o hitita, apoiando a hipótese indo-hitita. Eles tentam evitar um dos problemas associados com a tradicional glotocronologia - o empréstimo linguístico. Porém, eles herdam os principais problemas da glotocronologia, incluindo a falta de provas de que as línguas tenham uma taxa fixa de reposição léxica. Seus cálculos se baiseiam inteiramente nas lista de Swadesh, e enquanto os resultados são bastante robustos para os ramos bem atestados, seu cálculo crucial para a idade do hitita se baseia em 200 palavras da lista de Swadesh de uma única língua.Gray and Atkinson, Language-tree divergence times support the Anatolian theory of Indo-European origin, Nature vol. 426 (2003), pp. 435–9. Um artigo mais recente analisando principalmente 24 línguas antigas, incluindo três línguas anatólias, produziu as mesmas etimativas de tempo e a separação anatólica como a mais antiga.Atkinson, et al., From Words to Dates: Water into wine, mathemagic or phylogenetic inference? Transactions of the Philological Society, vol. 103, no.2 (2005), pp. 193–219. Todavia, suas afirmações são ainda controversas e linguistas mais tradicionais consideram estes métodos pouco acurados para provar a hipótese anatólica.Häkkinen, Jaakko 2012: Problems in the method and interpretations of the computational phylogenetics based on linguistic data - An example of wishful thinking: Bouckaert et al. 2012. http://www.mv.helsinki.fi/home/jphakkin/Problems_of_phylogenetics.pdf