Santa Maria de Itabira é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se a leste da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 60% da população vivendo na zona urbana, Santa Maria de Itabira contava, em 2009, com seis estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,648, classificado como médio em relação à média nacional.
A área do atual município foi alcançada pela primeira vez pelo contexto da exploração aurífera em Minas Gerais. Após a decadência do ouro no estado, as plantações de café e algodão propiciaram a manutenção econômica da localidade, transformada em distrito subordinado a Itabira em 1871 e emancipada na década de 1940. miniaturadaimagem|Rua José Belizário Guerra Viana no coração de Santa Maria de Itabira. A agropecuária, o comércio e a prestação de serviços configuram-se como prevalecentes fontes empregadoras da população santamariense. A culinária, o artesanato e eventos festivos, tais como o Carnaval, a Cavalgada e as comemorações religiosas da Semana Santa e do dia de Nossa Senhora do Rosário, padroeira municipal, são algumas das principais manifestações culturais.
História
A origem do atual município de Santa Maria de Itabira está ligada à época das explorações auríferas no estado de Minas Gerais, encontrando-se inclusive situada em meio ao fluxo da Estrada Real. Mesmo com o fim da extração do ouro, as plantações de café e algodão propiciaram a manutenção econômica da localidade, tanto para a subsistência interna quanto para o intercâmbio entre cidades vizinhas e mesmo outras regiões mineiras. A construção de uma pequena capela, erigida sob a invocação de Maria, mãe de Jesus, marca o estabelecimento do arraial, que teve seu primeiro cartório de paz instalado a 4 de maio de 1883. Dado o desenvolvimento, pela lei provincial nº 1.758, 1º de abril de 1871, é criado o distrito, subordinado a Itabira e com a denominação de Santa Maria, a partir da instalação da Paróquia Nossa Senhora do Rosário.
Em 1923, foram inaugurados o primeiro grupo escolar e o sistema de energia elétrica e pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, o distrito passou a denominar-se Santa Maria de Itabira, sendo emancipado pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, englobando territórios desmembrados dos municípios de Conceição do Mato Dentro e Ferros, além de sua sede, pertencente até então a Itabira. À ocasião, passou a se compor pelos distritos de Itacuru (ex-povoado de Itambé), Itauninha (área desanexada de Ferros) e Passabém (área desconectada de Conceição do Mato Dentro). Pela lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, Itacuru passou a denominar-se Itambé do Mato Dentro, sendo este e Passabém emancipados pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962. Restam desde então o distrito de Itauninha e a sede municipal.
Em fevereiro de 2021, o município foi afetado por fortes chuvas que fizeram várias ruas da cidade ficarem alagadas pelas águas do ribeirão Jirau. Foram registrados deslizamentos de terra nos morros e encostas e algumas localidades ficaram isoladas. Além do fornecimento de água e energia elétrica interrompidos, pelo menos seis pessoas morreram e 160 ficaram desabrigadas.
Geografia thumb|esquerda|Praça dos Sagrados Corações com a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário ao fundo A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º26'58" de latitude sul e 43°06'45" de longitude oeste e está a uma distância de 137 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Ferros e Passabém, a norte; Itambé do Mato Dentro, a noroeste; Itabira, a oeste; Nova Era, a sul; e Antônio Dias, a sul e leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Belo Horizonte e Imediata de Itabira. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Ribeirão Jirau em Santa Maria de Itabira O relevo do município de Santa Maria de Itabira é predominantemente ondulado. Aproximadamente 90% do território santamariense é coberto por mares de morros e áreas onduladas, enquanto que os 10% são terrenos montanhosos. A altitude máxima encontra-se na Serra da Trindade, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego do Peão, com 645 metros. A vegetação original corresponde ao domínio da Mata Atlântica, cujas reservas remanescentes ocupavam hectares em 2011, ou 16,4% da área total municipal. Há considerável presença do reflorestamento com eucalipto para abastecer a usina da Cenibra, situada no município de Belo Oriente.
Os principais cursos hídricos que passam por Santa Maria de Itabira são o rio Tanque e o ribeirão Jirau, que fazem parte da bacia do rio Doce e estão inseridos na sub-bacia do rio Santo Antônio. O rio Tanque possui um considerável potencial hidrelétrico, comportando no município pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Por vezes, na estação das chuvas, os mananciais que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens. A cidade foi uma das afetadas pelas enchentes de 1979, e em 2009 e 2021 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios.
Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Santa Maria de Itabira por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 02/01/2022 Julho 20/07/1964 Fevereiro 21/02/2021 Agosto 22/08/2015 Março 01/03/1997 Setembro 26/09/2002 Abril 07/04/1970 Outubro 14/10/1955 Maio 02/05/1990 Novembro 20/11/2001 Junho 11/06/1989 Dezembro 15/12/1942 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima santamariense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em junho e agosto de 2014, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), entre 1950 e 2022 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Santa Maria de Itabira foi de em 20 de novembro de 2001. Outros grandes acumulados (completando os cinco maiores) foram em 2 de janeiro de 2022, em 25 de janeiro de 2020, em 21 de fevereiro de 2021 e em 18 de novembro de 1968. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 223º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 5,5246 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (25,10%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,22%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (9,68%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,2 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,7. thumb|esquerda|Vista da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Em 2010, a população santamariense era composta por brancos (24,18%), negros (24,93%), 135 amarelos (1,28%) e pardos (49,61%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (99,72%), oito no Nordeste (0,07%) e cinco no Norte (0,05%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (99,38%) e, desse total, eram nascidos em Santa Maria de Itabira (81,22%). Entre os 65 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 36 pessoas (0,34%), seguido pela Bahia, com oito residentes (0,07%), e pelo Amazonas, com cinco habitantes residentes no município (0,05%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Santa Maria de Itabira é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,648 (o 3156º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,533, o valor do índice de longevidade é de 0,821 e o de renda é de 0,648. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 53,1% e em 2010, 80,8% da população vivia acima da linha de pobreza, 13,3% encontrava-se na linha da pobreza e 5,9% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,457, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 49,8%, ou seja, 10,6 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 3,3%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Santa Maria de Itabira está composta por: católicos (87,90%), evangélicos (10,98%), nove Testemunhas de Jeová (0,08%), sete espíritas (0,07%), cinco católicos ortodoxos (0,05%) e 97 pessoas sem religião (0,92%). A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, subordinada à Diocese de Itabira-Fabriciano, está sediada na cidade e abrangia um total de 20 comunidades em 2011.
Política e administração thumb|direita|Paço Municipal Ildeu Bretas de Assis, sede da prefeitura. A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é André Lucio Torres, do Partido Social Democrata (PSD), eleito nas eleições municipais de 2024 com mais de 60% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2025, ao lado de Renata Duarte como vice-prefeita. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente e tutelar, criados em 1992. Santa Maria de Itabira se rege por sua lei orgânica e é termo da Comarca de Itabira, do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, juntamente com os municípios de Itambé do Mato Dentro e Passabém. O município possuía, em dezembro de 2016, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,056% do eleitorado mineiro.
Economia