Santana do Riacho é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira, a norte da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
O povoamento do lugar teve início no decorrer do século XVIII, com a extração de minerais, atividade econômica que, juntamente com a agricultura, foi a responsável pelo crescimento demográfico observado até o século XX. Estando a cidade situada entre as serras do Cipó e do Espinhaço, o turismo ecológico passou a ser mais explorado a partir da década de 1950, vindo a ser emancipada em 1962 e instalada em 1º de março de 1963.
No município estão várias trilhas, morros e montanhas propícios a escaladas, cânions, cachoeiras e piscinas naturais de águas cristalinas, além de uma grande variedade de espécies animais e principalmente vegetais, sendo que o distrito da Serra do Cipó é uma das principais portas de entrada do Parque Nacional da Serra do Cipó, criado em 1972 com objetivo de preservar a biodiversidade local e os atrativos naturais existentes.
História Os primórdios do atual município de Santana do Riacho remontam ao período colonial brasileiro, quando chega à região um bandeirante, que parou para descansar próximo a um riacho (surgindo então o primeiro nome do lugar, Riacho Fundo). Ao explorar o local, o bandeirante entra em contato com a população indígena local, incluindo uma índia e uma pequena menina perdidas, a quem acolheu. A índia veio a falecer pouco tempo depois e a criança continuou a ser cuidada pelo bandeirante, sendo que quando crescida ambos tiveram vários filhos cujos descendentes deram procedimento ao povoamento da região.
A exploração da região, no entanto, tem seu início em maio de 1744, quando a posse do lugar, denominado Fazenda Riacho Fundo e pertencente à Comarca de Serro Frio, foi dada ao Sargento-mor Antônio Ferreira de Aguiar e Sá. A região se expandia economicamente devido a agricultura. Em 27 de outubro de 1759 inaugura-se a capela local, criando-se pela lei provincial nº 1355, de 6 de novembro de 1866, o distrito de Santo Antônio do Riacho Fundo, pertencente a Conceição do Mato Dentro; segundo a prefeitura, o distrito teria sido criado ainda no século XVIII, pertencente a Conceição do Mato Dentro, sendo extinto em 17 de março de 1836, com território anexado a Morro do Pilar e recriado em 15 de abril de 1844.
Pela lei estadual nº 319, de 16 de setembro de 1901, o distrito passa a pertencer a Santa Luzia do Rio das Velhas (atual município de Santa Luzia), passando a denominar-se simplesmente Riacho Fundo pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. Pela lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, Riacho Fundo passa a pertencer ao município de Jaboticatubas, criado sob o mesmo decreto, sendo elevado à categoria de município pela lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962. A instalação oficial veio a ocorrer em 1º de março de 1963, sendo constituído do Distrito-Sede e Cardeal Mota (que passou a denominar-se Serra do Cipó em maio de 2003). O nome recebido pelo município remonta ao riacho frequentado pelo bandeirante que estava a explorar o local e à padroeira municipal, Santa Ana.
Na década de 1970 é criado o Parque Nacional da Serra do Cipó, com objetivo de proteger a fauna, a flora e os bens naturais pertencentes à Serra do Cipó, com área total de área de hectares e englobando, além de Santana do Riacho, os municípios de Jaboticatubas, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. O turismo, presente desde a década de 1950, passou a representar uma das principais fontes de renda, com a construção de dezenas de estabelecimentos comerciais, hotéis, pousadas, áreas de camping estruturadas e propriedades rurais.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19°10'08" de latitude sul e 43°42'52" de longitude oeste e está a uma distância de 129 quilômetros a norte da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Congonhas do Norte, a nordeste e norte; Santana de Pirapama, a noroeste; Baldim, a oeste; Jaboticatubas, a sudoeste e sul; Itambé do Mato Dentro, a sudeste; e e Conceição do Mato Dentro e Morro do Pilar, a leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Belo Horizonte e Imediata de Sete Lagoas. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Sete Lagoas, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
Relevo e hidrografia thumb|esquerda|Vista aérea da Cachoeira Grande, situada no curso do rio Cipó. O relevo do município de Santana do Riacho é predominantemente montanhoso, estando situado na Serra do Cipó, a sul da Serra do Espinhaço. Aproximadamente do território riachense é coberto por mares de morros em terrenos montanhosos, enquanto em cerca de há o predomínio de áreas onduladas, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra do Espinhaço, onde o Pico do Breu chega aos metros, próximo ao povoado de Lapinha da Serra, enquanto que a altitude mínima está na foz do Rio das Pedras, com 723 metros. Já o ponto central da cidade está a 750 m.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais os rios Cipó e Parauninha, fazendo parte da bacia do rio São Francisco. As águas nascentes nas montanhas das serras do Cipó e do Espinhaço vertem para o rio das Velhas, afluente do rio São Francisco. O rio Cipó é considerado como o maior em volume de água, nascendo na Serra do Cipó e banhando o distrito da Serra do Cipó (antigo Cardeal Mota), possuindo ao longo de seu curso cachoeiras e trechos propícios a banhos.
Clima thumb|esquerda|Estação meteorológica no Parque Nacional da Serra do Cipó O clima riachense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical mesotérmico brando semiúmido (tipo Cwb segundo Köppen), tendo temperatura média anual de 21,9 °C com invernos secos e frios e verões quentes e chuvosos. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 23,8 °C, sendo a média máxima de 29,4 °C e a mínima de 18,2 °C. E o mês mais frio, julho, de 18,7 °C, sendo 26,3 °C e 11,2 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas 7 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 358,5 mm. Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros, matagais ou mesmo em áreas protegidas da Serra do Cipó, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar, sendo que entre 6 e 13 de outubro de 2012 o Parque Nacional da Serra do Cipó registrou o maior incêndio de sua história, que consumiu 6,2 mil hectares da vegetação.
Ecologia e meio ambiente thumb|esquerda|Uma sempre-viva na Serra do Cipó Parte da área do município é englobada pelo Parque Nacional da Serra do Cipó, criado em 1972 com objetivo de proteger a fauna, a flora e os bens naturais pertencentes à Serra do Cipó, atraindo a construção de vários estabelecimentos comerciais, hotéis, pousadas, áreas de camping estruturadas e propriedades rurais. O complexo da Serra do Cipó abrange ainda a área de proteção ambiental (APA) da Pedreira, situada no distrito da Serra do Cipó, que possui 130 mil hectares. Ambas as áreas de proteção fazem parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, que contém três complexos vegetacionais: campos rupestres (84% da área total), cerrado (8%) e mata atlântica (8%).
As áreas de conservação possuem uma grande variedade de espécies animais e vegetais, tendo uma das maiores biodiversidades do mundo. A fauna, apesar de vasta, é pouco conhecida, destacando-se a presença do lobo-guará, cachorro-vinagre, tamanduá-bandeira, veado-campeiro, onça-parda, gato-maracajá, sagui, jaguatirica, sanhaço, sapo-de-pijama e rã-diurna. Já na flora relevam-se: pau-pombo, a copaíba, o limãozinho, as quaresmeiras, os crótons e as samambaiaçus, nas áreas de mata atlântica; as canelas-de-ema (velósias gigantes), sempre-vivas, bromélias e cactos, além de várias espécies de orquídeas, nos campos rupestres; e murici, o pau-terra, as quaresmeiras e os ipês, no cerrado.
Demografia
Em 2022, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 5 313 habitantes.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Santana do Riacho é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,665 (o 2776º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos em relação à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,551, o valor do índice de longevidade é de 0,834 e o de renda é de 0,641. Segundo o IBGE, no ano de 2003 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,39, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 42,79%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 31,98%, o superior era de 53,61% e a incidência da pobreza subjetiva era de 44,52%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Santana do Riacho está composta por: católicos (82,62%), 501 evangélicos (12,47%), 139 pessoas sem religião (3,46%), nove espíritas (0,23%) e 0,72% estão divididas entre outras religiões.
Política e administração A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é André Ferreira Torres, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que foi eleito nas eleições municipais de 2012 e reeleito em 2016 com 57,15% dos votos válidos, ao lado de José Ferreira da Silva (Zezinho da Ci) como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente e tutelar, criados em 2003. Santana do Riacho se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 20 de março de 1990, e é termo da Comarca de Jaboticatubas, do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em setembro de 2018, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), número superior ao total de habitantes devido à grande quantidade de eleitores que não moram em Santana do Riacho, mas possuem vínculo com o município.
Economia O Produto Interno Bruto (PIB) de Santana do Riacho é um dos maiores de sua região, destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2010, o PIB do município era de R$ mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita é de R$ Em 2011 havia 689 trabalhadores categorizados como pessoal ocupado total e 483 se enquadravam como ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,6 salários mínimos. Havia 170 unidades locais e 169 empresas atuantes.
Setor primário Produção de cana-de-açúcar, mandioca e milho (2011) Produto Área colhida (hectares) Produção (tonelada) Cana-de-açúcar 120 Mandioca 50 500 Milho 60 120