thumb|right|250px|Símbolo tático de uma divisão de infantaria da OTAN. Uma divisão constitui uma grande unidade militar, em geral compreendendo um efetivo entre 9000 e 20 000 homens. A divisão é composta por vários regimentos ou brigadas, dependendo do tipo de organização de cada exército. O agrupamento de várias divisões geralmente forma um corpo de exército. O comando de cada divisão é exercido por um oficial general que, conforme o país, pode ter a patente de general de divisão, tenente-general ou major-general.
Durante o século XX, na maioria dos exércitos, a divisão constituiu a menor unidade de armas combinadas capaz de poder realizar operações militares independentes, uma vez que incluía tanto as tropas de combate como os elementos de apoio necessários à sua autossustentação. No entanto, desde o final do século XX, as brigadas têm vindo a tornar-se cada vez mais autossustentáveis, assumindo grande parte do papel até então reservado às divisões.
Além de se referir a uma grande unidade terrestre, o termo divisão pode ser usado em outros contextos para se referir a outro tipo de unidade militar. Por exemplo, no âmbito das marinhas de guerra, uma divisão naval constitui uma força naval sob o comando de um oficial superior ou oficial general. No âmbito terrestre, uma divisão de bataria constitui, em alguns exércitos, uma subdivisão ocasional de uma bataria de artilharia, agrupando duas ou três bocas de fogo sob o comando de um oficial subalterno. Durante os séculos XVIII e XIX, uma divisão de batalhão constituía cada uma das subunidades táticas em que se dividia um batalhão de infantaria, para efeitos de manobra e de tiro.
História Origens No Mundo Ocidental, o primeiro general a apresentar a ideia de subdividir cada exército de operações em unidades de armas combinadas maiores que a brigada foi Maurício de Saxe, marechal-general do Exército Francês, no seu livro Més Réveries, no início do século XVIII. Morreu, no entanto, em 1750, sem ter implementado a sua ideia.
Victor-François de Broglie - marechal de França a partir de 1759 - colocou as ideias de Maurício de Saxe em prática, conduzindo, com sucesso, experiências práticas do sistema divisionário durante a Guerra dos Sete Anos.
O primeiro conflito militar na qual o sistema divisionário foi usado sistematicamente foram as Guerras Revolucionárias Francesas. O encarregado dos assuntos militares do Comitê de Salvação Pública, Lazare Carnot, chegou às mesma conclusão que o anterior governo realista, sendo o Exército Francês organizado em divisões.
A existência de divisões tornou os exércitos mais flexíveis e manobráveis, bem como tornou o enorme Exército Revolucionário possível de administrar. Sob Napoleão Bonaparte, devido ao número crescente de divisões, as mesmas foram agrupadas em corpos de exércitos. O sucesso militar de Napoleão espalhou o sistema corpo de exército/divisão por toda a Europa. No final das Guerras Napoleónicas, aquele sistema estava em vigor em quase todos os exércitos europeus.
A moderna divisão Nos tempos modernos, a estrutura divisionária tornou-se padronizada em quase todas as forças armadas. Isto não significa que as divisões sejam todas iguais, tanto em tamanho como em estrutura, mas sim que, na maioria dos casos, elas constituem grandes unidades, de 10 000 a 15 000 homens, com o apoio orgânico suficiente para poderem conduzir operações de forma independente.
Até à Primeira Guerra Mundial, as divisões da maioria dos exércitos englobavam várias brigadas, as quais, por sua vez agrupavam vários regimentos. No entanto, no período entreguerras foi adoptado um sistema em que o escalão brigada foi eliminado, passando a organização divisionária a incluir três ou quatro regimentos da arma predominante da divisão diretamente dependentes desta, apoiados por regimentos de artilharia e por unidades divisionárias de engenharia, transmissões, serviços e outros elementos. Este sistema ainda é utilizado em alguns exércitos (como os da Rússia e da República Popular da China), mas na maioria dos outros, depois da Segunda Guerra Mundial, foi substituído pelo sistema da divisão do tipo LANDCENT, desenvolvido no âmbito das Forças Terrestres da OTAN na Europa Central (LANDCENT), na qual os regimentos de uma única arma foram substituídos por brigadas de armas combinadas que, além de incluírem batalhões da arma principal da brigada, incluem também as suas próprias unidades orgânicas de artilharia e de apoio, que antes só existiam ao nível divisionário. Modernamente, as próprias brigadas podem subdividir-se em agrupamentos táticos de armas combinadas.
O pico do uso da divisão como unidade primária de combate deu-se durante a Segunda Guerra Mundial, com mais de mil divisões a serem empenhadas por todos os beligerantes. Os avanços tecnológicos obtidos desde a Guerra Fria têm feito aumentar o poder de cada divisão, permitindo a redução do seu número. A Invasão do Iraque em 2003, por exemplo, foi já feita com uma força de apenas três divisões mais outras forças de apoio. Dado o aumento da capacidade de autossustentação das brigadas, a moderna tendência tem sido a atribuição às mesmas do papel de unidade primária de combate da maioria dos exércitos, em detrimento da divisão.
Tipos de divisões As divisões foram criadas como forma de enquadrar várias unidades de uma determinada arma sob o mesmo comando, juntamente com as unidades de apoio apropriadas, no sentido de poderem agir com grande autonomia. Cada divisão era designada de acordo com a arma predominante das unidades que enquadrava. As divisões mais modernas tornaram-se, cada vez mais, unidades de armas combinadas, apesar de, normalmente, manterem uma predominância de uma arma especial.
Divisões de infantaria As divisões de infantaria constituem a grande maioria das divisões. Na maioria dos exércitos menores, estas constituíam aliás o único tipo de divisão existente, sendo referidas apenas como "divisão" e não como "divisão de infantaria". Até depois da Primeira Guerra Mundial existia praticamente um único tipo de divisão de infantaria, com excepção de alguns tipos particulares como as divisões ligeiras ou as de montanha.
Com o desenvolvimento acentuado da motorização, da mecanização e da aviação ocorrido a partir da Primeira Guerra Mundial, surgiram as divisões de: infantaria motorizada, infantaria mecanizada e aerotransportadas.
Divisões de cavalaria thumb|Forças especiais dos EUA em ação a cavalo, no Afeganistão com aliados locais. Na maioria dos países, a cavalaria foi sempre empregue em unidades menores, nunca sendo organizada em divisões. No entanto, nos exércitos maiores ou naqueles em que a cavalaria constituía uma proporção elevada das tropas, foram criadas divisões de cavalaria. Isto aconteceu, por exemplo, nos exércitos da Alemanha, dos EUA, da França, do Japão, da Polónia, do Reino Unido e da Rússia/União Soviética. As divisões de cavalaria organizavam-se, geralmente, como as homólogas de infantaria, mas tendo regimentos e brigadas de cavalaria em vez de regimentos e brigadas de infantaria. Dispunham, no entanto, de unidades de apoio menores e mais leves, normalmente deslocando-se ou sendo puxadas a cavalo, como era o caso da artilharia a cavalo.
Embora o cavalo fosse o animal mais utilizado, tanto na Frente de batalha, quanto na retaguarda, a utilização de outros espécimes nas mesmas funções, como elefante, mula, camelo, remontam à épocas anteriores a Alexandre, o Grande e Aníbal, persistindo até conflitos da era contemporânea, como os do Vietnã e do Afeganistão. Já durante a Segunda Guerra Mundial, quando poucos exércitos ainda dispunham de divisões a cavalo, animais ainda seguiam sendo utilizados em batalhões e brigadas especializadas, em alguns teatros de operações, sendo especialmente úteis para a atuação em áreas florestais ou na segurança da retaguarda. Não apenas, mas especialmente em terreno montanhoso, como era a frente italiana, a utilização de animais como a mula (entre outros) e veículos menores (que replicavam funções destes animais) como bicicletas e/ou motocicletas militares foram fundamentais para a mobilidade das tropas. O Exército Soviético foi o último a manter divisões a cavalo como força combatente, só as extinguindo na década de 1950. No Brasil a 4ª Divisão de Cavalaria foi a última a ser mecanizada, em dezembro de 1980, mas seus regimentos permaneceram hipomóveis até meados dos anos 80. esquerda|thumb|Tropas da 10ª Divisão de Montanha (EUA), em foto da II Guerra, que ilustra o uso da cavalaria, tradicional com tração animal, junto à moderna, mecanizada. Apesar do uso para batalha da cavalaria a cavalo (ou outros animais) ter caído em obsolescência, o conceito da cavalaria como uma força ligeira capaz de realizar as missões tradicionalmente atribuídas às unidades a cavalo regressou ao pensamento militar, durante a Guerra Fria. Foram desenvolvidos dois novos tipos de cavalaria: a cavalaria aérea ou aeromóvel, baseada no uso de helicópteros e a cavalaria blindada, baseada no uso de veículos blindados.
Divisões blindadas O desenvolvimento do carro de combate, no final da Primeira Guerra Mundial, levou alguns países a experimentar enquadrá-lo em grandes unidades do escalão divisão. Muitos exércitos fizeram isto do mesmo modo que o tinham feito para a cavalaria, ao simplesmente substituírem unidades de infantaria por unidades de carros de combate, além de motorizarem ou mecanizarem as unidades de apoio. Este sistema mostrou-se pouco eficaz em combate, uma vez que as novas divisões blindadas tinham muitos carros de combate, mas pouca infantaria para os apoiar. Em vez disso, foi feita uma nova abordagem que consistiu em balancear o número de carros de combate, de unidades de infantaria e de unidades de apoio.
Desde a Segunda Guerra Mundial, a designação "divisão blindada" passou a referir-se às divisões com uma predominância de unidades de carros de combate, apoiadas por unidades de infantaria mecanizada. Já, as divisões com uma predominância de infantaria mecanizada, apoiadas por unidades de carros de combate, passaram a designar-se "divisões de infantaria mecanizada" ou "divisões mecanizadas".
Divisões de artilharia No âmbito da artilharia, "divisão" pode referir-se tanto a uma grande unidade de artilharia sob o comando de um oficial general, como a uma subdivisão de uma bataria. Como subdivisão de uma bataria, uma divisão de artilharia constitui, em alguns exércitos, um agrupamento ad hoc de duas ou mais bocas de fogo, sob o comando de um oficial subalterno, que é destacado de uma bataria de artilharia de campanha para atuar autonomamente.
Como grandes unidades, as divisões de artilharia foram criadas, em alguns exércitos, com o objetivo de agrupar um elevado número de armas de artilharia sob o mesmo comando, obtendo-se a capacidade de produzir um enorme poder de fogo concentrado. A utilização da divisão de artilharia inseriu-se, por exemplo, nas táticas soviéticas, as quais a utilizavam a artilharia como arma de combate ofensivo e não apenas como uma simples arma de apoio à infantaria, cavalaria e blindados. Durante a Segunda Guerra Mundial, os soviéticos formaram 31 divisões de artilharia, além de sete divisões de artilharia de foguetes. As divisões de artilharia foram também criadas em alguns outros exércitos que seguiram a doutrina militar soviética, para além de terem sido criadas no Exército Alemão, durante a Segunda Guerra Mundial, para fazerem face às divisões de artilharia inimiga. A doutrina dos exércitos ocidentais nunca levou à formação de divisões de artilharia, mesmo nas forças armadas de maior dimensão.
Para além das divisões de artilharia de campanha e estratégica, vários exércitos criaram também divisões de artilharia antiaérea, cada uma delas encarregue de controlar as unidades responsáveis pela defesa antiaérea de uma determinada área.
Divisões por país Alemanha