Óscar Luso de Freitas Lopes GCL • GCIP (Matosinhos, Leça da Palmeira, 2 de outubro de 1917 – Matosinhos, 22 de março de 2013) foi um deputado e professor português que desenvolveu a sua atividade docente e de investigação nas áreas da literatura e da linguística.

Alguns dados biográficos Óscar Lopes era filho do folclorista Armando LopesConhecido sob o pseudónimo de Armando Leça. Ver Armando Leça na página da Câmara Municipal de Matosinhos. e da violoncelista Irene Freitas.

Irmão de Maria Mécia de Freitas Lopes (Leça), esposa de Jorge de Sena e organizadora do espólio literário deste, e de Rui Silvino de Freitas Lopes (1922), tenente-coronel do exército.

A formação Óscar Lopes, licenciou-se em Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Apreciador da música, cursou igualmente o Conservatório de Música do Porto.

A atividade docente Foi professor efectivo do Liceu Nacional de Vila Real e dos liceus Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas, do Porto, entre 1941 e 1974; neste último orientou o grupo de estudantes que formava o corpo redator do jornal académico O Mensageiro, iniciado em 1952.

Em 1975 ingressou, como professor catedrático, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto,Um dos pareceres que fundamentou a nomeação de Óscar Lopes como professor catedrático foi elaborado por Vitorino Nemésio e encontra-se disponível no wikisource. onde se jubilou.

Na Universidade do Porto desempenhou, entre outros cargos, o de vice-reitor da Universidade (1974-1975) e o de director da Faculdade de Letras (1974-1977).

A intervenção cívica Óscar Lopes pertenceu ao Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF), ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), ao Movimento Nacional Democrático (MND), à Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.Sobre a participação de Óscar Lopes no núcleo fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, ver o texto de Nuno Teotónio Pereira publicado no jornal Público de 17 de janeiro de 1995.Cf. LEMOS, Mário Matos e; TORGAL, Luís Reis (coord. e pref.). Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973): Um Dicionário. Lisboa: Assembleia da República e Texto Editora, 2009. , pg. 306.

Militante do Partido Comunista Português desde 1945, Óscar Lopes fez parte do seu Comité Central entre 1976 e 1996. Foi deputado à Assembleia da República Portuguesa pelo PCP, candidato nas listas da FEPU, APU e da Coligação Democrática Unitária. Foi também eleito na Assembleia Municipal do Porto.

Devido à sua atividade como opositor político ao regime do Estado Novo foi detido pela polícia política em 1955 no processo dos Partidários da Paz e, em diversas situações, impedido de sair do país para participar em reuniões científicas no estrangeiro.Faleceu Óscar Lopes na página do Partido Comunista Português.

Foi candidato à Assembleia Nacional nas listas da oposição ao regime do Estado Novo em 1973.Cf. LEMOS, Mário Matos e; TORGAL, Luís Reis (coord. e pref.). Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973): Um Dicionário. Lisboa: Assembleia da República e Texto Editora, 2009. , pg. 53.

Membro ativo da Sociedade Portuguesa de Escritores, encerrada pelo Estado Novo, Óscar Lopes fez parte da comissão promotora da constituição da Associação Portuguesa de Escritores, de que foi presidente.Cf. História da Associação Portuguesa de Escritores].

Foi um dos criadores da Universidade Popular do Porto, em 1979.Cf. Universidade Popular do Porto.

O crítico literário e historiador da literatura Crítico literário, Óscar Lopes publicou uma vasta colaboração em diversos jornais e revistas, onde se destacam a Seara Nova, a Vértice, o Mundo LiterárioMundo literário : semanário de crítica e informação literária, científica e artística (1946-1948) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1946-1948), a Colóquio/LetrasCf. pesquisa no índice da revista Colóquio/Letras. e o suplemento literário de O Comércio do PortoSobre a colaboração em O Comércio do Porto, ver LIMA, Isabel; MARTELO, Rosa Maria. «Óscar Lopes em 'A Crítica do Livro': Duas Leituras (I, II), in Sentido que a Vida Faz: Estudos Para Óscar Lopes. Porto: Campo das Letras, 1997..

A História da Literatura Portuguesa, escrita em colaboração com António José SaraivaÓscar Lopes recordando a sua amizade com António José Saraiva em entrevista à Antena 2 (som)., e publicada pela primeira vez em 1955, é há muitos anos uma referência para o ensino desta disciplina.

O linguista A sua Gramática Simbólica do Português, editada em 1971 e reeditada em 1972, abriu os caminhos da moderna linguística portuguesa.

Em 1976, já professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, deu o impulso fundador ao Centro de Linguística da Universidade do PortoCf. página do Centro de Linguística da Universidade do Porto.. Nesta faculdade lecionou exclusivamente disciplinas da área da linguística, tendo a primeira sido a de Linguística Matemática Computacional.CRUZ, Valdemar. «Óscar Lopes», no Expresso de 23 de março de 2013, pg. 34.

Algumas obras Óscar Lopes foi autor de dezenas de obras no domínio da literatura e da linguística

Linguística Gramática Simbólica do Português. Lisboa: Instituto Gulbenkian de Ciência, 1972, 2.ª ed., corrigidaA 1.ª edição data de 1971.. Entre a Palavra e o Discurso: Estudos de Linguística (1977-1993). Coordenação da edição de OLIVEIRA, Fátima; BRITO, Ana Maria. Porto, Campo das Letras, 2005. Sobre esta obra ver o artigo de Sónia Valente Rodrigues in Linguística: Revista de Estudos Linguísticos da Universidade do Porto, Vol. 1, 2006, pp. 171-174..

Literatura e crítica literária História da Literatura Portuguesa (com António José Saraiva)A 1.ª edição data de 1955 (Porto: Porto Editora).. Album de Família: Ensaios sobre Autores Portugueses do Século XIX. Lisboa: Caminho, 1984. Os Sinais e os Sentidos: Literatura Portuguesa do Século XX. Lisboa, Editorial Caminho, 1986. Entre Fialho e Nemésio: Estudos de Literatura Portuguesa Contemporânea. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987: 1.º vol.: Geração de 1890; Geração da República 2.º vol.: Modernismo A Busca de Sentido: Questões de Literatura Portuguesa. Lisboa: Caminho, 1994. Sobre esta obra ver SARAIVA, Arnaldo. «Óscar Lopes e a Busca de Sentido» in Línguas e Literaturas, Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, XII, 1995, pp. 175-180. 5 Motivos de Meditação: Luís de Camões, Eça de Queirós, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa. Porto: Campo das Letras, 1999. .Conjunto de ensaios acerca dos autores referidos no título. Sobre esta obra ver FERREIRA, Serafim. «Óscar Lopes: o Prazer da Leitura e a Aventura do Saber» in A Página da Educação n.º 83, ano 8, setembro de 1999.

Biografias Jaime Cortesão. Lisboa: Arcádia, 1962. Antero de Quental: vida e legado de uma utopia. Lisboa: Caminho, 1983.

Condecorações, prémios e outras homenagens Condecorações Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública de Portugal (12 de Abril de 1989) Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal (9 de Junho de 2006)

Prémios Pelos seus trabalhos de ensaio e crítica recebeu os prémios: Rodrigues Sampaio da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Jacinto do Prado Coelho (1985), do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários. P.E.N. Clube Português de Ensaio (1986), pela obra A Busca de Sentido: Questões da Literatura Portuguesa.Cf. Pen Clube . Vida Literária (2000), atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores.Prémio Vida Literária . Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora (2002), pelo conjunto da obra.Cf. Público, de 1 de fevereiro de 2002.

Outras homenagens Voto de louvor aprovado pela Assembleia da República em 23 de abril de 1987.Cf. o n.º 70 da 1.ª série do Diário da Assembleia da República, de 24 de abril de 1987, pgs. 2733 e 2734. Doutor honoris causa pela Universidade de Lisboa, em 21 de fevereiro de 1990.Cf. doutoramentos honoris causa atribuídos pela Universidade de Lisboa. O seu nome foi dado a uma escola do concelho de Matosinhos, a EB23 Óscar Lopes.EB23 Óscar Lopes . O seu nome foi também dado à sala principal das instalações do Centro de Linguística da Universidade do Porto, na FLUP. Curiosidades

Durante a sua vida colecionou milhares de livros, sobre os mais variados temas. Atualmente parte da sua biblioteca pessoal (particularmente livros sobre linguística) encontra-se disponível para consulta na Casa dos Livros - Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto (Rua do Campo Alegre 1055, 4150-181 Porto) e poderá ser consultada em qualquer dia útil, das 14h30 às 18h.

Ligações externas Entrevista de Óscar Lopes ao Público de 8 de agosto de 1999. Depoimento de Carlos Reis, no Público de 22 de março de 2013.

Categoria:Naturais de Matosinhos Categoria:Professores da Universidade do Porto Categoria:Doutores honoris causa pela Universidade de Lisboa Categoria:Críticos literários de Portugal Categoria:Ensaístas de Portugal Categoria:Linguistas de Portugal Categoria:Revolucionários de Portugal Categoria:Comunistas de Portugal Categoria:Antifascistas de Portugal Categoria:Opositores da ditadura portuguesa Categoria:Políticos do Partido Comunista Português Categoria:Grã-Cruzes da Ordem da Instrução Pública Categoria:Grã-Cruzes da Ordem da Liberdade