Teófilo Otoni é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Mucuri, estando situado a cerca de a nordeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025, sendo então o 18º mais populoso do estado.
A região começou a ser desbravada no decorrer do , em expedições que visavam a encontrar ouro e diamante na região, porém somente em 1853 é que chega ao lugar a chamada "Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri", que tinha objetivo de povoar o Vale do Mucuri e era comandada por Theophilo Benedicto Ottoni. Este fundou o núcleo pioneiro à margem do rio Todos os Santos no dia 7 de setembro daquele ano. Tendo recebido uma considerável quantidade de imigrantes, principalmente alemães, com o passar do tempo o município descobriu sua vocação econômica para a exploração de pedras preciosas, sendo considerada hoje a "Capital Mundial das Pedras Preciosas".
Além de se destacar no setor de exploração mineral, Teófilo Otoni também possui alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como o Prédio da CEMIG, que releva-se pela sua arquitetura e história, tendo sido fundado em 29 de fevereiro de 1928; a Praça Germânica, onde o prédio situa-se, que foi construída em homenagem à imigração alemã na cidade; e a Igreja Matriz. Também há eventos de relevância regional ou mesmo nacional e internacional, como a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), a Festa da Descendência Alemã e o Festival de Teatro de Teófilo Otoni (FESTTO).
História
Origens e pioneirismo thumb|esquerda|170px|Teophilo Benedicto Ottoni, a quem o nome da cidade homenageia. As terras do atual município de Teófilo Otoni começaram a ser desbravadas ainda no , em expedições que visavam a encontrar ouro e diamante na região. Nas décadas seguintes destacaram-se as de Sebastião Fernandes Tourinho (1573) e Antônio Dias Adorno (1580), sendo que ambas contribuíram para que fosse feito um "mapeamento" da região. O lugar continuou desabitado até o começo da década de 1750, quando afixa-se o mestre de campo João da Silva Guimarães. Na mesma época também é construída, a mando de Antônio José Coelho, a Fazenda Mestre Campota; hoje sede da Colônia Francisco Sá, que reúne colonos nacionais, alemães, austríacos e outros.
Com as terras originalmente ligadas à antiga Comarca do Serro Frio e depois ao município de Minas Novas, a história do município liga-se à história de seu fundador, Theophilo Benedicto Ottoni, que, após renunciar ao seu mandato de deputado, iniciou a colonização do Vale do Mucuri com a fundação da chamada "Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri", em 1847. Para marcar o encontro das duas grandes expedições que partiram em direções diversas, foi fundado, em 7 de setembro de 1853, o núcleo pioneiro, à margem do rio Todos os Santos, denominado Filadélfia, em homenagem à cidade homônima (dado o rápido desenvolvimento alcançado por esta).
O dia da fundação do povoado foi marcado pelo alinhamento da primeira rua; uma rua plana e reta, no rumo norte-sul, batizada primeira rua de Filadélfia, hoje também conhecida como Rua Direita e oficialmente como Avenida Getúlio Vargas. Nos anos a seguir se destacaram as melhorias na infraestrutura e crescimento do comércio; em 1854 foram construídos grandes armazéns e em 1858 foram abertas estradas ligando povoados. Em 1856 chegam os primeiros descendentes de alemães e suíços, vindos através de anúncio publicado na Alemanha convocando colonizadores que teriam amparo por parte da "Companhia Mucuri"; que muito colaboraram na construção das estradas. A estrada ligando Filadélfia ao povoado de Santa Clara foi a primeira rodovia do interior do Brasil, tendo sido inaugurada em agosto de 1857, tinha cerca de 170 km e trafegavam por ela uma média anual de 40 carros particulares puxados por bestas, 200 carros de boi e 400 lotes de burros (1859).
Evolução administrativa e história recente Àquela época estimava-se uma população de cerca de 600 habitantes e 130 domicílios, sendo que muitos saíam da cidade em decorrência dos constantes problemas com epidemias de doenças tropicais e ataques dos povos indígenas botocudos, que tiveram seu território invadido. Do povoado de Filadélfia, fundado oficialmente em 7 de setembro de 1853, foi criada a freguesia com a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Filadélfia, pela lei provincial nº 808, de 3 de julho de 1857. Pela lei provincial nº 2486, de 9 de novembro de 1878, é criada a vila com o nome de Teófilo Otoni, em homenagem a Theophilo Benedicto Ottoni, tendo se desmembrado de Minas Novas.
Nos anos seguintes ocorreram a criação e emancipação de vários distritos de Teófilo Otoni. Atualmente restam seis, sendo eles: Crispim Jaques, Mucuri, Pedro Versiani, Rio Pretinho, Teófilo Otoni (sede) e Topázio. A última alteração territorial ocorreu pela lei estadual nº 10703, de 27 de abril de 1992, quando emancipou-se o distrito de Frei Gonzaga (atual cidade de Novo Oriente de Minas).
No decorrer do século XX a cidade continuou a se destacar no ramo da extração de pedras preciosas, sendo reconhecida hoje como a "Capital Mundial das Pedras Preciosas". Sedia anualmente feiras e exposições do ramo, atraindo mercado consumidor internacional, sendo que o uso de recursos tecnológicos tem sido cada vez mais aplicado na extração dos minerais. Estando situada nordeste do estado de Minas Gerais, no Vale do Mucuri, é considerada como centro macro-regional.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 17°51'27" de latitude sul e 41°30'19" de longitude oeste e está a uma distância de 446 quilômetros a nordeste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Novo Oriente de Minas, a norte; Pavão, a nordeste; Carlos Chagas, a leste; Ataleia, a sudeste; Frei Gaspar, a sul; Itambacuri, a sudoeste; Poté e Ladainha, a oeste; e Itaipé e Catuji, a noroeste. De acordo com a divisão regional vigente, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Teófilo Otoni e está localizado na microrregião de Teófilo Otoni, que faz parte da mesorregião do Vale do Mucuri.
O relevo do município de Teófilo Otoni é predominantemente montanhoso. Aproximadamente do território teófilo-otonense é coberto por mares de morros e montanhas, enquanto em cerca de há o predomínio de terrenos ondulados, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na divisa com o município de Novo Oriente de Minas, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego São Julião, com 366 metros. O solo é rico em gemas, sendo possível encontrar diversas variedades como águas marinhas, topázios, ametistas, crisoberilos e turmalinas.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais os rios Marambaia e Todos os Santos, o ribeirão Poton e o córrego São Julião. A cidade faz parte da bacia do rio Mucuri, que se estende por outros 16 municípios e está incluída na bacia agrupada do Atlântico Leste. Apesar da realização de obras de melhorias, tais como pavimentação de ruas e construção de barragens, no período chuvoso ainda são registradas grandes enchentes causadas pelo excesso de lixo nos cursos hídricos que intercedem o perímetro urbano municipal.
Clima thumb|esquerda|Vista da cidade em um dia de céu nublado O clima teófilo-otonense é caracterizado como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com temperatura média compensada anual de e pluviosidade média de , concentrados entre os meses de outubro e abril, sendo dezembro o mês de maior precipitação. A estação chuvosa compreende os meses mais quentes, enquanto que a estação seca abrange os meses amenos. Apesar da queda da temperatura no inverno, eventos de frio em demasia não são incomuns. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição. Com pouco mais de horas de insolação por ano, a umidade do ar média anual é superior a 70%. Nevoeiros ocorrem nas manhãs dos meses frios, por conta da alta umidade e das baixas temperaturas. Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em Teófilo Otoni por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 21/01/2016 Julho 08/07/1965 Fevereiro 04/02/2002 Agosto 27/08/1984 Março 17/03/1964 Setembro 10/09/1976 Abril 12/04/1926 Outubro 27/10/2004 Maio 02/05/1968 Novembro 02/11/1975 Junho 03/06/2001 Dezembro 31/12/1990 Período: 01/01/1918 a 31/12/1943, 01/01/1961 a 31/12/1968, 26/01/1970 a31/08/1989, 01/07/1990 a 26/11/2008 e 20/10/2011 a 31/12/2018 As chuvas, sobretudo nos meses da estação chuvosa, podem vir acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e, esporadicamente, queda de granizo, com registro desse fenômeno em 2 de junho de 2009 e em 21 de agosto de 2023, provocando quedas de árvores e destelhamentos de casas em vários pontos do município. Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Teófilo Otoni é o 732º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 1,5483 raio por quilômetro quadrado. No entanto, baixos índices de umidade podem ser registrados durante a estação seca ou em longos veranicos. Nesses períodos, o ar seco propicia a ocorrência de queimadas, inclusive em áreas de preservação ambiental, e favorece a poluição do ar.
Segundo dados da antiga estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) da cidade (desativada em março de 2019), referentes ao período de 1918 a 1943, 1961 a 1968, 1970 a 2008 e 2011 a 2018, a menor temperatura registrada em Teófilo Otoni foi de em 29 de julho de 1972 e a maior atingiu em 31 de outubro de 2012. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 15%, registrado em 30 de agosto de 1963. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 4 de fevereiro de 2002. As chuvas que caíram nesse dia deixaram a cidade em estado de calamidade pública, com um saldo de 12 mortes, 16 mil desalojados, 247 moradias destruídas e outras 600 parcialmente danificadas.
Já segundo a estação meteorológica automática do INMET instalada em 26 de agosto de 2006, a menor temperatura registrada foi de em 20 de maio de 2022, e a maior atingiu em 19 de novembro de 2023, durante uma onda de calor intensa. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 11% na tarde de 14 de outubro de 2014. O maior acumulado de precipitação em 24 horas, por sua vez, foi de em 29 de novembro de 2012. A maior precipitação horária foi de entre 22 e 23 horas do dia 21 de janeiro de 2020, enquanto que a maior rajada de vento foi de , durante uma chuva na tarde de 2 de janeiro de 2020.
Ecologia e meio ambiente O município está localizado no Bioma Mata Atlântica, e devido ao desmatamento hoje apresenta apenas alguns de trechos de Mata Atlântica, apesar de que parte da mata nativa foi severamente devastada nos últimos 50 anos; inicialmente com o ciclo exploratório da madeira, que era vendida para outras regiões e estados sem que a população local fosse recompensada, depois para dar lugar às plantações de café e por último para ceder espaço à agricultura moderna, às pastagens para o gado, ou mesmo desmatada e mais tarde reflorestada. Atualmente, a região possui uma das maiores coberturas vegetais bioma da Mata Atlântica Semidecidual no estado de Minas Gerais e do Brasil.