Jair Félix da Silva, mais conhecido como Jair Bala (Cachoeiro de Itapemirim, 10 de maio de 1943 — Belo Horizonte, 27 de dezembro de 2022), foi um futebolista brasileiro, que atuou como meia e ponta-esquerda.

É considerado o maior ídolo do América-MG, do qual também é o 6º maior artilheiro de todos os tempos.

Carreira

Jogador O começo de carreira de Jair foi no Estrela do Norte, time de Cachoeiro do Itapemirim, onde começou ainda menino. O responsável foi "Seu" Zezinho, que até hoje é homenageado pelo clube. A mãe, D. Maria da Conceição, queria que Jair trabalhasse na Ferrovia Leopoldina como o pai e o avô. Mas ele nunca quis nada com o pesado, disse certa vez em entrevista. Do pai Zózimo Félix da Silva, conhecido como "Seu" Batata e craque do time amador da ferrovia, acabou herdando a habilidade com a bola. Jair foi levado para o Flamengo pelas mãos do treinador Manuel Fleitas Solich após um amistoso da equipe do interior capixaba com o rubro-negro carioca, ainda no início dos anos 1960. Lá atuou como juvenil mas convivia com craques como Dida e Gérson. O 10 da Gávea, que mais tarde passaria a camisa para Zico, era amigo e confidente.

O apelido de "Bala" vem dessa época. Segundo o próprio Jair, certa vez ele foi ao escritório das categorias de base atrás de um "bicho", gíria no futebol para dinheiro. Chegando lá, encontrou o funcionário Willian, a quem fez o pedido. Por brincadeira, fingindo tentar fazer o menino mudar de ideia, Willian empunhou uma arma de fogo que estava na gaveta da mesa da sala, de propriedade do dirigente Jaime de Almeida. Não imaginava que estivesse carregada e chegou a apontá-la para Jair. Ao abaixar o armamento, houve um disparo acidental. A bala ricocheteou no chão e foi entrar na coxa esquerda do jovem ponta de lança, parando na virilha. Felizmente, não atingiu nenhuma parte vital. Os médicos acharam por bem não retirar o projetil, que Jair carregou até o fim da vida dentro do corpo, em local ignorado. Foi então que virou o Jair "da Bala" e, posteriormente, Jair Bala.

Em 1963, ele se transferiu para o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos, onde assinou o primeiro contrato como profissional, ganhando cerca de Cr$ 4 mil de ordenado. A elegância e o fino-trato com a bola lhe valeram as primeiras crônicas do jornalista Nelson Rodrigues na coluna "À sombra das chuteiras imortais" naquele mesmo ano. Em um de seus textos, Nelson deu tom poético à bala que Jair carrega no corpo e no apelido: "(...)se Jair fosse simplesmente Jair, estaria apodrecendo na obscuridade. À toda hora, em toda parte, nós esbarramos, nós tropeçamos num Jair qualquer.(...) Contra o Madureira, o nosso Jair se disparou realmente como um tiro. Desde o primeiro minuto, foi uma arma apontada para o peito do inimigo. E todos percebemos, em General Severiano, que nunca um Jair fora tão bala. É a autenticidade dos apelidos, que nunca existe nos nomes (...)". Jair também foi personagem em vários textos de Roberto Drummond, Fernando Brant e outros cronistas importantes.

Iniciou sua trajetória pelo América-MG em 1964 e logo em seu primeiro ano de clube, foi o artilheiro do Campeonato Mineiro (o último da Era-Estádio Independência).

Foi contratado pelo Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto/SP em 1965, quando os dirigentes investiram 50 milhões de cruzeiros, uma alta transação que não era vista em clubes do interior. Jair Bala integrou elenco do Comercial que disputou título do Paulistão de 1966 e goleou o arquirrival Botafogo-SP por 5x0. Em pouco tempo Jair Bala virou ídolo da torcida comercialina e foi vendido ao Palmeiras por 90 milhões de cruzeiros.

Fez parte do Palmeiras nos tempos da Academia de Ademir da Guia, participando de 21 jogos em 1967, marcando 5 gols e sendo campeão do Torneio Roberto Gomes Pedroza daquele ano.

A vida de desportista foi de cigano, mas sempre como destaque pelas equipes por onde passou. Jair Bala teve rápidas passagens pela Ponte Preta de Campinas/SP, Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes e do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba/SP.

Em 1969, defendeu o Santos. Sua estreia aconteceu em vitória do Santos por 3 x 1 contra o Coritiba, com dois gols de Pelé. Ele substituiu o "rei" após o milésimo gol na partida contra o Vasco da Gama, no estádio do Maracanã, em 19 de novembro de 1969. No jogo anterior, contra o Bahia, marcou o único gol santista no empate em 1 x 1, que poderia ter antecedido a festa. Na época, Pelé declarou que Jair era seu companheiro ideal para o ataque. Apesar do apoio, ele acabava entrando em campo (quando entrava) só depois de o jogo começar.

Retornou ao América, onde foi campeão mineiro em 1971, num plantel que é até hoje considerado o melhor formado pelo "Coelho", ao lado de Pedro Omar, Juca Show, Misael, Cândido, Zé Carlos Generoso entre outros. Pelo clube, tem 78 gols marcados em 144 jogos.

Outro grande momento na carreira de Jair foi atuando pelo Santos.

Jogou também pelo Esporte Clube Bahia e encerrou a carreira como jogador no Paysandu Sport Club nos anos 1970.

Treinador Jair Bala também fez carreira como treinador. Esteve à frente de diversas equipes do futebol mineiro (a estreia foi no Sete de Setembro Futebol Clube) e foi Campeão Brasileiro da Segunda Divisão (conhecida na época como Taça de Prata) dirigindo o Londrina Esporte Clube em 1980.

Como treinador, comandou o América em 1979 e na temporada de 1987 e 1988, sendo até hoje o terceiro técnico que mais esteve à frente do time americano, com 232 jogos.

Reconhecimento É considerado o maior ídolo do América-MG, pelo próprio clube. Na década de 1990, ele foi eleito o maior jogador americano em todos os tempos por uma enquete do jornal Estado de Minas. Em abril de 2022, foi eleito para a "Seleção do Coelhão", resultado da eleição por voto popular na internet da seleção dos maiores jogadores da história do América.

O contorno de seus pés está gravado em cimento no hall da fama do estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

Títulos Como jogador Palmeiras Campeonato Brasileiro (Torneio Roberto Gomes Pedrosa): 1967

América Mineiro Campeonato Mineiro: 1971

Como treinador Londrina Campeonato Brasileiro - Série B: 1980

Artilharias Campeonato Mineiro: 1964 (25 gols) e 1971 (14 gols)

Vida pessoal Jair Bala era casado com Sônia Albano, com quem teve três filhos. Um deles, Jair Albano Félix, é ex-árbitro de futebol"Assistente de Cruzeiro x Atlético-MG revela que sofreu ameaças", UOL Esporte, 23/02/2010 e, desde dezembro de 2011, era o diretor de futebol do América/MG. Jair e Dona Sônia tiveram ainda Sabrina e Sandrelle, e têm a sobrinha Veruska como filha-de-criação.

Jair Bala foi fundador e atuou na Associação dos ex-jogadores do América/MG, a primeira do país a representar atletas que pararam de jogar. Trabalhou como funcionário público na Prefeitura de BH e fazia participações eventuais no programa Alterosa Esporte, da TV Alterosa, emissora afiliada do SBT em Minas Gerais. Era um dos representantes do América (cobrindo a ausência do titular Otávio Di Toledo) na Bancada Democrática do programa.

Ficou marcado pelo jeito "boleiro", autor de frases engraçadas. Entre elas: "O amor é lorota: o que vale é la nota.".

Nos seus últimos anos, teve várias internações em decorrência de infecção nos pulmões. Enfrentava problemas de saúde e sofreu um AVC nas últimas semanas de vida, vindo a falecer em 27 de dezembro, em Belo Horizonte.

Jair Bala Categoria:Futebolistas do Espírito Santo (estado) Jair Bala Jair Bala Jair Bala Jair Bala Jair Bala Categoria:Treinadores do Cruzeiro Esporte Clube Categoria:Treinadores do América Futebol Clube (Belo Horizonte) Categoria:Treinadores do Londrina Esporte Clube Categoria:Treinadores do Comercial Futebol Clube (Ribeirão Preto) Categoria:Futebolistas do Comercial Futebol Clube (Ribeirão Preto)